Que venha o próximo.

Porque hoje foi dia.
Dia de dizer “eu to afim de você”
Dia de dizer “eu to chateada com você”

Disso tudo, a segunda parte rendeu frutos. E foi bom expor, apesar da minha resistência.
Porque amizade é algo que deve ser recíproco e se não está sendo assim, talvez nem valha a pena gastar energia tentando recuperar o que nunca existiu.
Conversar abre a mente, porém. A gente entende o outro. O outro entende a gente. E a gente vê que precisa ceder e a pessoa também.
E a pessoa, o amigo, entende que as pessoas são diferentes e que cada um reage e age de forma distinta. E que cada um demanda coisas diferentes e que não dá pra generalizar.
E foi bom. Foi DR. E foi bom.
E me senti mais leve, mais clara, melhor esclarecida, mais segura e feliz de saber que eu não to ultrapassando limites, não to exagerando nas minhas insatisfações.
Amizade é espelho.

Sentimentos de carinho também é espelho.
E falar isso, assim como qualquer outro sentimento, faz tudo ficar bem. Seja porque é recíproco, seja porque a amizade fica e o sentimento passa. E é esse o caso. Vai passar.
Falar me fez bem. Mesmo que eu tenha feito no impulso porque eu tava explodindo e da forma que não queria, fez bem. Mesmo ele tendo dito que conversaríamos depois e tendo conversado comigo depois não ter tocado no assunto, me fez bem.
Que seja assim então e que a amizade permaneça. Vale bastante e vale a pena.

Queria um abraço com intenções, um beijo bem dado, uma sussurrada no ouvido, quem não quer?
Mas to aprendendo, sempre e cada vez mais ciente disso, é que tem gente que não foi feita pro amor. Talvez seja o meu caso.
Preferia não sentir nada por ninguém e voltando a tomar meus remédios, isso vai acontecer, a libido diminui e fica bem sussa lidar com pessoas, em todos os sentidos, por sinal.

Queria conversar, mas preciso dar espaço. O ciclo em si está fechado, mas é bom finalizar assuntos.

Agora é me preparar pra ser a adulta com a idade que tenho, para lidar com tudo isso com maturidade, me fingir de bem resolvida, ao invés de passar qualquer impressão de constrangimento, e seguir em frente.
Atrás não vem gente, infelizmente.

O que tenho da vida, porém, é isso. É o que ela me dá apesar de exaustivamente pedir mais, muito mais.

Vai passar. Mas vida, tá mais que na hora de ser mais generosa comigo.

Amizade: ok.
Amor: parece que fica pra próxima e, por favor, que tenha próxima.

Cansei

Queria saber como ser uma pessoa light, positiva, de bem com a vida.
Acho que tem muita coisa a ver com depressão, mas me pergunto se eu sou assim por natureza.

E sendo assim, será que alguém vai gostar de mim de verdade algum dia? De novo? Porque sinto que piorei com os anos. Tudo piorou.

Hoje o problema é: estou de saco cheio de tudo e de todos, porém preciso conversar com alguém sobre isso, mesmo que eu esteja de saco cheio desse alguém também.
Cansei de tudo, de me sentir sempre preterida, de achar que as pessoas não tem o mesmo carinho por mim que tenho com elas.
Na real cansei de tudo à minha volta. Por mim, fazia uma mochila e ia viver em qualquer outro canto.
Cansei de tentar entender o que há de errado em mim pra eu ser assim.
Cansei de sentir vontade de chorar, cansei das obrigações familiares, cansei de ficar o dia todo deitada, cansei de tudo.

Não sei como mudar isso, preciso primeiro mudar a mim mas acho que preciso ser medicada de novo e isso só vai acontecer no final do mês. Preciso me agüentar até lá.

Ai, cansei.
Bj

P.s.: quanta coisa misturada. E pensar que isso aqui é só um pedaço da minha mente…

Nem só de álcool se embebece* o homem.

Tenho andado com preguiça de dormir. De noite mesmo. Não quero.
Engraçado que não é porque quero aproveitar mais a vida, quando não se tem dinheiro, fica difícil. O mundo é caro, o Rio mais caro ainda.

Tô meio encantada por um cara. Eu sinceramente não sei qual é a dele, mas conhecendo o meu histórico de gostar de quem não gosta de mim (e isso pode ser aplicado a QUALQUER HOMEM DA FACE DA TERRA), acho que ele me vê como amiga.
Não sei paquerar, ele não dá lá grandes sinais de que tá fazendo qualquer coisa parecida com isso também. Poderia muito bem arriscar e dizer que tô afim dele, mas esse lance todo de exposição não é muito comigo… Não tenho atitude e não gosto de arriscar. Não sou bonita nem interessante. Faz sentido eu ser forever alone…

Tudo isso pra dizer que ando ficando bêbada de sono e o efeito é parecido com o do álcool. No dia seguinte eu normalmente não me lembro de muita coisa e sempre acordo confusa.

Bottom line, preciso deixar de ser teimosa e ceder aos encantos do sono. E ceder à minha vontade de sair da coordenação e viver minha vida. E parar de me encantar por pessoas, já que o contrário nunca acontece mesmo.

Já tá dando pra morrer e nascer de novo? Tipo mais bonita, bem resolvida, tranqüila e alto astral??

*gente, essa palavra existe?

Enquanto eu não entender que as pessoas tem coisas diferentes a acrescentar a vida das outras, não serei capaz de me achar uma boa amiga, ou uma boa companhia.

Na real, não vejo o porquê de pessoas terem o mínimo interesse em me ter por perto e isso, sinceramente, só me faz querer ficar longe de tudo e de todos.

Sabe o que é mais engraçado nesse post de hoje? Eu to numa vibe muito boa nós últimos tempos. Tem motivo, ou pessoa, como melhor acharem válido classificar.
Mas esse tema é algo que me pega e justifica toda a minha incapacidade de me considerar um ser interessante, inclusive romanticamente.

Preciso me aceitar. Talvez eu nem seja interessante mesmo, mas tenho, então, que me aceitar assim.

Que Deus me ajude.

Madrugada e eu de volta aqui.

7 meses completos sem emprego. E faltando entrevistas. Ou recusando propostas.

Desesperadamente querendo sair de casa. E sem dinheiro.

Saindo da coordenação da área porque não dá mais pra mim.

Depressão batendo forte e consulta só pra daqui a 2 meses. E sem remédio.

Sem estudar pra conseguir dar uma guinada nesse status quo que estou.

Parece que minha vida não anda. Ou porque não tenho força de vontade, ou porque as variáveis não ajudam muito.
Mas sempre nessa situação.

Tô envelhecendo e não vejo muito futuro promissor pela frente, o que me envergonha muito.

Tenho apoio dos amigos. Não muito da família. E nenhum ânimo vem de dentro.

Isso é péssimo.

Será que algum dia tudo vai mudar?

Será que sou frouxa mesmo? Preguiçosa, acomodada ou qualquer coisa que o valha?

Sinceramente não sei.

Tinha planos no começo do ano, estava animada e de repente tudo mudou. E parece que é sempre assim.

Ando desanimada pelo tanto de desânimo que trago dentro de mim. É triste.

E acho que não sei mudar isso.

Acho que, talvez, eu realmente ainda precise de remédios por um bom tempo até sentir que a vida tem algum propósito, porque no momento não vejo nenhum.

Escrever, talvez também, seja algo que me resta. E assim vou seguindo colocando pra fora o que sinto. Conselho de um amigo meu.

Hoje roí todas as unhas que já estavam roídas e crescendo. E senti muita fome o tempo todo.

Hoje não dormi de tarde, mas acordei tarde. Se bem que é o que faço nesses últimos meses.

Tô incomodada. Mesmo que não pareça.

Acho que tenho medo de mudanças e do futuro. De tudo mudar. De de fato arranjar um emprego e ter grana pra sair de casa e ter que enfrentar o turbilhão de julgamentos que vou receber por conta disso.

Mas agora o desespero é de não conseguir trabalhar novamente. Pelo menos não em algo que considere ok pra mim. Tenho muitas questões de autoafirmação com empregos.

Tô doente agora. Muito gripada. Numa quinta a garganta começou a doer. Sexta, depois da balada, fiquei rouca. Sábado bebi e falei e dancei e acordei completamente sem voz e me sentindo mega mal no domingo. Tudo errado. Agora a tosse tá menos pior, mas meu corpo dói de tanto esforço. De noite piora e de manhã me acorda. A voz tá voltando. Minha mãe só resolveu perguntar se estava tudo ok hoje, terça, depois que me viu perambulando pela casa de madrugada. E me fazia repetir que estava bem ou não, mesmo sabendo que estou sem voz. Certeza que ela tava me provocando.

Tô cansada, sabe? De tudo. Dela, da vida, de me sentir inferior, gorda e feia. De estar em casa o tempo todo, de não ter dinheiro, de ter amigos bem sucedidos ou encaminhados na vida. E não, não é inveja, é me sentir muito pouco perto deles e pra eles. Não acho justo com nenhuma das partes.

Não sei. É o que penso agora. Tá tudo meio ruim.

E agora tô desistindo da última coisa que fazia sentido pra mim. Porque não dá mais, porque tô insatisfeita, porque fazer tanta coisa praticamente sozinha me estafou e ao mesmo tempo ter gente que não entendia meu trabalho metendo o bedelho sem saber o que tava falando me irritou. É uma decisão muito séria, eu realmente acredito no trabalho da ONG, mas tenho meus limites e acho que cheguei nele. Hoje chorei por conta disso, até começar a tossir e ser obrigada a engolir choro.

Decisões. Decisões. Não tá fácil.

Decidi ir dormir agora. São quase 4 e amanhã, sei lá, vai ser outro dia. Mais tosse, mais falta de convívio, mais frustração… mas vai que a vida melhora, né? Há de se ter esperança, minimamente.

Desde o dia em que me perguntaram sobre minhas cicatrizes, eu venho pensando demais na vida, nas coisas que já me aconteceram e nas decisões que tomei.

Primeiro.
É muito difícil abstrair o fato de que eu tenho marcas de um passado tenebroso e, apesar de sempre evitar mostra-las, descobri que não prestava muita atenção nelas no meu dia-a-dia. Desde dezembro parece que recebo um lembrete diário do google agenda me informando que sim, elas existem e estão ali e não tem como evitar. E também não sei por quanto tempo consigo evitar a curiosidade das pessoas. O fato é que ninguém precisa saber, mas eu posso escolher contar. E essa decisão é bem complicada, mas talvez necessária pra eu começar a aceitar de verdade quem eu sou e tudo o que vem nesse meu pacotinho.

Sobre decisões.
Acho que estou tomando decisões certas na vida, pela primeira vez. Tenho plena consciência que perdi muito tempo na vida escolhendo caminhos errados porque eram os que eu conseguia escolher, sempre tão deprimida. E também cheguei à conclusão de que outras escolhas de vida foram afetadas pela minha mãe, que não se incomoda com o medíocre. Eu a amo, mas estar segura, sempre, porque é melhor assim, não é opção. É comodismo. Melhor, é uma opção cômoda. Talvez eu não queira mais isso pra mim. Talvez desta vez eu esteja fazendo o certo, talvez não, mas sei que não tem nada de cômodo no que estou fazendo. E sei que pode dar errado, mas pelo menos eu terei tentado.

Não sei ao certo onde esse ano vai acabar inclusive porque ele só está começando e tem muita estrada pela frente. Mas espero, de alma, que seja um ano de aceitação de vida, de decisão, de pessoas. Minha torcida é grande e faz ‘olé’.

 

É difícil dizer em que momento as coisas pioraram. Elas simplesmente aconteceram, as situações. Mas teve momento pior que outro, teve hora que eu tive vontade de surtar. Teve de tudo. E depois que comecei a trabalhar na ONG percebi que não faz muito sentido continuar insatisfeito com algo e não mudar e também fazer coisas que vão contra seus princípios, ou estar em lugares que os violam, ou mesmo não acreditar na organização que você faz parte.

Eu não acredito mais na minha empresa. Não acredito no que ela representa, na visão, missão e valores que ela divulga tão arduamente entre seus funcionários. Pra mim é tudo conversa. Não acredito já faz um tempo. Não dá pra acreditar numa empresa que prega que você tem que ser remunerado pelo que faz, mas te pede pra fazer certas coisas que vão muito além das suas funções e mal dá um ‘muito obrigado’. Uma empresa que diz dar chance de crescimento profissional e na verdade, na melhor das hipóteses, você vai morrer naquele cargo de merda de quando você entrou.

Lógico que isso não se aplica a todos, mas a uma parcela, esta que não faz parte da panelinha das pessoas influentes e tomadoras de decisão do escritório.

Hoje tive uma conversa com minha chefe, daquelas esclarecedoras. Ela de um lado dizendo o quanto meu rendimento caiu e eu declarando que estou insatisfeita, que vir trabalhar é uma dor, que não faço parte da equipe, que não nasci pra morrer no mesmo carguinho para o qual fui contratada. E o mais interessante foi a reação dela. Os olhos arregalavam a cada declaração e por vezes ela dizia que eu não estava sendo profissional. Na verdade fui sim, só que muito sincera. E isto que incomodou. As pessoas não estão acostumadas a ouvir verdades. Sempre esperam aquela coisa mascarada, cheia de floreios e rimas bonitas. Por muito tempo fui de fazer esse tipo de discurso, mas hoje não tenho muita coisa a perder e não dá pra aguentar a minha situação por muito mais tempo.

Confesso que foi um dos meus únicos atos de coragem na vida. E saí de alma lavada.

Agora estou aqui esperando pelo momento e pelo dia em que ela me dispensará e eu ainda direi mais algumas coisas que ela também não vai querer ouvir, mas que eu vou gostar de dizer.

E sairei de consciência limpa, alma lavada, corpo leve. E é o que importa.

Estou sendo influenciada a voltar a estudar música.

Numa mesa de bar, eu e mais alguns amigos começamos uma conversa despretensiosa sobre música e comentei sobre o que já havia estudado e as circunstâncias pelas quais parei. Em meio à cerveja que bebíamos, pareceu meio louco eu não ter voltado a estudar, principalmente pelo fato de ter querido fazer faculdade de música.

Eu sou muito ingênua, e não percebi pra onde a conversa se encaminhara até me ver envolta nela. Um amigo que toca piano simplesmente feliz com o meu talento e me incentivando a estudar com ele. Expliquei que não lembro mais de teoria musical e nunca fui boa em ler partituras. E esse comentário foi o que culminou num momento de profunda animação entre eles. Eu, aparentemente, tenho algum talento adormecido. Eu, que nunca lia as partituras direito, mas tocava com aquilo que ouvia, estou perdendo tempo e deveria estudar e tocar e, por que não, cantar.

Essas coisas me assustam. Novidades me assustam. Pessoas que de certo modo acreditam em mim também.
Acho que não estou acostumada com isso; com incentivo. Passei grande parte da minha vida fazendo o que ninguém queria que eu fizesse, ou fazendo o que todos queriam, pra evitar o conflito. Desta vez querem que eu faça algo e, apesar do medo e do susto, é algo bom pra mim. Me trará uma felicidade infinita. Música é o ar que respiro e poder cantar ou tocar de novo, nossa, é o auge do contentamento.

Estou me influenciando a voltar a estudar música e fazer umas gravações. Mas o momento é o pior, não tenho mais tempo pra me dedicar a alguma coisa. Ao mesmo tempo, não é sempre que coisas boas vêm, pessoas te incentivam e tal.

De qualquer modo estou feliz. Feliz por ver que não é questão de idade, nem de nada disso Principalmente quanto ao incentivo. Fez bem pra mim e sabe-se lá se daqui a alguns meses eu não me aventuro a tocar pra eles?

Eu não pensava como uma possibilidade. Algo em mim fez deletar qualquer desejo da época de faculdade.

Não sei se foram as crises, se foi minha família com seus ideais egoístas. Não sei.

Também não sei se tem a ver com a minha imensa insatisfação com a vida e o que eu fiz dela. Com o trabalho, com a falta de realização profissional.

Sei que agora voltei a estudar. Direito. Fazer jus aos 5 longos e sofridos anos de faculdade, tirar minha OAB e, de alguma forma, me realizar. Não por salários e coisas do tipo, até porque não acho que a profissão permite tanto assim, mas me realizar fazendo algo que eu realmente dou valor e que me fará feliz.

Felicidade. Tá aí uma palavra que há muito tempo não relacionava com Direito. E hoje me peguei pensando no quanto posso ser feliz na área. Não penso em concurso num primeiro momento, e pra muitos e pra minha família isso é um erro grave de percurso. Naquelas famigeradas enquetes dos professores nas salas de aula, nunca levantava a mão como um dos que faziam faculdade pra prestar concurso; nunca foi a minha vibe. Também não estou dizendo que não os tentarei. De qualquer forma, qualquer coisa é melhor do que continuar onde estou, completamente estagnada, sendo desmerecida e sem ter um caminho profissional do qual me orgulhe.

O ano começou assim. Novos e grandes planos. Pareço estar mais madura, o suficiente pra tentar fazer com que eles deem certo ao invés de desistir no caminho. Espero mesmo que eu não desista e talvez isso não aconteça, apesar da grande dificuldade que vou ter pra me atualizar e prestar a prova, depois de quase 3 anos sem estudar absolutamente nada.
Mas enfim. É isso. Estou animada, depois da primeira aula no curso e espero mesmo manter o encantamento com minhas próprias decisões, desta vez mais forte pra rechaçar quem vier me desanimar.

Faltavam-lhe sonhos.
Daqueles sonhos grandes, de encher os olhos, de emocionar ao compartilhar. Faltava-lhe perspectiva de uma vida nova.

Tudo que ele conhecia era do mundinho ao seu redor, as mesmas conversas batidas, os mesmos bares, a mesma vizinhança, os mesmos hábitos de pessoas que o incomodavam. Parecia mesmo que nada poderia mudar, já que sempre tudo foi tão igual.

Quem mudava, na verdade, eram os amigos. Parecia que todos evoluíam e cresciam e amadureciam menos ele. Não, não parecia, era aquilo mesmo. O tempo passava; e sempre tinha aquele – ele – que ficava pra trás. Formatura de amigos mais novos, novo emprego, carreira profissional, casamentos cada vez mais frequentes. E ele vivendo seu status quo como se esperança não houvesse de um dia ver sua vida mudar.

Até que um dia ele conheceu outras pessoas. Outra realidade. Havia mais lá fora, mais do que ele conhecia e conseguia imaginar até então. E conviver com outras vidas e outras histórias abriu um mar de opções à sua frente e o fez questionar tudo que ele estava vivendo e tudo que ele conhecia e acreditava.

As pessoas que o rodeavam não faziam ideia do quanto foram importantes pra que ele enxergasse além da bolha em que vivia. Outras histórias, outros pontos de vista, outras opiniões, novas rotinas. Tudo contribuía para que ele conseguisse se reerguer das cinzas que ele mesmo fabricara, da sua vida mais ou menos, do fatalismo que achava viver. As pessoas começaram a fazer parte da sua vida, mesmo que de forma discreta, mesmo não se tornando amigos, mas apenas como meros colegas. E cada história de vida, cada piada inédita, cada personalidade e senso de humor foram o transformando.

Ele não era mais alguém sem perspectiva, mas uma pessoa que via a possibilidade de mudança em tudo que fazia e vivia, porque ele fazia parte da mudança de vida de outras pessoas. Conseguiu ver que a vida não é uma bolha, os sonhos podem ser reconstruídos, as pessoas podem, sim, alterar o rumo da história. Não tinha idade, background ou qualquer outra coisa que o impedisse de ter esperanças.

E então o ano virou. Ele não sabe o que o espera pelos próximos 365 dias à frente. Mas sabe que chegou até ali desconstruído de todos os pré-conceitos que ele mesmo criara, de todas as certezas que nutria dentro de si. Ele sabia que a partir daquele momento, daquele  “3, 2, 1, feliz ano novo” tudo poderia mudar. É só uma data, só mais um dia, mas é onde a esperança mora, e que ele aprendeu ter durante o ano que passou. E apesar disso tudo ele tem consciência de que a vida pode dar errado, que nenhuma das metas podem ser alcançadas, que eventuais problemas podem aparecer. Mas também sabe que sempre haverá outra virada, outras pessoas, outros planos e outros problemas.

Ele não era o mesmo ser humano que as pessoas conheciam. Ele era mais. Mais dele mesmo, mais pros outros, mais cheio de si, mais confiante. Mais maduro e consciente do mundo ao seu redor.

Segurando uma taça de champagne, mentalizou tudo de bom que viveu, tudo o que pretende viver, olhou pra lua e se desejou um feliz ano novo.