o ÚnicO DiA QuE NãO ConsigO EsqueceR

Eu sei que ele faz parte. Assim como todos os outros 364 dias do ano. Assim como não me esqueço de respirar e lembro como se dá passos; sempre um atrás do outro (ou na frente?).

Odeio o fato deste dia ser este dia. Não pela força que tem ou pelo que representa, mas pelo fato de sempre estar cercado de insatisfações. Posso mudar pra outra época? Daqui há uns 2, 3 meses… pior que não. Podia adiantá-lo, talvez. Não me importo também.
Mas me importo de ser sempre como ele é: com mil-e-uma atividades acumuladas com tradições até bem legais e sorrisos a quem passar na minha frente.

Hoje é meu aniversário.

E minha mãe fica super emocional, lembrando que, no caso, há 26 anos eu estava nascendo e quanta alegria eu trouxe e blablabla whiskas sachê.
Minha reação é sempre fria, não porque não seja um dia importante; tanto o é, que não o esqueço nem fazendo força. Mas simplesmente por estar envolvido pelo que muitos dizem ser inferno astral. Tá, pouca diferença faria – aliás, nenhuma – se eu mudasse a data. Se o tal inferno astral rodeia o dia do aniversário, pode ser até num dia inexistente no calendário ocidental, ele continuaria imbuído dos azares típicos.

E este ano teve pra tudo. Teve reprovação não esperada, teve pra momentos de arrependimento de lançar mão de pessoa que por mim se interessara, teve picada e reação alérgica de abelha, quase extirpando meu braço esquerdo, o mais importante pra mim.
Mas o que tinha tudo pra ser um dia quase infeliz foi, até agora, muito bom. Não ganhei na loteria, mas ganhei coisas significativas. E mesmo que não tivesse ganhado, só o fato de estarmos no outono e o ventinho ter soprado no meu rosto às 10 da manhã, enquanto uma banda fazia a inauguração de uma loja no centro e uma coca-cola super gelada que me acompanhou à aula de Constitucional com um professor bonito, interessante e cego, apesar dos óculos, já que só reparou quanto à existência da única aluna negra da sala quando a mesma levantou a mão. A 5 metros de distância dele.

O dia ainda guarda muitas surpresas. Ele só acaba às 23:59 e espero que até lá eu possa, esperançosamente, esperar que o melhor me aguarde. Pode até ser pretensão minha, mas acho que mereço. Igual às crianças que se comportam o ano todo pra ganhar presente de Natal.
Eu sou, sem a menor modéstia, uma pessoa legal. Acredito nas pessoas, ainda acredito no mundo, acredito na felicidade, no amor, na paz. Reclamo mas amo seres humanos e sem eles ao meu redor seria mais deprimida do que já normalmente sou. Tenho uma família meio disfuctional, mas que em dia como esses são pessoas maravilhosas e nos fazem esquecer um pouco dos problemas, mínimos até, que nos rodeiam.
Eu abro a porta pra senhoras; eu dou informações na rua. E até bato-papo quando puxam comigo em filas (confesso que este último só ocorre em dias de MUITA boa vontade).
Eu tento, mesmo que não pareça, manter meus amigos. Eles são preciosos pra mim, não por serem ‘meus’, mas por terem tido a paciência de um dia cogitar a possibilidade da minha companhia valer a pena e tentar. E EU SEI que não é fácil. Eu mordo, sou grossa, desligo o telefone na cara das pessoas, meu sarcasmo é altamente incômodo (até pra minha terapeuta) e minha ironia é tão inerente que não consigo contê-la. Mas amo todos, mesmo os que contato não tenho mais. Mesmo aqueles que resolveram não me querer mais por perto.
Eu sou boba. Sou ingênua. Me viro e reviro por quem amo. E como amo! Tenho muito amor pra dar (sem trocadilhos, please)! São 26 anos. Poucos dedicados a pessoas especiais. Se eu quero? Claro que sim! Mas não sou fácil. Não sou amável aos olhos dos desconhecidos. Mesmo assim. Não vale a pena querer além do que me é reservado.

Hoje, dia este que não tem como esquecer, eu passo com muito mais alegria, mais esperança, mais paz, mais amor. Mesmo que não tenha comemoração, o que realmente não teve e não terá. Pelo menos não estou mal, porque ficar chorando numa mesa de bar no dia do nascimento é derrota demais até pra mim!

Parabéns pra mim. Acho que mereço. Só por ter nascido. Se valer por outra coisa já é lucro.

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Now playing: Yelle – A Cause Des Garçons
via FoxyTunes

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