Despretendendo

Acredito que sou uma pessoa despretenciosa. Sério. Não tenho grandes pretensões na vida. Algumas, mas não muitas. Talvez isso me faça uma mulher medíocre e acredito, sim, que eu seja.

A gente cresce cheio de expectativas, pessoas com expectativas esperam que sejamos alguma coisa… que sejamos qualquer coisa. E daí surgem os rótulos. E são eles que acabam com a boa vida que então pretendíamos.

Você é canhoto ou destro?
Torce pra que time?
Gosta de que cor?
Mora em que cidade?
Lê quais livros?
Gosta de que tipo de música?
Tem alguma marca de nascença?
Sua letra é bonita?
É gordo ou magro?
Baixo ou alto?
Tem orelhas grande?
E o nariz?

E assim vai. E assim, algo que era pra ser tão simples, se torna tão complicado. Os rótulos te definem pro mundo. E o mundo só te conhece por eles. Quem é você, senão um canhoto-flamenguista-fã-de-amarelo-carioca-leitor-de-ficção-roqueiro-com-pinta-no-braço-direto-de letra bonita-gordo-alto-de orelhas razoaveis-nariz-de-batata?
Você não é ninguém. Ninguém é ninguém, até que entreguemos nossa ficha cadastral.

O problema está: preciso mesmo preencher tal ficha? Preciso mesmo dizer que sou flamenguista pra alguém me olhar com bons (ou maus) olhos??
Eu não quero! Eu renuncio toda e qualquer característica sobre mim mesma. Eu renuncio qualquer coisa que me qualifique. Não vejo mal em ser desqualificada.

Ser desqualificada, ser só eu, pelo menos não cansa. Ser tantas coisas, mesmo que estas coisas sejam inatas, é exaustivo. Defender idéias, princípios, cansa. Tudo cansa. Cansa dizer que o flamengo é o melhor time do mundo; cansa defender os canhotos como mais inteligentes. Cansa dizer que o Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa. Eu não quero mais impor. Não quero mais me impor; quero que seja assim, simples.

Hoje eu jogo no lixo os rótulos. Não defendo mais os flamenguistas não defendo canhotos, cariocas, gordos, feios, estudantes, mancos, fanhos, vesgos. Hoje eu não defendo mais nada.

Hoej eu me libero de qualquer pretensão, de qualquer ambição. Por hora, prefiro viver na mediocridade. E vou defender a mim mesma, mas como um conjunto. E o conjunto talvez não agrade. Mas sabe da maior? Eu não tenho mais nenhuma pretensão, muito menos a de ser agradável.

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