Da Inteligência à Dependência (e vice-versa)

Estou eu, no auge da minha juventude e com todo o futuro pela frente.
Tá, momento clichê-brega, mas tem motivo…

Do que adianta essa bosta de futuro todo pela frente se você simplesmente não sabe o que fazer com ele?
Sabe qual o problema? O problema é dos nossos pais! Pior! É dessa sociedade brasileira decadente que absorve tantas coisas de outras culturas mas outras coisas não. Porque se isso aqui fosse um Estados Unidos da América, uma Europa da vida, ao 18 anos era um “good bye, so long, farewell” e vai se virar. Você ia viver sua vida, fazer sua vida, ser independente e depois da faculdade, aí sim, você teria o mundo todo nas mãos, um futuro pela frente.

Mas não, nessa cultura de país subdesenvolvido vive-se sob as asas dos pais por muito tempo. Sair de casa mais cedo te dá muito mais perspectiva do que fazer da vida, isso sim. Fazer faculdade, voltar pra casa, ter almoço preparado pela mãe, empregada ou qualquer coisa que o valha. Ver “Video Show”, quiçá “Vale A Pena Ver De Novo”. Dormir e começar a maratona das novelas, começando com malhação. Isso pra ser genérica. Gente como eu ainda é pior: liga o computador, passa horas conversando. Vai pra tv e assiste um dos seriados bacanas, que viciosamente acompanhas. E é uma roda viva, como diria querido Chico…

Quando termina a faculdade, 100% da torcida do América Futebol Clube vêm te perguntar qual vai ser agora. Na boa, se você não sabe, muito menos eu. Aí começa o desespero do “o que vai ser de mim agora???”.

Mas como uma boa criação que te deram, te acalmam também. Mas esse consolo não dura muito não. O problema é que as dúvidas e confusão mental duram mais. E ninguém quer saber. E ficam a te importunar perguntando o que você vai fazer depois do curso, depois da OAB… E você se sente compelido a fazer concurso pra gari, só pra acalmar tantos corações desejosos do seu sucesso.
Mas sabe o que é isso? Não passa de uma vontade absurda dos seus pais te verem fora de casa, o que não deixa de ser lindo, só que ninguém te preparou pra isso, né? Porque quando você quis trabalhar alguém te disse que você era muito nova. E agora você não tem experiência em bulhufas…
Se americana eu fosse, já estaria longe de tantas complicações pós faculdade. Em casa não estaria mais; emprego já teria há tempos. E independência seria a palavra de ordem.

Ok, ok. Preciso aprender a usar minhas ferramentas à mão, certo. Pois não tenho nenhuma, senão meu cérebro. O problema é que ele já trabalhou pra CUT e só funciona quando bem entende, portanto forçá-lo a fazer concurso pra gari é mais complicado do que se imagina.

E agora sinto aquela pequena pressão básica da família, que pergunta se eu passei ou não naquele concurso ou simplesmente não fui classificada; que me manda edital de concurso por e-mail, assim como quem não quer nada; que pergunta se não tem nenhum concurso aberto…

Aff, sei lidar com isso não. Mas tô tentando. Só não adianta querer de mim, o que sempre me fizeram evitar: independência.

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Um comentário em “Da Inteligência à Dependência (e vice-versa)

  1. Por isso que eu queria ser americana…
    Aff total pra vida
    Que continuemos tentando, pq um dia a gente consegue!
    Ou assim se espera…
    :*

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