Uma Questão (In)Conveniente

Não sei qual a parte que as pessoas não entendem.
Ou em que momento eu não expliquei direito.
Ou se eu deveria ficar calada?

Só sei que não me bastassem os problemas, pessoas cavam outros, pequenos dramas desnecessários, mas que me afetam demais.

Hoje minha colega mais próxima no trabalho me questionou sobre eu ter dito que não conseguia pensar e fazer – ou deveria ter feito  – em um determinado momento. E veio cheia de porquês, sabendo – ou dizendo saber – exatamente o que estou passando pelo tanto de been-there-done-that que ela afirma. Não me dei ao trabalho de dar muitas explicações. Porém irritou.

Aqui vai um exemplo, só um. Mas a questão é exatamente esta:

Outro colega de trabalho, que adora ser engraçadinho e me diminuir porque sou recepcionista, cisma em fazer piadinhas, mandar indiretas e tudo o mais. Venho engolindo. Até que parei. Parei de ser simpática, parei de dar espaço pra qualquer coisa, inclusive porque esse ser humano não respeita o que faço. Infelizmente eu me encontro naquela posição de merda, apesar de graduada e quase pós graduada (tcc é um mero detalhe).

Falando com a been-there-done-that, expliquei que não aturo mais nada do coleguinha porque tenho muitos issues pra lidar na minha cabeça, e não sobra espaço pra esse tipo de coisa. Não posso me deixar afetar pelo o que os outros falam ou fazem a respeito de eu ser nada além de uma atendente de telefone porque é um fato que me incomoda e preciso conviver com isso. Meus fantasmas me bastam.

Enfim,

Eu preciso mesmo explicar porque não tenho cabeça pra certas coisas? Quem não me conhece não precisa de explicação, trato como merda e fica tudo certo, como o coleguinha do exemplo aqui de cima.

Também sei que quem me conhece não tem obrigação alguma de entender. Mas se você sabe, não entendo porque não consegue RESPEITAR. Não peço piedade, nem paciência. Respeito apenas.

O que me espantou hoje, e não foi só com a been-there-done-that, é que as pessoas entendem e compreendem, até o assunto atingi-las. Isso entristece porque depressão infelizmente não é seletiva.

Eu tenho depressão, estou em crise depressiva e infelizmente não estou medicada. Não tenho TEMPO pra ficar em negação, já se passaram 6 anos. Nem idade eu tenho mais pra isso. Eu falo a respeito SIM porque me dá a sensação de que eu vou suportar mais um pouco (e falar a respeito, pra mim, é só assumir minha condição).

Quando falo em respeitar o momento, não é saber o que passo, mas saber que não preciso de mais dramas e não criá-los, não ficar cheio de porquês, não ficar com pena. Respeito. E pronto. Não precisa dizer que sabe o que é. Não precisa dizer que compreende. Não precisa fingir. Mas não coloca o peso de questões que não são minhas, não me interessa. Só isso.

O que não dá pra mim, pelo menos agora, é viver com a compreensão das pessoas até onde é conveniente para elas.

Well, a vida continua. E algumas dessas pessoas passam. E as que ficam, as pessoas com quem ainda convivo, que ainda me restam, sabem que por mais doloroso que seja, eu deixo que elas se vão. Porque também me é conveniente.

Amigo… essa é pra você!

Pensei que nunca mais ia ter sua amizade… Depois de tanto tempo separada de você, meu coração começou a se acostumar com sua ausência.

Acho que batalhei muito contra meus sentimentos. Não era possível não estarmos mais convivendo, você sempre foi tão essencial pra mim! Lembro-me até, quando passsava os finais de semana na casa da minha avó, e meu tio ainda era vivo… aprontávamos umas poucas e boas! E meu tio sempre conosco… minha avó já não era muito de dar atenção. Não que ela não te quisesse bem, mas tinha um certo preconceito, devo admitir.

Depois que meu tio faleceu, eu não sei, acho que a lembrança de nós três era muito forte, e eu não tinha mais tanta coragem assim de estar com você, era muito estranho pra mim, a sensação já não era a mesma.

Aos poucos comecei a cogitar na idéia de te procurar. Não sabia o que você pensava a respeito, afinal, você também nunca mais apareceu em minha casa. E eu respeitei o espaço que parecia importante pra ti. E pra mim também. E depois de muito tempo te encontrei e como você me fez mal! Como estar com você, até ânsia de vômito me dava! Tudo de ruim me dava, desde que começaram alguns boatos. E eu me deixei levar por todos eles. Fui covarde de não perceber que também tenho um passado não tão bonito quanto gostaria. E não tão diferente do seu. E me afastei de novo. E achei que seria pra sempre.

Mas hoje não deu. Hoje eu sabia que era o dia que tudo se acertaria nessa amizade que temos desde criança, desde às idas na casa da minha tia, no méier, desde meus finais de semana na casa da minha avó, desde o apoio que eu precisei de você, quando meu tio faleceu e não estaria mais lá conosco…

Hoje eu saí do trabalho obstinada a fazer tudo dar certo. E, ao seu encontro fui eu. Sabia que você estaria lá. Sabia que dali não teria como fugir de mim. E cheguei em casa contente, contando à minha mãe sobre nós dois. E ela ficou feliz, ela também gosta de você.

E então, peguei uma faca, o pote de margarina e começei a te preparar, com todo o gosto e vontade do mundo. E lá estava! Você, meu pão francês com mortadela! Como era bom estar com você de novo, suprindo minha fome e vontade de comer!

Espero mesmo, que a partir deste novo reencontro a gente possa se acertar! E vê se não some, por favor! Você é tão importante, que tive que me expressar aqui. Amigo…essa foi pra você!

A gente descobre que precisa de médico quando sente, de verdade, que está enlouquecendo. Noites mal dormidas, pesadelos dia sim e outro também, manias…

A vida de um louco é bem movimentada, nunca se torna fatigante ou monótona.
Fugir dos policiais que querem te prender pela bala que você roubou nas Lojas Americanas quando adolescente.
Acreditar que alguma força está fazendo você perder ou ganhar partidas seguidas de sinuca.
Seus amigos estão fazendo um complô contra você, sem motivo algum.

Loucos são loucos, com certeza. Mas ao mesmo tempo conseguem ter muita sanidade. Acho mesmo que loucos vêem o mundo como ele realmente é, só que de certa forma, se recusam a aceitá-lo e pior ainda, se recusam a vivê-lo.
Loucos percebem coisas que pessoas “normais” não percebem. E falam isso. Porque loucos não se importam.

Estou começando a ter uma admiração muito grande por eles. Não cheguei ainda nesse nível de loucura. E por isso não ajo como uma louca. Mas se agisse seria mais feliz.

Se fosse louca, pelo menos não engoliria a seco tanta coisa, por ser boazinha demais. Loucos não são tão bonzinhos assim.
Se fosse louca, qualquer um seria meu amigo, porque, ou todos são uma ameaça ou ninguém é. Mas ele não se importaria com o amigo. E muito menos as coisas que os amigos falam e não tem noção do quanto incomoda ou machuca.
Se fosse louca, não perderia tempo em empregos ou estágios, porque logo os loucos são demitidos.
Faculdade? Loucos até fazem. Artes, música…. essas coisas. Eles são realmente muito ligados a essas coisas.
Se fosse louca, tomaria remedinhos controlados in a daily basis e seria ótimo. Remedinhos te isolam do mundo e te deixam calminho…
Se fosse louca, veria mundo da maneira que meus olhos quereriam ver.
Porque enquanto estou no caminho, no limbo, as coisas nem preto-e-branco e nem coloridas são;
As coisas me incomodam, e eu não posso dar fim a elas, como um ato de loucura;
As pessoas me incomodam e eu não falo nada na cara delas porque a educação diz pra sermos gentis, principalmente com as pessoas que a gente gosta;
Não posso largar meu estágio, muito menos alegar loucura pra me dispensarem, e por isso ter que aturar comentários realmente desagradáveis;
Viver no limbo não me exime de se sentir completamente inadequada socialmente;
Ninguém ainda me receitou remédios pra me fazer dormir. Bem;
Os remedinhos também controlariam o apetite. Ninguém fica parecendo um glutão por comer demais, quando se é louco.
É muito lucrativo ser louco, ninguém espera nada de você.

E se eu fosse louca, seria normal dizer que pareço estar enlouquecendo, porque na verdade, estaria já, há muito tempo.