I’ll Be Fine

Segunda-feira. 20:01.
Casa de mãe.

Eu saí. Ou estou saindo. O que vim desejando desde tão cedo, há tantos anos, se concretizou.
Eu finalmente saí da casa da minha mãe.
Ainda estou me mudando, como parte do acordo que fiz com ela, pra amenizar o trauma de todos.
Até hoje eu não contei pra minha tia, oficialmente. Ela sabe. Família; a notícia corre.

Escutei que ela só queria minha felicidade.
Escutei da minha avó que estou sendo ingrata.
No meu aniversário, ganhei as felicitações mais frias de todos os anos.

Daqui a uma semana, minha mudança deveria estar completa.
Não estará.
O ir e vir semanalmente pra cá não tem me feito bem nem tem sido produtivo.

Apesar dos julgamentos da minha mãe, não está sendo uma transição fácil.
Porque não foi aceito.
Porque temos uma relação simbiótica.
Porque nada mais é que uma mudança, drástica, e eu não sei lidar nem com mudança de tempo.

Minha mãe postou e ainda posta muita indireta no facebook.
Eu sei que ela está sofrendo. Eu também estou. Mas meu sofrimento não é nem um pouco validado, porque “era o que eu queria, então deveria estar feliz”.

Eu estou satisfeita com minha coragem, isto é um fato.
Também é um fato que dinheiro é difícil de administrar quando se tem compromissos sérios.
E dividir apartamento é uma tarefa complicada. Eu sou chata.
Tenho manias, eu sei. Tenho preferências. Gosto de ficar no meu canto, principalmente quando a depressão bate, como é o caso.
Pessoas são muito diferentes e você nem elas estão dispostas a tolerar como nossa família está “disposta”.
Meu quarto não será mais meu quarto porque estou me mudando dentro da própria casa. Nem ao menos cheguei e já houveram mudanças. Estamos trocando um roomate que preferiu ficar mais perto do trabalho.

Ultimamente eu tenho sentido muito tudo.
Desde às vésperas do meu aniversário as coisas não estão boas.
Tem a ver com a proximidade de tudo se finalizar, tinha a ver com inferno astral que bombou esse ano. Tem a ver com depressão. 

Vir pra casa da minha mãe no fim de semana e passar a semana aqui está sendo muito sofrido. Uma sensação de culpa, de erro, algo muito maior que deveria ser.
O sentimento é legítimo, mas a vontade de voltar atrás não pode tomar conta, e tem dias, momentos, que é tão maior do que eu, tão mais absurdamente mais significativo do que tudo que eu conquistei, que me assusta e preciso falar pra evitar levar à cabo e mais uma vez fazer o que querem que eu faça, ao invés de seguir com a minha vida do jeito que acho que deve ser.

São mais de 30 anos vivendo à sombra de mim mesma. Vivendo sob as expectativas dos outros a respeito do que minha vida deveria ser. Eu respeito, mas em algum momento eu tinha que começar a enfrentar e fazer o que acho que deve ser feito.
O medo de quebrar a cara é as-sus-ta-dor. Não tem outra palavra. Mas é necessário e aparentemente inevitável se eu quiser evoluir em algum momento.

Depressão tá batendo forte. Forte mesmo. Não era de surpreender, já que, mais uma vez, parei o tratamento à revelia, há quase 1 ano. Se os remédios eram necessários àquela época, não tem como achar que eles não fariam falta algum tempo depois.
Tenho consulta esta semana. 
Terapia estou há algum tempo, o que tem sido bem bom pra controlar os impulsos de voltar atrás e me dar um pouco de chão.

Tem a festa da minha avó no final de semana.
Tenho que finalizar a arrumação das coisas que preciso levar.
Tenho que ganhar mais dinheiro.
Tenho que receber minha segunda via do cartão de crédito pra comprar minhas passagens pra ver meu amigo no Sul.

Amigos.
Os mais significativos estão longe, ou estarão até o final do ano.
Não está sendo fácil. Inclusive porque me tornei uma pessoa muito mais dependente deles do que já fui em qualquer outro momento da vida.
Ao mesmo tempo, duvido tanto da amizade deles que chega a ser ridículo.
Eu sei que magoa mas acho que tem a ver com a visão distorcida que tenho em relação ao mundo.

Tenho um emprego novo. Fiz 4 meses. Acho que estou fazendo amigos lá. Só não ajuda muito estar com cara de merda e escutar que to sempre com essa cara. Amiga, não posso te contar que to em crise depressiva porque nem eu estou disposta a admitir isso. E não temos intimidade.
O emprego em si é bem ok. Não requer habilidade específica, só ser minimamente produtiva. Minimamente mesmo.
Me sinto entediada por vezes.
Tenho procurado outras coisas. Quero trabalhar numa empresa que não esteja quebrada. E que me pague melhor. Não fosse por isso, não estaria insatisfeita.

Eu me sinto uma merda, na verdade. Porque eu não sou boa em nada, não fiz carreira em profissão nenhuma, não sei pra que lado andar, não tenho previsão de futuro próspero e nem sei por onde começar. E não tenho mais 20 anos pra ter tantas dúvidas. Nem tempo pra encarar uma faculdade mais difícil e que tome tempo demais. Não to mais na casa da minha mãe pra decidir não trabalhar pra estudar novamente.

É uma merda se sentir uma merda.
Seja profissionalmente, com os amigos, com as próprias decisões. 

A vida não era pra ser assim.

Ainda não descobri como a vida deveria ser, mas a sensação que tenho é que tenho feito tudo errado, sempre, desde sempre e que será assim para sempre. É patético.

Eu engordei. Uns 6 quilos nos últimos 6 meses. Eu to fumando muito e há uns 5 meses tô roendo unha como na época de adolescência. Parecem muitos sintomas de um mesmo problema, eu sei. Esta semana começa a se resolver.
Problema é que bate um desespero porque eu já era gorda com 6 quilos a menos. E já é difícil me aceitar menos gorda, imagina mais. E se eu não me aceito, quem vai, não é mesmo?!
Bate uma vergonha de espelho, de gente, de rua, de tudo. E fico mal e como mais. É vicioso o negócio todo.

Minha mochila com roupas está como chegou no sábado, exceto pela calça e blusa que tirei pra trabalhar hoje.

Já comi dois salgados depois que saí do trabalho.

Dei mute em todos os grupos de whatsapp.

Desativei o facebook.

E gostaria imensamente que as pessoas não me procurassem.
Na verdade, essa parte é bem o oposto. Eu procuro tão mais as pessoas que chega a ser risível. Como disse, me tornei muito dependente de gente.

Segunda-feita. 20:37
Casa da mãe

E saí. Mas o medo não. A sensação de estar perdida parece pior do que em tantos outros momentos.
Pode ser que finalmente eu esteja me encontrando, o que já deveria ter acontecido há muito tempo. Estou fora da curva pras pré-definições da sociedade e o que ela demanda de nós.

Só tenho medos e fantasmas e neuroses pra me acompanhar. E algumas lágrimas que aparecem de vez em quando.

 

**(Legal mesmo é terminar o post ouvindo uma música que eu realmente preciso cantar pra mim mesma.)

She broke down the other day, you know
Some things in life may change
But some things they stay the same

Like time
There’s always time
On my mind
So pass me by
I’ll be fine
Just give me time

 

 

I Got 99 Problems And I’m All Of Them

I’m disturbed. In every sense of the word.
Not like those disturbed people you see on Facebook, sharing posts about House MD or some other series character saying how weird and dysfunctional they are.

I’m sick. Sickly disturbed.
Last week I went to my psychiatrist’s appointment and suddenly I found out that my thoughts, that I have been having for 15, 20 years, are not usual, common, okay. Whatsoever.
Suddenly I found out that it is not okay to imagine myself being shot in the back every time I enter my building. Suddenly, thinking about being shot in the back at all, by anyone, by an imaginary enemy, is not something normal people do.
Out of nothing, I discover that imagining myself being filmed just like The Truman Show is not exactly something I should be thinking, since it’s not exactly real.

Dear all, THAT is being disturbed and sick. And because of all that, I add a new medicine to all the medicines I already take every fucking single day. And because of those remedies, I went to the dermatologist, and my face and back are being treated for acne. And tomorrow I’m going to the gastroenterologist tomorrow.

After 30, that’s all I do: I have appointments. A LOT. It’s boring, it’s expensive, it’s tiring. I don’t know why this comes from this time, but I choke every dawn and feel heartburn every single day. Imagine how nice I feel, huh?

Living is nice, as anyone can see. Being this weird, even better then.

I just needed to say how weird I feel for feeling and thinking weird stuff, now acknowledging it’s not usual and not even close to normal. I could not say all these in Portuguese just because I couldn’t; it’d sound a lot worse  than it already is…

In the other hand, I got some nice things to come, I guess. Being 30 has also given me much more awareness of what I really want for myself and what I really need to live high, might and righteously…

Maybe tomorrow.

Enjoy

A gente conhece pessoas que talvez tenham a missão de fazer você entender que a vida é curta, é bela e que tudo passa. Ela foi uma dessas. A pessoa mais animada. Conheci como mãe do meu colega de faculdade; ele virou amigo, grande amigo. Ela virou a tia. E então virou nossa amiga. Amiga pra qualquer coisa. Pra se juntar nos nossos queijos e vinhos, pra escutar problemas, pra tomar chá, pra desabafar dos problemas dela no trabalho, com o marido, com os filhos, nosso amigo.

Ela sabia viver porque era o que tinha pro dia, pro mês, pro ano. Tem que viver, tem que aproveitar. Todo ano, uma viagem com belas fotos. Festas de ano novo, reuniões dos filhos onde ela se juntava e bebia junto e cantava e ria; comemoração porque o filho voltou do intercâmbio, comemoração porque meu amigo terminou a faculdade  – ufa – conseguiu apresentar a monografia, aniversários… tudo era motivo porque viver era o motivo.

Em 2011 meu amigo passou por um péssimo momento e em questões de meses foi a minha vez. Eles se juntaram e não como uma amiga, mas com a idade e experiência de vida, se fez de mãe, a mãe que não tive pra me apoiar naquele momento, e me levou onde deveria ir, me orientou no que deveria fazer, me deu força, me deu apoio. Não só naquele momento, mas a partir dele. Dali pra frente, se havia alguma dúvida da importância dela, não havia mais. Ela passara, mais que oficialmente, pro posto de amiga, companheira.

Semana passada meu amigo compartilhou uma de suas paraltices. No dia seguinte veio com a notícia que avassalou os corações de qualquer um que tenha cruzado o caminho dela. E em 4 dias ela se foi por conta do destino, das circunstâncias, da vontade de Deus, é a única explicação.

E nessa tristeza toda, no choque de saber que meu amigo e o irmão perderam a mãe e uma amiga, que seus amigos ficaram desamparados da pessoa que era ela, reli minhas mensagens:

“Minha amiga querida, entendo seu sentimento, entendo seu recolhimento mas torço como sempre para que vc consiga passar mais uma vez por isso. Nossa vida é feita de altos e baixos. Devemos ficar no alto e estarmos preparados para os baixos. Aproveite querida, vamos viver o que podemos.
Não desista nunca amiga…………..a vida é para ser vivida”

Não pude me “despedir” na festa de aniversário que ela deu porque eu estava em crise. Porque eu estava deixando de viver, o que tem sido habitual pra mim desde 2006 e isso me dói.

Parece bobeira, parece coisa de filme com moral da história, mas a morte dela me deixou um bocado assustada. Eu, que passei meus dias pedindo a Deus que me levasse, me senti com medo de morrer e não viver tudo que quero. Pra mim, ela foi a personificação de viver a vida, aproveitá-la ao máximo, mesmo com problemas, mesmo com desvios no caminho….

Hoje, meus remédios estão ok. Nos entendemos, estou bem. Voltei à academia, gosto disso e estou fazendo das minhas idas uma hábito. Voltei a socializar. Voltei a sorrir. Tá tudo bem e se der tudo certo, vou começar a viver bem a vida. É o que tem na ordem dos dias.

Ah, e não fui demitida.

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Ups That Look Much More Like Downs

Achei que estava melhor.

Fiz toda uma programação para um sábado, que se tornou meu próximo fim de semana.
Vou passear sozinha, tirar fotos e visitar lugares histórios, tomar vinho lendo livro em Petrópolis. Acho que será legal.

No fogo do momento, resolvi que tinha que sair e me arrumei. Fui à uma festa, lá conheci gente só por pedir licença. Um grupo de gente bacana, com tanta coia comum. E emendamos  em outra festa e cheguei em casa às 6:30. Parecia que tava tudo melhor. Até queria marcar um encontro com meus amigos.

Hoje fui trabalhar e tinha muito o que fazer.

No meio do expediente descobri que umas meninas foram promovidas; descobri que minhas traduções foram distribuídas pelas filiais. Tudo lindo. Infelizmente não é bem assim. Eu não tive crédito pela tradução, tampouco recebi parabéns por isso. E faz falta. E das meninas promovidas, somente uma tem mais tempo que eu na empresa.
Óbvio que a matriz tem muito mais funcionários, e teve uma debandada boa, mas é uma sensação de fracasso constante e eu não sei lidar com isso.

Vai entrar uma estagiária nova no escritório. E eu continuo ali, cobrindo licença e férias de um setor. E mais nada. Não levo crédito nem pelo o que fiz, e fiz bem porque não houve modificação na minha tradução, eu pedi pra ver a cópia de um colega.

E isso tudo foi muito mais que suficiente pra que eu me sentisse uma merda. E estou há exatas 4:30h querendo me debulhar em choro e não tenho oportunidade. E não sei mais a quem recorrer, só penso em todos os remédios que poderia tomar e acabar com esse sofrimento. Eu não aguento mais.

Cheguei ao ponto de ter ido ao shopping, comprado roupa de frio – gastado dinheiro que na verdade nem tenho – e não ter me sentido melhor com isso. Gastar dinheiro sempre me fez me sentir melhor, e não é algo que me faça mais bem.

Eu perdi todo e qualquer prazer na vida e não tem remédio que faça efeito mais; é a sensação que tenho.

Eu digo que estou cansada. É cansaço, muito, muito cansaço. Cansa se sentir assim e saber que não é socialmente aceitável querer acabar com a vida. Saber que minha crença não permite que eu dê cabo da minha vida em paz também é perturbador. E não conseguir chegar a lugar nenhum, não me sentir curada e sã e bem… é cansativo, é sofredor. Não é jeito de se viver.

Não era isso que eu achava que era viver.

Hoje foi o primeiro dia. Depois de anos lutando contra, depois de quase um ano adiando, o inevitável chegou. Eu não podia dizer que não gostava, não tinha mais justificativa pra me esquivar.

Cheguei lá e logo achei a sala. Tinha uma pessoa esperando. Amigável. Depois chegou uma senhora, que a princípio nem era pra ficar conosco. E a senhora começou a puxar papo com a pessoa amigável. E depois chegou um homem. Daqueles que brincam com crianças alheias, que normalmente se assustam com a abordagem.

Entramos na sala. E começou minha terapia em grupo. Lembrei muito de um seriado que assistia, que eram sessões de terapia (ou tinha sessões, sei lá, não achei, não importa). Me senti completamente desajustada naquele lugar.
Em um dado momento, precisei falar e falei, mas não me senti confortável, e foi robótico e foi estranho. É tudo muito estranho, se expor pra pessoas aleatórias, que por sorte caíram no mesmo dia que você pra colocar pra fora aquelas merdas que rolam na vida. E ali, depois de 1 hora de conversa, percebi quão perigosa foram as coisas que passei na vida. 
Lógico que cada um tem seus problemas e quem sou eu pra dizer que os meus são mais graves que os daqueles ali. De forma alguma. Mas tenho pra mim que aquela gente não conhece fundo do poço por conta de depressão. Sério, elas não sabem. Inclusive evitei olhar pra pessoas quando contei o motivo de estar ali. Era quase constrangedor, não fosse o fato de todos estarmos ali pra se tratar.

Todos falaram muito, o cara metido a engraçadinho testou meus limites de paciência não parando de falar e rir, e eu só falei quando fui solicitada. Não era uma situação em que me senti bem. Até porque, apesar da exposição do momento, sabia que estava escondendo pontos importantes que podem me levar a melhorar certos aspectos que não fluem há alguns anos.

Só nos veremos daqui a 2 semanas, a terapeuta tem um curso aí pra fazer, e não sei como vou reagir às interações do grupo. A duração é curta, mas já que estou indo, espero mesmo que me ajude. E se o metido a engraçadinho comentar novamente que eu falei pouco, vou desejar uma linda e lenta morte. Idiota.

 

 

 

É Isso

Não é crise depressiva. Eu quem sou assim mesmo. Eu não sou boa. Boa da cabeça, boa pra nada.

Tenho pensado muito sobre a minha vida, sobre algumas fugas (in)conscientes, sobre o que minha médica tem me falado, sobre eu não ter vida social, sobre as pessoas não me convidarem pra mais nada, sobre o meu futuro sempre incerto sobre minha carreira.

Tenho me sentido um fracasso e há alguns minutos enquanto fazia um cappuccino na cozinha, me toquei que esse sentimento sempre me assombrou. Não creio ter tido um único momento duradouro, verdadeiro, em que me sentisse capaz de algo. São rompantes. Isso eu tenho sim. Mas nada duradouro. Nunca me senti capaz de verdade.

Tem gente que me acha inteligente, tirando minha mãe que não conta. Eu não sei exatamente que inteligência é essa. Porque agora eu to numa nova área profissional, ou tentando entrar, e absolutamente nada conspira a meu favor. Acho, de verdade, que sou acima da média pras pessoas medíocres que não tiveram estudo, mas não passa disso.

Sou inteligente pra ser empregada de alguém pro resto da vida, obedecendo ordem iguais pelo resto da vida.
E pela primeira vez na vida acho que devo fazer concurso público. Não porque eu queira e ache legal, mas porque é o tipo de trabalho que não requer talento intelectual, só saber obedecer e repetir coisas.

Eu não to bem. São 29 anos de muito fracasso, muitos sonhos não realizados, muitas frustrações, muitas portas na cara, muitos foras, muita gordice, muito sentimento de pessoa mais feia do mundo. Eu não aguento.

Penso, sinceramente, que era melhor não ter crescido. Enquanto criança a gente não lida com essas coisas, apesar de estarem presentes. Não era pra ter crescido, não era pra ter me transformado em nada, em continuar sendo nada. Felizes são os que não nascem, ou que se vão e não precisam lidar com essas dores.

Isso Aí.

Demorou muio tempo pra voltar aqui. Demorou muito tempo até muitas coisas se acertarem. Confesso que venho lavar a alma, a me condenar, tudo junto.

Não posso reclamar muito do ano que tenho tido, faço curso na área que gosto e hoje, finalmente, acho que dei mais um passo à libertação emocional das coisas que não me faziam bem, também conhecidas como ex-namorado.
Nem é o caso de dizer que depois de sei lá quantos meses eu finalmente o esqueci porque isto já aconteceu; mas fazer com que ele entendesse isso me emocionou. Namorar é algo desgastante e terminar, mais ainda. Principalmente quando 1 não quer. E olha eu aqui, incrivelmente abismada por finalmente ter alguém que de fato me queira e eu não. Isso não acontece no meu mundo.

Hoje minha alma tá mais leve, eu to literalmente emocionada – e mulheres são tão suscetíveis a qualquer coisa, e os hormônios se alteram sem a gente perceber – por ter feito ele, o ex, entender que já deu. Um sofrimento, aborrecimento, por nada, só encheção de saco. Não dá.

A vida vai muto além de homens – não que eles não sejam importantes, quem somos nós sem eles e vice-versa? – mas tem muita coisa além da janela de casa.
To cada dia mais determinada a fazer minha vida dar certo em pelo menos um aspecto. E to correndo atrás da minha carreira. Se vai dar certo não sei. Li um texto hoje (http://papodehomem.com.br/quando-voce-deixa-de-ser-menino-e-vira-homem/) e, sem a menor necessidade de adaptação para o mundo feminino, é exatamente isso. A gente para de sonhar e começa a realizar. É isso.

Meu medo muitas vezes me paralisa, tipo agora, que espero resposta de um teste e não consigo meter minha cara de pau em outras tentativas até saber se esta deu certo.
Me espanta e me dá esperança de um lugar ao sol, por exemplo, ser uma das únicas na minha turma da pós, que está ali de coração, de alma, que realmente quer aquilo ali pra vida. Não sou obrigada a gostar de todas as matérias, não tenho o know-how que a maioria possui, nem o nível intelectual de outros, mas to ali porque é A tentativa que quero que dê certo na vida. E é muito, muito complicado. Porque pode ser que eu dê a cara na parede e volte aos planos familiares de mediocridade e concurso público e etc. Mas não quero que seja meu caso. Não serei 1% feliz se tiver que ceder para ter. Ter dinheiro, ter status… 

Seria uma utopia? Talvez. só que ando percebendo/entendendo que ainda sou nova – e nunca consegui me ver assim – e é o momento. Mais tarde, dando com a cara na parede ou não, não terei a possibilidade de tentar de novo.

To feliz. To sozinha e solteira, to gorda, to de cabelos novos aos quais não me adapto. Mas to feliz. Até fui à igreja semana passada e se Deus me der forças e eu não lutar contra, voltarei aos meus velhos hábitos.

É isso. Eu acho. Alma lavada. Coração aberto. Consciência tranquila. Esperança à pino.

Tristeza Não Tem Fim. Felicidade…

Sabe quando algo magoa? Magoa de verdade? Pois é, ta aí um negócio que não sei lidar.
To numa boa, numa nice, tá dando pra levar a vida, tá dando ganhar mal e administrar pior ainda meu dinheiro. Tá dando.

A vida continua a mesma, o pentelho do meu ex-namorado ainda acha que pode me encher o saco… enfim, cotidiano.
Até que chega o dia, que venho esperando desde que o ano começou, em que eu vou começar a resolver a minha vida, do modo como realmente acho que deve ser. Fiquei quieta até então, porque a gente nunca sabe, né?
E depois de muito pensar e conversar com umas amigas, resolvi compartilhar com as pessoas que, supostamente, deveriam me apoiar nas escolhas da vida: familia. E o que aconteceu? Me fudi. Não, ninguém disse: “você não está louca de fazer isso” ou “te interno num centro psiquiátrico” e tals. Nem precisou.
Lidei com a cara de desapontamento, lidei com o desgosto estampado na testa gigante, com os comentários típicos de um cavalo de roça, que não enxerga pros lados, só à frente, aquela frente determinada por ele.

Passado o primeiro desgosto, achando que acabaria ali, me vi surpreendida por um alguém que sempre me apoiou em tudo. E daí a facada foi mais profunda. E isso me fez chorar, e me sentir verdadeiramente magoada, e chegar à patética conclusão de que as pessoas não querem te ver felizes, querem ver você realizando o que ELAS tem como padrão de felicidade.

Gente patética. Gente que consegue acabar com o seu mojo, sua vontade de fazer as coisas. Gente esta que está muito enganada em achar que irei desistir. Desta vez vou em frente, farei o que acho que deve ser feito.

Pode ser que eu quebre a cara, pode ser que não me sirva, pode ser que eu me ferre mesmo. Mas se eu não tentar, não vou saber e viverei o resto dos meus dias mediocremente aceitando aquilo que tem me sido imposto desde meu nascimento.
Não dá pra viver assim, não consigo ser feliz vivendo através dos outros. Preciso criar minhas próprias experiencias, boas, ruins, péssimas satisfatórias. Preciso enfrentar o mundo e as pessoas, mesmo as mais imbecis e tacanhas, mesmo que elas compartilhem DNA.

Isso tudo, se Deus assim permitir, vai acontecer. Até lá eu vou tentando não sentir a imensa dor de decepção, de coração partido, de facada nas costas, de  desapontamento por algo que me confere decidir e não os outros.
Farei tudo o que achar que deve ser feito. Se ninguém se preocupa com a minha felicidade, pelo menos eu ainda tenho esperança de alcançá-la.

Engole o Choro e Enfrente o Mundo. É o Que Tem Pra Vida.

Nada a ver, esses seus problemas. Ninguém veio ao mundo pra se incomodar com o que se passa com você.
Ninguém é obrigado a aturar o seu humor, a sua depressão, a sua personalidade. Ninguém.

O mundo é cheio de gente, todos eles têm suas próprias questões pra resolver, mas não dá pra sair transparecendo que hoje você não está bem, todos tem problemas, mais graves que os seus. Tem gente surda, com câncer, sem uma perna.

Ninguém tem nada a ver com seus problemas.

Tratar os outros com polidez e com sorriso no rosto é necessário pra se viver em sociedade. Porque as pessoas não estão preocupadas com o que tem acontecido, mas querem ser bem tratadas independente de qualquer coisa e um bom tratamento vai além de uma comunicação educada, mas também de uma boa “cara”.

A questão não é se isolar, mas saber que da porta de casa pra fora, não adianta trazer o que te aflige, porque o mundo é muito corrido, as pessoas superficiais, os vizinhos de rua nem devem saber quem você é. A vida urge e segue.

Levante os ombros, abra um sorriso amigável, engula o choro, trate todos bem e, se perguntarem como está, diga que tudo bem.

Porque ninguém tem nada a ver com seus problemas.

Vai Passar

A gente nunca acha que as coisas acontecem do jeito que acontecem. Pois bem, cá eu estou solteira e lidando muito bem com a situação. Não que importe a alguém(o blog é meu, lê quem quer), mas tudo ocorreu da pior forma possível – no meu aniversário – porque as pessoas não sabem lidar com frustrações.

Aprendi que não quero mais saber de barreiras geográficas, motivo que me afasta da pessoa que amo e que me ama. É tipo isso. A gente se ama, a gente quer ficar junto, mas ele ta voltando pra terra dele e eu não tenho grana pra ir, nem ele pra me levar e nem poderia ir agora, sendo que ele não pode ficar aqui também. África é longe demais.

Engraçado que sempre fui muito romântica. Pra vida, sabe. E com isso tudo, seja porque eu sou assim, ou porque tava tomando um remédio que só minha médica pra me salvar dele, eu não consegui chorar, como se deveria, tipo filme, digno desse drama todo. Chorei sonhando, ou durante o sono; e todas as vezes que quis chorar, a vontade passou mais rápido que brisa.

Depois de todos os pingos nos i’s e todas as observações relevantes a se fazer, é assim que estamos: solteiros. Por culpa do destino que nos colocou em continentes diferentes e sem grana pra ficar pagando passagens aéreas exorbitantes pra nossa realidade. A vida dele é complicada e a minha não é simples.

Pelo menos, pra hoje, pro futuro, ficam sentimentos bons. Sem mágoa. Tristeza, sim. Da situação, com certeza; de não termos nascido no mesmo país.

E pra quem pergunta se estou bem, além do fato de ter o remedinho numb feeling no meu sangue, me sinto bem. E ninguém entende. Mas eu sou do tipo que me acostumei a não ser correspondida pelos meus pretendidos; estar solteira não era nenhuma novidade há 9 meses atrás e pelo visto voltou a me acompanhar. A diferença não é não ser correspondida, mas semelhante aos outros amores platônicos, é um amor impossível do ponto de vista prático.

Enfim, apesar de tudo, a quem pergunta, eu digo que vai passar. E virou meu mantra. Porque tudo nessa vida passa, tem de passar, terminar, deixar de doer.

Vai passar.