Comida: num daqueles meus textos intermináveis.

Lá por aquelas bandas onde trabalho, não tem muita coisa boa em geral e principalmente em relação aos restaurantes, não dá pra variar muito e onde é bom mesmo, é caro mesmo. Então só nos resta comer sempre no mesmíssimo lugar, restaurante bem bacaninha.

É negócio de família. O pai e o filho trabalham como uns cornos; o filho no caixa, o pai na pesagem. A mãe, visivelmente A DONA do lugar também trabalha. Mas é bem daquele tipo perua que fica passeando e falando com as pessoas, dando oi e distribuindo sorrisos e soltando os cachorros nos funcionários, inclusive os da família.

Ela A-DO-RA uma das minhas colegas de trabalho. E gosta da outra também. Comigo não é capaz de dar boa tarde, quando tenho a infelicidade de encontrá-la na balança pra pesar meu prato. Acho que ela não gosta de mim – ou eu falo pra dentro mesmo, como as meninas do trabalho vivem me dizendo.

Aleatoriamente, você pode ganhar uma sobremesa de graça. Essa amiga minha que ela A-DO-RA já ganhou 3 vezes e ela fala pra todos ouvirem que “não é marmelada, gente.” Ta aí uma família que muito me apavora.

Ela é toda perua, uma cinquentona daquelas que compra vestidinhos curtos super na moda, de estampas normalmente muito lindas. Daí ela fica desfilando enquanto seu marido coroa fica quieto num canto fazendo o que ela manda. Ele, alto e magro, quase não interage. Mas é educado. O filho chega a ser engraçado e é realmente muito agradável. Com certeza nos fins de semana dá pra encontrá-lo na praia de Ipanema surfando. Ele tem aquele sotaque INSUPORTÁVEL de carioca de praia, estilo playboy mas por ser tão bacana, dá pra aturar. Ele é gato, mas não atesto 100% porque vive de boné. Ninguém nunca o viu sem. E pode ser uma coisa meio Tiger Woods. Eu assistia golf, acha o cara lindo. Daí ele ganhou um campeonato, tirou o boné pra receber o prêmio e quase chorei de desgosto. To achando que o surfista é nessa vibe também.

Interessante que lá você tem noção do cardápio, bem variado por sinal, porque ele se repete. Segundas tem bife à parmegiana; quarta, camarão empanado, por aí vai. Mas a comida é gostosa e só enjoa mesmo porque se come lá todo dia e não é comida caseira. Todo mundo que dizia comer na rua durante a semana tinha dessas de reclamar por comida caseira e agora eu entendo.

Dia desses resolvemos almoçar num restaurante diferente. Tínhamos que fazer umas coisas e só me alertaram o seguinte:” a comida é tipo aquela, daquele restaurantezinho meia boca, que a gente só consegue comer linguiça e até o churrasco é frio”.
Enfim, se for no mesmo nível, eu como linguiça e arroz e batata, não tem erro (minto, batata sempre tem erro e eu nunca aprendo isso). Fomos nós pra lá. Lugarzinho até meio aprazível, sabe. Daqueles que até parece servir comida boa.

Todo aquele ritual de escolher o que comer. O cardápio especial do dia era comida mineira mas só descobri depois porque não achei a couve nem a linguiça. Peguei batata, bolinha de queijo, frango empanado. Depois de quase regurgitar ao ver um rechauld gigante com galinha ao molho pardo. Sério, gente, precisava mesmo?
A comida tava morna. A garçonete gritava por um buraco pelo refrigerante do cliente que não tinham dado ainda. Ela parecia aquelas russas massagistas de nome Herta. Pura brutalidade, sabe? Veio nos entregar as bebidas e fiquei com medo.
A comida? Horrível. E eu não sou de reclamar de paladar; sou fresca quanto ao que como mas se for algo que esteja na minha dieta, tá tranquilo. Foi sofrido. Até bebi junto com a comida, coisa que não tenho mais feito. Só salvou a bolinha de queijo, porque aquele frango empanado cheio de gordura e sem gosto de frango desceu às duras penas. E a batata frita, CERTEZA de que era da manhã do dia anterior.

Ainda podia se ver que o pano as garçonetes limpavam as mesas eram aqueles panos de prato mal pintados que camelô vende 5 por R$1 e na primeira lavagem perdem a cor. Nem pra fazer o favor de me comprar panos brancos típico de qualquer restaurante razoável.

Disso tudo eu depreendo que tem como emagrecer. Me leve nesses lugares. Como pouco, como mal, economizo. Mas por hora, só assim mesmo. Se bem que ainda prefiro aturar a perua do outro restaurante, que dia desses deu uma “dica” pras meninas, mas que às “granfinas” ela não diria não. Achei insulto. Mas antes o insulto com boa comida, né.

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