Quem És Tu, Rainha do Baile?

Meu colega de trabalho pediu demissão e semana que vem vai embora. A gente se aproximou nos últimos meses e, apesar do grande abismo entre nós, nos damos muito bem. Mais de 5 anos de diferença, ele já com carreira encaminhada apesar de mais novo. Engraçado como o julguei a primeira vez que o vi. E ele se mostrou uma pessoa maravilhosa. O chamo de coxinha e ele diz que sou a pessoa mais irônica que já conheceu. E nos damos bem.

Hoje fiquei até mais tarde e conversamos sobre o trabalho, sobre como me sinto, dei nome aos bois que sempre ficam nas entrelinhas de nossas conversas, falamos muitas coisas.
Desabafo muito com ele; filho de militar o menino, gosto de gente com o tipo de criação que ele teve. É educado, respeitador. Gosto disso.

No vai-e-vem do nosso papo, ele falou em tom de desespero a situação de um amigo, que está pra se formar em Direito e não sabe o que faz, e que iria enlouquecer com o never-ending pursuit for achievement de um advogado (e juro que só consegui pensar nisso em inglês). Naquela hora me deu um estalo, porque eu tenho cogitado MUITO voltar pra área caso NADA dê certo (por nada, lê-se a vida que estou levando). Mas quando alguém verbaliza aquilo tudo, vi que não dá pra mim, senti o mesmo desespero.

E ele falou uma coisa certa: “Eu vejo que você ainda não se encontrou. Tenta se achar e corre atrás.”

A frase saiu de um um playboy coxinha que frequenta pub de playboy todo fim de semana, com 25 anos de idade, que passou 1 ano na Austrália. Não desmereço, mas daí vê-se que pouca merda sou eu com 30 anos, que nunca morou fora do país, que trancou o curso de francês, não terminou a pós, não seguiu a carreira na qual se formou e não tem carreira whatsoever. E pior, com a idade que tenho, fica complicado ter qualquer carreira.

E agora? Ele não me desanimou, só me abriu os olhos nesse momento PÉSSIMO: eu não tenho carreira e tô velha. Só isso. Tradução? Não, não dá. Além de ser péssima em marketing pessoal, não me acho boa o suficiente em gramática e mesmo se fosse, pra ser bem sucedida, seria freelance, trabalharia basicamente de casa e isso não deve dar muito certo; preciso ver gente mesmo que eu conscientemente não queira.

Não sei bem o que pensar, nem o que fazer. Nem é o momento; tem coisa muito mais importante acontecendo comigo, muito mais relevante. Mas queria mesmo era ir pra um país qualquer ser faxineira (não que eu queira de verdade, mas dentro da minha realidade no momento seria uma boa ideia, por favor né). Ganharia mais do que ganho hoje, mas a Europa está em crise e vai que dá merda né. E eu tenho medo, medo de tudo. Culpa de uma família que vive da cultura do medo.
E sim, culpo minha família por isso, culpo minha mãe por muitas escolhas que tomei, e se hoje estou onde estou e bato na mesma tecla e não desisti é to prove her wrong e tentar fazer qualquer coisa dar certo porque finalmente escolhi por mim mesma.

E é só.
30 anos, sem carreira e talvez terminarei minha vida assim. Fatalista, pelo menos, é bem provável.

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