Posição Fetal em Horário Comercial

O que era pra ser temporário parece que está ficando definitivo.

Cá estou eu digitando e chorando disfarçadamente enquanto mantenho meu trabalho como recepcionista. Nada contra as recepcionistas. Tudo é trabalho, ganha-se dinheiro.

Quando eu era pequena e queria ser artista plástica, minha mãe ria de mim dizendo que iria morrer de fome porque não teria dinheiro pra fazer uma vernissage.

Ela avacalhou meu sonho de ser arquiteta porque só gente rica é tinha essa profissão e me chamava de mórbida porque queria ser legista.

Já na adolescência ficava sem falar comigo porque eu havia decidido fazer Letras.

Nenhum dos planos B, C, D, E se pareciam com o que eu tenho hoje. E eu não tenho nada.

Eu reclamo muito disso, várias vezes. Mas é de uma frustração tamanha.

Hoje acontece um treinamento aqui. Também fiz quando entrei. Estão os mais novos na empresa, junto com a estagiária que, com 7 meses, foi efetivada, e as 2 novas estagiárias.

E eu fiquei mal por quê? Porque  no lugar das estagiárias eu poderia ter ganhado uma chance. Mas minha chefe parece não querer me ver crescer, não vê potencial. Não sei. Ou porque eu não sou “da área”. Dane-se área. Meu inglês é impecável, minha redação é ótima, o que elas vão aprender, a estagiária hoje funcionária também não sabia. Todos aprendem na prática.

O sol não nascem para todos, essa é a verdade. E com meus 30 anos não sei o que fazer da sombra que me deram. Eu não quero isso. Não mesmo! Minha pele morena aguenta sol de lascar, por que quereria sombra??

Por que a vida fez isso comigo? Por que nem com todo o interesse do mundo pelas coisas e pessoas eu consigo uma oportunidade digna dos meus conhecimentos? Por que não dão chance pra pessoas inteligentes mas sem “conhecimento na área”?

Vou morrer tentando. E ficando meses sem dinheiro porque paguei um curso caríssimo pra entender as coisas. E lendo sobre o assunto e entrando em grupos de discussão pra ver o que eu consigo. As pessoas me diminuem e acham que se estou aqui é aqui que tenho que ficar. E eu cansei disso. Eu sou inteligente pra muito mais. Mas não vou ficar mendigando oportunidades. Já falei, já pedi… E ir pra onde, se não ficar aqui?

Sair e ir pra outra empresa, começar do zero, passar por situações iguais ou piores… ou melhores, não sei também.

O que importa é que realmente cansa. O mais longe que chego é traduzir documentos da empresa… os documentos acabaram e a revista não será mais traduzida. E parece que morreram minhas oportunidades.

Porque deve ser só isso que tem pra mim. Aqui. Ainda hei de descobrir um mundo inteiro onde pessoas me vejam e me queiram e me deem a devida consideração.

Enquanto isso vou definhando até deitar em posição fetal. Pelo menos em pensamento. Pra chorar até a alma dizer que cansou.

Minha mãe é daquelas que acha que se souberem que minha licença foi por motivos de doença psiquiátrica, serei mandada embora por justa causa (vê-se que ela não sabe qual o conceito de justa causa, pra começo de conversa)- aff. E que é bom que ninguém saiba porque se eu for demitida eu fico péssima em casa, muito pior que trabalhando. Vê se pode. A pessoa não sabe o que to passando e fala umas merdas que só Jesus mesmo pra salvar.
Ela também é daquelas que, sabendo do que se tata essa maldita doença não vem querer saber como estou; instead, diz com todas as letras que está esperando eu chegar pra falar com ela. Falou isso, quando fiz questão de informar que ela já sabe de tudo pois foi atrás da minha amiga pra saber das coisas e ela negou que soubesse de qualquer coisa.

E ainda tem quem não entenda o por quê de eu querer meu canto, minha casa, minha vida.

Esses dias de licença foram perturbadores porque, além de eu não querer tirá-los, ainda neurotizei com essa história da minha mãe, apesar de achar que ela não tem razão. Porém sei que minha saúde precisa de atenção e se, por algum acaso, nesse mundo moderno, em pleno século 21, acontecer algo do tipo, prefiro perder meu emprego. Lugar nenhum que prefira me demitir porque estou cuidando da minha saúde e de mim, me merece como funcionária.
Nem por isso deixei de sonhar com o trabalho. Também abri e-mail mas não respondi nenhum.

Hoje fui à academia, descobri que tenho até novembro; meu plano vai até agosto e com os 2 meses trancados e a choradinha de maio, que não tranquei nem fui, ganhei 3 meses pra frente. Espero voltar essa semana.

Confesso que me sinto muito melhor, não pelos dias que estou em casa, mas pela medicação mesmo. Vai que agora dá certo, né. É o que espero, de verdade. Dá uma canseira danada esse negócio todo.

Amanhã ainda é sábado e, pasmem, tô cansada de casa, por mim ia trabalhar. Tem muito da questão não resolvida também, me deixando meio ansiosa. E ficar em casa com a senhora minha mãe nesses últimos tempos não tem sido a melhor das opções.

My World Is Mine

aparentemente nunca estou satisfeita. e talvez não esteja e nunca seja mesmo. mas tenho meus motivos. aliás, nada na minha vida é desmotivado; até as pequenas tragédias de uma vida cheia de altos e baixos tem explicação.
não tenho o direito de questionar a qualidade do ano. ele foi bom pra mim. ou eu fui boa pra ele. ou tem a ver com um tal de retorno de saturno, neturno, urânio ou whatever. o que importa é que foi um ano bom. e mesmo assim me vejo reclamando demais, querendo demais, desejando que o futuro corra e venha de encontro com meus desejos mais rasos. imagina então os mais profundos.
eu quero tudo. tudo o que me prometeram quando disseram tantas vezes que sou inteligente, que sou interessante e que sou bonita.
e o que eu tenho hoje? nada. mentira. tenho amigos e família. e uma saúde não lá muito 100%, mas é o que eu tenho.
pena que eu não me dou por realizada só com isso, com o pacote básico. eu quero mais. e qual o problema disso? não sei.
só sei que não consigo me ver feliz tendo pouco prestígio. eu gosto de prestígio. e quem não gosta? e quem não sonha ou nunca sonhou em ser alguém que as pessoas admirem, que as pessoas vejam escrito ‘sucesso’ na testa? o máximo que tenho na minha testa são espinhas, que nem mesmo perto dos 30 anos consigo me livrar.
quem é que não quer casar, ter um namorado, ou seja lá o que for? por que eu não posso ter isso também? só porque não sou padrão de beleza? só porque sou confusa? só porque tenho personalidade forte? só porque meu humor oscila? e grandes xurumelas essa de que todo mundo arranja, um dia ou outro. pelo visto no meu caso é outro.
faço mal em querer o mundo? faço mal em querer sair dessa sina de ser só, de ser questionada por uma criança de 8 anos porque eu ainda moro na casa da minha mãe, de ser a amiga que acompanha os amigos em casal, ou aquela que todo mundo diz que “a sua vez vai chegar”? parece até que cometo o maior equívoco do mundo por querer mais. sempre mais.
eu quero mais do que ser uma reles recepcionista com pós-graduação e inglês fluente, numa empresa em que mais da metade não fala the book is on the table. e daí se eu tenho pressa?! o mundo corre e eu estou sempre em passos de tartaruga. sempre atrás, sempre tentando correr e enquanto todos correm numa pista de corrida, eu corro na esteira, e não saio do lugar.
é assim que eu me sinto.
e não, não estou satisfeita. acordo todos os dias pensando em quando minha estrela vai brilhar, quando a sorte vai aparecer pra mim. porque o mundo tá acabando. não que eu acho que seja AGORA em 11 dias, mas está acabando, e espero ter conquistado e feito coisas boas, e ter tido sucesso na vida, em todas as áreas até lá.
acho que eu mereço. e todo mundo merece se dar por satisfeito. o problema é saber quando será a minha vez.

Agradável. Trabalhamos.

Sabe um grande problema? Eu sou adorável. Posso não ser bonita, nem inteligente, nem bem-sucedida. Mas eu sou adorável. E Deus, como isso é chato. Ser adorável não é mesmo a melhor das qualidades. Parece arrogância, mas é verdade. E é sabido que não tenho grande estima de mim mesma. É a verdade.
Minha personalidade é forte, e eu venho tentando esconder, ou mudar alguns traços que não agradam nem a mim, ando bem menos ríspida e me tornando cada vez mais adorável. Que merda.
Óbvio que ser bem quista é ótimo, mas ultimamente não tenho tido nenhum ganho com isso. Elogios e tals. Mas elogios não pagam contas, não emagrece, tampouco te arranjam um namorado. Porque eu também sou adorável pros homens. Os que se dão ao trabalho árduo de conseguir me conhecer e ter um mínimo de intimidade – porque mesmo adorável, tenho me visto cada vez mais fechada pro mundo – vêem que assim sou.
Daí a vida se torna chata. Ser adorável hoje é o ‘você é muito figura’, que escutei durante alguns vários anos durante a adolescência. Era ‘figura’ porque era ranzinza demais. Hoje ainda sou, mas em doses controladas. Era a ‘figura’ que arranjava namorado pra todos, que engolia sapos e era preterida.

Hoje eu sou adorável. Não arranjo mais namorado pra ninguém porque na minha idade todos estão tendo filhos e meus amigos solteiros se conhecem e não se querem.  Continuo engolindo sapos. Continuo relevando coisas que pra muitos são intoleráveis. Sigo sendo culpada por atitudes equivocadas e informações mal dadas. Mas eu sempre arranjo uma desculpa por me culparem, por tolerar o intragável, por calar-me quando deveria mesmo era jogar a merda toda no ventilador

Tornei-me adorável, porém muito menos expansiva, com muito menos vontade de conhecer gente nova e desbravar o mundo.  Desenvolvi uma grande dificuldade em ver como o mundo funciona fora dos locais de trabalho, estudo e casa, não tem porque me chamarem pra seja lá o que for. Não tenho muito mais amigos pra isso e conhecer gente, invariavelmente, necessita que eu passe por esse processo. E então continuo preterida.  

Adoravelmente engraçada quando meu nível de humor está alto; adoravelmente ranzinza em dias ruins. Não me esforço muito mais pra que continuem gostando de mim. Pelas minhas contas, tem pelo menos meia dúzia de pessoas que não me acham nada. Um dia achavam; hoje, tem mais o que fazer e em suas to do list não eu me encontro.

Isso tudo frustra muito. Não porque seja ruim, mas te colocam em patamares estranhos. Adorável num dia não pode estar mal-humorada no outro. “Tomou seu remédio hoje?”, é o que acabam me perguntando. Adorável, engraçada, divertida, irônica. Seja lá como me classifiquem, não sei se é isso que quero que pensem.

Guardar todas as raivas, respostas, vontades dentro de mim não tem me feito bem, não faz bem a ninguém e não tem antidepressivo que resolva isso. Terapia, talvez. Mas agora não dá. E ser essa pessoa supostamente agradável pros outros – e ultimamente até minha mãe tem achado, pasmem! – cansa.

Preciso de um diazinho de fúria, voltar pro meu eu do passado, entre meu tempo “muito figura” e o “adorável”, dar meia dúzia de foras, ser grossa e por aí vai. Nessa época, eu pelo menos curtia viver a vida um pouco mais intensamente, e conhecer pessoas que acabassem gostando de mim era um desafio. Agora nem pessoas conheço.

As coisas tão boas, tá até tudo bem. Mas nem tanto assim.

Nunca Tive Um Regador

Li hoje no Facebook a legenda de uma foto de uma conhecida: “quem cultiva sempre tem”. E era uma foto do aniversário, com amigos e tals.

Passei a semana inteira pensando nisso, depois que uma colega de trabalho me questionou sobre o fim de semana anterior. Eu sempre fui de muitas opções e hoje me vejo em casa a maioria do tempo. Tudo bem que ultimamente não tenho podido gastar dinheiro, porque simplesmente não o tenho; mas mesmo assim é algo muito estranho.

E foi assim no fim de semana em questão. Sem dinheiro. Mas também não tive convites pra sair. Tenho sim, alguns poucos e fiéis amigos, que vivem uma realidade que não é a minha e isso inviabiliza: filho, saídas caríssimas, trabalho fim de semana, muito estudo, rolos,namorados e afins… Tem sido meio assim com os meus preciosos, que não me abandonam nem quando tenho meus surtos.
Tirando estes, o resto eu fiz o favor de afastá-los. Melhor, não cultivá-los. Nem mesmo quem nunca foi mas que poderia vir a ser um amigo. As pessoas se aproximam de mim e eu, mesmo que queira, mas talvez por falta de jeito, acabo não as mantendo ao meu lado.

Chegou o mega feriado e, tirando o fato de que estou deprimida – porque o bendito remédio pra depressão ainda não se fez presente – e que só agora comecei a chorar pitangas pelo namoro findo, mesmo que quisesse, ninguém me chamou pra sair mais uma vez. E não culpo ninguém. Eu não os cultivei à minha volta.

Pode ser que seja o meu jeito e falte também um pouco de vontade da outra parte em me ter por perto. Não que eu seja essencial à vida de alguém, mas também não deveria mendigar atenção.
Talvez eu só faça número à vida das pessoas mas acrescente pouco. E entenderei se for isso. Quem pouco me acrescenta, como ser humano, faço pouca questão de ter por perto também.

Mas enfim. A questão está aí. É preciso cultivar os amigos. Sempre os tive aos montes, atenção nunca me faltou e estou sofrendo dessa falta há um certo tempo.
Erro meu por achar que bastava existir pra tê-los por perto.
Erro meu não perceber que, além de dispensável, nem sou tão legal assim.
Erro meu não achar que os que tentam, às vezes enchem o saco de me ver sempre rejeitando ou fazendo pouco caso dos parcos convites,ou mesmo furar os que resolvo dizer que vou.

Na 2ª série a turma do colégio plantou alface e depois que cresceu, todos comemos. E o professor dizia que tinha que molhar a planta ou ela morre.
Eu errei em não ter aprendido a cultivar.
E hoje meu medo é ter ficado tão no esquecimento das pessoas, seja porque eu me escondi, ou porque nunca fui uma opção, que meu destino seja passar feriadões jogando FreeCell enquanto não passo 15 horas dormindo.
Meu medo é de ter estragado, perdido a validade,  ser completamente descartável a essa altura da vida. Porque com a idade, tudo tende a piorar.
Se tivesse, há 20 anos, guardado a informação do tio da horta, talvez hoje soubesse cultivar as pessoas. E as plantas também, as da minha avó sempre morrem.

É hora, é hora, é hora, é hora, é hora! Rá-Tim-Bum….

Pois é. Evitar, só morrendo. Mais um ano de “Parabéns pra você, tudo de bom, felicidades”, de amigos, conhecidos de internet e colegas que pegam o mesmo ônibus que você e fingem que não te conhece. Mas todo ano, eles surgem das trevas pra te assombrar e desejar felicidades.

To aqui completando quase 3 décadas. Sem exagero. 28 anos é um pé lá.  Completo quase 3 décadas e alguns anos sem comemorar. Esse ano não comemorei porque não tinha um puto no bolso. Fiquei puta. Mas é dia de aniversário e nunca é de todo ruim.

Ou é.

Esse aniversário, como sempre, comemoro com emprego novo. Dessa vez tem minha pós-graduação que finalmente resolvi fazer e ta aí um motivo de felicidade. Achei que ter um namorado seria motivo de felicidade também, mas como ele resolveu terminar comigo hoje, acho que não chamaria isso de alegria.

Enfim. É dia de felicidade. Mesmo que seja falsa. A gente vai levando essa vida. Sabendo que nada acrescenta além da idade. Porque, né, o que depois? Não sei.

Vou ali tentar comer bolo. Cantar parabéns pra mim e tentar não me depreciar porque um alguém achou que o momento certo de falar que não ficaremos mais juntos é o dia do seu nascimento.

Beijo pra quem passa.

Vie de Merde

Foi assim, ♫ como ver o mar.. a primeira vez… ♫
Mentira. Não vi o mar; mas é assim que começo a relatar as piores 24 horas do ano.

Ontem, final da tarde, estava eu conversando e sendo social e deixei meu laptop no quarto, as usual. Voltei, tela preta. Normal. Voltou pra tela, tudo travado. Estranho, muito estranho. Ctrl+Alt+Del não funcionou. Desliguei na marra.
Liguei e não carregava. Horas de terror. “Vou formatar, algum vírus dos infernos me pegou”. Depois de todas as opções de restaurar sitema com cd de instalação não funcionar. Vamos formatar.
“Não há disco rígido selecionado”.
Ou seja, notebook não reconhece meu disco rígido, ou seja, talvez ele tenha morrido. Ou seja, chorei, igual criança. Pedi a garantia, mas minha mãe não tinha como procurar ontem e diz ela que já passou, mas vamos esperar. Alguma coisa vou ter que fazer, ou voltarei a chorar como criança.

Saí pra beber logo depois, afogar as mágoas e matar saudades. Foram míseras 4 cervejas. E escutei atrocidades.  ♫Fingi na hora rir♫  e simulei naturalidade. Volto pra casa enjoada, como se tivesse bebido o bar inteiro. Confesso que talvez o enjôo fosse pelas coisas que escutei, mas na verdade foi por conta de remédios que ando tomando. Enfim. Vomitei horrores, inclusive o que comi. Mas fui dormir feliz por saber que pela manhã a casa seria minha pelo carnaval inteiro, a não ser que minha mãe resolva ser party pooper* e voltar antes.

Acordei. Morrendo de frio, espirrando. Dor de cabeça. Gripe. CADÊ MINHA MÃE??
Instead, liga minha avó, de piadinha do tipo: “Tá acordada? Porque se não estava eu acordei”. Fala que quer comprar uma mala. Ela viaja amanhã de manhã. E tem umas 5 malas. Mas não, a mala dela tá feia e ela não quer passar vergonha. As outras, ou são muito grandes ou pequenas demais.

“Vó, preciso ir no Detran, no banco…”
“Ah, então deixa, vou sozinha.” Silêncio constrangedor pra você se constranger e dizer que vai.
“Espera eu colocar uma roupa e vamos”

Fomos. E lá ela não gostou de nada e cismou que as malas de tamanho médio eram minúsculas e as e tamanho grande, razoáveis. Chegou a dizer que não ia levar nada. Depois falou que não queria ocupar o PORTA-MALAS do carro que vai. Fui logo grossa a dizer pra ir só com a roupa do corpo. Levou uma mala. Antes fiz grosseria com o vendedor que cismava em me empurrar. Levei a mala pra casa, ela reclamando que iria de taxi, pra que eu fosse logo resolver minha vida, que ela anda devagar e etc. Mas trouxe a mala. Serviço completo, já que é pra fazer, né?

DETRAN. Fui pegar minha CNH. E fazer o RG. Tudo bem, Duda pago, foto em mãos. Enquanto o cara pegava sei lá o que da CNH, tiro a foto daquela embalagem que ficam as fotinhos, e ela cai no chão. A última que tinha. Quando pego, ela amassa e a moça diz que não vai passar porque está amassada. E não, “não tiramos foto nesse posto, mas tenta no Iguatemi.” Ok, saí de lá com a CNH e um certificado de bom condutor. Seria louvável se não fosse ridículo eu ser boa condutora PORQUE NÃO DIRIJO.

Entrei no ônibus e quando fui sentar, o filho da puta do motorista arrancou, bati o joelho no ferro, quase na quina. A dor ia da ponta do pé à virilha.

BANCO. Legal, vazio, peguei dinheiro. E o cara vem me dizer que a fila pro seguro desemprego começa cedo, tipo 6 horas da manhã. Cara, eu to indo dormir 5:30. Como assim chegar na fila às 6???

Enfim resolvi ir ao Iguatemi fazer o RG, porque rola uma urgência. Horas esperando o ônibus de graça, lá fui eu. Assim que meti o pé no shopping, me pareceu meio impossível isso, não quis perguntar pra não parecer idiota, e lembrei que o DETRAN fica, na verdade, na quadra da Vila Isabel. Compro meu lanche e vou. Chego lá e um ser qualquer me avisa que não, “O DETRAN agora fica no 5º piso do Iguatemi”. E volta eu. Com a comida na mão. E na chuva.
Aquela merda de shopping tem 4º e 5º pisos não ligados, ou seja, 2 pontos diferentes e como tava com sorte, subi pelo lado errado.
Enfim chego lá. E tem um papel bem grande escrito: CÂMERA COM DEFEITO. Ou seja, fiz uma viagem inútil, gastei meu tempo a toa.
Compro Cupcakes. E uma sandália. Tava em promoção.

1 hora depois, estava eu voltando pra casa. Não ia tirar foto pro RG porque meu humor tava tão ruim que ia chorar ao invés de fazer “cara de paisagem pra fotos de documento”.
Descubro que meu joelho tava se desmantelando, mal conseguia andar com o sangue frio. Mas já estava na rua, vamos comprar remédios.

Ontem, btw, fui à médica. Linda ela. Me passou um remedinho básico pra depressão se controlar e sumir. Remedinho barato, 75 reais. Segui pra Pacheco e na porta, um POMBO faz um rasante na minha cabeça. Tipo de encostar. Fiquei tão atordoada que me segurei na pilastra e bateu aquele desespero de querer chorar no meio da rua. Me controlei e fui comprar o bendito remédio com desconto, graças a Deus, na Venâncio.
Voltei pra casa, descobri que fiquei menstruada na rua. Coisa que MAIS ODEIO NO MUNDO. Banho, porque eu preciso. Vamos ser mocinhas e vaidosas. Raspo a perna e arranco um pedaço gigante de pele junto. Todos chora.

Só me restou comer meu Burger King e ser feliz e comer meu primeiro Cupcake, e já digo, doce supervalorizado esse. Mas nada mal.

Enfim. Dia cu, dor no corpo inteiro, cansaço e frustração.
E pior, amanhã tem mais. Levar avó no taxi de manhã cedo e rumar pra fila dos desempregados.

Vida de Merda.

*estraga prazeres

Comida Virando Moeda de Barganha

As coisas aqui em casa são tragicômicas.

Hoje tentaram me comprar. E me vendi, melhor, fui VENDIDA, porque eu devo precisar fazer a política da boa vizinhança reloaded.
Fico eu no meu canto, todos os dias, mandando currículos, fazendo absolutamente nada que preste o dia inteiro. E é assim que as coisas são quando estou desempregada. A casa fica vazia a maior parte do tempo e eu gosto disso, fui criada assim; Mãe trabalhado o dia inteiro e quando não estudei em tempo integral, ficava em casa sem companhia. Eu aprendi a ser assim e ó, acho tranqüilo.
Morei um tempo com minha avó, que também trabalhava; eu continuei sozinha a maior parte do tempo e não aprendi a dar atenção pras pessoas estando dentro da minha casa.
Hoje minha mãe não foi trabalhar de manhã pra auxiliar minha avó em alguma coisa e voltou dizendo que ela fez almoço, pensando em mim. Fofo, não fosse o fato de que na minha casa tem comida e eu não queria sair dela, mesmo que seja pra descer 1 andar.
Explico pra minha mãe a desnecessidade disso tudo, ela desce, e volta toda trabalhada no discurso, cheia de ciúme, porque minha avó ficou falando que tá fresquinho, quentinho, e fica “puxandinho o meu saquinho” e minha mãe faz a magoada.
O engraçado é que minha avó me pediu um favor, que minha mãe poderia ter trazido pra que eu fizesse, mas não, ela se arrumou pro trabalho e repetiu 3 vezes a mesma frase: “Quando você descer pra pegar o papel, você vai e almoça. Sua avó deixou separado.”

Enfim, tudo isso pra dizer que estão comprando minha atenção com comida. E eu dou atenção. Quando quero e da maneira que quero. Acho injusto ser obrigada a certas imposições.
Na próxima vez, me eduquem com uma mãe dona de casa, onde todos fazem refeições à mesa, juntos, todos os dias.
Na próxima vez, aprendam a repartir o domínio da televisão, ao invés de dizer que “não é minha e que eu não vou ver o que eu quero”, pra eu aprender a socializar, e não passar o dia inteiro no meu quarto.

Eu gosto de ser como sou, mas deve incomodar tanto que precisam me obrigar a comer num horário que não quero, algo que não faço questão, pra que eu aja diferente.

É Pelo Princípio.

Eu sei que eu exagero as coisas, tanto por ser dramática quanto pela depressão. Desde às 14:30 eu to amargurando uma raiva dentro de mim. Desde quando abri a geladeira. Mas daí eu fui pra rua, a raiva foi adormecendo.

Hoje já é Carnaval, né. Acordei cedo, fui na minha avó ajudá-la a descer com a mala dela; voltei a dormir, depois de muito tentar – e eu precisava tentar, tinham sido só 3 horas de sono – e  conseguir, afinal, acordei pra ir ao banco.
Daí levanto, como uma banana e vou ajeitar umas coisas.
Nisso, abro a geladeira e vejo coisas incomuns; mas como o afilhado da minha “tia” está aqui e como vão todos viajar, nem me toquei, deixei pra lá. Só que minha tia vem me dizer que o “incomum” era meu.

Explico do começo:
Minha mãe, minha “tia”, afilhado, amigos etc etc etc vão viajar. Minha avó também. Eu resolvi que queria ficar em casa.
Quando foi o começo da semana, me pediram pra fazer uma lista do que eu ia querer do mercado pra minha mãe comprar hoje – sexta – antes de viajar. Fiquei com preguiça, enrolei mas ontem de noite entreguei a lista com algumas coisas, coisas essas que minha mãe já havia comprado pra mim sem que eu tivesse que explicar muito ou estar com ela pra que fosse comprado certo.

Um pouco antes de entregar a bendita lista, ela veio me perguntar se eu não ia comer as barrinhas de Cereal que ela tinha comprado. Fiquei confusa porque nunca na minha vida ia imaginar que ela tinha comprado 3 pacotes com 3 unidades de barra de cereal de uma marca que eu não conheço, sem eu ter pedido ou ao menos ter me anunciado que era pra mim. Janeiro foi um mês movimentado, então deduzi que era de quem andou passando por aqui.
Tudo bem. Ela deu um futuro pras barrinhas e eu, mesmo meio indignada, deixei pra lá.

Quando entrego a lista das coisas – que incluía pão integral e iogurte – minha mãe veio com a 1ª dúvida
“Mas qual iogurte?”
“Mãe, o último que vc comprou. ¬¬”
“Ah, mas é de que sabor? Pêssego……..”
Então eu escrevo no papel que NÃO É DE PÊSSEGO.
E detalhe: eu não sou fã de pêssego. Ela é. Eu gosto, se não tiver nada, absolutamente nada melhor, até vai. E nenhum Iogurte que eu goste de tomar tem sabor pêssego, só as marcas vagabas que vez ou outra ela compra. Sem contar que os que eu tomo são os ditos “magros”.

Passou. Deixei pra lá.

Então hoje, abro a geladeira e vejo lá o troço. E minha tia vem me dizer que já comprou tudo que coloquei na lista. Então eu pergunto:
“Aquela garrafa de iogurte é minha?”
“É.”
“Mas eu não tomo isso.”
“Mas vc não disse iogurte?”
“Sim, mas era o que eu tava tomando antes, que minha mãe tinha comprado antes, que é Zero e tals!!”
“Ah, mas não tinha nada no papel… E você tá de dieta?!?!?”
“Claro, eu achei que ela fosse comprar e eu tinha dito a ela que era o que ela comprou da última vez. E não, não to de dieta propriamente dita, mas vcs sabem que eu prefiro! Mas agora deixa, fazer o que, né?”

Ela não fala mais nada e eu saio pela porta. Meu, em que mundo eu tomo DANONINHO??? Tipo uma garrafa de 750 ml de DANONINHO! E quem é ela, minha mãe ou o Papa pra julgar o que faço ou deixo de fazer? É uma questão de preferência!
E eu saí, sabendo que não teria como trocar(sim! vc pode trocar mercadoria se tiver com a nota fiscal!!) porque povo aqui em casa tem uma dificuldade muito grande em segurar uma nota fiscal de mercado por 1 dia, que seja.

Volto pra casa com esmalte novo, torta da Lecadô pra matar a vontade e aumentar a serotonina. Tinha distraído um pouco, afinal. Faço o básico e resolvo, pra minha infelicidade, olhar o pão, que devia ser Integral.
Incrivelmente minha mãe acerta a mão no pão sempre. Mas como o iogurte foi bem falho, fui olhar.
PÃO INTEGRAL GRAHAM
Sério, em que vida eu comprei esse pão pra ela ter visto e comprado igual??? Não entendo.
Daí eu comecei a urrar de ódio. Urrar meio baixo porque eu não queria fazer escândalo, sabe. E também não reclamei, pra não parecer mal agradecida. E eu sei que quando eu reclamo eu sou bem grossa.

Tem coisas que pra mim são inconcebíveis. Uma coisa é você errar a mão num presente de aniversário, Natal… porque as pessoas têm mesmo uma dificuldade de sacar o gosto dos outros sem ser influenciado pelo seu. E mesmo assim, mesmo às vezes errando, a pessoa acerta.
E mesmo não acertando, eu super relevo, porque gosto não se discute e você sabe que a pessoa pensou – mesmo que errado – no presente que ia te dar.
Mas quando a pessoa erra comida, isso me espanta. Não nasci ontem; faço 27 anos mês que vem e acho um verdadeiro absurdo. Porque isso é com quase tudo.
Por Deus, eu não escondo comida!! O que eu compro de diferente tá lá pra todo mundo ver, e não é uma questão de ficar reparando, mas de prestar atenção.
E se não sabe, pergunta. Se eu soubesse que não seria minha mãe a comprar, eu teria dado mais instruções, exatamente porque minha tia talvez não tivesse ido às compras com minha mãe da última vez.

Daí eu passei a tarde toda mal. Mesmo. Parece bobeira mas é muito, muito frustrante, chato e revoltante as pessoas não saberem o que você come.
Talvez por não chorar há muito tempo, porque to numa puta crise depressiva, eu simplesmente não consigo parar. Toda santa vez que eu lembro o que compraram, eu choro.
Também não posso reclamar delas terem comprado as coisas porque foi de boa vontade; eu poderia ter recebido o dinheiro e ouvido um “se vira, faz as compras”. E de certa forma, não é o erro que me incomoda.
É o descaso. É a falta de atenção. É desconhecer quem vive debaixo do seu teto.

É pelo princípio de nunca se envolver. Pior, de não fazer o esforço pra conhecer, lembrar. Seja lá como se chama isso.

A Dor É Minha, A Dor É De Quem Tem…

Se tem uma coisa intrigante é a dificuldade das pessoas de entender/aceitar que você tem depressão.
A impressão que passa é que a pessoa tá de frescura, fazendo tipo, não sei. São conjecturas.

Este ano completam 3 em que me encontro nessa situação. Independente de ser rebelde, antes ainda fazia tratamento; agora nem isso. Há tempos, por sinal.
É claro que como eu estava em meados de 2007 não se compara como estou hoje, principalmente pelo auto conhecimento. Porque nada pior do que não saber qual o seu problema. Hoje eu sei e sim, não tenho feito nada em relação a isso por milhões de motivos.

Parei pra pensar nisso hoje por 2 motivos bem fortes.
Estou numa puta crise.
Eu não tenho estado bem e sabia o que aconteceria quando eu saísse do emprego. Não que aquilo fosse uma cura, mas me segurava um pouco. Mas minha mãe achou que era. Pra ela sempre foi assim.
“Você está assim porque a faculdade está acabando.”
“Você está assim porque o estágio está acabando.”
“Ah, quando você se ocupar, isso vai melhorar, é só arrumar um emprego, não é depressão não.”
Sempre escutei essas coisas, apesar de, no entanto, ainda estar me tratando.

Então comecei a trabalhar e minhas idas à terapia ou a psiquiatra cessaram. Ela, minha mãe, que trabalha na área de saúde e tem acesso a coisas que eu não tenho, nada fez. Eu não tenho plano de saúde e tampouco ela se ofereceu pra pagar a continuidade do meu tratamento, sabendo que onde eu fazia – que ela me levou na primeira vez – era de graça e que eu não tinha como pagar nada com o mísero salário que ganhava.
Tá. Saí do emprego. E não voltei pro tratamento. Fala sério, quem tem cara de voltar ao mesmo médico, do jeito que saiu há 6 meses atrás de cara limpa? Não é fácil. Eu sou do tipo que fico com vergonha de coisas pequenas, ou de situações que pessoas normais agiriam numa boa.
Eu não sou assim. “Oi, to de volta. Mas ó, na 1ª oportunidade de emprego que aparecer, vou ter que sair de novo, né? Porque esse horário não é mto legal, mas vamos levando”. Não, não sou assim.

Aí, quando foi hoje, minha mãe veio me falar pra eu ir no médico ver minhas alergias. Até aí tudo bem. Aí ela vem com o argumento de que agora posso ver as alergias e voltar na minha médica, porque não to trabalhando.
E ela só falou isso porque eu to sem falar desde domingo. Aí ela se toca.

Outra coisa que me intrigou, até chateou – também não sei por quê; as pessoas não tem a menor obrigação de te entender – foi uma amiga, mega amiga, tipo uma das melhores, me desejar melhoras “seja lá no que fosse”, ou algo do gênero. Parece que a pessoa tá alheia ao que você passa.(aliás, posso nem reclamar de uma das pouquíssimas pessoas que continuam de alguma forma presente na minha vida porque  o resto tá nem aí).
E eu não posso me chatear porque né, um dos motivos de não estar procurando tratamento é que eu mesma sou super mal resolvida com isso e não aceito bem. Então porque as pessoas deveriam? Mas também, quando eu falo que não to bem, que to deprimida e passando por uma crise, parece falso porque – acho eu – na visão dos outros – deprimido não sabe que tá deprimido. Então eu passo por dramática.
É o que eu acho que os outros acham, na verdade.

É chato porque eu não tenho que fazer ninguém acreditar em mim. Nem mãe, nem amigo, nem empregador, nem namorado (o suposto ex também não entendia e ainda achava que era falta de força de vontade pra ficar feliz. ¬¬). Nem ninguém.
Mas ao mesmo tempo, é mega triste você viver sabendo que não tem com quem contar. Simples assim. As amigas não entendem, a mãe acha que é passageiro.
E o que EU acho? Acho uma merda, um fim de carreira sem fim.
Mas o que eu acho ou deixo de achar também não muda o mundo. Eu só faço refletir sobre isso com um certo desconcerto de alma, numa decepção de hoje saber que o mundo não mudou.

Me resta somente minhas noites intermináveis, minha fama de dramática, minhas poucas palavras pronunciadas. Uma mente quieta. Não me darei mais ao trabalho de me surpreender com obviedades.

“Se ela me deixou a dor,
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor”