Eu Fiz Direito!

Pois sim. Hoje eu posso dizer que sou uma Bacharelada em Direito, porque colei grau faz uma semana, já. O que você tem a ver com isso? Nada. Mas eu tenho.

Eu colei grau! Eu sou formada em Direito!

E o que isso me garante? Só uma cela especial enquanto minha sentença não transitar em julgado. Falei grego, né? Pra você ver, meu canudo vazio não tá valendo muito mais que um abacaxi de fim de feira. Porque neste mundo injusto, qualquer profissão te garante qualquer coisa depois da faculdade, só que nós, bacharéis em Direito, precisamos nos matar pra conseguir uma carteirinha.

Não bastassem os cinco anos aprendendo milhares de correntes doutrinárias e posicionamentos dos tribunais; não bastam só os códigos, que todos os anos são iguais, mas tão diferentes ao mesmo tempo, que é preciso comprar outros, porque o idiota do legislador quis mudar uma lei que, sinceramente, possivelmente era melhor antes da modificação. E pra quê criar mais????

E porque ler o artigo 5º da Constituição Federal toda hora? Achar até que ali vai ter resposta pra prova de Direito Empresarial, já que nunca tem em lugar nenhum!

Também foi um graaande prazer ler e reler teorias de São Tomás de Aquino, Aristóteles, John Rawls, David Hume, Höffe, Hans Kelsen, Rousseau, Platão e não entender absolutamente nada do que eles diziam! E tentar entender o tal Devir e seus seguidores, sabe-se lá se era Heráclito de Éfeso, Zenão de Eléia, Parmênides ou sei lá mais quem. Mas o que filosofia tem a ver com tudo isso? Tudo! E isso é que é pior… Sabe o Legislativo, o Executivo e o Judiciário? Pois é, não seria assim se não fosse pelo velhinho Montesquieu.

Ah, foram esses os momentos em que pensei em fazer letras, filosofia e até mesmo turismo, menos Direito.

Mas durei tempo o suficiente pra acabar e ter o prazer de ver professores de má vontade, professores relaxados, professores mancos, professores que falavam pra dentro e ficavam sentados. Sem me esquecer dos que babavam em cima das alunas. Fiquei tempo o suficiente pra partir pra aulas no outro turno porque a professora era péssima; pra trocar de turma ao ver que o professor de Civil parecia um aluno nerd. E pra descobrir que de nerd não tinha nada, e maluco talvez fosse!

E vi filme sobre Processo Penal, onde o juiz de direito (que inicialmente hoje ganha uns R$20.000,00) vivia numa casa mega simples com móveis das Casas Bahia e comia pão com mortadela (ta, não lembro bem se comia, to inventando mesmo). E ainda pude descobrir que “quem pode mais, pode menos! Sem contar que tive o (des)prazer de ver mensagens de amor e de horóscopo do celular do professor. Escondido, claro!

Aturei muita gente mala, gente carente me pedindo um abraço e um pouco de atenção, gente indo fazer Queixa na delegacia do colega de classe por conta de humilhação em público.

E professor simulando conjunção carnal na mesa, chamando a senhora de “tia” e as meninas de “potranca”. É desse tipo de coisa que realmente quis fugir.

Quis fugir também das aulas dos malucos, das provas dos malucos e dos malucos. Mas das provas não deu. Tirar 5,5 e ganhar palmas não é pra qualquer um não!

Mas foram bons 5 anos. De trabalhos compartilhados, de petições de Direito Empresarial, de discussões com colegas de grupo, com dúvidas sobre “doutrina“! De fofocas sobre a vida alheia, de fofoca sobre as nossas vidas; de crises existenciais, de crises pré-prova, de crises das crises!

E, como não poderia terminar de outra forma, fechei com chave de ouro: monografia sobre tema difícil e ainda chamando a mais cheia de má vontade da faculdade. O que (não) se chora em 5 anos se chora em 2 dias. Mas o choro valeu, mesmo durante a deliberação e recebendo meu “10 com louvor”, valeu! Valeu escutar sobre coisas que nada me interessam, mas pra dar força pros meus amigos.

Valeu ter conhecido meus amigos! Mesmo eu tendo vomitado no meio da sala e todos rindo de mim; mesmo com minhas grosserias e os dias de mau humor de cada um. Valeu a pena conhecer os professores que conheci (uns mais do que outros). Valeu a pena conhecer pessoas agradáveis e desagradáveis. Vêm no pacote e fazem parte dele.

Eu agradeço muito e reclamo muito também! Verdade seja dita e eu sei que faço parte de uma minoria, aqueles que conseguiram começar e terminar uma faculdade. Mas agora estou num lado mais triste: da maioria que está sem emprego.

Hoje, com diploma na mão, não sou nada. Nem ninguém. Muito menos uma advogada. Mas uma coisa – bem piegas – eu posso dizer:

Eu Fiz Direito!

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Tente, invente: dê a CARATAPA e faça um carnaval diferente.

Deixe-me explicar: não sou fã de carnaval. Só do feriado que me deixa dias a fio fazendo o que dá na telha.

Este carnaval era pra ser diferente. E foi. Até diferente demais. Mas foi muito bom!
E eu nunca achei que passar o carnaval na cidade pudesse render tanta história.

Não estou com muita paciência pra contar em mínimos detalhes. Mas posso dizer que fiz coisas que nunca tinha feito.

Não é todo dia que se anda 8 postos de uma orla. Praticamente sem parar. Do posto 4, de Copacabana, até o mirante do Leblon. E sério, é muito chão… em condições normais, diria que piramos o cabeção. Mas foi bom.

Foi bom andar até o Leme também. Ver turistas. Um que parecia um Rambo latino (que tentou mesmo nos convencer de que era espanhol). Outro com roupa de Indiana Jones e ainda um com tampão de pirata no olho! É minha gente, carnaval vale tudo!

E falando em valer tudo, vale qualquer night também. Porque convenhamos, eu lá tenho cara de bloco de carnaval (tá, aqui não tenho cara alguma)?! Pois bem. Night com champagne servido na entrada. Com pirralhas falando sobre o livro de física que tinha mudado, com Penélope dançando atrás da cortina e dando shots maravilhosos.
E Djs maravilhosos também. Praticamente perfeitos. Bom, muito bom.

No dia seguinte, muito cansaço, mas muita animação pra night da vez. Balada alternativa com público em massa gay. Conseguimos quase não achar o lugar. E depois que achamos, umas 2 horas na fila (sem exagero algum)! E quando você pensa que era o lugar que menos valeria a pena… engano seu, meu jovem leitor! Tudo de bom aquele lugar! Pessoas engraçadas, que dançam freneticamente! E lugar que toca Kaiser Chiefs merece minha apreciação! E quando você menos espera, tudo, tudo, absolutamente tudo de inesperado acontece. Não entrarei em detalhes aqui por conta dos leitores menores de idade (Esfarrapada essa!!!). Mas digo-vos, queridos. Lá passei por coisas que meus anos de juventude não me propiciaram até então. Estou viva e saudável, portanto não pensem atrocidades.

E muita animação nos levou a cumprimentar turistas (e digo, APENAS TURISTAS) pelas ruas. Pra deixar a impressão de que cariocas são simpáticos. Não nos custava muito, não é verdade? E outra noite hilária!

Sem contar que quase todo estabelecimento de comestíveis tinha uma bendita geladeirinha da Nestlé, mas que não tinha o bendito “Cornetto” (Leia-se Troppo Negresco). E mesmo assim andamos como umas zonzas pela orla, de madrugada. Suficiente pra ver turistas comemorando aniversário se jogando na água às 2 da manhã e andando descalços sem ligar a mínima.

Mas ó, foi muito bom. E recomendo. Faça do seu carnaval um momento diferente. Invente. Tente. E depois volte acabada pra casa e falte o serviço na quinta-feira.