Dançando e discutindo com minha solidão.

Dia desses uma amiga minha comentou que se sentiu só num fim de semana desses. Pra ela e pra mim, era difícil entender como alguém poderia se sentir só quando se tem pessoas ao redor.
Há tempos eu não pensava em solidão. Não por não senti-la exatamente, mas por não sentir absolutamente nada. Hoje, com os sentidos um pouco melhor aparados, sinto-me completamente só. De olhar pro teto do quarto e me sentir tão grande e tão pequena ao mesmo tempo.
Estou muito melhor que há duas semanas atrás, mas tão pior quanto poderia estar considerando absolutamente tudo à minha volta. Tive a audácia de dizer que não consigo as coisas por falta de vontade de viver. E sabe o pior? Não foi da boca pra fora, não foi por autopiedade e eu continuo me sentindo assim. Não faço idéia de como a gente sai do fundo do poço sem ao menos uma corda pra nos ajudar chegar à superfície. As cordas que me dão são mais frágeis que patas de formiga e não aguentam meu peso.
Acho que esta época não ajuda muito. O inverno tá chegando, dá vontade de chamego; aí vem aquele bombardeio de dia dos namorados e – ok, é comercial, é pra vender e whatever – sinto-me como um peixe fora d’água por representar, sempre, a parcela dos desacompanhados. E o que tem piorado tudo isso é perceber que o tempo tá passando. Óbvio que o tempo passa, não sou idiota de achar que estou parada nas horas – por mais que eu gostasse. Mas tudo pesa muito mais quando você contabiliza 5 casamentos em 6 meses e, pelo menos 7 casamentos em 12 meses. Parabéns pros noivos, do fundo da alma, mas em mim bate uma sensação de outkast que particularmente não gosto. A maioria cresceu comigo e tem a minha idade. É estranho pra mim, pronto e acabou e nada desse lance de que cada um tem seu tempo porque na minha vida, NADA aconteceu, então estou fora de tempo.
E não to falando de casar em 6 meses – o que até pode acontecer – mas de não ter nem com quem compartilhar isso. Pra quê pensar em casamento se nem pretendente eu tenho?
Ao mesmo tempo, acho que me puno pensando nessas coisas sabendo que nas condições emocionais que me encontro não há de aparecer ninguém disposto a me tolerar. Então eu entro num mega conflito.
Aliás, eu VIVO de conflitos e em conflitos. Pessoas por aí tem uma vida tão mais tranqüilas; ah, que sejam problemas externos. o problema é lidar com problemas internos que só você e no máximo sua terapeuta sabem. Os amigos sabem superficialmente, porque por dó, respeito o ouvido dos outros e não despejo tudo que gostaria de falar.
E como eu sou idiota, estou sem terapia. Ajuda nada, né? E pra piorar acho que tenho outros sintomas de coisas nada boas. Eu só tenho certeza de não ser esquizofrênica.
A solidão que sinto hoje e que me faz despejar tanta amargura pra qualquer um ler é o cúmulo do absurdo a partir do momento que eu sei que muitos dos meus amigos não estão em contato comigo porque eu sumi. Com meus motivos, mas não os culpo por não quererem aturar gentalha como eu. E fico feliz com os que por perto ficam, os corajosos ou doadores do amor que neles transbordam. Nem eu sei se ficaria por perto de mim.
Tirando isso, meus problemas me absorvem tanto que resolvo não me preocupar com outras coisas além de mim mesma. Melhor, não me preocupo com coisas que deveriam me atingir diretamente. Graças a Deus, ainda me compadeço com os problemas das pessoas que gosto e isso talvez seja o que me mantenha na sanidade, por me fazer esquecer por algum tempo, mínimo que seja, dos meus.
Se fosse preocupar-me com o que deveria me preocupar, talvez estaria a reclamar muito das pessoas. São falhas, assim como eu, mas têm umas manias, umas cobranças que simplesmente não fazem sentido. mas sinceramente, ainda não consigo me abalar com isso. Estou recuperando meu ‘eu’ ainda. Falta muito até lá.
Também não sei porque escrevo coisas aqui. Além de absurdamente pessoais, são chatas, ninguém lê e quem o faz, fica sabendo de coisas que não conto ao meu porteiro, que me conhece desde bebê, por que contaria a desconhecidos ou conhecidos não identificados?
Acho que é a tal da solidão. A minha companhia, quando não a cama, é meu computador. Queria mesmo era conversar com ele, mas seres inanimados só fazem ocupar espaço e serem usados.
Respirando…
Respirando…
Respirando…
.
.
.
Já deu. De tudo, sabe? Deste post também. Sinceramente sinto pena de quem ainda chega às ultimas linhas.
Dançarei, com eu e minha solidão, sem minha super desejada garrafa de vinho, pra afastar os maus pensamentos…


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Now playing: Elliott Yamin – How Do I Know
via FoxyTunes

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