Dois Mil E Dez.

E 2009 acabou. Meu único pedido pra 2010 foi me tornar um ser humano melhor. Tá, não foi o único, mas é isso que preciso no momento. Ser melhor.
Confesso que tudo começou bem difícil porque as pessoas são difíceis de lidar, são ingratas, insatisfeitas e tudo mais. E lidar comigo também é uma tarefa um tanto árdua.
Não que eu seja ‘A’ perfeição, pelo contrário, mas tenho tentado aceitar as coisas como elas vêm; tenho até tentado curtir os momentos, por pior que eles possam ser. Não sei se estou no caminho certo, mas tenho tentado do fundo da alma.

Mas essa alma é fraca e não tem tido muita habilidade pra lidar com coisas muito pequenas, reclamações normalmente infundadas. Aí eu entro na pilha de ponderar: me tornar alguém melhor inclui aturar gente mesquinha? Aturar picuinha? Sinceramente não sei.

Longe de mim de achar que devemos nos contentar com pouco. Ou nada, até. Mas existe um limite bem claro entre falta de ambição e ser mal agradecido. Só que tem gente que além da falta de ambição, é mal agradecido. Por tudo. Se bobear, até por respirar porque o ar não tem cor e deveria ser colorido. Sei lá, né. Quem quer reclamar, reclama de tudo mesmo.
Eu sempre fui muito reclamona. Minha mãe achava o máximo me chamar de velha. Não mudei muito. Mas as minhas reclamações, no geral, até porque sou humana também, são diretamente ligadas às coisas que eu quero pra mim. E ultimamente não tenho reclamado. Ando anestesiada.

Eu poderia muito bem reclamar horrores do quão deprimida eu estou.
Do quão sem esperança no meu próprio futuro eu tenho estado.
Não porque eu não seja capaz de um futuro melhor que o presente, mas porque a minha condição me deixa incapaz. E eu quero, quero muito pra mim e posso muito quando dou muito de mim. Pra dizer que não falei de como estou e tenho me sentido com ninguém, conversei com duas pessoas que vieram conversar comigo no GTalk(como eu ODEIO esse app) e pelo andar da conversa, acabamos rumando pros meus problemas. Mas nem aí eu to pilhando muito; incrivelmente tenho até levado com um pouco de humor algo mega importância pra mim porque é a minha vida.

Em momento algum eu tenho chorado no ombro de ninguém dizendo o quanto meu ano começou péssimo, porque to desempregada e, apesar de ter sido chamada pra umas 5 entrevistas de emprego, não consegui ir a nenhuma – e ninguém sabia disso até agora – porque to mega deprimida e não tenho coragem de ir.
Estou formada há 2 anos e só de pensar em estudar novamente pra tirar minha OAB, pra conseguir algo na minha área, eu literalmente perco o sono e o ar.
E não que eu não queira.
Eu QUERO.
Porque não fiz 5 anos de faculdade, com uma puta monografia pra arranjar sub-sub-emprego.
Não é fácil também dizer pros outros como um cara idiota conseguiu acabar com as poucas forças que eu tinha além do pouco de estima que normalmente tenho por mim mesma, e ainda conseguiu me deixar me sentindo uma babaca, com o twist de que eu não tenho a mesma disposição de uma pessoa bem servida de Serotonina.

Estou há 3 anos lidando com isso, com uma situação que no momento não tenho como tratar. Porque além de tudo que preciso enfrentar, ainda lido com a negação da minha mãe, que acha normal a filha dela dormir o dia inteiro e não sair de casa por dias.
Eu sei que quando pude, não fui a melhor paciente porque sou normalmente rebelde e, sério, quando você acha que tá bem, você pára achando que tá bem até ver que nem tá não. Mas estava tentando
E eu tento respirar fundo e lidar com tudo isso (só não rola mesmo  gente que acha que depressão é uma tristeza que nego tem preguiça de enfrentar. Ou que diz que é desculpa pra tudo. Esses, por gentileza, passem longe).

De 3 anos pra cá eu vivo com as conseqüências das minhas crises, inclusive perder amigos – ou pelo menos acho que os perdi – porque eu simplesmente sou uma péssima amiga. Sou o tipo de pessoa que só sai com os outros por obrigação. Lógico que me divirto, são meus amigos e os escolhi por razões óbvias. Mas sair porque realmente quero não faço há um tempo. E eu nem me comprometo. Porque não cumpro.
E preciso entender que quando eu quero sair e tomar um chopp, não ter quem saia comigo. Os poucos que ainda me rodeiam, diminui em muito a probabilidade de um convite em cima da hora se efetivar.
Sou o tipo de amiga que fura; que não aparece no seu casamento alegando estar passando mal e, apesar de realmente estar passando mal, nada que um remedinho não resolvesse.

E eu entro 2010 sem saber mesmo se as coisas vão mudar. Porque não há como mudar, do ponto de vista prático. Faço parte de uma classe média falida; não posso fazer 1/3 do que gostaria, não tenho grana pra fazer tudo que gostaria, e nem estou como gostaria, até em termos de saúde mesmo. E o que poderia fazer não consigo, o porquê já expliquei.

Então, infelizmente ou não, resolvo que pra me tornar alguém melhor na minha situação é deixar tudo de negativo demais de lado. A gente tem que aprender a trabalhar com aquilo que tem, e óbvio, procurar  melhorar faz parte. Mas ingratidão, reclamação, cara de koo, bobeirice, chatice, cobranças idiotas, falso moralismo, etc traz muita negatividade e disso não preciso.
Tenho tentado fazer algo que uma amiga – essa tinha tudo, absolutamente tudo pra ter desistido de mim, sabe-se lá porque não o fez – me disse: aprenda a curtir as pequenas coisas.
Tento ficar feliz quando olho minha unha colorida. Não é nada, perto das viagens que gostaria de fazer, dos cursos que queria me inscrever, do namorado que gostaria de ter, das coisas que precisava fazer ou mesmo da saúde que preciso. Mas a unha é algo. É alguma coisa. É Pollyanna. É Amélie Poulain.

E longe, longe de mim ficar dando liçãozinha de moral, ficar dizendo isso ou aquilo. Mas tem dias que só o fato de não estar em Angra dos Reis já deve bastar. Que unha unha bem feita pode fazer um dia melhor. Que um belo prato de uma comida predileta satisfaz.

E de dia em dia eu vou tentando sobreviver. Serotonina e Dopamina down the hill, mas enfrentando um leão por dia, uma crise por vez. Um problema depois do outro. Um dia após o outro. E de pessoas pequenas, eu quero E preciso de distância.

E esse será meu ano.

p.s.: o ponto alto do meu dia amanhã será achar o Danoninho Ice. Só a expectativa já torna minha noite melhor (ou madrugada. Ou dia. São 05:50 a.m.)
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