Achava sacanagem, mas to começando a acreditar que é possível morrer de tédio. Na boua. Tá sinistro. Plena sexta-feira, eu sozinha em casa, o único programa furou e não tenho nada pra fazer. Nada de interessante na web, nada pra ver e nada de muito interessante pra ler.

To com raiva da Motorola que segurou meu celular por 15 dias e não consertou o problema.

To com raiva de outras pessoas – só pra deixar bem indeterminado – e não to afim de resolver isso.

To com raiva da crise econômica e das eleições.

Alguém me arranja um emprego maneiro?

E um namorado maneiro?

Alguém me arranja qualquer coisa pra fazer?

E termino aqui com meu pedido desesperado por qualquer coisa. Ajudem uma pobre alma.

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3 comentários em “

  1. Poema em Linha Reta

    Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
    Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

    E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
    Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
    Indesculpavelmente sujo.
    Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
    Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
    Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
    Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
    Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
    Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
    Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
    Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
    Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
    Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
    Para fora da possibilidade do soco;
    Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
    Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

    Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
    Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
    Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

    Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
    Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
    Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
    Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
    Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
    Ó principes, meus irmãos,

    Arre, estou farto de semideuses!
    Onde é que há gente no mundo?

    Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

    Poderão as mulheres não os terem amado,
    Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
    E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
    Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
    Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
    Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

  2. Nesta cidade do Rio,
    de dois milhões de habitantes,
    estou sozinho no quarto,
    estou sozinho na América.

    Estarei mesmo sozinho?
    Ainda há pouco um ruído
    anunciou vida ao meu lado.
    Certo não é vida humana,
    mas é vida. E sinto a bruxa
    presa na zona de luz.

    De dois milhões de habitantes!
    E nem precisava tanto…
    Precisava de um amigo,
    desses calados, distantes,
    que lêem verso de Horácio
    mas secretamente influem
    na vida, no amor, na carne.
    Estou só, não tenho amigo,
    e a essa hora tardia
    como procurar amigo?

    E nem precisava tanto.
    Precisava de mulher
    que entrasse neste minuto,
    recebesse este carinho,
    salvasse do aniquilamento
    um minuto e um carinho loucos
    que tenho para oferecer.

    Em dois milhões de habitantes,
    quantas mulheres prováveis
    interrogam-se no espelho
    medindo o tempo perdido
    até que venha a manhã
    trazer leite, jornal e clama.
    Porém a essa hora vazia
    como descobrir mulher?

    Esta cidade do Rio!
    Tenho tanta palavra meiga,
    conheço vozes de bichos,
    sei os beijos mais violentos,
    viajei, briguei, aprendi.
    Estou cercado de olhos,
    de mãos, afetos, procuras.
    Mas se tento comunicar-me
    o que há é apenas a noite
    e uma espantosa solidão.

    Companheiros, escutai-me!
    Essa presença agitada
    querendo romper a noite
    não é simplesmente a bruxa.
    É antes a confidência
    exalando-se de um homem.

  3. Pois é amiga, decidi seguir os sus passos e expressar meus sentimentos, revoltas e idéias em um blog tb!!:)
    Como vc disse, arranjar um homem descente, que quira compromisso tá difícil…mas a gente entra na fila, né??
    Quanto às coisas que dão errado com frequência ou simplsmente não acontecem como a gente imaginou, bem, isso a gente atura… elas trazem novidades à nossa vida, estimulam a mente…e, por mais que não nos tragam muita satisfação no momento, ao menos poderão nos fazer rir no futuro!!:)
    Te amoooooooo!!
    bjks

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