Catarse

Eu não sei muito bem o que as pessoas esperam quando se trata de amizade, relações interpessoais… Não sei. Cada um age de um jeito e busca determinada coisa, e hoje mesmo uma amiga me disse que muito tem a ver com a vibe que a gente está e a da pessoa; isso talvez explique algumas coisas.
Há duas semanas as coisas tomaram uma projeção meio diferente, estranha. Coisas que não esperava acontecer me deram uma rasteira e fiquei eu estatelada, com a cara toda amassada depois que o camburão passou por cima dela, no asfalto fresco.

Teimo sempre em querer entender o mundo, as coisas que acontecem, as pessoas, as situações, e talvez nunca terei as respostas pras minhas indagações, mas não consigo deixar de tê-las. Insisto entender as situações em que me coloco, ou que me colocam, e gostaria de conseguir esclarecer cada uma. Bato pé em querer compreender as pessoas, e que as pessoas me compreendam, mas acho difícil que ambas as partes se façam entender, quando existe hidden agendum.

Como também disse uma amiga minha, o lance é ACEITAR as coisas. Do jeito que elas chegam até nós, sendo boas, ruins, estranhas. Tem a ver com filosofia tântrica, não me pergunte muito, mas faz sentido.

Nesses últimos dias venho me questionando. A quem sou, como ajo, o que passo pros outros… Semana passada, conversando com um amigo, ele me chamou de “birrenta, pirracenta, turrona e brigona”. Na hora fiquei foi muito puta, eu desabafando e alguém ali querendo me apontar defeitos. Em menos de 10 minutos me despedi porque estava tão absurdamente chateada que não conseguia conversar (a primeira palavra que me veio foi ‘chatear’. Juro). Talvez ele tivesse razão, não tão intensamente como há uns 6, 7 anos atrás. Mas eu sou assim, com defeitos. E odeio ser criticada, tão na lata. Mas eu engulo, mesmo que com certa dificuldade. Levo aquilo, remôo às vezes mais do que o necessário, mas tento absorver, mesmo que seja pra, um dia, levar à terapia essas questões. E pode até ser que eu tente vender outra imagem de mim pra essa pessoa se eu não conseguir mudar, por simplesmente querer que me vejam de outra forma (um erro, eu sei).
Enfim. Ele falou isso, e na mesma semana, mesmo dia, eu acho, tive uns problemas com quem considerava como amigo. A gente não sabe o que passa na intenção das pessoas. E certamente não sabem exatamente quais são as minhas, faz parte. Mas não consigo entender. Não faz sentido na minha cabeça a reação, ou a falta dela. Não faz sentido a pessoa simplesmente esquecer a sua existência e assuntos que eram realmente relevantes – e essa pessoa sabia – na semana anterior, sem ter o mínimo interesse em saber como aquela semana, quanto a aqueles assuntos, como as coisas estavam. Comecei a achar que haviam feito fofoca, sabe-se lá do que. Depois achei que se chateara pro algo que nem sei se fiz. Por fim, insisti e consegui uma resposta que não engulo, cheia de desculpas esfarrapadas. Ali percebi que não tinha porque me incomodar. Porque simplesmente não valia a pena.

Outra situação estranha foi parabenizar uma pessoa que foi incapaz de responder. Fico imaginando o que se passa na cabeça delas, quando ignoram algo tão simples e como isso se torna extremamente esquisito fora de um contexto, porque, na verdade, não o há. Não existe convivência, não existe contexto, não faz sentido. Então porque tal reação estática? Me passam coisas ruins e maldosas na cabeça, que evito pensar porque não quero achar que as pessoas são más, não quero apontar o dedo e acusar sem saber. Mas fico me perguntando o motivo disso tudo e fico achando, mais uma vez, que a culpa é minha. Depois de analisar um pouco, paro pra pensar e percebo que se tudo mudou e se chegou nesse ponto, não vou lutar e nem pensar. Porque simplesmente não vale mais a pena.

Um amigo meu postou um teste de qualidade de vida no Facebook. Naquele teste, nem a pessoa mais saudável que conheci, teve resultados significativos. E esse amigo teve. Achei estranho e fui “brincar”, insinuando que a pessoa tinha burlado o teste. Erro meu. Erro meu porque a pessoa, “mestre da dialética”, conseguiu distorcer o meu intuito em comentar o bendito post por ele publicado; fui acusada, resumidamente, de caga-regra, pq ele deveria ser livre pra beber, mesmo tendo gastrite; eu não deveria ser tão lógica e apontar o que a pessoa deveria ou não fazer, citando inclusive “Eu não sou como vocês, que são apenas robôs sanguíneos”. Foi de uma grosseria, questionou se eu estava desocupada e se já tinha cheirado merda naquele dia. Assim, dessa forma. E por fim veio com seu discurso de “quero curtir a vida e não morrer cedo”, e falou em metafísica em coerência, em sei lá mais o quê. E ficou lá me acusando de caga-regras cheia de lógicas, que não quer que ele viva, mas vivo eu pra categorizar as pessoas, delimitando seus direitos e deveres.
Foram tantas afirmações, que depois teve a audácia de culpar a filosofia e a dialética pelo modo como discutiu comigo, que, mais uma vez parei pra pensar. E vi que, sério, não é possível que por causa daquilo eu estava sendo obrigada a “escutar” tantas coisas, estas que ele deletou da página dele. E percebi que ele era só mais um, com a exceção de que este te confronta e deixa com raiva, mas que tem alguma atitude em relação às coisas e às pessoas. Ele ainda veio conversar comigo depois, ainda dei um pouco da minha atenção, por cerca de 2 minutos e desisti. Vi que não me valeria a pena.

Amigos são uma preciosidade, são quem te ajuda a levar a vida quando não vai bem, que comemora com você nos dias felizes, que sabe que está ajudando quando te critica, e nem deixa de te amar pelos seus defeitos. Na verdade, isso é família e quem é amigo, daquele que se torna família, é o que aceita isso, e brigando ou não, sabe que as coisas vão se ajeitar, porque toda picuinha é muito pouca pra acabar com o que se tem de verdadeiro, principalmente quando estamos adultos e na teoria somos maduros para dialogar, discutir e resolver pendências.

Existem amigos que julgamos ser pra toda a vida. E nos enganamos amargamente quando, num revés, a maré boa do bom convívio se torna abundante demais e um dos 2 lados resolve que não quer mais nadar ali. Não tem esforço, não tem conversa, não tem nada. Não faz sentido. E é tão triste quando isso acontece, porque a proximidade acaba e se tornam dois estranhos.
O problema é que eu não consigo parar de me importar, o que é prejudicial só pra mim, porque não é recíproco. Não tem a mesma vibe e por isso chegou aonde chegou. Talvez existam amizades sazonais. E eu não sei lidar com essa categoria. Se e souber de antemão que serão assim, prefiro que continue sendo colega, pra que depois eu não vá me importar por quem não faz o mesmo esforço por mim.

As pessoas são, afinal, estranhas e loucas. Confesso que por vezes eu tenha minha parcela de culpa, mas não acho que querer entender, apoiar, criticar, procurar saber, seja ruim. Se eu discuto ou brigo ou não gosto do que ouço, aquilo certamente vai passar. Não que eu seja superior, porque não sou; tenho mil defeitos, acho que poucas qualidades, um temperamento péssimo e sou mal resolvida. Mas meus amigos são jóias pra mim (brega mesmo) e pretendo conservá-los, se houver reciprocidade. Mas não faz sentido quando ela acaba do nada e você tem que lidar com sentimentos que ainda existem. Acredito que seja como um aborto; quem perde um filho ainda sofre, por tempos, com as conseqüências de ter carregado um feto. E o fim de uma amizade seria assim. E o sentimento que gira em torno dela seria proporcional ao tempo que essa amizade durou.

Mas não dá pra lutar com gente estranha. Gente que se diz amiga, mas não te permite ser você mesma na vida dela. Gente que diz se importar, mas surta. E até chegar ao ponto em que estou, demoro muito, quebro cabeça, fico na esperança de que as coisas possam mudar, mas obviamente não mudam. Porque as pessoas agem de forma estranha, são estranhas e muitas vezes nada daquilo faz sentido.

Eu resolvi parar de lutar. Parar de tentar entender certas coisas, certas pessoas e certas situações. Será um aprendizado e eu vou conseguir aplicar pra mim a filosofia tântrica. Vou aceitar o que a vida me dá de bom e de ruim, da maneira que vem. Os amigos que comigo querem se relacionar e os que deliberadamente resolvem ir embora. E não pretendo mais questionar. Não mais isso, esse assunto, ou pelo menos tentarei arduamente

Porque realmente não vale a pena.

http://www.youtube.com/watch?v=S1LtIULGGDM

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s