Curtas

Então hoje foi o dia. Dia de começar dieta.
Parece estranho, mas precisava começar e não tem dia certo. Domingo é até melhor mesmo.

Passei algumas semanas lendo blogs, vendo receitas e me certificando a respeito da Dieta Dukan.
Ano passado havia tentado mas não consegui passar da fase ataque e não voltei, muito por conta do farelo de aveia e voltar pra mesma dieta foi uma decisão difícil até descobrir vários blogs com várias receitas que me fazem tolerar o gosto da aveia.
Já trouxe pra vida uma receita de pão que ficou ótimo. Gosto zero de farelo de aveia e é bem gostoso.

Quero voltar a malhar, mas depois do feriadão, quando caí no banheiro e ferrei o joelho, não consegui ainda. Parece que terei de voltar ao médico. Já fiz mais de 6 dias de antiinflamatório e nada. Além de ter sido péssimo pra rotina que estava criando de ir pra academia pelo menos 4 vezes na semana, realmente senti falta de ir e acabei relaxando nas poucas coisas que estava fazendo.

Depois dos 30 só tem médico na minha vida. Estou com suspeita de refluxo e, olha que delícia, preciso marcar uma endoscopia. Problema é ter companhia e conseguir horário. Chato isso, mas preciso ir.

Minha vida se resume a essas coisas. Dieta, querer voltar à academia e médicos/remédios. Tenho querido, precisado e tentado sair, fazer coisas, mas estou falida. Faço poucas coisas e abdico de alguns eventos. Mas to tentando bastante, viver é bom e nada como remédios controlados pra fazer a gente voltar a realizar isso.

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I Got 99 Problems And I’m All Of Them

I’m disturbed. In every sense of the word.
Not like those disturbed people you see on Facebook, sharing posts about House MD or some other series character saying how weird and dysfunctional they are.

I’m sick. Sickly disturbed.
Last week I went to my psychiatrist’s appointment and suddenly I found out that my thoughts, that I have been having for 15, 20 years, are not usual, common, okay. Whatsoever.
Suddenly I found out that it is not okay to imagine myself being shot in the back every time I enter my building. Suddenly, thinking about being shot in the back at all, by anyone, by an imaginary enemy, is not something normal people do.
Out of nothing, I discover that imagining myself being filmed just like The Truman Show is not exactly something I should be thinking, since it’s not exactly real.

Dear all, THAT is being disturbed and sick. And because of all that, I add a new medicine to all the medicines I already take every fucking single day. And because of those remedies, I went to the dermatologist, and my face and back are being treated for acne. And tomorrow I’m going to the gastroenterologist tomorrow.

After 30, that’s all I do: I have appointments. A LOT. It’s boring, it’s expensive, it’s tiring. I don’t know why this comes from this time, but I choke every dawn and feel heartburn every single day. Imagine how nice I feel, huh?

Living is nice, as anyone can see. Being this weird, even better then.

I just needed to say how weird I feel for feeling and thinking weird stuff, now acknowledging it’s not usual and not even close to normal. I could not say all these in Portuguese just because I couldn’t; it’d sound a lot worse  than it already is…

In the other hand, I got some nice things to come, I guess. Being 30 has also given me much more awareness of what I really want for myself and what I really need to live high, might and righteously…

Maybe tomorrow.

Minha mãe é daquelas que acha que se souberem que minha licença foi por motivos de doença psiquiátrica, serei mandada embora por justa causa (vê-se que ela não sabe qual o conceito de justa causa, pra começo de conversa)- aff. E que é bom que ninguém saiba porque se eu for demitida eu fico péssima em casa, muito pior que trabalhando. Vê se pode. A pessoa não sabe o que to passando e fala umas merdas que só Jesus mesmo pra salvar.
Ela também é daquelas que, sabendo do que se tata essa maldita doença não vem querer saber como estou; instead, diz com todas as letras que está esperando eu chegar pra falar com ela. Falou isso, quando fiz questão de informar que ela já sabe de tudo pois foi atrás da minha amiga pra saber das coisas e ela negou que soubesse de qualquer coisa.

E ainda tem quem não entenda o por quê de eu querer meu canto, minha casa, minha vida.

Esses dias de licença foram perturbadores porque, além de eu não querer tirá-los, ainda neurotizei com essa história da minha mãe, apesar de achar que ela não tem razão. Porém sei que minha saúde precisa de atenção e se, por algum acaso, nesse mundo moderno, em pleno século 21, acontecer algo do tipo, prefiro perder meu emprego. Lugar nenhum que prefira me demitir porque estou cuidando da minha saúde e de mim, me merece como funcionária.
Nem por isso deixei de sonhar com o trabalho. Também abri e-mail mas não respondi nenhum.

Hoje fui à academia, descobri que tenho até novembro; meu plano vai até agosto e com os 2 meses trancados e a choradinha de maio, que não tranquei nem fui, ganhei 3 meses pra frente. Espero voltar essa semana.

Confesso que me sinto muito melhor, não pelos dias que estou em casa, mas pela medicação mesmo. Vai que agora dá certo, né. É o que espero, de verdade. Dá uma canseira danada esse negócio todo.

Amanhã ainda é sábado e, pasmem, tô cansada de casa, por mim ia trabalhar. Tem muito da questão não resolvida também, me deixando meio ansiosa. E ficar em casa com a senhora minha mãe nesses últimos tempos não tem sido a melhor das opções.

Bandeira Branca, Amor

bandeira-branca-294x300Petrópolis.
Não rolou. Arrumei tudo, comprei passagem de ida, reservei albergue. Não fui.
No mesmo fim de semana, descobri que minha amiga e minha mãe se comunicam e minha mãe pergunta a ela o que não tem coragem de vir conversar comigo. Estou magoadíssima até agora.

A vida foi difícil, liguei pra minha médica. Marquei consulta. E fui. E aceitei atestado, além de pedir um encaminhamento pra psicóloga.

Como nada na minha vida é simples, na terça, quando peguei o atestado, deu uma diferença no caixa do trabalho, logo na época em que cobri licença da minha colega. Os comprovantes, na verdade, são da época em que ela estava lá. Mas como EU não conferi quando peguei a chave, é como se EU tivesse perdido. E então, como se tivesse perdido uma grana que não recebo nem de salário.
O dinheiro, tampouco os comprovantes, recibos e notas fiscais não apareceram. Minha colega também fez questão de dizer que a culpa foi minha porque ela nunca, em hipótese nenhuma, perderia aquilo. EU perderia. Claro.

Uma pausa:
Antes de conversar com minha chefe sobre a licença, eu falei com essa colega. Ela foi bem bacana, me dando toques, dizendo que sou inteligente, que não posso me diminuir, não posso ser negativa, não posso ficar achando que sei pouco ou que sou pouco pra empresa. Falou que todos perceberam o quanto sou frágil e que temos que tomar muito cuidado com quem se diz amigo e não é e que já teve gente dizendo que sempre que fala algo pra mim eu choro.

Cheguei à conclusão que essa pessoa é ela, depois de pensar um pouco. Mas, overall, tinha achado muito interessante, tirando a parte da fragilidade, porque não sou frágil. ESTOU DOENTE e são duas coisas diferentes e, apesar de não colocar isso à mesa, não acho certo julgar pela capa.

Voltando ao ensejo:

Minha chefe queria que eu nem fosse hoje mas realmente não consegui deixar pra lá. E passei o dia todo hoje, sem que houvesse solução. Conversamos nós três, e a colega continuou colocando a culpa em mim. Assumi, realmente fui ingênua e ela poderia, também, ter me dado o toque de conferir o caixa antes de assumi-lo. Tenho 30 anos e menos de 1 ano de experiência em financeiro. São coisas que a gente não sabe e tals.

Apesar de nada resolvido e a maior torta de climão que já comi – rs –  e eu assumindo a culpa, a colega me olha torto. Estou assumindo que pagarei o valor. Minha chefe acha que estou sofrendo por antecipação, mas não estou. Só acho que tem que ser resolvido logo, porque não adianta ficar enrolando e adiando o inevitável. Esses recibos não vão pipocar, de repente, na nossa frente.

Tudo isso pra dizer que:

Não sei o que pensarão de mim, não sei se deporá contra mim, mas tirei minha licença.

São 2 dias, apenas, que com o fim de semana, se tornaram 4; serão bons pra eu me adaptar à nova dosagem de medicação. Basicamente isso.
Estou saindo de licença num péssimo momento mas que ao mesmo tempo eu não tenho mais o que fazer além de esperar o diretor financeiro falar o que já sei.

É uma sensação estranha porque até durante a consulta com a psiquiatra eu atendi telefonema do trabalho; parece que não consigo me desligar. Acho que de certa forma é uma válvula de escape de mim mesma ou o que tem me feito surtar mais rápido. Mas desta vez, depois de mais de uma mês de insistência, eu cedi.

E estou em paz com Deus. Ele sabe o que faz e sabe do que preciso. E eu sei que preciso cuidar da minha saúde porque seja este ou qualquer outro emprego, nunca manterei estando doente. E o dinheiro? Em paz. Não perdi, não vi, mas assumo. Errada fui eu de não ter visto o erro no momento. A gente se ferra e aprende. E tenta não errar de novo.

E eu só quero paz, respirar fundo e começar segunda-feira 25% no caminho de um novo tratamento que me deixe em paz. Não dá é pra lutar contra um corpo que pede socorro. Ergui a nossa bandeira branca, finquei no chão e vou deixar rolar. Melhor que surtar, né?

Ups That Look Much More Like Downs

Achei que estava melhor.

Fiz toda uma programação para um sábado, que se tornou meu próximo fim de semana.
Vou passear sozinha, tirar fotos e visitar lugares histórios, tomar vinho lendo livro em Petrópolis. Acho que será legal.

No fogo do momento, resolvi que tinha que sair e me arrumei. Fui à uma festa, lá conheci gente só por pedir licença. Um grupo de gente bacana, com tanta coia comum. E emendamos  em outra festa e cheguei em casa às 6:30. Parecia que tava tudo melhor. Até queria marcar um encontro com meus amigos.

Hoje fui trabalhar e tinha muito o que fazer.

No meio do expediente descobri que umas meninas foram promovidas; descobri que minhas traduções foram distribuídas pelas filiais. Tudo lindo. Infelizmente não é bem assim. Eu não tive crédito pela tradução, tampouco recebi parabéns por isso. E faz falta. E das meninas promovidas, somente uma tem mais tempo que eu na empresa.
Óbvio que a matriz tem muito mais funcionários, e teve uma debandada boa, mas é uma sensação de fracasso constante e eu não sei lidar com isso.

Vai entrar uma estagiária nova no escritório. E eu continuo ali, cobrindo licença e férias de um setor. E mais nada. Não levo crédito nem pelo o que fiz, e fiz bem porque não houve modificação na minha tradução, eu pedi pra ver a cópia de um colega.

E isso tudo foi muito mais que suficiente pra que eu me sentisse uma merda. E estou há exatas 4:30h querendo me debulhar em choro e não tenho oportunidade. E não sei mais a quem recorrer, só penso em todos os remédios que poderia tomar e acabar com esse sofrimento. Eu não aguento mais.

Cheguei ao ponto de ter ido ao shopping, comprado roupa de frio – gastado dinheiro que na verdade nem tenho – e não ter me sentido melhor com isso. Gastar dinheiro sempre me fez me sentir melhor, e não é algo que me faça mais bem.

Eu perdi todo e qualquer prazer na vida e não tem remédio que faça efeito mais; é a sensação que tenho.

Eu digo que estou cansada. É cansaço, muito, muito cansaço. Cansa se sentir assim e saber que não é socialmente aceitável querer acabar com a vida. Saber que minha crença não permite que eu dê cabo da minha vida em paz também é perturbador. E não conseguir chegar a lugar nenhum, não me sentir curada e sã e bem… é cansativo, é sofredor. Não é jeito de se viver.

Não era isso que eu achava que era viver.

Quem És Tu, Rainha do Baile?

Meu colega de trabalho pediu demissão e semana que vem vai embora. A gente se aproximou nos últimos meses e, apesar do grande abismo entre nós, nos damos muito bem. Mais de 5 anos de diferença, ele já com carreira encaminhada apesar de mais novo. Engraçado como o julguei a primeira vez que o vi. E ele se mostrou uma pessoa maravilhosa. O chamo de coxinha e ele diz que sou a pessoa mais irônica que já conheceu. E nos damos bem.

Hoje fiquei até mais tarde e conversamos sobre o trabalho, sobre como me sinto, dei nome aos bois que sempre ficam nas entrelinhas de nossas conversas, falamos muitas coisas.
Desabafo muito com ele; filho de militar o menino, gosto de gente com o tipo de criação que ele teve. É educado, respeitador. Gosto disso.

No vai-e-vem do nosso papo, ele falou em tom de desespero a situação de um amigo, que está pra se formar em Direito e não sabe o que faz, e que iria enlouquecer com o never-ending pursuit for achievement de um advogado (e juro que só consegui pensar nisso em inglês). Naquela hora me deu um estalo, porque eu tenho cogitado MUITO voltar pra área caso NADA dê certo (por nada, lê-se a vida que estou levando). Mas quando alguém verbaliza aquilo tudo, vi que não dá pra mim, senti o mesmo desespero.

E ele falou uma coisa certa: “Eu vejo que você ainda não se encontrou. Tenta se achar e corre atrás.”

A frase saiu de um um playboy coxinha que frequenta pub de playboy todo fim de semana, com 25 anos de idade, que passou 1 ano na Austrália. Não desmereço, mas daí vê-se que pouca merda sou eu com 30 anos, que nunca morou fora do país, que trancou o curso de francês, não terminou a pós, não seguiu a carreira na qual se formou e não tem carreira whatsoever. E pior, com a idade que tenho, fica complicado ter qualquer carreira.

E agora? Ele não me desanimou, só me abriu os olhos nesse momento PÉSSIMO: eu não tenho carreira e tô velha. Só isso. Tradução? Não, não dá. Além de ser péssima em marketing pessoal, não me acho boa o suficiente em gramática e mesmo se fosse, pra ser bem sucedida, seria freelance, trabalharia basicamente de casa e isso não deve dar muito certo; preciso ver gente mesmo que eu conscientemente não queira.

Não sei bem o que pensar, nem o que fazer. Nem é o momento; tem coisa muito mais importante acontecendo comigo, muito mais relevante. Mas queria mesmo era ir pra um país qualquer ser faxineira (não que eu queira de verdade, mas dentro da minha realidade no momento seria uma boa ideia, por favor né). Ganharia mais do que ganho hoje, mas a Europa está em crise e vai que dá merda né. E eu tenho medo, medo de tudo. Culpa de uma família que vive da cultura do medo.
E sim, culpo minha família por isso, culpo minha mãe por muitas escolhas que tomei, e se hoje estou onde estou e bato na mesma tecla e não desisti é to prove her wrong e tentar fazer qualquer coisa dar certo porque finalmente escolhi por mim mesma.

E é só.
30 anos, sem carreira e talvez terminarei minha vida assim. Fatalista, pelo menos, é bem provável.

Muitas coisas, Muito Nada.

Muita coisa mudou desde o último texto. Muita coisa continua a mesma, mas acho que não cheguei a contar. Vamos lá.

No final das contas, arranjei um médico novo, que turned out to be uma médica, por ironia do destino e do plano de saúde. Estamos alinhando remédios, vendo o que dará certo e quando quase surtei na quinta-feira passada, e tive uma consulta de emergência na sexta, tudo indica que meu quadro vai um pouquinho além da depressão, mas prefiro não falar sobre isso, nem falo abertamente sobre depressão aqui (ou falo e nem percebo? falo, né?).
Comentei sobre um psicologo nessa consulta e ficou claro que o encaminhamento só será feito a partir do momento em que eu me sentir preparada pra ir, e eu cogitei mas ainda não amadureci a ideia, veremos.

Nesse ínterim de médicos, remédios e etc, tranquei a academia, obviamente, mas não este mês. A dose de remédios que mudamos de quinta pra cá, e que deve dar certo, pode me dar um pouco de ânimo e coragem pra pelo menos ir pedalar um pouco.
Sobre os remédios. Um tira fome. O outro dá fome. Perdi 4kg (e os ganhei nesse fds sozinha em casa, comendo aquela pasta tipo Nutella, mas da Ovomaltine, coisa de louco, muito boa). Tudo indica que até nisso será bom.

No trabalho, me sinto pragmaticamente humilhada. As pessoas me tratam como uma nada. Até diretrizes que eu deixo claro que me foram passadas, são questionadas.
Esses dias cheguei muito perto de jogar tudo pro alto e pedir pra sair, porque não estava aguentando. Só não o fiz porque não conseguiria me explicar, porque só conseguia chorar.
É muito difícil se fazer entender quando se está descontrolada.
Me lembraram também que eu conversei com a chefe pedindo uma chance, e que ela veio me dizer que conversou com o chefão a respeito e que estão pensando em alguma coisa. Acho que é válido esperar pra ver, mas é muito difícil quando as pessoas olham pra você e dizem que você tem cara de quem serve pão de queijo e guaraná natural. E sim, foi dito na minha cara e eu não posso fazer muita coisa.
Ser recepcionista com uma faculdade nas costas é muito duro. E olha que estou substituindo a colega o financeiro, mas mesmo assim parece que não serei nunca respeitada ou considerada.

Dia das mães foi outro evento sofrido, minha família toda reunida, eu com cara de morte e tentando ser o menos pior possível e mesmo assim foi complicado.

Acho que nunca mais também terei meus amigos como um dia eu os tive. Perdi trejeitos sociais e eles nunca mais me olharão da mesma forma, mesmo que eu volte ao convívio deles. Por isso cogito também a psicóloga. Porque precisarei conversar com quem irá me julgar ganhando pra isso.

Eu tinha muita coisa pra falar, veio muita coisa na mente, todos os dias penso sobre escrever e não o faço. Esvaziei algumas coisas e vou tentar ser menos aleatória. Isto é, pra mim mesma, minhas memórias, que, exatamente como o twitter, o blog é só pra mim mesma, ninguém lê, só aleatórios jogando palavras-chave no google.