Statu Quo Ante

Solidão.
Sentimento que vem arrebatando meu ser, respirando meu ar, como um irmão gêmeo parasita, sugando minhas forças e ao invés de jorrar as lavas que saem desse vulcão que sou, engole e arrota uma fumaça que não chega nem perto de externalizar o que eu acho que necessariamente tem de sair.

Acredito piamente que a convivência com esses seres de igual espécie contribui como também leva a falhas no sistema interno que vezes deseja fazer uma limpeza total ou simplesmente reorganizar os dados que tem sido jogados de forma aleatória na minha mente.

Inevitavelmente algumas atitudes auto-destrutivas se revelam, ou melhor, se potencializam. O ruim é compreender todas elas, e praticá-las em concomitância. O que antes parecia um corpo sadio e uma mente sã, vão se deteriorando de dentro pra fora com pequenos atos de crueldade para com o que me foi agraciado. Feridas pelo corpo, auto-flagelação de fato. Pulmões escurecendo, rins danificados, fígado desprezado,  peles rasgadas, unhas carcomidas.
É o castigo, o preço que se paga ser quem se é, por não ter a capacidade dos camaleões de forma tal a conseguir adaptar-se a um mundo cada vez mais frenético e louco, que demanda mais energias do que alguém pode oferecer.

A freqüente necessidade em sentir sofrimento com situações exteriores só demonstram na verdade, uma maneira de encobrir o que coberto já está. Resolver o encoberto dá muito mais trabalho que esperar cicatrizes fecharem ou arranhões sararem.

É completamente compreensível porque tantos escolhem passar seus dias dentro de um refúgio, num “infinito particular” com gatos, cachorros, elefantes, cavalos… seja lá o que for… As sarnas que os bichos podem transmitir são muito mais fáceis de curar do que as que os Homens transmitem com um simples olhar, uma palavra, um gesto, uma frase, um diálogo…

Meu corpo se coça a cada passo nas ruas. A cada bom dia. Por mais que eu venha tentando com afinco, uma adaptação forçada  e necessária não tem sido bem sucedida ou meus dados têm configurações muito complexas. Essa complexidade, desde muito cedo, fora mal interpretada e todo o sofrimento causado por isso é o que vêm alimentando essas tais sarnas humanas, que Florais de Bach não curaram à época em que tudo parecia começar e que terapia também não tem tido sucesso.

Desisto, antes mesmo que 2009 comece, de esperar dele, o ano vindouro, cura pros males incuráveis. Desisto de listar desejos e sonhos e passar o ano engolindo vírus e trojans. Infelizmente falta-me dom para tornar-me eremita de verdade.
Só me resta, talvez, viver nesta selva como se eremita fosse, curtindo minha penitência por ter nascido e continuar existindo por tantos anos, incomodando o vizinho com música alta, decepcionando a mim e a outros, desistindo de mim e dos outros.

Só me resta afinal, dançar a dança da solidão, na versão mais high tech e remodulada. Mas continuará a ser a mesma dança que minha alma coreografa a cada raiar de dia, a cada virar de noite. E cantaremos e dançaremos juntas, minha alma e meu ser, como uma dupla em sincronia: “Danço eu, dança você na dança da solidão”… E , enfim, voltarei ao meu Statu Quo Ante.

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One thought on “Statu Quo Ante

  1. tive sarna 6 meses seguidos passei o sabonete tetmosol e valeu a pena com 3 dias sumiu agradeço muito a este site deus lhe ajudem pois foi muito bom

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