Música (+) Eu (=) Subverteu².

Sabe aquilo que “take your breath away?”
Aquilo que, num dia de tempestades te faz achar que algo de bom ainda pode vir?
Aquilo que com tanta paixão vemos, como aquela paixão de um primeiro amor adolescente mas que nunca passa?

Pois é. Tem poucas coisas na minha vida atualmente que tentam chegar ao nível ‘animadinha’, ou no mínimo ‘interessada’. Cada dia que passa, eu vou ficando cada vez mais meio numb, meio anestesiada mesmo das sensações alheias e minhas. Parece que vivo num mundo paralelo onde nada se sente, onde eu e minhas cópias vivemos esperando o dia acabar para outro tão insípido venha.
Daí a gente vive aquele dia, como qualquer outro, só no Ctrl+C/Ctrl+V de situações 90% idênticas às vividas nas últimas 24, 48 horas.
A coisa não tende a mudar. Você nem tem isso de achar que pode mudar, por uma questão de passividade, derrotismo. E porque não, por preguiça?
Não vou aqui levantar a possibilidade de a inércia ter se dado por um sentimento de fracasso contínuo porque nem vem ao caso.
Mas daí você vai vivendo, uma madrugada e um nascer do sol atrás do outro, consciente de que não muda.

Noite dessas comecei a cantarolar.
Foi estranho porque me distanciei de música de um modo geral. Rádio não escuto há anos, desde antes mesmo da Rádio Cidade extinguir. Minhas músicas estão no computador e não as escuto nunca. Daí comprei um MP4 porque facilitaria. Eu o uso, mas com menos freqüência do que há dois anos, por exemplo.
[Se for pra falar de abandono – independente de como tenha ocorrido, teve o violino. Abandonei a Flauta por pressão externa e fugi do piano por rebeldia hormonal. Mas enfim…].
Mesmo assim, me mantenho à busca de músicas que gosto de ouvir e normalmente são gringas, apesar da minha grande paixão por MPB e alguns representantes.

Cantar em corais, grupos de louvor, quintetos fez parte da minha vida desde os 10 anos. E quando tomei gosto não parei. Acabava um, procurava outro. E fui assim até um monstro emocional me dar uma rasteira. Juntei alguns cacos e por culpa da rotina, continuei como dava. Até não dar mais.
E ano passado, acenei minha bandeira branca à depressão, porque eu não sabia mais como lutar contra isso. Saí dos coros. Já tinha saído da igreja, presencialmente [e também com alguns outros motivos por detrás]. E eu não dei satisfação das minhas saídas repentinas nos grupos em que participava.

E na noite que cantarolei, voltei a PENSAR música.

De alguma forma, numa madrugada qualquer nessa semana, fiquei relembrando de músicas que cantei nesses corais da vida, especialmente o último, e relacionando-as aos compositores. E daí ia pro Letras.mus.br e procurava por ela. Sempre tinha vídeo com o cantor original junto à letra. Nessa busca, fui numa musica que gosto muito. Daquelas que canto interpretando o texto, cheia de uma veia artística que eu fatalmente não tenho, na frente do espelho. Mas não tinha vídeo original.
No momento que fui ver os vídeos alternativos, bati os olhos num que trazia exatamente a versão que eu cantava, pelo coro que cantava.

Não pude berrar. Não tinha a quem contar, senão ao twitter, completamente jogado às traças e aos insones de plantão como eu. E desse primeiro vídeo, vi outros e mais outros.

E naquele momento de descoberta, minha respiração começou a falhar. Meus olhos marejavam de lágrimas. Senti uma ALEGRIA que não sinto há muito, muito tempo. Senti-me fazendo parte daquilo, entendendo aquilo.

E também naquele momento, comecei a achar, talvez erroneamente, que aquilo era um sinal; porque eu tinha dito a uma amiga que não sabia se gostaria de voltar a cantar por milhões de outras questões.
Naquele momento, que durou mais de 2 horas, não havia nenhuma outra questão. Havia paixão, daqueles de você achar que te deram um alucinógeno porque você está praticamente fora de si.

Música transcende qualquer sentimento racional que eu possa ter. E apesar de parecer algo como paixão, é o puro, mais singelo e mais verdadeiro amor. Porque paixão passa. Amor permanece. Há 21 anos, desde meu primeiro instrumento.

E como todo objeto de amor, muitas vezes negligenciamos. Mas de uma forma ou de outra, ela te traz de volta pra casa; de volta pr’aquilo que sempre foi o que VOCÊ sempre foi.

E termino o texto extremamente emocional. Porque, obviamente já dito, eu sou emocional.
E não ter como ficar indiferente com algo que mexe tanto, mas tanto comigo, a ponto de encher meus olhos d’água, a ponto de me dar calafrios, me traz tantas dúvidas, tanta coisa a pensar… Mas que, independente dessas coisas todas, deixa claro que fica um grande vazio se eu não tiver música na minha vida. Se eu não tiver esta fonte de alegria, de sublimação, de inspiração, fatalmente viverei de modo muito mais medíocre do que poderia viver, tendo que lidar só com os outros fracassos e depressão que ainda me rodeiam. Viverei como tenho vivido nos últimos vários meses.

Cantar, tocar, estar cercada disso tudo, faz-me sentir parte de algum mundo. E me pergunto, em momentos como este, se eu não é a ele que realmente pertenço. De corpo, alma; de dedicação, de planos para um futuro próximo. Não sei.

Mas hoje, desde àquela fantástica madrugada, eu sei. Sei que sem música, eu sou metade, eu sou pior. Eu não sou eu.
Se aquilo que faz nossos olhos brilharem, que faz nosso coração bater mais forte, é a nossa verdadeira vocação, então tá tudo mais do que explicado.

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