É Preciso Saber Viver II

Venho indagando como fazer as coisas fluírem na minha vida. Eu sempre penso, penso, penso. Alias, só faço pensar.

No caminho para cá me peguei pensando em um monte de coisas que aconteceram ontem, hoje e em muitas coisas que aconteceram no passado.

Descobri, sem querer, que o emprego que supostamente eu queria não vou conseguir por um erro involuntário meu. “Supostamente” porque acredito que meu subconsciente tem um ultra poder de me dominar e o tal erro que cometi é a nítida constatação do mesmo quando, após 1 semana do dia que achava ter encaminhado o texto que me foi pedido, vi na pasta de e-mails enviados, e que até abri no decorrer da semana e nem relei os olhos neste em especial, que o endereço estava errado. E apesar de querer E precisar trabalhar, vez ou outra não compareço a entrevistas marcadas, tampouco entrego meu curriculum a empregos quase certos de conseguir.

Ontem também descobri que uma pessoa que sempre foi mais “letárgica” que eu, está num ciclo de evolução estrondoso. Começou o ano trabalhando, sempre procurando melhores propostas; acabou virando funcionária pública e como se não bastasse, está tentando ocupar o tempo que resta com algo que capitalize para conseguir a tão esperada independência e ir morar sozinha em 2 meses. Foi um choque e ao mesmo tempo uma boa surpresa; fiquei orgulhosa. O choque é muito maior, tem proporções terríveis em mim, por saber e conhecer bem quem a pessoa era e como se comportava. Claro que vários fatores contam contra mim e muitos a favor deste ser.

Vejo cada um à minha volta vivendo, se envolvendo em milhões de coisas, criando metas e planejando o futuro. Eu só sonho. Muito. Muito mais do que as pessoas possam imaginar. Sou uma eterna sonhadora, apesar de naturalmente ser pessimista; é meio dicotômico, mas é assim. Porque sonhar sabendo ou achando que nada vai dar certo me coloca de novo no ponto de partida, de onde pareço nunca ter saído.

Pra dizer que nunca “agi, agindo”, “fiz fazendo”, houve uma época em que nada importava muito. Não tinha medo, não tinha dúvidas avassaladores e muito menos uma variedade de análises pra comprar uma maça fuji ou gala. Vivia de um jeito louco a meu ver, fruto das companhias que tinha; fruto de uma vida de repressão e proibições. Literalmente não tava nem aí pra mim, pra você, pra muita coisa. Mas vivia. Saía e me divertia. Curtia aquele momento como único e em momento algum criava hipóteses mirabolantes para não sair de casa. Se eu tivesse parado pra avaliar o que eu fazia naquela época, veria o quão vazia tudo parecia… Mas foi bom.

Esse gap não durou muito. Mas foi bom, me rendeu histórias, “escureceu” meu passado e alguns podres que eu talvez vá contar aos meus filhos.

E hoje, ao passar por uma senhora com câncer, de lenço na cabeça, fiquei a pensar do que seria de mim na mesma situação. Inflei o peito e pensei que no lugar dela eu aproveitaria cada minuto da incerta vida que me restara. E com muito pesar, muita tristeza, lembrei da Juliana. Já se fizeram 6 anos desde o seu falecimento por conta essa maldita doença. E lembro que apesar de tudo, de tantas marés contra ela, Juliana era intensa. Até os últimos dias ela aproveitou o que pôde e sempre me dizia que o lance era curtir a vida porque do amanhã só Deus sabe. E assim ela se foi. De uma ótima conversa numa 5ª-feira à noite a um domingo triste quando ela se foi. Mas tenho certeza de que ela não se arrependia do tempo que teve, das dúzias de namorados, das dezenas de lenços pra adornar a cabeça combinando com as roupas.

E eu? Eu escuto tantas pessoas, amigos, terapeutas me dizendo o mesmo, a todo tempo. E mesmo assim eu não consigo internalizar. Não consigo viver e para de pensar tanto. E me esforço, mas falho em 99% das tentativas.

A teoria que tiro disso tudo é que mesmo quando eu quero algo, pode até ser que eu vá lá e faça. Mas isso tudo é de uma efemeridade tamanha. Tem muito monstrinho dentro de mim, como um batalhão muito eficaz e eficiente, criando estratagemas e boicotes para não permitir que minhas esperanças de ser alguém melhor se concretize. E fico na esperança de daqui a 10 anos olhar pra trás e ver que pude mudar as coisas em tempo hábil, tempo de ainda ser realmente feliz, ser livre, de ainda ter tempo de viver.

Post Scriptum: o texto foi escrito na sala de espera de um hospital dia 21/07. Resolvi publicá-lo por estar dando voltar neste assunto



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