Nunca Tive Um Regador

Li hoje no Facebook a legenda de uma foto de uma conhecida: “quem cultiva sempre tem”. E era uma foto do aniversário, com amigos e tals.

Passei a semana inteira pensando nisso, depois que uma colega de trabalho me questionou sobre o fim de semana anterior. Eu sempre fui de muitas opções e hoje me vejo em casa a maioria do tempo. Tudo bem que ultimamente não tenho podido gastar dinheiro, porque simplesmente não o tenho; mas mesmo assim é algo muito estranho.

E foi assim no fim de semana em questão. Sem dinheiro. Mas também não tive convites pra sair. Tenho sim, alguns poucos e fiéis amigos, que vivem uma realidade que não é a minha e isso inviabiliza: filho, saídas caríssimas, trabalho fim de semana, muito estudo, rolos,namorados e afins… Tem sido meio assim com os meus preciosos, que não me abandonam nem quando tenho meus surtos.
Tirando estes, o resto eu fiz o favor de afastá-los. Melhor, não cultivá-los. Nem mesmo quem nunca foi mas que poderia vir a ser um amigo. As pessoas se aproximam de mim e eu, mesmo que queira, mas talvez por falta de jeito, acabo não as mantendo ao meu lado.

Chegou o mega feriado e, tirando o fato de que estou deprimida – porque o bendito remédio pra depressão ainda não se fez presente – e que só agora comecei a chorar pitangas pelo namoro findo, mesmo que quisesse, ninguém me chamou pra sair mais uma vez. E não culpo ninguém. Eu não os cultivei à minha volta.

Pode ser que seja o meu jeito e falte também um pouco de vontade da outra parte em me ter por perto. Não que eu seja essencial à vida de alguém, mas também não deveria mendigar atenção.
Talvez eu só faça número à vida das pessoas mas acrescente pouco. E entenderei se for isso. Quem pouco me acrescenta, como ser humano, faço pouca questão de ter por perto também.

Mas enfim. A questão está aí. É preciso cultivar os amigos. Sempre os tive aos montes, atenção nunca me faltou e estou sofrendo dessa falta há um certo tempo.
Erro meu por achar que bastava existir pra tê-los por perto.
Erro meu não perceber que, além de dispensável, nem sou tão legal assim.
Erro meu não achar que os que tentam, às vezes enchem o saco de me ver sempre rejeitando ou fazendo pouco caso dos parcos convites,ou mesmo furar os que resolvo dizer que vou.

Na 2ª série a turma do colégio plantou alface e depois que cresceu, todos comemos. E o professor dizia que tinha que molhar a planta ou ela morre.
Eu errei em não ter aprendido a cultivar.
E hoje meu medo é ter ficado tão no esquecimento das pessoas, seja porque eu me escondi, ou porque nunca fui uma opção, que meu destino seja passar feriadões jogando FreeCell enquanto não passo 15 horas dormindo.
Meu medo é de ter estragado, perdido a validade,  ser completamente descartável a essa altura da vida. Porque com a idade, tudo tende a piorar.
Se tivesse, há 20 anos, guardado a informação do tio da horta, talvez hoje soubesse cultivar as pessoas. E as plantas também, as da minha avó sempre morrem.

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