Two months.

Foram dois meses de muita coisa. Subjetivamente falando. Ou seria objetivamente?

Bom, foram dois meses em que engordei cerca de 7 quilos; que eu parei e voltei aos meus tratamentos necessários pra ser um ser humano normal. Foram dois meses de muita reflexão, o que ironicamente eu já faço com uma freqüência absurda.
Nesses dois meses não rolou terapia. Não que eu não tivesse; eu simplesmente não fui. Ta, coisa feia, ai, ai, ai pra mim.
Encarei a realidade de um modo esquisito, ruim ou bom, diferente ou inusitado ou simplesmente de forma real. Não que eu tenha gostado. Não desgostei, porém. Só tive consciência de quem sou eu na realidade, pra sociedade, pra mim, pro outros e pra minha própria sombra.

Hoje sei mais um pouco de mim e não gosto muito desse eu que andei escondendo ou desprezando por tanto tempo, é uma pessoa que normalmente irrita, aborrece e entristece qualquer ser que respire, até mesmo a uma planta.

Consegui, em dois meses, decepcionar um parente, brigar com 3 amigas e descobrir quem eu sou pras pessoas. Eu sou um ser medonho. Não há nada pior do que saber que as pessoas têm medo de conversar com você sobre assuntos pouco agradáveis. E cheguei à conclusão de que o medo também acontece na minha família, algo bizarro de um jeito que não dá pra explicar.

Longe de mim de querer ser perfeita ou super supimpa, odeio pessoas assim. Mas a partir do momento que as pessoas têm receio de conversar com você sobre assuntos delicados, isso magoa. Magoa mais porque eu não tinha noção de que sou tão ‘ruim’ assim do que pelo próprio fato em si.

Confesso que passei alguns dias refletindo, algumas noites chorando e muitos dias de mal com o mundo porque a intenção de todos nós é ir melhorando pra conseguir sobreviver nessa selva; e apesar de achar que eu estava progredindo, crescendo e qualquer coisa do tipo, eu descubro que sou tão ruim como era há três anos atrás, por mais que tenham sido meus esforços.

Eu me sinto má, não como a Cruela (vide google), mas má como amiga, parente, filha, neta, colega, ou seja lá mais o que for pra quem quer que seja. E daí, tiro algumas conclusões.

Definitivamente eu não sei viver em sociedade. Por mais que eu tente agradar todo mundo, isso só acontece em raros momentos. Minha ‘energia’ deveria me levar a lugares muito melhores – já que sou de áries – mas só tem me levado pra boca do inferno, a ponto de cogitar cortar todas as relações que tenho com o mundo externo. Estou vivendo o purgatório do Inferno de Dante – vide Google – e não sei como sair, já que achava piamente que estava no caminho certo.

Talvez seja uma posição derrotista da minha parte, mas quem disse que não sou? Hoje eu assumo tudo: assumo que sou derrotista, pessimista, irritante, de personalidade extremamente difícil, emocional, passional, durona, sensível ao mesmo tempo. Eu sou muita coisa ruim. Até esporro de médico eu levei; isso diz muita coisa.

Sinceramente não tenho mais força emocional ou física pra forçar-me a mudar e uma hora pra outra. São alguns anos tentando mudar o que construí durante anos cruciais da minha vida e não houve progresso algum. Pra quê continuar tentando? Não tento mais. Me entrego a quem sou e talvez eu perca muito mais do que venho perdendo os últimos 2 anos. E digo: não foi pouca coisa, foram momentos, pessoas e tudo o mais, até demais. Mas nosso ser tem um limite e meu limite tem chegado ao fim. Não é culpa de ninguém, é culpa minha, claramente minha. Eu quem não soube ser quem deveria ser; eu quem não soube mudar aquilo que era necessário mudar.

Se entrego os pontos, afinal? Entrego. Sou uma deprimida assumida e sinceramente, deprimidos não têm força a là Michael Phelps ou Maguila, pra mudar. Eu JURO que tentei, que dei o melhor de mim durante todo esse processo, mas mostrou-se completamente nulo qualquer coisa que eu tenha feio, já que eu não consigo guardar o que devo calar e ainda consigo deixar as pessoas que – supostamente – têm liberdade comigo com medo de falar disso ou aquilo. Isso explica o porquê de estar solteira, sozinha e abandonando os poucos amigos que ainda tentam, com um certo esforço, manter contato comigo.

Não termino este post triste. Não que isso tudo não me traga tristeza; mas a tal tristeza não me fez mudar, portanto é inútil e sofrível. Termino descobrindo que sou muito aquém do que espero; que estou longe do que gostaria de ser e talvez uma decepção para os que esperam qualquer coisa de mim.

*começei a escrever este post em 13.05.09 e não retiro uma palavra.

Now playing: Electrocute – Tales Of Ordinary Sadness

via FoxyTunes

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s