What’s Up*

Eu queria saber em que momento da minha corrida acirrada ao óvulo de minha mãe, eu pedi pra ser assim. Também gostaria que me explicassem a parada dos genes do pai e da mãe. Não que eu me importe com Biologia, to pouco me lixando. Mas queria entender como tudo consegue dar errado aquele que um dia teve esperança de dar certo.
Juro que andei pensando que, talvez, eu tenha sido um espermatozóide curioso, não vitorioso… tipo.. larguei antes e saí entrando pra ver qual era a da parada, porque NADA FAZ SENTIDO.

Minhas semanas voltaram a ser a eterna confusão de absolutamente tudo misturado – isso mesmo – e eu não sei como resolver 1/3 dos meus problemas. Porque falar – como muito e quase todos fazem – é muito fácil; mas colocar em prática normalmente é difícil, principalmente quando sua mente corre pro lado contrário.

Voltei a pensar em coisas trágicas e formas trágicas de tornar tudo trágico. Porque, como boa dramática que sou, cansei de escutar que me faço de vítima, de coitada, que não aceito críticas. Cansei. Não porque eu aceite críticas; mas berrar comigo não funciona. E é fácil demais exaltar as coisas ruins, mas as boas eu fico sentada esperando e batendo a cabeça de cochilar, porque não vêm.
Posso estar exagerando? Posso. Mas considerando a situação fática que me encontro há 2 anos, deveriam ter um pouco mais de paciência ou compreensão. Não quero ninguém “sentindo a minha dor”, mas quero que respeitem o que eu penso e quem eu sou.

Cheguei num ponto em que estou desistindo dos meus amigos. Não que eles mereçam ser desistidos, mas ele não merecem conviver com alguém que reclama 90% do tempo sobre coisas que ninguém pode consertar. E quando não sou chata sou insuportável com meu sarcasmo, ironia, sinceridade e tantas outras coisas ruins. Então não os procuro, muitas vezes os evito e muitos deles nem lembram que cá estou com minha solitude. Não são todos, mas alguns.

E, sinceramente, se o básico que é cultivar amigos e manter o mínimo de sanidade tem sido difícil, se com o mínimo de animação eu não consigo cumprir metade das coisas que deveria cumprir num dia, quiçá passar num concurso; sair de casa e conhecer alguém interessante. E tantas outras coisas.
Cheguei ao ponto – melhor, voltei -de não conseguir me comprometer com as pessoas, furar e não dar satisfação, dormir a maior parte do dia, isso quando não estou comendo. E quem deveria entender, reconhecer, ajudar, faz vista grossa, porque, por ironia do destino, a prática da profissão no âmbito familiar é algo impossível.

Não quero piedade, pena, caridade ou favor. Na verdade eu não quero nada de ninguém. Minto, quero muitas coisas. Mas como estou, não terei nada de ninguém, porque estou como aqueles que as pessoas fogem; tipinho de gente desagradável que quando resolve conversar quebra o clima tranquilo da vida da pessoa do outro lado.

Se eu posso me ajudar? Posso. Estou tentando. Mais uma vez. Mas desta vez não vejo esperanças. Me sinto num túnel sem luz no final, num labirinto sem saída. Vislumbro um futuro nojento pra mim e não consigo parar de pensar nele todos os dias, – literalmente – mas não me movo pra modificá-lo. Não que não queira, só não consigo. E o papo de “Você tem que tentar”, não funciona com pessoas como eu. Não é má vontade, é simplesmente mais forte do que todos os estímulos cerebrais que deveriam me impulsionar.

Hoje já não sei se peço pro mundo acabar amanhã, se espero ser atropelada por um ônibus na Presidente Vargas, se espero definhar afundando na cama… Porque pensar no futuro que acho que está reservado pra mim me faz tão mal – e sim, nem isso me faz mudar. E não é falta de desejo – que não quererei vivê-lo. Eu velha, desempregada, solteira e morando com minha mãe… pior do que todos os meus pesadelos.

Agora, que remedinho fez efeito, vou deitar-me e sonhar com o nada, ou com tudo aquilo que sonho ter na vida e não vejo caminhos hábeis ou habilidade para alcançá-lo. E nem no mérito de que não sou inteligente eu vou entrar porque é um trauma bem guardado, já que resolvido não será.

Indo contra todas as minhas crenças – mas acredito piamente que Deus sabe que não estou no meu melhor juízo – perdi minha esperança de um futuro qualquer. Porque o futuro que acho que terei já estou vivendo e no limite, a passo de pegar meia dúzia de roupas e parar no 1º abrigo da prefeitura que achar.
Não, nem iria pra abrigo porque sou medrosa. Mas esse monstro tá dormindo também.
Tenho uns outros no coraçãozinho mas que quanto mais os verbalizo mais sofrimento e traz. E de sofrimento bastam-me os causados no decorrer desses dias que não chamaria de malditos, mas infortúnios.

Partindo pro fim de semana do cobertor, televisão, biscoito e cochilo. Porque, por enquanto, aparentemente, só isso posso me permitir a fazer sem chatear alguém ou me irritar ao ponto de acabar fazendo coisas que não quero.
A esperança – e única – que tenho dentro de mim é que pelo menos na minha cama eu posso ficar, deixando o mundo rodar lá fora, pros felizes, otimistas e obstinados. Eu não faço parte dessas categorias.


*Now playing: 4 Non Blondes – What’s Up?
via FoxyTunes
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