Queria entender de onde vem tanta hipocrisia. Será que vende em algum lugar?
Hoje, dia que tinha tudo pra ser ameno, se tornou uma merda por uma frase que, no contexto em que ele foi inserido, não faz o menor sentido.
Vejamos: tive um namorado africano. Passei 9 meses com pessoas no meu pé porque “ele tinha uma cultura diferente, porque ele não era brasileiro, porque vai que você casa com ele e vai pro outro lado do mundo e não dá certo, etc”. Passei por cima disso, defendi meu relacionamento porque acreditava nele, e o receio da minha família era completamente natural.
Hoje minha prima, ironicamente, está no continente Africano trabalhando como missionária. Foi um drama incrível porque a menina foi passar um mês. Daí começou a hipocrisia. As pessoas oram por missionários mas quando é na família ficam com medo e receios e preferiam que não fosse.
Pois bem, ela foi e lá acabou por esbarrar com uma antiga colega de minha avó, que acabou criando os filhos lá. O comentário foi que o filho da tal senhora é bonito e minha prima podia ficar por lá com ele.
Tenho o péssimo hábito de falar o que me vem a cabeça e num deboche, ironizei a situação; ora bolas, 11 meses atrás não pensaram o mesmo de mim. E o que disseram?
MAS ESSE É CRENTE.
Nunca escutei uma afirmação mais BABACA. Não pelo rapaz ser crente. Não por isso. Mas porque saiu da boca da pessoa que está afastada da igreja há anos e eu mesma estou num momento backslider, é público e notório.
Poucas vezes fiquei tão magoada com algo do tipo porque no meu ‘seio familiar’, só UM CASAMENTO com evangélicos deu certo, e foi o segundo da minha avó, que hoje é viúva. Nem minha mãe, nem minha tia, nem minha prima que fora noiva de um seminarista que fez coisa que até Deus duvida com ela.
Minha tia está no segundo casamento, com um cara que nunca se converteu. Minha mãe namorou tudo quanto foi crente quando jovem, tipo vários, casou com meu pai e olha só!, não o vejo há 12 anos.
Daí me pergunto: é sério MESMO que ser crente, ser evangélico, ser protestante, ser qualquer coisa, qualifica mais o relacionamento de um que de outro? Meu namoro acabou e não foi 3 meses antes de casar, com casa pronta e tals. Tampouco sofri abusos físicos por parte dele, fiz outros sofrerem e etc.
Eu não consigo acreditar mesmo que fui obrigada a escutar esse tipo de coisa vindo de alguém sem a menor moral pra proferir esse tipo de declaração. Eu não consigo engolir essa necessidade de achar que o que será perfeito é tudo menos o que eu escolho, inclusive profissionalmente.
O que mais me dói agora é essa coisa toda de hipocrisia. É estar em pleno século 21 e ter que escutar isso. E não, meu ex-namorado não era macumbeiro ou qualquer coisa que o valha; era um reles católico, mais praticante que muitos que conheço aqui do Brasil, e cresceu numa sociedade 95% protestante, sendo portanto, menos difícil evangelizá-lo, já que parece ser condição sine qua non.
Deu muita vontade de chorar. Muita mesmo. Acredito mais do que nunca que, se eu chegar com um namorado crente em casa, mesmo que ele beba e dirija e fuja da blitz da Lei Seca, mesmo que ele faça atrocidades e seja m crente só porque a família dele mandou, serei melhor qualificada do que chegando com um rapaz qualquer que, sei lá, seja católico. Ou não seja nada.
Nunca tive exemplo dentro de casa de que casar com evangélicos fosse melhor por motivo algum. Nem por isso desejei o contrário. As oportunidades nunca apareceram – no geral né, porque namorar realmente não é lá a coisa mais natural na minha vida – e nem por isso eu jogo na cara da meia dúzia de julgadoras cujos casamentos desandaram, o erro delas.
Eu não agüento com hipocrisia. Me machuca mais do que um tapa na cara. Me bate, mas não venha com essas afirmações infelizes e parem de apontar o dedo pra tudo que seja diferente.
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