Cadê Eu?

Eu não sou mais quem eu era.
Ainda não sei exatamente por que, mas não sou. Ou talvez eu saiba, mas não queira admitir.

Eu era extrovertida. Nunca fui dessas de me destacar entre um grupo, mas sempre fui de fazer amizades rapidamente, sempre fui falativa, tinha tiradas engraçadas e era legal de estar perto. Sempre tinha assunto e opinião sobre qualquer assunto não me faltava. Eu era alguém interessante.

De uns tempos pra cá isso mudou e não percebi. Foi mudando comigo, conforme eu fui me afastando das pessoas, dos meus amigos. Fui perdendo traquejo social . Fui sendo aquele tipo de gente que sempre diz que não tem assunto e por isso não se entrega e não se integra.

Passei alguns anos da minha vida, entre idas e vindas de crise depressiva, afastando quem me queria bem. Ia além das minhas forças; acontecia, apenas. E depois de um tempo as pessoas param de te procurar, você para de conviver e só sobrevive. Vai pro curso, vai pra faculdade, vai pro trabalho e só. E para de falar, de conversar, de trocar ideias e vai minguando. Eu minguei. No meu corpo grande parece que só restou uma pessoa pequena e mignon e insípida, que só olha e ri.

Passei um fim de semana delicioso me integrando, ou ao menos tentando, com pessoas maravilhosas, com tanta história, tanto assunto pra compartilhar, tantas conversas pra eu participar e eu simplesmente não fui eu. Não o ‘eu’ que achava que deveria ter sido, mas o que tem sido, não o do passado que era engraçada e interessante. Era uma pessoa que não confia, que não se joga, que não se entrega e não se abre.

Conversas, pinturas, momentos engraçados, conversas sérias, danças… e eu sempre me sentindo e me colocando à parte do mundo porque não consigo me encaixar nele. Meu mundo é só meu, um mundo estranho onde eu estou apática quando não estou deprimida.

Pesei seriamente se valia a pena tomar remédio pra continuar assim. Não sei se tem solução trocar toda uma medicação pra tentar ser gente de novo. Não sei até onde os remédios de hoje estão influenciando a tal ponto. Não sei qual bagagem estou levando de anos de afastamento. Só sei que está estranho e estou estranha e pessoas que estão me conhecendo agora podem achar que esta sou eu enquanto na verdade nunca foi.

Espero que pra essas pessoas dê tempo de mudar, me mostrar e mostrar tanta coisa boa que eu posso oferecer. Se ainda tenho amigos é porque algo de bom há em mim e isso precisa voltar a fluir e florescer e ser visível aos olhos de quem tem a oportunidade de estar comigo. É bom ter gente interessante à volta. É bom ser a pessoa interessante em um grupo ou ser parte integrante dele.

Eu só não quero viver num mar de apatia e marasmo. Melhor, quero sair dele, dessa tormenta que me envolve e quase me afoga, junto com as lágrimas de frustração por não conseguir conversar com pessoas bacanas e somente fitá-las ao invés de começar papos que antigamente teriam fluidez.

Eu só não quero ser aquela pessoa que diz que não tem conversa, que é introspectiva e fechada e estranhamente incômoda que eu sempre abominei.

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