O Gosto dos Outros*

Gosto é um troço esquisito, né? Cada um tem o seu mesmo. E pior é conviver com os que consideramos de mau gosto.
Hoje percebi que o que a gente mais tenta é impor o nosso aos outros. Ou no mínimo esperar que as pessoas tenham o bom senso de ser como somos e gostar do que gostamos. E é tão ridículo. E o mais ridículo é o que vem depois; a conformação de que, um dia qualquer, pode ser que ninguém, absolutamente ninguém, goste das mesmas coisas que você.

Me pediram pra escutar um cd aqui em casa. Uma tal de sei-lá-o-que Taviani. Olhei com cara de nojo. Tá que nunca escutei falar mas com um sobrenome desse achei que não merecia minha atenção. Aí soltaram: “Você gosta de rock, né?” Só pude balançar a cabeça. E nem é totalmente verdade. Fatalmente não gosto só de rock. Mas também tenho quase certeza de que dessa tal Taviani não vou ser fã.

Tô feliz porque o Flamengo ganhou. Mas tem uma multidão de pessoas que está mega furioso e ainda dizendo que foi o jogo foi comprado. Se todos gostassem do flamengo seria uma alegria imensa nessa cidade nefasta. Mas tudo bem, ao meu ver é só um bando de pessoas de mau gosto. Que ainda chama a nós flamenguistas de favelados (tudo bem que o povo perde a linha).

Gosto de um rapaz. É, a vida é assim, amores, dissabores e tudo mais que vem no pacote. E o rapaz não gosta de mim. Ah, mas quem dera se gostasse. Toda aquela coisa brega de mulherzinha apaixonada que se passa na minha cabeça poderia se tornar realidade. E olha que nem é amoooor, hehehe…
O que importa aqui é que o gosto dele não bate com o meu. Senão não estaria a escrever isso aqui. E hoje descobri coisas faladas a meu respeito que só corroboram a grande impossibilidade de isso tudo mudar. Mas na boa: é o gosto dele. Não posso mudar isso. Por mais força que pudesse fazer, por mais charme que pudesse jogar (que fique claro que não é meu forte at all, então seria furada do mesmo jeito), não posso mudar o que se passa naquela cabeça e naquele coração. E o que eu posso fazer? Partir pra outra, como qualquer pessoa sã, maior de idade, esclarecida e vacinada.

Minha avó vê todos os milhões de telejornais da tv, de todos os canais. Minha mãe vê todas as novelas da Globo. E algumas de outros canais que encaixam no horário dela. Eu não vejo jornal. Nem novela. Mas vejo tudo quanto é seriado, sitcom, reality show. Amo. E as duas odeiam. E questão de gosto. Ou a falta dele.

E a vida gira em torno disso, é verdade. Aquele máxima babaca mas que faz um puta sentido: “o que seria do azul se não fosse o amarelo?”

Já dizia o lindo Tom Jobim, “se todos fossem iguais a você, que maravilha viver”. Na verdade o que eu penso e você também(não me engana não!!!) é que seria uma maravilha mesmo viver se todos fossem iguais a nós; nos conhecemos, sabemos do que gostamos ou não. E sabemos lidar conosco (tá, nem todo mundo sabe lidar consigo mesmo)!

Ao mesmo tempo, acho que faz parte. Faz parte eu gostar de rock e minha mãe de mpb. Faz parte perder meus dias olhando pro tal carinha, que olha pra uma menina, que está de paquera com um outro, que na verdade não gosta dela e sim de outra, que não gosta de ninguém, afinal. Gosto é gosto.
Faz parte ter um bando de gente com um gosto estranho, torcendo pelo Vasco, Fluminense, Grêmio, Cruzeiro, Atlético…


Faz parte todo mundo gostar de coisas diferentes. E eu sei disso. O problema é que só hoje fui me dar conta de que a vida é assim. O lance agora é me adaptar a este admirável mundo novo recém descoberto por um ser de 25 anos e diploma universitário…definitivamente ainda há muito o que se aprender na vida…

*Filme francês bacana. Procura no Google.
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Um comentário em “O Gosto dos Outros*

  1. Aqui sim posso comentar.
    Mas nem sei por onde começar.

    Esse filme francês é bom?
    Tô num momento de assistir filmes estrangeiros.
    Estrangeiros não, europeus mesmo.
    Você (quase) nunca espera um final nesses…
    Isso quando tem final…

    Enfim.
    Sobre o post.
    Você falou tudo né… o que me resta falar é que… acho que quanto mais velho a gente fica, menos conformistas ficamos em relação ao gosto dos outros.
    Bom… isso com pessoas impacientes, como eu.
    Mas dá muito bem pra evitar certos tipos de confronto…

    – “Você gostou de Amelie Poulain? ”
    – “Sim. Achei o filme perfeito!”
    – “(((que merdaaaaaa!))) Então… praia amanhã?”

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