Alterego

Completar 25 anos não estava nos planos dela. Nunca imaginava que em algum momento continuaria respirando e vivendo por tanto tempo.Ela sabia – e como sabia – que era uma dádiva e deveria aproveitar a chance que Deus tinha dado.
Enquanto pensava o quanto tantos anos pesam, ficou a imaginar se realmente merecia tanto.
Não é todo dia que uma pessoa tão jovem conseguia nutrir sentimento de repulsa por si mesmo; nunca, na cabeça dela, alguém dessa idade passaria tanto tempo tomando remédios controlados. Muito menos que precisasse disso.
Aos 25 anos ela achava que já teria conquistado alguma coisa que estivesse em seu caderninho de realizações. Mas nada daquilo aconteceu.
Pra ela, uma menina cheia de sonhos e (des)ilusões, viver tinha se tornado uma obrigação, das mais chatas. Acordar cedo, estudar, trabalhar…. Nada daquilo a agradava.
O futuro, ali na frente, a todo o momento e a cada segundo, era sempre uma incógnita. A falta de personalidade, a falta de vontade, talvez, a fazia duvidar de todas as decisões que tomava. Nada durava tanto tempo quanto deveria. A persistência em sua vida só se mostrava nas horas de sono que, com prazer, dormia.
Sorte? Nunca teve. Se achava a mais azarada dos seres. Via na criação de Deus uma grande brincadeira de mau gosto: colocou-se tudo de esquisito, de rejeitável, de dúbio, de ruim e de razoável. Só queria mesmo era ganhar um bingo, ou mesmo um sorteio. Ou ter entrado na fila da beleza alguma vez….
A família era interessante. Cheia de padrões, de estigmas, de preconceitos.
E ela, fatalmente, não se encaixava. Não entendia a rejeição pelo Rock, pela noite, pelos chás, pela noite, pela sinuca. E a falta de aceitação a incomodava. E a consumia. E a tornava cada vez menor como aquela que ela se tornara.
Não a agradava ser tão forçosamente dependente de sua família, de ter tão pouca voz sobre as coisas que eram importantes pra ela – uma impotência sem fim – pensava…
Seu sonho era fazer o que o coração mandar e o que a vontade deixar, sem culpa.
Romance? Ah! Nada de romances pra esta mocinha. A sorte não batia no coração também. A tal “sorte no jogo, azar no amor” funcionava bastante. E com 25 anos ela sonhava já ter se resolvido. Quando criança jurava que já teria sua casa no campo e seu marido e seu filho. Ou mesmo estaria morando sozinha, com seus 8 gatos, como literalmente sonhou na infância.
Hoje, aos 25 anos ela só sonha com paz. Com independência. Com felicidade. Os sonhos se tornaram tão pequenos, tão simples. O que ela mais quer é o básico. É o essencial. O mínimo pra se viver.
Mas ainda se permite sonhar os sonhos não tão simples, mas aqueles que todos sonham também. Sonhos de amor, de segurança, de sucesso profissional. A rejeição da vida tinha um gosto amargo, mas a bondade de seu coração persistia em desejar tudo isso e mais um pouco.
E hoje, ao completar ¼ de século, a esperança bate a porta e se renova, para mais 25 anos que se seguem. E, como criança que um dia foi, não imagina o que pode vir, sequer imagina que podem vir mais 25 anos. E essa criança que ainda existe nela, só deseja o melhor e o pior. Deseja o ruim e o bom. Deseja 25 anos melhores vividos.

Post Scriptum: esse post é ligação direta com este: http://wp.me/p4oe1-G

O Dia Depois de Amanhã…

Alguns anos se passaram pra que eu pudesse ver algo de bom na velhice. Não que ganhar rugas, ficar fraca, baixar imunidade, visitar médicos com muito mais regularidade, ter memória enfraquecida e tantas outras coisas sejam verdadeiramente boas. Aliás, nunca vi nada de bom em envelhecer.

De uma hora pra outra ‘percebi’ que estou envelhecendo. Não falo de anos que passaram, mas da minha memória, que nunca foi muito boa e anda cada vez pior; falo da mega dificuldade em emagrecer fazendo as mesmas coisas que antigamente me garantiam resultados mais rápidos. Também não digo velhice quanto à idade mental ou coisa do tipo. Isso é questão de retardo, no melhor sentido da palavra.
E não, não sou velha. Mas a velhice chega. E quando chega, não tem como não perceber. Vejo nos olhos da minha avó, nas reações da minha mãe. O que é na aparência um incômodo, é na verdade a beleza de se viver e acolher dentro de si mesmo, tantos anos, tantas coisas ruins e boas e se tornar um ser humano admirável. Ou não. Mas não falo destes. Estes não admiráveis não aproveitaram seus anos pra fazerem algo de bom a ninguém além da própria sombra. E ser assim não quero. E nem quero ser presidente de nada ou alguém. Não quero ser modelo pra criança alguma. Quero só ter a certeza de que os anos passaram e eu os aproveitei pra colher todas as rugas, todos os fios de cabelo branco – precoces ou não – todos os não, todos os sim, todas as aprovações e reprovações.

A morte é certa, e lidar com ela é de um exercício pior que muitos dias de educação física no colégio. Mas a cada dia vejo a inevitabilidade de olhá-la nos olhos, enfrentar com a coragem que nos é devida. Mas sei que ela vem na hora certa. Não necessariamente na idade certa. Mas com essa velhice que adquiro a cada segundo compreendo que cada um vive o tanto que lhe é permitido viver. Não retiro daqui qualquer possibilidade de “mudança de rota”. Mas vivemos o que queremos. E somos o que vivemos.
E estou feliz. Porque percebi a beleza da dor nas costas; porque vista cansada é conseqüência de ótimos hábitos; porque falta de ar numa corrida de 500 metros pode ser um sinal pra parar ou mesmo pra começar a pensar em fazer caminhadas diárias.

À velhice toda reverência que merece. Toda atenção um dia dispersada; todos os meus dias por vir e os dias que foram: que eles formem de mim uma velha ‘caquética’, se preciso, mas com respeito à vida, aos momentos, às experiências vividas e as frustradas. Que eu olhe pra trás e curta as minúcias dos segundos que um dia me concederam cada cabelo branco, cada espinha de estresse, cada ruga ao redor dos olhos.
À velhice, tudo que hoje sou, pra amanhã ser isso tudo e mais um pouco. Todos os anos e muitos outros.


post scriptum: o título dele era este mesmo mas o que pensei originalmente e o que tinha ficado como link foi “Antes fosse Piratas do Caribe”. Juro que ri alto.

Qual é a da mentira e outros tópicos nada interessantes. Vá ler um livro.

Aff!
Não sei por que parei pra ler meu último texto. Nada contra ele, exatamente. Tudo contra mim.
Tudo bem, começo dizendo que um PÉSSIMO humor habita meu ser. Por si só, isso já é motivo pra não ter aberto este blog. Mas tudo bem, abri. Podia ter ficado só no ‘add new post’, mas nãooooo, não, a idiota tinha que ler o que estava escrito.

Não sei quem escreveu aquilo aqui embaixo ou quem escreve estas linhas. Ou talvez eu seja bipolar. Não sei.

Só sei que, na boa? Eu não fui nada modesta sobre coisas que eu NEM SOU!!!
Eu não sou boa filha, boa neta, boa sobrinha e/ou boa prima. Ou pelo menos não sou como gostariam que eu fosse e isso já é suficiente(pra mim. SUA opinião, creio eu que APENAS hoje, realmente não me importa). Esses dias natalinos e de ano novo são sempre bons pra me fazerem ver o quanto ainda falta pra ser realmente alguém bacana. É só imaginar como um serzinho como eu se comporta em dias de mau humor como este. Nem eu me suporto. Acho que falei o equivalente ao que falo em 1 minuto, considerando que cuspo palavras como quem respira. Meus lábios estão quase selados. Não posso ser, portanto, uma boa blablablá wiskas sachê que falei aí em cima.

Boa amiga?! Come on! Eu sumo, não dou notícia, fujo das pessoas (por medo, confesso. Não, não sofro de nenhuma “sociopatia”. Eu acho…)… Já me deram algumas broncas nesse ano que GRAÇAS A DEUS está acabando. Eu juro que tento, mas como falho comigo mesma, não creio ser possível acertar com os outros.
Meus amigos são até muito bons pra mim; me aturam, me procuram, respeitam meu espaço, perdoam meus atrasos e meus inúmeros e incontáveis furos. Eu JURO que tento ser melhor, mas simplesmente não tenho tempo de terapia suficiente pra modificar certos (maus) hábitos meus.

E como mencionei esses dias festivos, vamos falar sobre eles, shall we?!
Bem, como de praxe, estão sendo os dias mais longos do ano. E, também como de praxe, os dias que menos gosto durante o ano. Só perdem pr’aqueles dias “sinistros”, cheios de tragédias ou muito estresse.. Lê aí pra baixo que você acha.

Não nego que a hora do “vamos abrir os presentes” é sempre um alívio na minha infinita curiosidade e normalmente as pessoas acertam no que me dar. Este ano não foi diferente… O ruim, ruim mesmo, foi ver claramente o que a falta de emprego não me permite comprar nem um pacote de balas.

Ainda tá pra vir o New Year’s Eve. ODEIO. Um bando de rituais esquisitos, quando não obrigatórios, como na minha família, pra ver dar meia-noite num relógio. Oi??!?! São 364 meia-noites  (sem falar de ano bissexto) antes desse e nem por isso as pessoas dão valor. E não, não me venha com xurumelas que “vira o ano” porque absolutamente nada muda: você vai continuar com aquela espinha na testa, com os 5kg a mais da ceia de Natal, as resoluções pro ano vindouro são as mesmas do ano que passou e você não cumpriu. NADA MUDA a não ser o calendário. E a cada dia minha vontade de passar esse dia dormindo, com altas doses de Rivotril ou Lexotan na minha corrente sanguínea, aumenta.

Acho que já deu. Já reclamei do que tinha do que reclamar e já falei p que tinha que falar. Mas que fique claro: esse último post aí foi coisa de gente bêbada. De vez em quando eu fico, mas nem foi o caso. Acredito que uma força interior me impeliu a dizer tantas linhas de mentira. Mas todo mundo mente, né? Então desconsidera o post aqui. Sim, este mesmo. Deixa a mentira fluir… pode ser que um dia vire verdade.

Post Scriptum: fico verdadeiramente lisonjeada a ser comparada ao autor do livro mais fodástico que já li(disparado na frente de alguns prediletos como “Conte-me Seus Sonhos” do tio Sidney Sheldon e “Feliz Ano Velho“, de Marcelo Rubens Paiva.).  Não acredito que seja párea pra tanto, mas de coração, agradeço o elogio! Thanks!

[Não] Juro Parar de Reclamar.

O fim do ano se aproxima e já tive uma prova de como vai ser meu dezembro/janeiro. E como sempre, odiei. Acho que eu sou algo que não sirvo pra algo que pessoas servem, em todos os sentidos. Acho que nem pra filha eu sirvo, porque se minha mãe se surpreende com a minha solidariedade algo de errado tem.

E talvez não sirva como amiga porque aparentemente eu não dou atenção adequada a todos de forma igualitária; me disseram que eu escolho os programas que quero fazer e com quem fazer; se isso for verdade só mostra que eu sou uma imbecil. E sou mais imbecil ainda por me preocupar com quem nem minha amiga quer mais ser. E eu nem sei porque!

Aí, as que ainda tentam, as guerreiras, um dia vão desistir e eu vou acabar como Tom Hanks e uma bola de vôlei. Enlouquecida e falando com objetos. A impressão que tenho é que não estou tão longe assim mas preciso acreditar que ainda não sou maluca de todo.

E penso: se não sou capaz de ter a estima da minha família, a atenção das minhas amigas, quem sou eu pra querer um cara? E pior, eu só quero cara que quer outra. Ou vem com aquele papinho de “não quero me envolver agora”. Valeu então. Valeu por elevar eu ego e depois trancafiá-lo no primeiro bueiro que passar.

Sabe qual o meu problema? Eu não consigo viver no mais ou menos. Ou acho que tá tudo bem, o que só mostra um lado completamente alienado e enlouquecido ou vivo no meu pessimismo adquirido na infância, quando roubavam meu lanche e me chamavam de chorona. Ainda vou aprender a dar uma de Obama e nação estadunidense e falar “Yes ‘I’ can”. Mas quando tento, vem um espírito de porco e diz que se eu não passo na OAB não será na prova mais difícil do país que isso vai acontecer. E não, não é pra juiz. E não, não vou continuar a falar nela.

Talvez eu deva escutar mais as pessoas, porque como sou muito teimosa esqueço que não faço parte da nata intelectual da sociedade e a única coisa que sei fazer direito é ser debochada, sarcástica e engordar. O que já me foi dito que são formas de mascarar seja lá o que for de mim.

E pronto, ta aí; não sou uma boa persona familiar, não dou pra ser namorada de ninguém,  não sirvo pra querer ser profissionalmente quem quero ser, não sirvo nem como boa paciente de terapia,  sem contar que minhas amigas são realmente insistentes, já que eu sou seletiva e muito ruim nesse lance de relacionamento interpessoal.

Se pudesse saía correndo igual Forrest Gump, teria um ano sabático, viraria ermitã, voltava 5 anos e não faria faculdade de Direito, me acostumava com o fato de não ser brilhante em porra nenhuma e coisa que se faz necessário pr’aquilo que chamei de meus planos . Sem contar que a melhor de todas as decisões seria me tornar celibatária, porque, convenhamos, to de saco cheio dessa minha vida que aparentemente se divide também em ‘amorosa’.

Meu gosto musical não agrada à massa, meu estilo indefinido de me vestir confunde até a mim, minha mãe trata a sobrinha como a neta que ela acha que nunca vai ter, meu cabelo me desaponta, não consigo emprego como nada, tampouco acredito que um dia vou ter sucesso na carreira; já vislumbro meus 45 anos morando com minha mãe e ainda pensando no que vou fazer no ano seguinte.

Se pelo menos minhas unhas crescessem fortes pra que eu pudesse pintar de preto e ser menos infeliz nesse momento, ficaria agradecida.


Enlouquecendo? Mode out loud: on

“Diz que deu, diz que Deus, diz que Deus dará,
Não vou duvidar,ô nega e se Deus não dá, como é que vai ficar, ô nega?
Diz que deu, diz que dá, e se Deus negar, ô nega
Eu vou me indignar e chega, Deus dará, deus dará
Deus é um cara gozador, adora brincadeira
Pois prá me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro
Na barriga da miséria nasci batuqueiro
Eu sou do Rio de Janeiro”


Estou há 2 dias com esse trecho da Música de Chico. Tá que a letra em si nada teria a ver comigo. A questão é interpretá-la. A música toda. Não, não modificá-la. Mas sim ver aos olhos de Chico. A música pode até ser simples, mas pra mim é de um simbolismo magnânimo.

De uns dias pra cá, tudo que tava dando errado conseguiu piorar. Tudo.

Já disse tudo, tudo mesmo? Pois é. Tá sendo a semana mais trash do ano. E só estou sobrevivendo porque sobrevivo assim, de remédio mesmo.

Hoje conseguiram enfiar uma estaca no meu peito. Poucos sabem (ou muitos sabem, já que essa porra de internet é pro mundo inteiro e eu falo disso aqui) do tal Mestrado que resolvi me aventurar. Não passei. E fiquei na boua, levando-se em conta que chamaram apenas 16 pessoas num grupo de 109. Ainda vou descobrir quanto tirei mas to pensando se é ideal.

Mas não foi isso. Ontem o dia já terminou errado quando as coisas que deveriam ter sido terminadas não foram, eu chorei de raiva e não podia, eu gritei com minha mãe e com razão (ela também sabe disso e nem se opôs!!!) e fui dormir me sentindo uma titica.

Acordei um bagaço, fiz milhões de coisas. Descobri que estou me tornando uma pessoa quase pontual e esperar pelos outros realmente me faz querer arrancar os cabelos. Parei na Ilha do Governador, não peguei meu vestido pra sábado, peguei uma chuva do cacete e sujei minha sapatilha.

E, depois de um almoço violento, daqueles de tomar sal de frutas depois, ainda teve torta de abacaxi, torta de chocolate, docinhos, salgadinhos e o bicho todo à quarta potência. Aniversário da tia. E depois, num bate papo informal – infelizmente não num boteco, mas num dos cômodos da casa da minha avó – descobri que eu sou uma imbecil que não cria planos alternativos na vida; que sou muito ingênua de achar que posso passar numa prova (mesmo num futuro distante), considerada hoje a mais difícil do Brasil se não passo nem na OAB.

To vendo que eu sou incapaz de gerenciar minha vida de forma eficiente. Onde coloco o dedo quebro, o que penso fazer dá errado. As pessoas com que resolvo me relacionar ou querem de mim o que não quero delas, ou eu quero delas o que elas não podem me dar, a.k.a., reciprocidade.

Eu sabia que aquele papo de levar tudo numa boa, apesar de nada ter sido efetivamente feito este ano, fatalmente ia me enlouquecer depois de uma ducha fria e uma bofetadas à face. Dá vontade de voltar pro status quo do ano passado, me desesperar, dormir horrores, esquecer do mundo e virar vagaba, porque NADA do que quero eu tenho apoio (e sim, algumas pessoas no mundo me desestimulam…) ou são viáveis ou são reais. E uma das minhas opções foi, aparentemente por água abaixo porque crise econômica americana aumenta a cotação do dólar e oi?!?, não vou pagar rios de dinheiros, pra gastar rios de dinheiro lá fora porque não existe rio algum. Moro no cerrado.
Tá, não moro. É só pra ser enfática. Vai ter gente falando que eu tenho que seguir com meus sonhos e blá blá blá Whiskas Sachê, mas não se vive de sonhos e sim de realidade. E a realidade não é agradável e não tá me ajudando.

Pela primeira vez na vida eu estou absolutamente à toa, sem rumo, sem emprego, sem estudo, sem apoio, sem esperança de mudança, sem saber o que fazer. Eu simplesmente não tenho noção pra solução dos meus problemas.

Ainda mais! Tem gente que me leva a sério quando faço piada, fica puto comigo, eu fico bolada, porque fiz uma piada e a pessoa me interpretou mal, acabo me irritando – porque eu sou irritada (e minha mãe não entende isso!!) – e escutando que não posso ficar irritada, o que não deixa de ser verdade, já que minha mãe não pode se estressar.

Ah é, minha mãe tá doente. Realmente doente. E não consegue fazer repouso. E se não fizer repouso, pode acabar internada. Ou acabar parando. Literalmente. Pode não conseguir andar.

Acordar cedo todos os dias dessa semana acabou com o pouco de esperança de um humor sadio.

Conversar com seres humanos hoje acabou com o pouco que sobrava de esperança em mim.

Tudo acabou.

E nem adianta falar que não, porque agora, hoje, neste momento, nesta lua, na posição desses planetas(!!!), minha opinião não mudará com comentários de incentivos a la Vigilantes do Peso ou, porque não, Alcóolicos Anônimos.

Desculpaê.

Evoluindo ou enlouquecendo?

O que uma vida de ócio constante não faz com um ser humano. Acho que estou na pior onda de “nada pra fazer” da história da minha vida. E olha que “minha vida” tem muitas histórias. Pra todos os gostos, idades, crenças, culturas e etc, heheh.

Meu relógio biológico enlouqueceu de vez. Dá 4 da manhã e estou com a corda toda. É até bem engraçadinho, se não fosse pelo fato de acabar indo dormir umas 5, acordando milhões de vezes até levantar de vez, às 14. E nessa de acordar muito, almoço, volto e durmo mais um pouco. No final das contas meu dia só começa às 17. Engordei horrores. Não consigo ler metade das coisas que PRECISO ler. E quando começo é madrugada.

Confesso que estou prestes a ligar pra todos os canais televisivos e pedir programação melhor nas madrugadas. Poxa vida, só programa ruim de ver, nada interessante… Não posso negar que por conta de coisa melhor pra fazer parei pra pensar, tive um insight ou coisa que o valha por conta de uma conversa de MSN (as pessoas também precisam ir dormir mais tarde, diria meu lado mais egoísta…)

Arredondando, estamos em Novembro. Final de outubro. Semana que vem já é novembro. Fazendo um balanço, o ano foi o seguinte (na ordem que vêm à minha cabeça, e não dos acontecimentos):

  • Estou sem emprego e/ou ocupação desde março;
  • Me apaixonei por Clarice Lispector;
  • Fui a Brasília 2 vezes;
  • Fiz 2 provas para a OAB;
  • Me inscrevi em uma seleção de Mestrado;
  • Me inscrevi em milhões de programas de trainees;
  • Não anulei meus votos, como de costume;
  • Comprei algo em torno de 15 livros, contando os jurídicos;
  • Conheci cerca de 8 bandas/artistas diferentes;
  • Tomei grande quantidade de bebidas alcóolicas;
  • Perdi o medo de Labradores;
  • Descobri que quero um cachorro;
  • Saí pra dançar umas 3 vezes no máximo;
  • Não fui ao cinema nem ao Teatro (sem meia entrada e sem emprego fica um pouco complicado);
  • Fiz 3 cursos diferentes;
  • Pensei mais de 10 vezes em tentar Mestrado em filosofia;
  • Me arrependi mais de 10 vezes de ter comprado esse computador pelo qual escrevo essas baboseiras;
  • Peguei 1 única vez num carro, ri de nervoso, quase tive um treco e bati em carros parados;
  • Perdi o RG em menos de 3 meses depois da 2ª via;
  • Dispensei um trabalho (escravo) na Ilha do Governador;
  • Pensei e pseudo-planejei viagens pra resolver meus problemas pessoais e profissionais;
  • Neguei, casa, comida e roupa lavada em outro estado da federação (adoro essa expressão);
  • Parei de cantar o pouco que cantava;
  • Falei muita coisa que pensava a muita gente que não queria ouvir, incluindo minha mãe;
  • Virei fã de cinema latino e europeu;
  • Fui no Festival do Rio (não importa em que circunstância, please);
  • Fiz um piercing (mas já era pra ter 2);
  • Fiquei com um número razoável de pessoas (rá! acha que vou contar?!?!?), incluindo gays e gagos;
  • Não me apaixonei nenhuma vez (incluindo descobrir que ‘antes só do que mal acompanhada’ é O ditado!);
  • Fiz cálculos realistas sobre o meu futuro.

Bom, parece idiotice, mas o fato é que nem estou enlouquecendo como estava na mesma época do ano passado (tinha milhões de outras variantes também).
Cheguei num nível de evolução humana que, para mim, para minha pessoa, era algo quase inatingível.

Tá, não nego que passar todos os dias em casa, fazer coisa alguma, sem resolver minha vida profissional e me enrolando na amorosa, nunca foi meu sonho. Mas eu to normal, respirando e bem! Cara, que evolução! To tão orgulhosa de mim, colocaria aquelas estrelinhas douradas na minha cabeça, como os professores faziam nos cadernos quando o dever de casa era bem feito!

Daqui a pouco estamos em 2009, não fiz nada, não alcancei nada, não arranjei emprego, tampouco sei o que realmente quero pra minha vida e também nenhum alguém que esteja no mesmo ritmo que o meu e eu não ligo! Uhu!!! E nem ligo que o tempo tá passando e eu to envelhecendo e não tô fazendo nada! Vou viver esse momento de total loucura antes que eu acorde pra realidade e literalmente enlouqueça!

E a dúvida remains…

Estou triste. É péssimo isso. Na verdade às vezes é bom curtir a fossa, mas desta vez to curtindo pra caramba, até demais.
Já não sei mais dizer se é mesmo tristeza. Acho que consegue ser mais profundo.

Minha vida tá um caos desde que o ano começou. Assim meio sem saber o que fazer, e quando se sabe nada dá certo. E é isso que me incomoda.
Vamos lá. Já são 6 meses de formada. Esta crise eu to levando bem, até. Mas, como diz um poema de um conhecido meu “estou muito atrás de meus olhos”. E sinto – melhor, sei – que estou muito atrás de algumas pessoas que se formaram comigo, algo que me incomoda pelo simples fato de eu não ter mais pouca idade. Tá, eu sei que não sou velha, mas o tempo tá passando e nada tá acontecendo.

A cada semana eu achava um propósito diferente. Isto quando comecei a achar que tinha que ter um propósito, ou não tocaria minha vida pós faculdade. E toda semana era um diferente. Aí comecei a ver novos horizontes, novos rumos e aquilo foi me animando. E esses novos rumos foram “down the drain“, enquanto outros, que realmente nunca passaram pela minha cabeça surgiram. E apesar de assustador, inovador e “perigoso”, era algo que me deu um shot de adrenalina impressionante. Parecia que todos os dias eu acordava com uma disposição que não via em mim há anos. E desta vez não é hipérbole.
E a cada dia, eu ia me acostumando com isso, com tanta energia boa vindo de dentro de mim. E achava que estava no caminho certo. E quanto mais eu ia seguindo meu rumo, mais via muros na minha frente.
Cada vez o muro ficava mais alto. E aquele shot de adrenalina se transformou num balde de água fria. Tão fria, tão gélida, que congelou-me de forma tal, que não consigo mexer um palito pra tocar meus planos. As pedrinhas de gelo batiam na minha cabeça como marteladas. E tudo que eu achava que seria bom pra mim, passou a não ter mais futuro no meu futuro.

E hoje cá estou, triste, deprimida, sem esperanças e sem futuro. Porque a felicidade dos outros hoje me incomoda, porque a sinceridade necessária dos outros me desanima, porque eu acho que nada mais do que faço vale a pena.

Não sei se sigo em frente, continuo mudando meus planos a cada semana ou sigo com eles até o fim, perseverando e contando com minha capacidade de conseguir realizá-los. Lógico que qualquer um ia me dar um empurrão no meu ego e dizer que consigo, mas se fosse tão fácil assim comigo, talvez não estivesse aqui escrevendo estas linhas.
Não sei de mais nada, e o que sei me desagrada. Enquanto isso, a dúvida “remains”: passo a bola pra frente ou fujo com ela? Entro à direita ou vou em frente? Caso ou compro uma bicicleta?

E a dúvida remains….

p.s.: só tem um pequeno probleminha… ou eu me resolvo agora, ou eu me resolvo agora. Nem tempo pra pensar eu tenho sobrando…

Adeus Ano Velho (um breve resumo de 2007)

Não vejo a hora de ouvir os fogos de artifício. De ver pessoas se abraçando. De comer as mesmas coisas que comi no Natal. De mandar mensagem pra Deus e o mundo. De receber mensagem de Deus e o mundo.

Na verdade, eu não gosto de nada disso. É só mais uma noite que se vira. Mas minha expectativa está alta. E não é pra ter um 2008 bom. É pra que 2007 termine logo, porque quando eu acho que não podia ficar pior, tenho surpresas nada agradáveis. Lógico que quero um ótimo 2008 e os problemas não irão sumir com o virar de uma noite, mas pelo menos eu sei que EU posso fechar o ciclo de coisas ruins na minha vida e andar pra frente.

Este ano não foi nada bom. Ano de fim de curso e crises monográficas, depressão, fim de noivado, engorda, de fora no 5º dia do ano, de avó quase morrendo, de doenças… Muita coisa aconteceu.. E a lista aí não me inclui somente não… Não estava noiva e sim minha prima. Mas há males que realmente vêm para o bem…

De qualquer forma, o blog é meu e eu quero falar sobre mim e meu ano ruim.

Então… voltando às vacas frias, é necessário que essa bosta de 2007 acabe. E vou acabar vestindo o branco de paz e várias outras cores, pra ver se puxo de tudo um pouco. E eu nem acredito nisso não, mas tô apelando pra todos os lados.

Na verdade, não tenho grandes perspectivas em ter um 2008 muito bom. Vivo com a esperança de ter apenas um ano melhor; porque até então achava que já tinha vivido o pior dos anos. Mas 2007 se superou.

Ano que vem não terá mais faculdade, porém outros desafios, até maiores, virão me sufocar. Mas sei que não vou ter monografia me assombrando dia e noite, noite e dia.

Não terei emprego ou estágio em 2008. Tá, a principio sim, até fevereiro. Mas depois tenho mais 10 meses pela frente, em lugar ainda a definir, tentando ganhar a vida.

Não tive namorados em 2007 (na verdade nunca os tive, se levar a palavra namorado no seu mais estrito sentido). Tinha me proposto a um desafio que demorei a quebrar, mas que, no final das contas valeu a pena. Porém, em nada me acrescentou.

Conheci gente interessante. Me desapontei com quem eu achava interessante (fala sério, homem fofoqueiro é feio demais…), e começei a achar interessante gente que estava do meu lado. Mas continuei apaixonada. Desde 2006. Até o final de 2007. Entrando 2008. Não tenho orgulho disso. Na verdade me bate uma baita vergonha. Não pelo sentimento que tenho, mas de saber que apenas um grande milagre meu relacionamento de amizade poderia mudar com essa pessoa. E mais vergonha ainda por ter passado por tanta coisa durante 12 meses, mas que pelo visto não foram suficientes, ou não me tornaram forte o bastante para seguir com minha vidinha em paz com meu coração.

Viajei com amigos e ainda andei atrás de carro de cerveja. E comprei queijo minas com cor de queijo prato.

Desejei viajar mais. Me frustrei não fazer metade das coisas que meu coração sonhou em fazer. Só pude sonhá-los; o sonho das coisas impossíveis e improváveis. E logo eu que não me guio por sonhos viajei na maionese e me iludi vivendo um mundo distorcido pelos meus próprios olhos e na minha própria mente, que resolveram ver apenas o que lhes conviam, baixando tanto o nível que foram capazes de criar coisas mirabolantes e imbecis.

Passei quase que 2007 inteiro sem cantar. E só agora, quase totalmente sã, devido à ajuda que tenho tido, que percebi o quanto me fez falta. Meu mundo que um dia foi tão cheio de notas e melodias coloridas, agora só toca marcha fúnebre.

Perdi laços de amizade que um dia foram forte. Não com o verdadeiro desejo de perdê-las, mas por fazerem parte do processo dolorido que passei e continuo passando, porém já bastante anestesiada.

Minhas crises de ansiedade me levaram ao topo e ao fundo d poço em questão de horas. Hiperventilei algumas vezes. E dormi nos momentos cruciais, quando na verdade, deveria estar agindo.

Me envergonhei. Por ser estúpida, por ser sincera, por ser sem graça. Por ser eu mesma. E passei da fase de me envergonhar pra fase da não aceitação. E constatação do óbvio. Daquilo que todo mundo realmente vê, mas poucos falam.

Chorei mais do que pitangas. Chorei muito. E realmente fez parte. Teve momentos que achei que ia secar de tanta lágrima derramada. E o choro tinha motivo. Mesmo quando não tinha. E principalmente quando me deparava com ratazanas dentro da minha cozinha. E sozinha em casa.

Dormir também não foi um privilégio. Precisei de ajuda pra isso também. Mas passar o trauma dos ratos demorou bastante. Aí soma isso com os outros problemas e foi um ano de poucas horas de sono. E quando conseguia, minha mente me fazia o favor de me interromper. Noites viradas, vendo o amanhecer chegar. E tirando fotos, pra gravar o momento.

Engordei e muito. E depois de meses emagreci. Foi com sofrimento, vendo uma pessoa que muito amo quase nos deixar. Mas a pessoinha sobreviver e eu continuei com meus quilos perdidos. Ainda tenho uma meta a alcançar, só não sei se terei forças pra tanto…

Mudei o cabelo e fiquei melhor. dizer que fiquei mais bonita, sinceramente não consigo. Mas fiquei melhor. E muita gente achou o mesmo.

Tinha a infelicidade de jogar sinuca uma única vez. Mas felizmente pude beber bastante café e cappuccino em lugares acolhedores…

Enfim, 2007 foi terrível. Pouca coisa sobrou pra contar de bom. Talvez quase nada.
E espero que 2008 supere minhas expectativas, que já estão no nível mais baixo possível e imaginável. Eu nem peço muito, só um ano feliz.

E espero conseguir regularizar minhas vindas a este lugar. Espero cumprir tudo que me prometo e que todos cumpram o que prometem a mim. E que, seja onde eu estiver, que eu seja mais feliz do que onde estou hoje (mesmo que signifique continuar no mesmo lugar)

Só me resta mesmo a esperança de dias melhores… Ou nem isso… Matei a Esperança quando entrou na casa da minha avó numa madrugada dessas… De fato, nada mais me resta, só esperar o ano findar…