Dissolvendo Meu Ego Num Post Descartável

Eu queria alcançar o Nirvana. Mas meu professor de filosofia da faculdade (salve, salve  prof. Samir!) já dilacerou do meu ser qualquer possibilidade de um dia, enfim, me libertar por completo de meu corpo são.

Uma única tentativa foi feita e falha, óbvio. De lá pra cá tenho tentado sair do meu próprio eu e me procurar em outros lugares; coisa que este mesmo ilustríssimo mestre nos dizia: “que para filosofar era necessário sair de você, da situação e analisar ‘de fora'”.

Como boa aluna que era e como persistente que sou, tenho tentado me ausentar de mim mesma durante todo o ano e com certo sucesso. O que é interessante é que muitas dessas vezes foram ingenuamente sem querer. Tá que pra isso acontecer foi preciso o auxílio de substâncias (i)legais que, misturadas com outras substâncias controladas legais me levaram ao ápice do meu ‘nada’.

Momentos de euforia contida. Momentos de análise profunda. Momentos de conhecimento da subconsciência. Momentos. E desses momentos eu me descobri de várias formas: às vezes quadrada, às vezes mais redonda do que sou, muitas vezes culpada pelo que fiz, pelo que não fiz e pelo que não tenho nada a ver.
Ah! Descobertas são libertadoras! Libertar-se de desejos do subconsciente é, redundantemente falando, libertador.

Negamo-nos a nós mesmos o tempo todo (e não quero falar aqui de Cristianismo, Protestantismo ou qualquer coisa ligada a isso; não é disso que falo) e por alguns momentos dessa vida ingrata, vazia, mórbida e irônica – que ri na tua cara de todas as merdinhas feitas no caminho, – é possível descobrir o tudo que é negado.

Liberdade de ver dois homens se abraçando e dizendo ‘eu te amo,’ esquecer do gosto ruim do maracujá, pouco ligar se usaram água potável no copo que te oferecem, pensar que a vida é tão curta e fazer tudo logo de uma vez (principalmente se tudo for acabar em 2012); descobrir o amor mais profundo pela mãe é lindo; lembrar de suas tendências suicidas ao abrir portas de carros em movimento e meter-se a ator de filme de ação. Ah!, a adrenalina que corre nas veias nesses momentos é praticamente indescritível.

Nunca vou alcançar Nirvana algum, tampouco filosofar nesta vida que levo. Até porque, apesar do amor à ela, no pouco que me meti a falar aqui, já me envergonho. E sinto mais vergonha disto do que chorar às 8 da manhã porque ganhei um desenho feito por uma menina de 5 anos. Ou porque as pessoas estão morrendo. Ou porque, por mais que se queira negar você se apaixonou por aquele cara que só quer farra contigo.

Voltar à realidade, com um pouco de dor de cabeça e a sensação de que alguma coisa aconteceu no dia anterior e, teoricamente, você não saber o que foi é a pior parte.  Ou realmente saber e não poder guardar aquele estado de espírito, corpo e mente, num potinho como de resto de sabonete pra cheirar toda vez que o mundo resolver arrotar realidades nada bem quistas. Tenho certeza de que Alice, quando voltou à realidade sentiu a mesma coisa.

Mas nada disso importa; o que importa é que tenho me negado menos e dado mais minha cara à tapa aos causos que eu resolvo me meter na vida. Mas não, não os assumo assim, de pronto. Antes, por favor, me traga um copo de caipirinha e/ou uma dose de tequila.

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2 comentários em “Dissolvendo Meu Ego Num Post Descartável

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