Brincando de Máfia*

Cidade Dorme.
Esta é a frase que deixa uma roda inteira apreensiva. A hora em que todos fecham os olhos… E o moderador chama o assassino, para eliminar mais uma vítima.

Hoje passei o dia no meu “ócio criativo”, tirando o criativo. Não vi nada sobre esportes. Muito menos a abertura dos Jogos Pan-Americanos. Nunca fui ligada a aberturas e encerramentos de festival algum, muito menos esportivo.Quando pensei em algo pra comer, resolvi me estimular e ir ao mercado.

Juro que fiquei um tanto assustada quando coloquei meus pés na rua: tudo escuro, pouco movimento. Parecia feriado. Fiquei mais perplexa ainda ao entrar no mercado. Lugar que tem tido fila até sábado à noite, estava vazio de se ver caixa bocejar. Neste ponto foi até bom. Me pesei à vontade, sem crianças atrás de você, insandecidas porque provavelmente nunca tinha visto uma balança antes; dancei ao som de Jamiroquai pelo corredor, sem o menor pudor. Nada de carrinhos passando por cima do seu pé.

Mas apesar de ser tudo muito bom, fiquei meio tensa. Tudo bem que o Estado, o estado e o município deram ponto facultativo, mas era pra tanto? E o resto que não é funcionário público estava aonde? Na abertura do Pan??? Valha-me Deus!

Enquanto todos se divertem vendo bandinhas tocando músicas folclóricas, dançarinas fazendo passinhos ajeitados e esportistas passeando de uniforme de tactel, fico eu e meia dúzia aqui, num ponto da cidade que não dormiu. Não dormiu porque andar de olhos abertos já é perigoso demais. Nunca se sabe se o rapaz que passa do se lado na calçada vai enfiar o cigarro aceso no seu pescoço e mandar você passar tudo que tem; ou se as pessoas levando caixa de pizza na mão, na verdade têm uma arma escondida e vão te sequestrar; ou mesmo se os velhinhos que te pedem a direção de uma rua não vão te enfiar no carro te levar sabe-se Deus para onde.

A cidade viverá, por não sei quantos dias, o Pan-americano. E esquecerá de tudo que acontece, de toda a violência, de toda corrupção que nos rodeia. Até mesmo abrindo o site de um grande jornal, vê-se logo notícias fresquinhas sobre o evento. E poucas são as notícias que realmente trazem algo de importante para nós. Mesmo que sejam as tragédias, afinal são elas que nos acordam pra realidade dura que tem sido viver nesta cidade.

A cidade vive o Pan, mesmo que seja através da tevê, com som de tiroteio ao fundo.

Estamos brincando de máfia. A cidade dorme, o assassino faz a festa.
E quando a cidade acordar é que se dará conta do estrago que essa brincadeira rendeu.

*brincadeira em grupo, onde há cidadãos, um detetive, assassino(s) e um moderador. A cidade dorme, o assassino, então, mata alguém. Em seguida o detetive acorda e sugere quem seria o assassino. Depois disso, a cidade acorda, o moderador diz quem morreu e então começam as especulações de quem seria(m) o(s) assassino(s). E o acusado tem direito a se defender e convencer a todos que ele não é quem dizem… só jogando, mas é muito bom!]

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