Deixa eu voltar, tio!

Ex-alunoÉ difícil descrever a imensa e infinita saudade que sinto desse tempo.

Não do colégio em si, da falta de professores, das greves, das pessoas mais malucas que já conheci. Sinto muitas saudades disso também. Mas sinto mais é da época. Dos meus 14, 15, 16, 17 anos.

Anos que demoraram pra passar, mas que hoje eu faria questão de voltar atrás.

Faria questão de levar todos os esporros que levei por falar demais. De sentir o desespero ao olhar pra prova de física. De matar aula escondida no banheiro.

Engraçado é que nessa fase o que a gente mais quer é ser adulto, independente. Dono do próprio nariz. Só não conseguimos perceber que já somos. Somos a partir do momento que revolvemos colar na prova, ou matar aula. Escolher uma faculdade. Uma profissão.

Eu mesma não pensava nisso. Achava minha vida uma bosta, odiava o colégio, matava aula pacas, odiava cada minuto sentada na sala de aula. Uniforme? Era nojento, calça azul marinho e uma blusa de botão… ainda tinha que usar o emblema. Odiava.

Acordava cedo. Pra ir pra explicadora, porque eu realmente odiava matemática e física. E perdia o ponto de soltar. Mas não pagava passagem e não tava nem aí.

Matava explicadora e ia ao cinema, ver filme a 2 reais.

Matava aula e ia pro shopping pedir dinheiro pra “formatura”, pra poder beber no barzinho.

Só não fui parar em cachoeira, como alguns amigos malucos que tive.

Me apaixonei perdidamente por figurinhas populares. E como toda paixão, passou logo. Até porque minha covardia não me deixava nem chegar perto. Tive meus rolinhos. Mas nada que fosse de avassalar meu coração. Tive outros rolinhos. Que me assombram até hoje. Mas viraram fantasmas.

Odiava 70% dos professores. Eram chatos e autoritários. E nem eram. Eram professores. E eu era rebelde. Minha mãe foi chamada duas vezes ao colégio, em épocas e unidades diferentes pra perguntarem a mesma coisa: “ela tem tendência suicida? é deprimida?” hahahahaha, previram o futuro, né??

Os professores eram os mais malucos. Quarentões dando em cima de meninas de 15 anos. Velhotes gays e nada enrustidos, professores que se declaravam pras meninas na frente dos coordenadores, como se fosse algo normal. Alguns não gostavam, de dar aula e simplesmente sumiam. Outros tocavam o terror… e tinham as oferecidas. E os sensíveis (que só poderia ser de filosofia…).

Eu, particularmente não respeitava quase nenhum. Só os que conseguiam prender minha atenção. E muita gente não respeitava também. Matar aula não era peripécia só minha, mas as vezes de uma turma inteira. E eu não coloquei dedo na cara de nenhum deles, como uns e outros fizeram. Mas não os suportava. Tratava com desrespeito, desdém. E tenho muita vergonha disso. Mas era adolescente rebelde e não podia evitar isso.

Depois disso parei num pré-vestibular. E continuei não querendo muita coisa com a hora do Brasil, principalmente depois que fui impedida de fazer Letras. Chutei o balde. Mas gostava da sala, mais do que a do colégio. Gostava tanto que no ano seguinte fiz pré no mesmo cursinho. Mas comecei a trabalhar e chutei o balde de novo.

No final das contas, estava escrito nas estrelas que eu fosse parar onde parei, que eu fosse estudar Direito, como sempre desdenhei. E foram 5 anos especiais. De fases de farra, fases de crise, de matar aula, de odiar professor, de amar professor, de se sentir um outcast, de descobrir amigos de verdade, amigos pro resto da vida.

Foi época de chegar de ressaca nas aulas de sexta. E às vezes nas de segunda. De fazer muita doideira, de ir pra lugares que não tinha como voltar.

Coloquei a cabeça no lugar. As duvidas continuavam, certezas foram surgindo. E o tempo foi passando. Passando…. Passando…

E chegou a famigerada monografia. Junto com milhões de outros problemas pessoais. Mas apesar das adversidades, da má vontade de alguns, da insegurança e do medo, eu consegui. E terminei a faculdade com 10 “com louvor” na monografia.

E agora que a vida deveria estar começando é quando mais tenho dúvidas sobre meu futuro. Não sei, literalmente, o que será de mim amanhã. Não sei onde estarei daqui a um mês. Não sei o que farei da minha vida.

E a incerteza é que mata. Estou igual vaca de presépio sem saber pra onde ir. Me colocam num lado, e logo depois no outro. E eu não sei pra onde vou.

E agora, formada, não sou ninguém. E poucas pessoas entendem isso. Talvez só quem está ou passou pela mesma situação que eu. Não ser ninguém. Minha estrada tá longe de acabar, mas o começo dela ainda não achei.

E apesar de, com muito orgulho ter conseguido o que uma minoria da população brasileira alcança, preferiria voltar aos meus tempos de colégio. Minha imaturidade era justificável, minhas dúvidas seriam fatalmente solucionadas pelo tempo e responsabilidade não existia. Agora todos esperam algo de mim, sendo que eu não sei o que esperar de mim e dos outros.

Nunca achei que pudesse querer tanto voltar pros momentos que quis tanto sair. Porque ficar no status que estou agora não desejo pra ninguém.

Resolver minha vida é o lema do momento. Só não sei por onde começar, e quem deveria cooperar só atrapalha…

—————-
Now playing: Frank Sinatra – My Funny Valentine
via FoxyTunes

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3 comentários em “Deixa eu voltar, tio!

  1. Bons tempos que não voltam mais…
    Também daria tudo pra voltar pros meus tempos de colégio, onde eu era feliz e não sabia.
    Essa situação de “E Agora?!” é a pior de se estar.
    Não saber o que vai ser daqui pra frente dá uma angústia…
    Crescer sucks! XP
    Mas faz parte da vida né, fazer o que?
    Vamos lá que um dia a gente chega! Aonde eu ainda não sei, mas a gente chega!!! hehehehe
    Te amu!
    Bjs

  2. Cara, eu pago – literalmente – se puder voltar a ser estudante.
    Barzinho de facu, night perdida, pessoas, fingir q estudo, ouvir bla bla bla de professor, dormir em sala de aula, entrar em sala q ta fedida de alcool… ai ai.

  3. Hehehehhee….que bom que eu sou normal!!! :D:D:D:D:P
    Saudades de ti!!! Dos cafes!!! En erpanhol!!! 😛
    Olha soh…pensando em tudo o que vc escreveu – como eu gostaria de ser menos seria e escrever zoacoa!!! – mas descobri que o maior erro que cometi na minha adolescencia foi vive-la querendo ser adulto…
    Soh um pensamento pra vc…espero que a gente se encontre on line…
    Bjus!

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