Ninguém Pode Ser Aquilo Que Quer, A Não Ser Que Seja O Que Os Outros Querem Que Você Seja

Estou meio deprimida desde ontem. Resolvi ir à praia hoje, porque da última vez, funcionou bem como uma terapia alternativa. Aliás, foi a 4ª vez que fui desde o começo do ano, o que teoricamente representaria 4 anos da minha vida.

Voltei do mesmo jeito – senão pior – do que quando fui.
A verdade é que fechei um ciclo, e por isso volto a escrever somente aqui. Aquele outro blog tinha uma vibe de uma outra fase e este sinto como se fosse atemporal.

Estou deprimida. Tem muito de frustração, de preocupação, de saudade, de sentimento de derrota. Tem muito de tudo.
Mas o pior mesmo é a frustração-preocupação-derrota.
Ontem fechei o tal ciclo, dando por fim minha relação com meu antigo trabalho. Confesso que fiquei aliviada, lá não me fazia bem. Cumpri meu aviso prévio em casa porque meu chefe deduziu que realmente não estava bem, pra se ter noção.
De lá, fui pra uma entrevista de emprego, pra um cargo no qual não tenho experiência – e convenhamos, não tenho em quase nada – e saí meio deprimida porque né, é chato você não conseguir as coisas e ter planos e precisar de dinheiro, de emprego, pra correr atrás disso tudo.
Tinha feito uma outra entrevista na sexta-feira, e até agora não tive uma resposta, o que me faz deduzir que não dará em nada. E hoje era a data limite pra resposta do puta emprego que super queria e acho que não vou conseguir. Por que eu não tenho experiência.

Eu tenho sonhos. E descobri ter objetivos palpáveis, porém na minha família nada funciona, nem cheguei a comentar porque não tenho apoio, a não ser que seja pra fazer concurso público. Daí batem palma igual foca ganhando peixe.

E sabe qual o problema? Eu ODEIO a ideia de concurso público. Pode ser pelo estudo em dedicação exclusiva, pode ser por fazer um trabalho que requer muito pouco de mim(no sentido de habilidades e talentos pessoais)e do meu esforço pessoal, pode ser porque muito me desagrada tudo isso junto e mais um pouco. Aí hoje escutei da minha avó, que viu no jornal uma menina de 16 anos passou em 6 faculdades de medicina e disse que se não dormia ou comia, estava estudando. Sério, parabéns pra ela. Mas não é isso que quero. Será que sou super preguiçosa pra concursos? PODE SER.

O fato é que eu só escuto na tal da estabilidade. E será que ela é mais importante que todo o resto? Minha prima odeio ser funcionaria pública, trabalha em banco e até vai tentar outros concursos pra área dela; minha tia chegou num ponto de estafa tão grande, que há uns 3 anos vem tirando licença atrás de licença, até que agora voltou a trabalhar num setor babaca, só pra não se estressar e tirar a aposentadoria proporcional, daqui a 1 ano, que ela faz contagem regressiva.

Eu já concluí que eu não sou assim. Eu não quero ceder tudo que gosto e que talvez eu saiba fazer, ou venha a fazer de melhor,  e de mim mesma, por um emprego que me “dá estabilidade”. Será que já pensaram na possibilidade de que, quando você se dedica a algo que ama, e não tem a ver com concursos públicos aleatórios, você será bem-sucedido, será feliz, terá um bom dinheiro e não vai sofrer por fazer algo que não gosta?
Tenho provas vivas de que dinheiro e estabilidade não trazem felicidade e mesmo assim ficam me enfiando essa ideia pela goela.

Eu to deprimida. Porque tenho descoberto algo que posso fazer, que vou amar, que vou usar dos meus 5 anos de faculdade, mas que dependem de um emprego porque não terei apoio aqui e depois de um certo tempo, acho meio chato ficar pedindo dinheiro pra fazer certas coisas, principalmente quando você sabe que não será de bom grado. Confesso que não sei como seria isso no mercado de trabalho, mas descobre-se e tenta-se, porque será algo que vou gostar de fazer, ou seja, será bem feito e isso é valorizado e reconhecido.

Ir à praia me fez pensar nessas frustrações, voltar dela, me deixou mais aborrecida sobre isso tudo e fico achando, sempre absurdamente temerosa, de que nada na minha vida vai dar certo enquanto eu não sentar e ficar horas estudando pra concursos que não dou bola, até passar. Porque fico sempre com a sensação de que a torcida pra que eu me dê mal fora do funcionalismo público é tão grande e tão forte, que não tem esforço que eu faça que mude meu destino.

Anúncios

Catarse

Eu não sei muito bem o que as pessoas esperam quando se trata de amizade, relações interpessoais… Não sei. Cada um age de um jeito e busca determinada coisa, e hoje mesmo uma amiga me disse que muito tem a ver com a vibe que a gente está e a da pessoa; isso talvez explique algumas coisas.
Há duas semanas as coisas tomaram uma projeção meio diferente, estranha. Coisas que não esperava acontecer me deram uma rasteira e fiquei eu estatelada, com a cara toda amassada depois que o camburão passou por cima dela, no asfalto fresco.

Teimo sempre em querer entender o mundo, as coisas que acontecem, as pessoas, as situações, e talvez nunca terei as respostas pras minhas indagações, mas não consigo deixar de tê-las. Insisto entender as situações em que me coloco, ou que me colocam, e gostaria de conseguir esclarecer cada uma. Bato pé em querer compreender as pessoas, e que as pessoas me compreendam, mas acho difícil que ambas as partes se façam entender, quando existe hidden agendum.

Como também disse uma amiga minha, o lance é ACEITAR as coisas. Do jeito que elas chegam até nós, sendo boas, ruins, estranhas. Tem a ver com filosofia tântrica, não me pergunte muito, mas faz sentido.

Nesses últimos dias venho me questionando. A quem sou, como ajo, o que passo pros outros… Semana passada, conversando com um amigo, ele me chamou de “birrenta, pirracenta, turrona e brigona”. Na hora fiquei foi muito puta, eu desabafando e alguém ali querendo me apontar defeitos. Em menos de 10 minutos me despedi porque estava tão absurdamente chateada que não conseguia conversar (a primeira palavra que me veio foi ‘chatear’. Juro). Talvez ele tivesse razão, não tão intensamente como há uns 6, 7 anos atrás. Mas eu sou assim, com defeitos. E odeio ser criticada, tão na lata. Mas eu engulo, mesmo que com certa dificuldade. Levo aquilo, remôo às vezes mais do que o necessário, mas tento absorver, mesmo que seja pra, um dia, levar à terapia essas questões. E pode até ser que eu tente vender outra imagem de mim pra essa pessoa se eu não conseguir mudar, por simplesmente querer que me vejam de outra forma (um erro, eu sei).
Enfim. Ele falou isso, e na mesma semana, mesmo dia, eu acho, tive uns problemas com quem considerava como amigo. A gente não sabe o que passa na intenção das pessoas. E certamente não sabem exatamente quais são as minhas, faz parte. Mas não consigo entender. Não faz sentido na minha cabeça a reação, ou a falta dela. Não faz sentido a pessoa simplesmente esquecer a sua existência e assuntos que eram realmente relevantes – e essa pessoa sabia – na semana anterior, sem ter o mínimo interesse em saber como aquela semana, quanto a aqueles assuntos, como as coisas estavam. Comecei a achar que haviam feito fofoca, sabe-se lá do que. Depois achei que se chateara pro algo que nem sei se fiz. Por fim, insisti e consegui uma resposta que não engulo, cheia de desculpas esfarrapadas. Ali percebi que não tinha porque me incomodar. Porque simplesmente não valia a pena.

Outra situação estranha foi parabenizar uma pessoa que foi incapaz de responder. Fico imaginando o que se passa na cabeça delas, quando ignoram algo tão simples e como isso se torna extremamente esquisito fora de um contexto, porque, na verdade, não o há. Não existe convivência, não existe contexto, não faz sentido. Então porque tal reação estática? Me passam coisas ruins e maldosas na cabeça, que evito pensar porque não quero achar que as pessoas são más, não quero apontar o dedo e acusar sem saber. Mas fico me perguntando o motivo disso tudo e fico achando, mais uma vez, que a culpa é minha. Depois de analisar um pouco, paro pra pensar e percebo que se tudo mudou e se chegou nesse ponto, não vou lutar e nem pensar. Porque simplesmente não vale mais a pena.

Um amigo meu postou um teste de qualidade de vida no Facebook. Naquele teste, nem a pessoa mais saudável que conheci, teve resultados significativos. E esse amigo teve. Achei estranho e fui “brincar”, insinuando que a pessoa tinha burlado o teste. Erro meu. Erro meu porque a pessoa, “mestre da dialética”, conseguiu distorcer o meu intuito em comentar o bendito post por ele publicado; fui acusada, resumidamente, de caga-regra, pq ele deveria ser livre pra beber, mesmo tendo gastrite; eu não deveria ser tão lógica e apontar o que a pessoa deveria ou não fazer, citando inclusive “Eu não sou como vocês, que são apenas robôs sanguíneos”. Foi de uma grosseria, questionou se eu estava desocupada e se já tinha cheirado merda naquele dia. Assim, dessa forma. E por fim veio com seu discurso de “quero curtir a vida e não morrer cedo”, e falou em metafísica em coerência, em sei lá mais o quê. E ficou lá me acusando de caga-regras cheia de lógicas, que não quer que ele viva, mas vivo eu pra categorizar as pessoas, delimitando seus direitos e deveres.
Foram tantas afirmações, que depois teve a audácia de culpar a filosofia e a dialética pelo modo como discutiu comigo, que, mais uma vez parei pra pensar. E vi que, sério, não é possível que por causa daquilo eu estava sendo obrigada a “escutar” tantas coisas, estas que ele deletou da página dele. E percebi que ele era só mais um, com a exceção de que este te confronta e deixa com raiva, mas que tem alguma atitude em relação às coisas e às pessoas. Ele ainda veio conversar comigo depois, ainda dei um pouco da minha atenção, por cerca de 2 minutos e desisti. Vi que não me valeria a pena.

Amigos são uma preciosidade, são quem te ajuda a levar a vida quando não vai bem, que comemora com você nos dias felizes, que sabe que está ajudando quando te critica, e nem deixa de te amar pelos seus defeitos. Na verdade, isso é família e quem é amigo, daquele que se torna família, é o que aceita isso, e brigando ou não, sabe que as coisas vão se ajeitar, porque toda picuinha é muito pouca pra acabar com o que se tem de verdadeiro, principalmente quando estamos adultos e na teoria somos maduros para dialogar, discutir e resolver pendências.

Existem amigos que julgamos ser pra toda a vida. E nos enganamos amargamente quando, num revés, a maré boa do bom convívio se torna abundante demais e um dos 2 lados resolve que não quer mais nadar ali. Não tem esforço, não tem conversa, não tem nada. Não faz sentido. E é tão triste quando isso acontece, porque a proximidade acaba e se tornam dois estranhos.
O problema é que eu não consigo parar de me importar, o que é prejudicial só pra mim, porque não é recíproco. Não tem a mesma vibe e por isso chegou aonde chegou. Talvez existam amizades sazonais. E eu não sei lidar com essa categoria. Se e souber de antemão que serão assim, prefiro que continue sendo colega, pra que depois eu não vá me importar por quem não faz o mesmo esforço por mim.

As pessoas são, afinal, estranhas e loucas. Confesso que por vezes eu tenha minha parcela de culpa, mas não acho que querer entender, apoiar, criticar, procurar saber, seja ruim. Se eu discuto ou brigo ou não gosto do que ouço, aquilo certamente vai passar. Não que eu seja superior, porque não sou; tenho mil defeitos, acho que poucas qualidades, um temperamento péssimo e sou mal resolvida. Mas meus amigos são jóias pra mim (brega mesmo) e pretendo conservá-los, se houver reciprocidade. Mas não faz sentido quando ela acaba do nada e você tem que lidar com sentimentos que ainda existem. Acredito que seja como um aborto; quem perde um filho ainda sofre, por tempos, com as conseqüências de ter carregado um feto. E o fim de uma amizade seria assim. E o sentimento que gira em torno dela seria proporcional ao tempo que essa amizade durou.

Mas não dá pra lutar com gente estranha. Gente que se diz amiga, mas não te permite ser você mesma na vida dela. Gente que diz se importar, mas surta. E até chegar ao ponto em que estou, demoro muito, quebro cabeça, fico na esperança de que as coisas possam mudar, mas obviamente não mudam. Porque as pessoas agem de forma estranha, são estranhas e muitas vezes nada daquilo faz sentido.

Eu resolvi parar de lutar. Parar de tentar entender certas coisas, certas pessoas e certas situações. Será um aprendizado e eu vou conseguir aplicar pra mim a filosofia tântrica. Vou aceitar o que a vida me dá de bom e de ruim, da maneira que vem. Os amigos que comigo querem se relacionar e os que deliberadamente resolvem ir embora. E não pretendo mais questionar. Não mais isso, esse assunto, ou pelo menos tentarei arduamente

Porque realmente não vale a pena.

http://www.youtube.com/watch?v=S1LtIULGGDM

Hoje recebi um comentário num dos meus textos aqui. E parei pra ler. Engraçado como eu me identifico com esse blog. Como minha vida é um eterno cara a tapa.

Parece que o próprio título do blog me dá um espirito diferente pra escrever, a maneira como me expresso aqui, é completamente diferente de . E eu prefiro aqui. Passo-me a impressão de o que escrevo aqui, tem um pingo de esperança que não tem, tem um pouco mais de ‘claridade’ nas idéias que lá parecem confusas.

E confusa sou eu quando resolvo ter um novo blog mas emocionalmente estou tão liga a este que hoje, e há algum tempo, em menos de um ano de abandono, penso em voltar pra cá. E ser quem eu sou aqui, e escrever o que/como escrevo aqui.

A vontade é maior, inclusive, de atualizá-lo.
Ele não é meu primeiro blog, mas talvez tenha sido o que mais me conquistou, eu mesma me mostrando de formas às vezes inusitadas.

Talvez aqui eu seja mais real.

A Dor É Minha, A Dor É De Quem Tem…

Se tem uma coisa intrigante é a dificuldade das pessoas de entender/aceitar que você tem depressão.
A impressão que passa é que a pessoa tá de frescura, fazendo tipo, não sei. São conjecturas.

Este ano completam 3 em que me encontro nessa situação. Independente de ser rebelde, antes ainda fazia tratamento; agora nem isso. Há tempos, por sinal.
É claro que como eu estava em meados de 2007 não se compara como estou hoje, principalmente pelo auto conhecimento. Porque nada pior do que não saber qual o seu problema. Hoje eu sei e sim, não tenho feito nada em relação a isso por milhões de motivos.

Parei pra pensar nisso hoje por 2 motivos bem fortes.
Estou numa puta crise.
Eu não tenho estado bem e sabia o que aconteceria quando eu saísse do emprego. Não que aquilo fosse uma cura, mas me segurava um pouco. Mas minha mãe achou que era. Pra ela sempre foi assim.
“Você está assim porque a faculdade está acabando.”
“Você está assim porque o estágio está acabando.”
“Ah, quando você se ocupar, isso vai melhorar, é só arrumar um emprego, não é depressão não.”
Sempre escutei essas coisas, apesar de, no entanto, ainda estar me tratando.

Então comecei a trabalhar e minhas idas à terapia ou a psiquiatra cessaram. Ela, minha mãe, que trabalha na área de saúde e tem acesso a coisas que eu não tenho, nada fez. Eu não tenho plano de saúde e tampouco ela se ofereceu pra pagar a continuidade do meu tratamento, sabendo que onde eu fazia – que ela me levou na primeira vez – era de graça e que eu não tinha como pagar nada com o mísero salário que ganhava.
Tá. Saí do emprego. E não voltei pro tratamento. Fala sério, quem tem cara de voltar ao mesmo médico, do jeito que saiu há 6 meses atrás de cara limpa? Não é fácil. Eu sou do tipo que fico com vergonha de coisas pequenas, ou de situações que pessoas normais agiriam numa boa.
Eu não sou assim. “Oi, to de volta. Mas ó, na 1ª oportunidade de emprego que aparecer, vou ter que sair de novo, né? Porque esse horário não é mto legal, mas vamos levando”. Não, não sou assim.

Aí, quando foi hoje, minha mãe veio me falar pra eu ir no médico ver minhas alergias. Até aí tudo bem. Aí ela vem com o argumento de que agora posso ver as alergias e voltar na minha médica, porque não to trabalhando.
E ela só falou isso porque eu to sem falar desde domingo. Aí ela se toca.

Outra coisa que me intrigou, até chateou – também não sei por quê; as pessoas não tem a menor obrigação de te entender – foi uma amiga, mega amiga, tipo uma das melhores, me desejar melhoras “seja lá no que fosse”, ou algo do gênero. Parece que a pessoa tá alheia ao que você passa.(aliás, posso nem reclamar de uma das pouquíssimas pessoas que continuam de alguma forma presente na minha vida porque  o resto tá nem aí).
E eu não posso me chatear porque né, um dos motivos de não estar procurando tratamento é que eu mesma sou super mal resolvida com isso e não aceito bem. Então porque as pessoas deveriam? Mas também, quando eu falo que não to bem, que to deprimida e passando por uma crise, parece falso porque – acho eu – na visão dos outros – deprimido não sabe que tá deprimido. Então eu passo por dramática.
É o que eu acho que os outros acham, na verdade.

É chato porque eu não tenho que fazer ninguém acreditar em mim. Nem mãe, nem amigo, nem empregador, nem namorado (o suposto ex também não entendia e ainda achava que era falta de força de vontade pra ficar feliz. ¬¬). Nem ninguém.
Mas ao mesmo tempo, é mega triste você viver sabendo que não tem com quem contar. Simples assim. As amigas não entendem, a mãe acha que é passageiro.
E o que EU acho? Acho uma merda, um fim de carreira sem fim.
Mas o que eu acho ou deixo de achar também não muda o mundo. Eu só faço refletir sobre isso com um certo desconcerto de alma, numa decepção de hoje saber que o mundo não mudou.

Me resta somente minhas noites intermináveis, minha fama de dramática, minhas poucas palavras pronunciadas. Uma mente quieta. Não me darei mais ao trabalho de me surpreender com obviedades.

“Se ela me deixou a dor,
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor”

Hoje Eu Tô Sozinha

Eu não posso querer que me entendam ou me aceitem. Ninguém é obrigado a nada.

E é por aí. E nessa, as pessoas ignoram que eu estou lutando pra levantar da cama. E ignoram que eu existo quanto eu realmente precisava delas na minha vida.

E eu fiz dessa vida algo tão ingrato que poucas pessoas me sobram pra afogar minhas mágoas. Porque pra momentos felizes sempre tem gente querendo comemorar. Ou não.

Só sei que agora eu to um lixo, podre. E o 1 º mês nem terminou e já tenho medo de como será o ano inteiro, porque a cada dia me sinto tão pior que imaginar qualquer coisa de sucesso acontecendo é meio ilusório.

Eu preciso de drogas. Daquelas bacanas que me colocavam lá em cima e quem sabe, me colocariam pra estudar. Me dariam mais ânimo pra arranjar um emprego pra limpar meu nome e sair dessa bola de neve em que me meti.

Drogas pra me fazer ir à rua fazer o básico, como comprar um pão integral que minha mãe simplesmente ignora, ou pagar alguma conta. Ou sair pra caminhar e, como outra necessidade também, perder peso.

A verdade é que me sinto sozinha e presa num mundo que se limita ao meu quarto. Se limita dentro de mim. E não vejo a porta de saída, não vejo nem uma mão que possa, efetivamente me ajudar.


O básico do básico, my ass.

Foram 5 longos anos. Isso pra quem se livra de uma reprovação. Mas é isso. 5 anos. Provas, trabalhos, códigos, vade mecum, aulas de filosofia e até português.

Em 2003 me aventurei a fazer faculdade de Direto sem saber ao certo onde estava me metendo. E na certeza de que aquela fora uma escolha minha.
Foram anos bem feitos, bem vividos, bem estudados. Na verdade, poderiam ter sido melhor estudados, fato.
No final, saí da faculdade com uma monografia bárbara e uma depressão a tira colo.

Dia 19/02/10 far-se-ão 2 anos da minha colação de grau. E nada, absolutamente nada mudou de lá pra cá. Nada de bom, eu digo. São 2 anos fazendo nada, além de meia dúzia de cursos. Umas tentativas de tirar minha carteira da Ordem, mas de resto, nada.

De uns dias pra cá, aliás, desde o meio do ano passado, 2009, pra cá, tenho procurado emprego por mil  que não vêm ao caso. Consegui um e fui demitida. E voltei à saga das entrevistas e etc etc etc. Hoje voltei de uma, que nem sei se dará certo, mas que me impulsionou a tentar fazer alguma coisa sobre meus estudos.
E até comecei a me ‘animar’ pra OAB de novo, pagar um cursinho e tals. E minha mãe vem me falar que é pra eu pagar um curso pra fazer concurso pra qualquer coisa, tipo agente administrativo do Detran. Nada contra quem presta, mas eu não passei 5 anos de faculdade e 2 anos parada pra fazer concurso de 2º grau, sem nem cogitar tirar minha OAB tão cedo. “Depois que você tiver lá, você pensa nisso.”, foi o que escutei.
Então, pra quê eu fiz Direito? Pra isso, eu poderia ter feito qualquer coisa mais fácil, menos dispendiosa e que tivesse durado só 4 anos, muito melhor.
Daí eu me pergunto o porquê disso tudo. Eu já entendi que fiz Direito porque meu inconsciente queria agradar minha família e não a mim. Mas já que essa parte eu fiz, por que as pessoas não param de tentar coordenar minha vida? Quem disse a ela que concurso público pra trabalho burocrático é o melhor pra mim? Quem disse a ela que eu to feliz assim, sem minha OAB? Quem disse que eu quero isso, de concurso, de concurso pra 2º grau?

Sinceramente, me magoa e muito nego querer o básico do básico pra mim, porque assim é mais fácil viver. Cansei disso. Cansei das pessoas acharem que OAB é uma fase totalmente dispensável pro Bacharel em Direito. Então, fiz Direito só pra nego encher a boca? Enche a boca de comida, seja medíocre mas não peça que eu seja.
Hoje eu sei que não sou nem estou dando nem 1/3 do que posso. Eu não posso porque to confusa, porque to deprimida, porque não sei ao certo o que quero. Mas dessa mediocridade eu preciso passar longe essa mediocridade eu sei que não quero. Porque quando eu acreditar, de verdade, 100% de que basta ser mais umazinha qualquer fazendo qualquer bostinha, vou parar de tentar de vez. E daí, ai de quem questionar a minha falta de ambição. E vai ser culpa sua.

Dois Mil E Dez.

E 2009 acabou. Meu único pedido pra 2010 foi me tornar um ser humano melhor. Tá, não foi o único, mas é isso que preciso no momento. Ser melhor.
Confesso que tudo começou bem difícil porque as pessoas são difíceis de lidar, são ingratas, insatisfeitas e tudo mais. E lidar comigo também é uma tarefa um tanto árdua.
Não que eu seja ‘A’ perfeição, pelo contrário, mas tenho tentado aceitar as coisas como elas vêm; tenho até tentado curtir os momentos, por pior que eles possam ser. Não sei se estou no caminho certo, mas tenho tentado do fundo da alma.

Mas essa alma é fraca e não tem tido muita habilidade pra lidar com coisas muito pequenas, reclamações normalmente infundadas. Aí eu entro na pilha de ponderar: me tornar alguém melhor inclui aturar gente mesquinha? Aturar picuinha? Sinceramente não sei.

Longe de mim de achar que devemos nos contentar com pouco. Ou nada, até. Mas existe um limite bem claro entre falta de ambição e ser mal agradecido. Só que tem gente que além da falta de ambição, é mal agradecido. Por tudo. Se bobear, até por respirar porque o ar não tem cor e deveria ser colorido. Sei lá, né. Quem quer reclamar, reclama de tudo mesmo.
Eu sempre fui muito reclamona. Minha mãe achava o máximo me chamar de velha. Não mudei muito. Mas as minhas reclamações, no geral, até porque sou humana também, são diretamente ligadas às coisas que eu quero pra mim. E ultimamente não tenho reclamado. Ando anestesiada.

Eu poderia muito bem reclamar horrores do quão deprimida eu estou.
Do quão sem esperança no meu próprio futuro eu tenho estado.
Não porque eu não seja capaz de um futuro melhor que o presente, mas porque a minha condição me deixa incapaz. E eu quero, quero muito pra mim e posso muito quando dou muito de mim. Pra dizer que não falei de como estou e tenho me sentido com ninguém, conversei com duas pessoas que vieram conversar comigo no GTalk(como eu ODEIO esse app) e pelo andar da conversa, acabamos rumando pros meus problemas. Mas nem aí eu to pilhando muito; incrivelmente tenho até levado com um pouco de humor algo mega importância pra mim porque é a minha vida.

Em momento algum eu tenho chorado no ombro de ninguém dizendo o quanto meu ano começou péssimo, porque to desempregada e, apesar de ter sido chamada pra umas 5 entrevistas de emprego, não consegui ir a nenhuma – e ninguém sabia disso até agora – porque to mega deprimida e não tenho coragem de ir.
Estou formada há 2 anos e só de pensar em estudar novamente pra tirar minha OAB, pra conseguir algo na minha área, eu literalmente perco o sono e o ar.
E não que eu não queira.
Eu QUERO.
Porque não fiz 5 anos de faculdade, com uma puta monografia pra arranjar sub-sub-emprego.
Não é fácil também dizer pros outros como um cara idiota conseguiu acabar com as poucas forças que eu tinha além do pouco de estima que normalmente tenho por mim mesma, e ainda conseguiu me deixar me sentindo uma babaca, com o twist de que eu não tenho a mesma disposição de uma pessoa bem servida de Serotonina.

Estou há 3 anos lidando com isso, com uma situação que no momento não tenho como tratar. Porque além de tudo que preciso enfrentar, ainda lido com a negação da minha mãe, que acha normal a filha dela dormir o dia inteiro e não sair de casa por dias.
Eu sei que quando pude, não fui a melhor paciente porque sou normalmente rebelde e, sério, quando você acha que tá bem, você pára achando que tá bem até ver que nem tá não. Mas estava tentando
E eu tento respirar fundo e lidar com tudo isso (só não rola mesmo  gente que acha que depressão é uma tristeza que nego tem preguiça de enfrentar. Ou que diz que é desculpa pra tudo. Esses, por gentileza, passem longe).

De 3 anos pra cá eu vivo com as conseqüências das minhas crises, inclusive perder amigos – ou pelo menos acho que os perdi – porque eu simplesmente sou uma péssima amiga. Sou o tipo de pessoa que só sai com os outros por obrigação. Lógico que me divirto, são meus amigos e os escolhi por razões óbvias. Mas sair porque realmente quero não faço há um tempo. E eu nem me comprometo. Porque não cumpro.
E preciso entender que quando eu quero sair e tomar um chopp, não ter quem saia comigo. Os poucos que ainda me rodeiam, diminui em muito a probabilidade de um convite em cima da hora se efetivar.
Sou o tipo de amiga que fura; que não aparece no seu casamento alegando estar passando mal e, apesar de realmente estar passando mal, nada que um remedinho não resolvesse.

E eu entro 2010 sem saber mesmo se as coisas vão mudar. Porque não há como mudar, do ponto de vista prático. Faço parte de uma classe média falida; não posso fazer 1/3 do que gostaria, não tenho grana pra fazer tudo que gostaria, e nem estou como gostaria, até em termos de saúde mesmo. E o que poderia fazer não consigo, o porquê já expliquei.

Então, infelizmente ou não, resolvo que pra me tornar alguém melhor na minha situação é deixar tudo de negativo demais de lado. A gente tem que aprender a trabalhar com aquilo que tem, e óbvio, procurar  melhorar faz parte. Mas ingratidão, reclamação, cara de koo, bobeirice, chatice, cobranças idiotas, falso moralismo, etc traz muita negatividade e disso não preciso.
Tenho tentado fazer algo que uma amiga – essa tinha tudo, absolutamente tudo pra ter desistido de mim, sabe-se lá porque não o fez – me disse: aprenda a curtir as pequenas coisas.
Tento ficar feliz quando olho minha unha colorida. Não é nada, perto das viagens que gostaria de fazer, dos cursos que queria me inscrever, do namorado que gostaria de ter, das coisas que precisava fazer ou mesmo da saúde que preciso. Mas a unha é algo. É alguma coisa. É Pollyanna. É Amélie Poulain.

E longe, longe de mim ficar dando liçãozinha de moral, ficar dizendo isso ou aquilo. Mas tem dias que só o fato de não estar em Angra dos Reis já deve bastar. Que unha unha bem feita pode fazer um dia melhor. Que um belo prato de uma comida predileta satisfaz.

E de dia em dia eu vou tentando sobreviver. Serotonina e Dopamina down the hill, mas enfrentando um leão por dia, uma crise por vez. Um problema depois do outro. Um dia após o outro. E de pessoas pequenas, eu quero E preciso de distância.

E esse será meu ano.

p.s.: o ponto alto do meu dia amanhã será achar o Danoninho Ice. Só a expectativa já torna minha noite melhor (ou madrugada. Ou dia. São 05:50 a.m.)

180º

Acho incrível como em 1 mês e poucos dias uma situação pode dar uma guinada. Ou fall down(por falta de palavra melhor em português). Ontem parei pra ler meu último post e fiquei chocada a ponto de rir, de tão ridículo que tudo não passou a ser.

Dia 12/12 faço 3 meses no trabalho. Continuo achando CHATO, mas paga minhas contas – pelo menos em parte. E criei uns vínculos de amizade que realmente nunca aconteceriam em condições normais de temperatura e pressão. Estou completamente fora do meu nicho, mas ao contrário do que andaram me dizendo, mesmo não pertencendo àquela realidade, me adapto bem.
Minha chefe não deve ir muito com a minha cara, não é algo que eu vá realmente me importar também.

O que me importa, no final das contas, são os quiprocós que TODO emprego/estágio me proporciona.

O que rolou nesse?
Aquela história que todo mundo conhece: menina nova com cara de ingênua meets menino fdp com cara de bonzinho. Menino ‘fdpccb’ seduz menina ‘ncci’, diz meia dúzia de meias verdades, mais uma penca de mentira, se faz de bom moço e BUM! Menina ‘ncci’ se apaixona; cai na lábia do outro lá.
Aí, caiu na rede é peixe, né. Menino manipula menina. Menina acredita no que menino fala, porque, coitada, ela acredita no que as pessoas falam, o que a qualifica fortemente como uma ingênua de fato.
Menino fala tudo que menina precisa escutar pra se sentir importante. E menino faz charme; se faz de complicado e tudo. Fato que falou em “complicado” e menina se derrete, né. É tipo olhar no espelho.
Então, depois de muita dança de acasalamento, muito jogo de sedução (to sendo brega tipo o Mfdpccb, gente. Não sou assim), menino e menina ficam num dia ‘mágico’, ‘inesquecível’, digno de slow motion no clímax do filme mais romântico da última década, que você, querido(a) leitor(a), já viu. Lindo.

E era algo louco. Porque a menina ‘ncci’ não queria namorar. Mas o menino ‘fdpccb’ só falava nisso. Pressionava por uma posição, até. Coisa de louco.
Tava tudo muito estranho, apesar de todo amor do mundo que a menina e o menino tinham pra dar. E mesmo assim eles ficaram de novo e então, finalmente, a menina achou legal assumir um namoro.

E então eles foram felizes para sempre.

NOT!

E então menina ‘ncci’ descobre que menino ‘fdpccb’ omitiu um fato POUCO importante: uma outra menina. E, no seu direito de reivindicar uma explicação, menina acabou sendo mal interpretada – ou não – e menino disse ter se espantado. Coisa de nada, na verdade. O básico. E desde então tudo degringolou. Mas menina, sempre muito ‘NCCI’, queria salvar o que já tinha começado. Tá na chuva…
Mas como todo desfecho dramático, menino ‘FDPCCB’ se disse confuso, pediu um tempo e achou melhor deixar a fila andar.

Até aí tudo bem, se não fosse um detalhe: menino ‘fdpccb’ não se desvincula de você. Menino ‘fdpccb’ se diz confuso pra umas coisas e muito cheio de certeza pra outras. Menino ‘fdpccb’ cai em contradição inúmeras vezes.
Nesse momento, a menina já está mais tão nova lá e nem tão ingênua e começa a perceber algumas coisas e se mancar de outras. E o encanto que tinha acabado, vira NOJINHO.
Nojinho de tudo que escutou e acreditou.
Nojinho de ter realmente caído na lábia do FDPCCB.
Nojinho de ter achado o dito cujo, em algum momento, uma pessoa digna do seu tempo, dedicação e blablabla.
Nojinho de tudo a que se submeteu.
E, acima de tudo, VERGONHA por ter sido mega otária.

A menina ‘ncci’ sou eu, claro. E o menino ‘fdpccb’ é o infeliz que tava me colocando sorriso nos lábios há cerca de um mês atrás. Hoje eu voltei do trabalho com uma sensação de nojo por esse ser humano, que beira o indescritível. Não vale a pena relatar aqui cada mancada, até porque, expondo-o, eu faço a mim mesma e a historinha aí em cima deixa bem claro o desenrolar das coisas.

Cheguei a ponto de achar que tive um surto por ter me apaixonado por ele.
E nunca achei que diria isso, mas mesmo os mais fdp que já conheci por aí, e convenhamos que não foram poucos, conseguiram ser desse nível. Sabe por quê? Porque neste não há caráter.
É a velha história. Melhor a sinceridade ruim do que uma verdade fantasiosa. E quando a pessoa falta com a verdade com você, com alguém que a princípio era importante o suficiente pra ele gastar tempo iludindo, falta caráter.
E quando a pessoa falta com respeito com você, dá nojo. Porque você só pede para ser tratada como a pessoa digna que é. Mas como ele não é, talvez desconheça esse tipo de tratamento, não posso pedir dele o que o mesmo desconhece, né.

Então agora eu to aqui, enjoada e com uma dor de estômago non stop. E muito nojinho disso tudo. A dor de estômago é por conta, assim como uma alergia digna de um episódio especial de 2 horas de House M.D.

E olha, talvez eu seja mesmo uma grande idiota nessa história toda, levando-se em conta que no meu último estágio eu fiquei com um cara que, Jesus, não era nada flor que se cheirasse, mas pelo menos não me fez de idiota. Sabia o que esperar, ou o que não esperar daquilo. E no meu primeiro emprego também, há alguns anos atrás. Mas não vou ficar aqui queimando meu filme.
Falem de vocês.

Hahahahahaha!

Ótima forma de voltar com meu querido blog sem reclamar do mês de Dezembro, mas ó vou reclamar, é fato. Mas pra quem gosta de Natal, Ano Novo e suas benditas tradições, fica a dica de um blog bacana – que até eu gostei apesar da temática – de uma amiga: Celebrando o Fim De Ano. Tá ai no blog roll.

Então… vou me encaminhar pros braços de quem me ama de verdade. Morfeu. Porque amanhã é mais um dia de trabalho naquele inferninho e ainda tenho as maravilhosas sensações da minha primeira Endoscopia! Haja preparação psicológica!
E como o Menino fdpccb senta ao meu lado normalmente, torçam pra que eu vomite nele. Aí ainda tenho o bônus de ganhar o dia de folga! =]

A Arte de (Con)Viver…

Cada dia tem sido mais difícil (con)viver. Não por falta de habilidade, pelo contrário. mas por falta de SACO.
Esse meu empreguinho meia boca pode não servir de muito, mas pra uma coisa serviu: aprender a engolir sapo na boa. Ter paciência, e muita paciência com gente idiota – mals aê mas elas realmente existem – controlar minha personalidade, segurar minha língua… Uma escola de vida, praticamente, hehehe!

Tenho aprendido e muito sobre isso de viver, de ser, de obedecer. Fácil realmente não é. mas olha, um exercício. Já são mais de 45 dias (yay, passei pelo 1º corte!) e até da minha chefe eu comecei a sentir um certo apreço. Melhor, não a odeio mais. Ta aí a arte de saber lidar com as pessoas.
E mesmo assim, aprendendo a lidar com as pessoas – e muitas vezes me dando bem com pessoas que muita gente odeia e ainda escutar que eu gosto de todo mundo – tem muita, mas muita coisa que simplesmente não engulo.
Mas só voltando rapidinho na história de eu “gostar de todo mundo”, realmente não sei porque disseram isso. Eu sou a primeira pessoa a apontar na cara alheia, por mais que resista, sempre tenho algo a falar sobre alguém.

Bom. O que acontece. Você aprende a ser um ser humano adaptável, amadurece, aprende a amar/gostar/suportar as pessoas como elas são. Mas o inverso nem sempre é verdadeiro. As pessoas não fazem A MENOR QUESTÃO de ceder a parte que lhes cabe pra entender o outro. Porque é muito mais fácil meter o pé na porta e falar: “eu sou assim, não adianta, vai ter que me engolir”.
Mas, ei! Não tem essa não. Engolir por que?!? A vida é tão preciosa pra perder tempo com coisas pequenas, mesquinhas, de pouca importância. E se tem uma coisa certa na vida – além de nascer e morrer – é podermos e devermos escolher com quem andamos, falamos, convivemos. E de certa forma, eu me deixo conviver com qualquer um, basta me tratar com decência.
Só que tem uma coisa que venho aprendendo nos últimos tempos, graças à minha terapeuta (or NOT) que é me valorizar como pessoa mesmo. Por que então, gastar minhas energias com nego que só faz pisar, me colocar pra escanteio… aí não dá. E me deixa a opção de simplesmente não querer mais ficar perto. De negatividade já basta minha essência e de chatice, já basta a vida e suas complexidades. Ninguém precisa disso. Eu não preciso disso, você também não.

O que me prende muito é meu apego às pessoas que conheço. Pode ter certeza que o dia que eu sair desse emprego que de certa forma tanto desprezo, vou ficar mal. Não porque é meu sonho morrer ali, mas porque me apego mesmo às pessoas, às situações. E esse desapego nunca foi uma das minhas melhores habilidades.
Mas sabe também o que venho aprendendo? A vida é preciosa demais pra se perder energia com coisa pequena. Não que as pessoas sejam pequenas, mas elas incorporam essa pequeneza e perdem taaanto o valor. É triste.

Sei que sou difícil, cheia de complexidades, com milhões e milhões de efeitos. mas mesmo com essas bizarrices, tenho meu limite. Minhas loucuras eu guardo pra minha mente louca e incessante no pensar cada dia mais.
E vou me adaptando ao mundo, porque aqui é um exercício constante de convivência e a seleção natural te prepara pro futuro.

Não to aqui pra apontar dedos, ou pra especificar o direcionamento desse texto. É só um desabafo de alguém que vem aprendendo tanto a lidar com os outros que não consegue aprender a lidar com dificuldade, e muitas vezes recusa, dos outros em lidar com o mundo. Tampouco entender como tem gente que vive bem e feliz sendo tão inconveniente à vida alheia.

Ser, não sendo…

Cada dia que passa eu me sinto pior como ser humano. A cada dia que passa, eu canso de mim mesma e desejo simplesmente não existir mais. E o engraçado é que eu tento ser o melhor de mim e simplesmente falho a cada tentativa, no mínimo, por pura incapacidade de ser algo melhor do que a medíocre eu que sempre fui.

Não é conformismo e sim constatação. E engraçado é que sempre me senti medíocre como ser humano. Desses últimos não tão benditos dois anos que estou vivendo a mediocridade seria um puta elogio. Chegar à infeliz conclusão de que não ser feito pra viver não é pra qualquer um; só pra privilegiados, aqueles que nunca tiveram nada de realmente bom pra contar ou pra fazer; que nunca foram exemplares em algo; que nunca deram orgulho a ninguém; que nunca foram admirados por nada; que não fazem nada pra ninguém e nem pra si mesmos.

Há quem leia isso e simplesmente diga que eu tenho que agradecer a Deus por ter ‘saúde’ – remédios controlados e psiquiatra aos vinte e poucos anos não é lá o que chamaria de ser saudável –, um teto, familiares que aparentemente me toleram e amigos que, por algum milagre ou sentimento de pena, ainda querem ter contato comigo. Mas sabe de uma coisa? É uma grande palhaçada. É ser mais medíocre do que os próprios medíocres, se contentar com a mediocridade de simplesmente SER. Convenhamos… quando ainda pequenos e nos perguntavam o que gostaríamos de ser quando crescêssemos, por mais simples ou banal que fosse a profissão na visão do ouvinte, desejávamos que aquilo fosse ser importante pra alguém. Todo mundo, de certa forma, procura o sucesso. E esse sucesso não está simplesmente relacionado com profissão ou com notoriedade. É sucesso em SER. Então, como achar que só o fato de respirar e ter pernas funcionais, olhos que enxergam, braços que se movem e voz pra reclamar são suficientes? Não digo que não sou grata pelo que sou e tenho, mas insatisfação faz parte. E no meu caso, grande parte da minha vida e de tudo que me envolvo é simplesmente podre, dispensável, numa linha abaixo da mediocridade. Medíocre pra mim é sinônimo de sucesso, hoje. Parece um abalroado de palavras ridículas e melodramáticas, mas é a mais pura sensação que aflige meu ser a cada processo de inspirar e expirar.

Meus dias são assim: eu acordo e me pergunto: “Por que mais um dia?” E vou fazer o que devo; coisas banais e tudo que vem aparecendo no caminho. No final do dia, inevitavelmente, eu acabo decepcionando alguém. Ou aborrecendo. Ou deixando na mão. Eu sou daquelas pessoas que você NÃO pode contar. E não é que eu não queira ser diferente, mas como já disse, por mais que eu tente, nunca consigo sair disso que sou. Estou exagerando? Não. Sendo bem flexível, dia sim dia não, algo de mim, enche, aborrece, entristece, estressa alguém além de mim.

Eu mesma já estou de saco cheio. E Deus sabe disso. E aí fico me perguntando cadê Ele que permite me viver dessa forma. Me leve daqui, ou me tire desse fundo de poço que parece cada vez mais longe da saída.

Dia como esse que tive hoje são um morde-assopra. Fazem parte daqueles que você acha que vai dar certo, e que nada está tão péssimo, só ruim e às vezes até razoavelmente bom… Mas no final tem um twist e tudo vira merda, tipo um Midas às avessas do século XXI(whatever, joga no Google).

Eu sou completamente desajustada e todos os meus anseios e vontades são banidos por mim, pelos outros e pela sociedade. Tudo aquilo que me daria prazer é completamente limado da minha vida. E a cada dia, a cada tentativa de ser melhor, eu consigo piorar e deixar pessoas na mão, criar falsas expectativas. Tento controlar minha ansiedade, minha óbvia depressão e minha personalidade forte pra que não seja tão ruim quanto pensam, calo-me quando minha vontade é jogar merda no ventilador e faço um grande exercício de pensar em coisas boas, tipo algodão doce, Gerard Butler, chá de morango. Até sub-emprego estou à procura. E aceitando propostas que, sinceramente, por pior que eu seja, está muito abaixo daquilo que eu sei que seria justo pra mim. Só pra tentar viver, tentar não ser tão ruim aos olhos dos outros, tentar ser útil mesmo que de forma cu, tentar chegar em algum lugar.

Porque o pior é chegar onde estou: vendo todo mundo resolvendo resolver a própria vida, acordando e cantando “Morning’s Here”, olhando pro céu e vendo que aquela manhã é o novo começo de novas tentativas e antigas pendências e eu acordando sem querer acordar, falando sem querer falar, convivendo sem capacidade para tal e vivendo sem a menor vontade de viver.

Eu reclamo muito? Talvez.

Mas primeiro, antes de falar, troque de lugar comigo por uma semana. Fique sendo eu, tendo que lembrar de remédios essenciais – e não vitaminas bacaninhas para o corpo – de todo dia, se preocupar com uma cólica ou dor de cabeça e que com outros remédios só acumulam, piorando uma dor de estômago que cultivo há certo tempo. E sinceramente nem quero procurar saber o que é porque não quero mais remédios.

Fique no meu lugar e passe o dia sem motivação pra levantar e fazer as atividades normais, como tomar café, tomar banho, arrumar um armário, ler um livro.

Passe uma semana na minha pele e sinta falta de vontade – não só preguiça por si só – de viver; ter que sorrir quando se quer chorar: sorriso falso é mais aceito do que um choro sincero. Viver com repreensões ‘surpresa’ sobre coisas banais, mas que tem um efeito catastrófico sobre quem sou hoje. Não ter vontade e até sentir repulsa em estudar, mesmo sabendo que aquilo ali é a porta da esperança para dias melhores, liberdade, realizações, um passo largo a frente, uma injeção de esperança, de futuro garantido…

E, como disse a uma amiga esta semana que passou: “no que me apoiar?” Cadê aquele ponto positivo que todo mundo tem na vida pra achar que outras áreas podem rolar, melhorar, chegar a algum lugar? Não consigo melhorar dessa maldita doença; pelo contrário, estou me tornando tudo que sempre critiquei. Não tenho alguém que me ame e, sinceramente, não vou  ou mereço ter esse alguém; porque ninguém gosta de gente mau humorada ou triste ou chorosa, ou que nem levante da cama. E pior, sem auto-estima. Não tenho como exercer minha profissão, que por mais árduo que seja o mercado de trabalho, eu estava disposta a tentar, mas eu não tenho carteira. Mesmo tendo tentado com tudo que tinha e como pude. Pessoas que se formaram depois de mim já têm, mas eu não. E como não se sentir inferior?

Não posso ou mesmo consigo, encarar outra faculdade neste momento. O que quero requer de mim um conhecimento que não tenho mais, que demoraria certo tempo e despenderia dinheiro para consegui-lo. Mas não tenho emprego e nem 17 anos pra achar normal pedir pra família bancar. Esta que deveria ser minha base, meu ponto de apoio, é a raiz de muitos aborrecimentos e acaba sendo fruto de tristezas pra todas as partes envolvidas.

Como já disse, concursos requerem estudo e simplesmente falta-me forçar para tal.

Minha última – e ironicamente a primeira – opção, seria viajar. Ver outras coisas, viver novas experiências. Mas pras condições financeiras da minha família atualmente, isto seria um luxo que não se pode bancar. Pelo menos até onde eu saiba. O único lugar pra onde poderia viajar é onde realmente poderia me jogar pela janela sem pensar duas vezes.

Minha vida não é fácil. E não digo que todos têm vidas fáceis. Mas as pessoas se realizam de alguma forma. Seja conquistando algo que querem, ou tendo um suporte familiar ou de um alguém especial; a realização da profissão dos seus sonhos; ou mesmo o exercício daquilo que foi estudado na fase mais marcante da nossa vida. Algumas das coisas que me dariam certo prazer ou estão financeiramente inviáveis ou eu simplesmente não tenho condições de usufruir por tudo que sou hoje. Não sou confiável, não consigo ser responsável. Se com momentos de lazer eu deixo pessoas na mão, em situações que requerem compromisso, não posso mais fazê-lo com a certeza de que estarei 100% capaz de verdadeiramente me comprometer. E não é por não querer, é por simplesmente não conseguir, repito. Vivo com uma força negativa muito mais forte do que eu gostaria que fosse; com um (sub)consciente muito mais doente que o da maioria; com uma esperança que não existe. Eu finjo ou tento me convencer de que esta ainda tenho, mas a cada dia, a cada tropeço dos vários que tenho diariamente, é como se fosse um estalo me dizendo pra acordar, porque dias melhores só em sonhos mesmo.

E, quando eu era nova, meus sonhos eram o que me faziam acordar todo dia. Hoje, só acordo porque o sono acaba. Os sonhos? Estes já acabaram. E a mim resta ser do jeito que sou; e não SER como todos os outros estão e/ou pior, que esperam de mim.