Enjoy

A gente conhece pessoas que talvez tenham a missão de fazer você entender que a vida é curta, é bela e que tudo passa. Ela foi uma dessas. A pessoa mais animada. Conheci como mãe do meu colega de faculdade; ele virou amigo, grande amigo. Ela virou a tia. E então virou nossa amiga. Amiga pra qualquer coisa. Pra se juntar nos nossos queijos e vinhos, pra escutar problemas, pra tomar chá, pra desabafar dos problemas dela no trabalho, com o marido, com os filhos, nosso amigo.

Ela sabia viver porque era o que tinha pro dia, pro mês, pro ano. Tem que viver, tem que aproveitar. Todo ano, uma viagem com belas fotos. Festas de ano novo, reuniões dos filhos onde ela se juntava e bebia junto e cantava e ria; comemoração porque o filho voltou do intercâmbio, comemoração porque meu amigo terminou a faculdade  – ufa – conseguiu apresentar a monografia, aniversários… tudo era motivo porque viver era o motivo.

Em 2011 meu amigo passou por um péssimo momento e em questões de meses foi a minha vez. Eles se juntaram e não como uma amiga, mas com a idade e experiência de vida, se fez de mãe, a mãe que não tive pra me apoiar naquele momento, e me levou onde deveria ir, me orientou no que deveria fazer, me deu força, me deu apoio. Não só naquele momento, mas a partir dele. Dali pra frente, se havia alguma dúvida da importância dela, não havia mais. Ela passara, mais que oficialmente, pro posto de amiga, companheira.

Semana passada meu amigo compartilhou uma de suas paraltices. No dia seguinte veio com a notícia que avassalou os corações de qualquer um que tenha cruzado o caminho dela. E em 4 dias ela se foi por conta do destino, das circunstâncias, da vontade de Deus, é a única explicação.

E nessa tristeza toda, no choque de saber que meu amigo e o irmão perderam a mãe e uma amiga, que seus amigos ficaram desamparados da pessoa que era ela, reli minhas mensagens:

“Minha amiga querida, entendo seu sentimento, entendo seu recolhimento mas torço como sempre para que vc consiga passar mais uma vez por isso. Nossa vida é feita de altos e baixos. Devemos ficar no alto e estarmos preparados para os baixos. Aproveite querida, vamos viver o que podemos.
Não desista nunca amiga…………..a vida é para ser vivida”

Não pude me “despedir” na festa de aniversário que ela deu porque eu estava em crise. Porque eu estava deixando de viver, o que tem sido habitual pra mim desde 2006 e isso me dói.

Parece bobeira, parece coisa de filme com moral da história, mas a morte dela me deixou um bocado assustada. Eu, que passei meus dias pedindo a Deus que me levasse, me senti com medo de morrer e não viver tudo que quero. Pra mim, ela foi a personificação de viver a vida, aproveitá-la ao máximo, mesmo com problemas, mesmo com desvios no caminho….

Hoje, meus remédios estão ok. Nos entendemos, estou bem. Voltei à academia, gosto disso e estou fazendo das minhas idas uma hábito. Voltei a socializar. Voltei a sorrir. Tá tudo bem e se der tudo certo, vou começar a viver bem a vida. É o que tem na ordem dos dias.

Ah, e não fui demitida.

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Um comentário em “Enjoy

  1. Me emocionei muito, amiga… Texto muito sincero, e compartilho desse sentimento de admiração por ela. Infelizmente, compartilho também a dor da perda, da falta que ela sempre fará.
    A mensagem que ela te mandou foi a despedida que vocês não tiveram… Ela deixou registrado ali o desejo dela pra sua vida.
    Que você queira viver sempre, e que mesmo com as dificuldades, a sua vida seja linda!

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