É difícil dizer em que momento as coisas pioraram. Elas simplesmente aconteceram, as situações. Mas teve momento pior que outro, teve hora que eu tive vontade de surtar. Teve de tudo. E depois que comecei a trabalhar na ONG percebi que não faz muito sentido continuar insatisfeito com algo e não mudar e também fazer coisas que vão contra seus princípios, ou estar em lugares que os violam, ou mesmo não acreditar na organização que você faz parte.

Eu não acredito mais na minha empresa. Não acredito no que ela representa, na visão, missão e valores que ela divulga tão arduamente entre seus funcionários. Pra mim é tudo conversa. Não acredito já faz um tempo. Não dá pra acreditar numa empresa que prega que você tem que ser remunerado pelo que faz, mas te pede pra fazer certas coisas que vão muito além das suas funções e mal dá um ‘muito obrigado’. Uma empresa que diz dar chance de crescimento profissional e na verdade, na melhor das hipóteses, você vai morrer naquele cargo de merda de quando você entrou.

Lógico que isso não se aplica a todos, mas a uma parcela, esta que não faz parte da panelinha das pessoas influentes e tomadoras de decisão do escritório.

Hoje tive uma conversa com minha chefe, daquelas esclarecedoras. Ela de um lado dizendo o quanto meu rendimento caiu e eu declarando que estou insatisfeita, que vir trabalhar é uma dor, que não faço parte da equipe, que não nasci pra morrer no mesmo carguinho para o qual fui contratada. E o mais interessante foi a reação dela. Os olhos arregalavam a cada declaração e por vezes ela dizia que eu não estava sendo profissional. Na verdade fui sim, só que muito sincera. E isto que incomodou. As pessoas não estão acostumadas a ouvir verdades. Sempre esperam aquela coisa mascarada, cheia de floreios e rimas bonitas. Por muito tempo fui de fazer esse tipo de discurso, mas hoje não tenho muita coisa a perder e não dá pra aguentar a minha situação por muito mais tempo.

Confesso que foi um dos meus únicos atos de coragem na vida. E saí de alma lavada.

Agora estou aqui esperando pelo momento e pelo dia em que ela me dispensará e eu ainda direi mais algumas coisas que ela também não vai querer ouvir, mas que eu vou gostar de dizer.

E sairei de consciência limpa, alma lavada, corpo leve. E é o que importa.

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