Cadê Eu?

Eu não sou mais quem eu era.
Ainda não sei exatamente por que, mas não sou. Ou talvez eu saiba, mas não queira admitir.

Eu era extrovertida. Nunca fui dessas de me destacar entre um grupo, mas sempre fui de fazer amizades rapidamente, sempre fui falativa, tinha tiradas engraçadas e era legal de estar perto. Sempre tinha assunto e opinião sobre qualquer assunto não me faltava. Eu era alguém interessante.

De uns tempos pra cá isso mudou e não percebi. Foi mudando comigo, conforme eu fui me afastando das pessoas, dos meus amigos. Fui perdendo traquejo social . Fui sendo aquele tipo de gente que sempre diz que não tem assunto e por isso não se entrega e não se integra.

Passei alguns anos da minha vida, entre idas e vindas de crise depressiva, afastando quem me queria bem. Ia além das minhas forças; acontecia, apenas. E depois de um tempo as pessoas param de te procurar, você para de conviver e só sobrevive. Vai pro curso, vai pra faculdade, vai pro trabalho e só. E para de falar, de conversar, de trocar ideias e vai minguando. Eu minguei. No meu corpo grande parece que só restou uma pessoa pequena e mignon e insípida, que só olha e ri.

Passei um fim de semana delicioso me integrando, ou ao menos tentando, com pessoas maravilhosas, com tanta história, tanto assunto pra compartilhar, tantas conversas pra eu participar e eu simplesmente não fui eu. Não o ‘eu’ que achava que deveria ter sido, mas o que tem sido, não o do passado que era engraçada e interessante. Era uma pessoa que não confia, que não se joga, que não se entrega e não se abre.

Conversas, pinturas, momentos engraçados, conversas sérias, danças… e eu sempre me sentindo e me colocando à parte do mundo porque não consigo me encaixar nele. Meu mundo é só meu, um mundo estranho onde eu estou apática quando não estou deprimida.

Pesei seriamente se valia a pena tomar remédio pra continuar assim. Não sei se tem solução trocar toda uma medicação pra tentar ser gente de novo. Não sei até onde os remédios de hoje estão influenciando a tal ponto. Não sei qual bagagem estou levando de anos de afastamento. Só sei que está estranho e estou estranha e pessoas que estão me conhecendo agora podem achar que esta sou eu enquanto na verdade nunca foi.

Espero que pra essas pessoas dê tempo de mudar, me mostrar e mostrar tanta coisa boa que eu posso oferecer. Se ainda tenho amigos é porque algo de bom há em mim e isso precisa voltar a fluir e florescer e ser visível aos olhos de quem tem a oportunidade de estar comigo. É bom ter gente interessante à volta. É bom ser a pessoa interessante em um grupo ou ser parte integrante dele.

Eu só não quero viver num mar de apatia e marasmo. Melhor, quero sair dele, dessa tormenta que me envolve e quase me afoga, junto com as lágrimas de frustração por não conseguir conversar com pessoas bacanas e somente fitá-las ao invés de começar papos que antigamente teriam fluidez.

Eu só não quero ser aquela pessoa que diz que não tem conversa, que é introspectiva e fechada e estranhamente incômoda que eu sempre abominei.

Eu, um elefante. A vida? Um guepardo

Eu não dei certo.

Eu poderia dizer que sou nova e que as coisas vão mudar, mas não carrego mais esperanças.

Fiz 30 anos. Estou me cuidando. Mente, pele, corpo. E tudo continua na mesma. Continuo sendo a amiga que faz os programas das amigas enquanto os respectivos estão em casa. Continuo sendo a amiga que fica feliz – genuinamente – com o sucesso alheio mas não desfruta isso na própria vida. Continuo sendo a amiga que vai às festinhas dos filhos das amigas como a amiga avulsa e que todas as pessoas olham estranho porque não tem nem marido e nem filho.

Tem gente que lida bem. E eu estava lidando como ninguém, porque meus remédios são ótimos em tirar aquele desejo básico de querer me matar e também tiram qualquer sensação que saia da linearidade.

Estava tudo bem até a consulta com a psiquiatra em que ela questionou meu emprego e o fato de eu ganhar mal. Na hora justifiquei dizendo que tava cagando porque estava bem. E foi a mesma coisa que disse há 2 dias, quando conversei com a minha amiga.

Até que fui celebrar a vitória de uma amiga.
Até que fui, novamente, na festinha do filho de outra amiga.
Até que continuei sendo a companhia da minha amiga e dos filhos dela.

Nada mal em nada disso. Não fosse o fato de que eu não tenho nada. E nem todos os sonhos do mundo. Porque eu não sentia nada. Eu não me sentia mal por estar num péssimo relacionamento com minha mãe, numa péssima posição na empresa e um péssimo emprego, e por continuar não tendo absolutamente nada no que se refere ao amor.

Desde a consulta, culminando nas celebrações do fim de semana que começaram na sexta-feira, que tudo tem despertado minhas insatisfações. Finalizou com a conversa com minha amiga-irmã.

São 30 anos. E eu saí da faculdade há 6 anos. Nada mudou. Pelo menos não pra melhor. Minha depressão piorou – tudo bem porque foi por falta de tratamento e agora está tudo ok. Não tenho carreira; tentei aqui e ali e continuo na merda. Não tenho uma vida sentimental saudável. Não tenho vida sentimental, na verdade.
Desculpa, isso não é saudável. Não tem como manter a sanidade.

Já chorei. Já pensei no que posso mudar mas também não sei. Tem coisas que não sei. Acredito que fui criada numa família onde a mediocridade basta. Não to culpando ninguém, veja bem, apenas constatando. E estou, talvez, acreditando que viverei na mediocridade. Infeliz. Sempre celebrando a vida alheia. Sempre a amiga que está ali pra sorrir e festejar e ver que tá todo mundo bem. Mas que nunca estará bem.

Antes que alguém ache que pensar de forma negativa atrai, eu não estou PENSANDO, estou VIVENDO e aí que mora o problema. Não tem muito pra onde fugir. Fugir pra onde? Pro emprego na Índia que me candidatei e não tive resposta? Pra alguma loucura que eu acabo nunca tendo coragem de me jogar?

Não sei como vai ser esta semana.
Não sei como vou lidar com meu emprego. Uma reles nada, que faz trabalhos de tradução sem saber se sou de fato reconhecida – porque dinheiro que é bom não vem -, que espera sempre que as coisas podem melhorar já que a chefe diz que sou inteligente e tenho cultura e outras coisas. Mas continuo sendo aquela ali no canto. Engraçado, né.

Não sei até quando vou lidar com as amigas saindo comigo nos encontros das amigas, já que não tenho namorado pra sair de casal; até quando vou deixar de conhecer restaurantes bacanas, lugares que gostaria de ir com alguém bacana, porque não tenho alguém. Bacana.

Não sei até quando remédios que me tiram a vontade de me matar e consequentemente todas as sensações de um ser humano normal em 90% do tempo vai ser o que quero pra mim. Talvez seja melhor querer morrer e sentir e talvez até morrer.

Só espero que o destino me reserve outras coisas além da rebeldia e que eu não chegue a tanto e não jogue, mais uma vez, minha saúde pro alto. Pelo visto é a única coisa que ainda tenho. E não, ter “saúde e paz que o a gente corre atrás” ou qualquer que seja o clichê, não é verdade. Se a vida é um guepardo e você um elefante, não tem corrida que chegue.

I Got 99 Problems And I’m All Of Them

I’m disturbed. In every sense of the word.
Not like those disturbed people you see on Facebook, sharing posts about House MD or some other series character saying how weird and dysfunctional they are.

I’m sick. Sickly disturbed.
Last week I went to my psychiatrist’s appointment and suddenly I found out that my thoughts, that I have been having for 15, 20 years, are not usual, common, okay. Whatsoever.
Suddenly I found out that it is not okay to imagine myself being shot in the back every time I enter my building. Suddenly, thinking about being shot in the back at all, by anyone, by an imaginary enemy, is not something normal people do.
Out of nothing, I discover that imagining myself being filmed just like The Truman Show is not exactly something I should be thinking, since it’s not exactly real.

Dear all, THAT is being disturbed and sick. And because of all that, I add a new medicine to all the medicines I already take every fucking single day. And because of those remedies, I went to the dermatologist, and my face and back are being treated for acne. And tomorrow I’m going to the gastroenterologist tomorrow.

After 30, that’s all I do: I have appointments. A LOT. It’s boring, it’s expensive, it’s tiring. I don’t know why this comes from this time, but I choke every dawn and feel heartburn every single day. Imagine how nice I feel, huh?

Living is nice, as anyone can see. Being this weird, even better then.

I just needed to say how weird I feel for feeling and thinking weird stuff, now acknowledging it’s not usual and not even close to normal. I could not say all these in Portuguese just because I couldn’t; it’d sound a lot worse  than it already is…

In the other hand, I got some nice things to come, I guess. Being 30 has also given me much more awareness of what I really want for myself and what I really need to live high, might and righteously…

Maybe tomorrow.

Engole o Choro e Enfrente o Mundo. É o Que Tem Pra Vida.

Nada a ver, esses seus problemas. Ninguém veio ao mundo pra se incomodar com o que se passa com você.
Ninguém é obrigado a aturar o seu humor, a sua depressão, a sua personalidade. Ninguém.

O mundo é cheio de gente, todos eles têm suas próprias questões pra resolver, mas não dá pra sair transparecendo que hoje você não está bem, todos tem problemas, mais graves que os seus. Tem gente surda, com câncer, sem uma perna.

Ninguém tem nada a ver com seus problemas.

Tratar os outros com polidez e com sorriso no rosto é necessário pra se viver em sociedade. Porque as pessoas não estão preocupadas com o que tem acontecido, mas querem ser bem tratadas independente de qualquer coisa e um bom tratamento vai além de uma comunicação educada, mas também de uma boa “cara”.

A questão não é se isolar, mas saber que da porta de casa pra fora, não adianta trazer o que te aflige, porque o mundo é muito corrido, as pessoas superficiais, os vizinhos de rua nem devem saber quem você é. A vida urge e segue.

Levante os ombros, abra um sorriso amigável, engula o choro, trate todos bem e, se perguntarem como está, diga que tudo bem.

Porque ninguém tem nada a ver com seus problemas.

O que eu mais temia está prestes a acontecer. High School Reunion. E pior, por culpa minha. Resolvi passar fotos pro Facebook, coloquei tags na foto da escola, aquelas fotos oficiais e aí todo mundo ressurgiu, aquela coisa de dizer que sentimos saudades e etc. Até que alguém veio com a bela idéia de nos encontrarmos. Acho lindo, afinal já são 11 anos de formados.

Acho lindo. E pavoroso. Vejamos. Nos formamos em 2000. De lá pra cá, teve gente que casou, teve filho. Daí o grande matador de aula se tornou um profissional, aparentemente, muito bom, que passou alguns dias viajando pela Europa. Outra fez cinema e morou um tempo em Londres. Tem uma médica. Outra é do Corpo de Bombeiros. Uma se enveredou pro “meio artístico”. As pessoas estão felizes e realizadas e talvez, melhores do que na época do colégio.

Não preciso de um yearbook, como lá fora, basta lembrar que eu não era insignificante mas não era nada de surpreendente naquela turma. E hoje, talvez, seja surpreendente pra alguns deles que eu tenha me tornado absolutamente nada. Tenho um diploma, mas não posso exercer minha profissão por incapacidade e falta de muita força de vontade em continuar tentando tirar aquela bendita carteira da Ordem. Tenho um trabalho medíocre de secretária, que ocupa meu tempo e paga minha pós. Meu namorado, bom, não tenho mais. Passei a juventude inteira no clube dos solteiros, achei que tinha achado o amor da minha vida, mas né, mesmo que seja África é longe, já disse isso aqui e não falo mais sobre isso.

Enfim, provavelmente vai rolar esse reencontro. E eu não vou ter nada de realmente relevante e interessante pra compartilhar porque, mesmo que não esteja ruim, minha vida não tem nada de bem sucedida. Eu não passei  carnaval no Chile. Aliás, eu nem saí do país nesse tempo todo.  Sou só uma perdida, preguiçosa. Talvez eu tenha me mantido no mesmo lugar que me encontrava àquela época. Not a loser, but far, far away from being too promising.

Ninguém Pode Ser Aquilo Que Quer, A Não Ser Que Seja O Que Os Outros Querem Que Você Seja

Estou meio deprimida desde ontem. Resolvi ir à praia hoje, porque da última vez, funcionou bem como uma terapia alternativa. Aliás, foi a 4ª vez que fui desde o começo do ano, o que teoricamente representaria 4 anos da minha vida.

Voltei do mesmo jeito – senão pior – do que quando fui.
A verdade é que fechei um ciclo, e por isso volto a escrever somente aqui. Aquele outro blog tinha uma vibe de uma outra fase e este sinto como se fosse atemporal.

Estou deprimida. Tem muito de frustração, de preocupação, de saudade, de sentimento de derrota. Tem muito de tudo.
Mas o pior mesmo é a frustração-preocupação-derrota.
Ontem fechei o tal ciclo, dando por fim minha relação com meu antigo trabalho. Confesso que fiquei aliviada, lá não me fazia bem. Cumpri meu aviso prévio em casa porque meu chefe deduziu que realmente não estava bem, pra se ter noção.
De lá, fui pra uma entrevista de emprego, pra um cargo no qual não tenho experiência – e convenhamos, não tenho em quase nada – e saí meio deprimida porque né, é chato você não conseguir as coisas e ter planos e precisar de dinheiro, de emprego, pra correr atrás disso tudo.
Tinha feito uma outra entrevista na sexta-feira, e até agora não tive uma resposta, o que me faz deduzir que não dará em nada. E hoje era a data limite pra resposta do puta emprego que super queria e acho que não vou conseguir. Por que eu não tenho experiência.

Eu tenho sonhos. E descobri ter objetivos palpáveis, porém na minha família nada funciona, nem cheguei a comentar porque não tenho apoio, a não ser que seja pra fazer concurso público. Daí batem palma igual foca ganhando peixe.

E sabe qual o problema? Eu ODEIO a ideia de concurso público. Pode ser pelo estudo em dedicação exclusiva, pode ser por fazer um trabalho que requer muito pouco de mim(no sentido de habilidades e talentos pessoais)e do meu esforço pessoal, pode ser porque muito me desagrada tudo isso junto e mais um pouco. Aí hoje escutei da minha avó, que viu no jornal uma menina de 16 anos passou em 6 faculdades de medicina e disse que se não dormia ou comia, estava estudando. Sério, parabéns pra ela. Mas não é isso que quero. Será que sou super preguiçosa pra concursos? PODE SER.

O fato é que eu só escuto na tal da estabilidade. E será que ela é mais importante que todo o resto? Minha prima odeio ser funcionaria pública, trabalha em banco e até vai tentar outros concursos pra área dela; minha tia chegou num ponto de estafa tão grande, que há uns 3 anos vem tirando licença atrás de licença, até que agora voltou a trabalhar num setor babaca, só pra não se estressar e tirar a aposentadoria proporcional, daqui a 1 ano, que ela faz contagem regressiva.

Eu já concluí que eu não sou assim. Eu não quero ceder tudo que gosto e que talvez eu saiba fazer, ou venha a fazer de melhor,  e de mim mesma, por um emprego que me “dá estabilidade”. Será que já pensaram na possibilidade de que, quando você se dedica a algo que ama, e não tem a ver com concursos públicos aleatórios, você será bem-sucedido, será feliz, terá um bom dinheiro e não vai sofrer por fazer algo que não gosta?
Tenho provas vivas de que dinheiro e estabilidade não trazem felicidade e mesmo assim ficam me enfiando essa ideia pela goela.

Eu to deprimida. Porque tenho descoberto algo que posso fazer, que vou amar, que vou usar dos meus 5 anos de faculdade, mas que dependem de um emprego porque não terei apoio aqui e depois de um certo tempo, acho meio chato ficar pedindo dinheiro pra fazer certas coisas, principalmente quando você sabe que não será de bom grado. Confesso que não sei como seria isso no mercado de trabalho, mas descobre-se e tenta-se, porque será algo que vou gostar de fazer, ou seja, será bem feito e isso é valorizado e reconhecido.

Ir à praia me fez pensar nessas frustrações, voltar dela, me deixou mais aborrecida sobre isso tudo e fico achando, sempre absurdamente temerosa, de que nada na minha vida vai dar certo enquanto eu não sentar e ficar horas estudando pra concursos que não dou bola, até passar. Porque fico sempre com a sensação de que a torcida pra que eu me dê mal fora do funcionalismo público é tão grande e tão forte, que não tem esforço que eu faça que mude meu destino.

Catarse

Eu não sei muito bem o que as pessoas esperam quando se trata de amizade, relações interpessoais… Não sei. Cada um age de um jeito e busca determinada coisa, e hoje mesmo uma amiga me disse que muito tem a ver com a vibe que a gente está e a da pessoa; isso talvez explique algumas coisas.
Há duas semanas as coisas tomaram uma projeção meio diferente, estranha. Coisas que não esperava acontecer me deram uma rasteira e fiquei eu estatelada, com a cara toda amassada depois que o camburão passou por cima dela, no asfalto fresco.

Teimo sempre em querer entender o mundo, as coisas que acontecem, as pessoas, as situações, e talvez nunca terei as respostas pras minhas indagações, mas não consigo deixar de tê-las. Insisto entender as situações em que me coloco, ou que me colocam, e gostaria de conseguir esclarecer cada uma. Bato pé em querer compreender as pessoas, e que as pessoas me compreendam, mas acho difícil que ambas as partes se façam entender, quando existe hidden agendum.

Como também disse uma amiga minha, o lance é ACEITAR as coisas. Do jeito que elas chegam até nós, sendo boas, ruins, estranhas. Tem a ver com filosofia tântrica, não me pergunte muito, mas faz sentido.

Nesses últimos dias venho me questionando. A quem sou, como ajo, o que passo pros outros… Semana passada, conversando com um amigo, ele me chamou de “birrenta, pirracenta, turrona e brigona”. Na hora fiquei foi muito puta, eu desabafando e alguém ali querendo me apontar defeitos. Em menos de 10 minutos me despedi porque estava tão absurdamente chateada que não conseguia conversar (a primeira palavra que me veio foi ‘chatear’. Juro). Talvez ele tivesse razão, não tão intensamente como há uns 6, 7 anos atrás. Mas eu sou assim, com defeitos. E odeio ser criticada, tão na lata. Mas eu engulo, mesmo que com certa dificuldade. Levo aquilo, remôo às vezes mais do que o necessário, mas tento absorver, mesmo que seja pra, um dia, levar à terapia essas questões. E pode até ser que eu tente vender outra imagem de mim pra essa pessoa se eu não conseguir mudar, por simplesmente querer que me vejam de outra forma (um erro, eu sei).
Enfim. Ele falou isso, e na mesma semana, mesmo dia, eu acho, tive uns problemas com quem considerava como amigo. A gente não sabe o que passa na intenção das pessoas. E certamente não sabem exatamente quais são as minhas, faz parte. Mas não consigo entender. Não faz sentido na minha cabeça a reação, ou a falta dela. Não faz sentido a pessoa simplesmente esquecer a sua existência e assuntos que eram realmente relevantes – e essa pessoa sabia – na semana anterior, sem ter o mínimo interesse em saber como aquela semana, quanto a aqueles assuntos, como as coisas estavam. Comecei a achar que haviam feito fofoca, sabe-se lá do que. Depois achei que se chateara pro algo que nem sei se fiz. Por fim, insisti e consegui uma resposta que não engulo, cheia de desculpas esfarrapadas. Ali percebi que não tinha porque me incomodar. Porque simplesmente não valia a pena.

Outra situação estranha foi parabenizar uma pessoa que foi incapaz de responder. Fico imaginando o que se passa na cabeça delas, quando ignoram algo tão simples e como isso se torna extremamente esquisito fora de um contexto, porque, na verdade, não o há. Não existe convivência, não existe contexto, não faz sentido. Então porque tal reação estática? Me passam coisas ruins e maldosas na cabeça, que evito pensar porque não quero achar que as pessoas são más, não quero apontar o dedo e acusar sem saber. Mas fico me perguntando o motivo disso tudo e fico achando, mais uma vez, que a culpa é minha. Depois de analisar um pouco, paro pra pensar e percebo que se tudo mudou e se chegou nesse ponto, não vou lutar e nem pensar. Porque simplesmente não vale mais a pena.

Um amigo meu postou um teste de qualidade de vida no Facebook. Naquele teste, nem a pessoa mais saudável que conheci, teve resultados significativos. E esse amigo teve. Achei estranho e fui “brincar”, insinuando que a pessoa tinha burlado o teste. Erro meu. Erro meu porque a pessoa, “mestre da dialética”, conseguiu distorcer o meu intuito em comentar o bendito post por ele publicado; fui acusada, resumidamente, de caga-regra, pq ele deveria ser livre pra beber, mesmo tendo gastrite; eu não deveria ser tão lógica e apontar o que a pessoa deveria ou não fazer, citando inclusive “Eu não sou como vocês, que são apenas robôs sanguíneos”. Foi de uma grosseria, questionou se eu estava desocupada e se já tinha cheirado merda naquele dia. Assim, dessa forma. E por fim veio com seu discurso de “quero curtir a vida e não morrer cedo”, e falou em metafísica em coerência, em sei lá mais o quê. E ficou lá me acusando de caga-regras cheia de lógicas, que não quer que ele viva, mas vivo eu pra categorizar as pessoas, delimitando seus direitos e deveres.
Foram tantas afirmações, que depois teve a audácia de culpar a filosofia e a dialética pelo modo como discutiu comigo, que, mais uma vez parei pra pensar. E vi que, sério, não é possível que por causa daquilo eu estava sendo obrigada a “escutar” tantas coisas, estas que ele deletou da página dele. E percebi que ele era só mais um, com a exceção de que este te confronta e deixa com raiva, mas que tem alguma atitude em relação às coisas e às pessoas. Ele ainda veio conversar comigo depois, ainda dei um pouco da minha atenção, por cerca de 2 minutos e desisti. Vi que não me valeria a pena.

Amigos são uma preciosidade, são quem te ajuda a levar a vida quando não vai bem, que comemora com você nos dias felizes, que sabe que está ajudando quando te critica, e nem deixa de te amar pelos seus defeitos. Na verdade, isso é família e quem é amigo, daquele que se torna família, é o que aceita isso, e brigando ou não, sabe que as coisas vão se ajeitar, porque toda picuinha é muito pouca pra acabar com o que se tem de verdadeiro, principalmente quando estamos adultos e na teoria somos maduros para dialogar, discutir e resolver pendências.

Existem amigos que julgamos ser pra toda a vida. E nos enganamos amargamente quando, num revés, a maré boa do bom convívio se torna abundante demais e um dos 2 lados resolve que não quer mais nadar ali. Não tem esforço, não tem conversa, não tem nada. Não faz sentido. E é tão triste quando isso acontece, porque a proximidade acaba e se tornam dois estranhos.
O problema é que eu não consigo parar de me importar, o que é prejudicial só pra mim, porque não é recíproco. Não tem a mesma vibe e por isso chegou aonde chegou. Talvez existam amizades sazonais. E eu não sei lidar com essa categoria. Se e souber de antemão que serão assim, prefiro que continue sendo colega, pra que depois eu não vá me importar por quem não faz o mesmo esforço por mim.

As pessoas são, afinal, estranhas e loucas. Confesso que por vezes eu tenha minha parcela de culpa, mas não acho que querer entender, apoiar, criticar, procurar saber, seja ruim. Se eu discuto ou brigo ou não gosto do que ouço, aquilo certamente vai passar. Não que eu seja superior, porque não sou; tenho mil defeitos, acho que poucas qualidades, um temperamento péssimo e sou mal resolvida. Mas meus amigos são jóias pra mim (brega mesmo) e pretendo conservá-los, se houver reciprocidade. Mas não faz sentido quando ela acaba do nada e você tem que lidar com sentimentos que ainda existem. Acredito que seja como um aborto; quem perde um filho ainda sofre, por tempos, com as conseqüências de ter carregado um feto. E o fim de uma amizade seria assim. E o sentimento que gira em torno dela seria proporcional ao tempo que essa amizade durou.

Mas não dá pra lutar com gente estranha. Gente que se diz amiga, mas não te permite ser você mesma na vida dela. Gente que diz se importar, mas surta. E até chegar ao ponto em que estou, demoro muito, quebro cabeça, fico na esperança de que as coisas possam mudar, mas obviamente não mudam. Porque as pessoas agem de forma estranha, são estranhas e muitas vezes nada daquilo faz sentido.

Eu resolvi parar de lutar. Parar de tentar entender certas coisas, certas pessoas e certas situações. Será um aprendizado e eu vou conseguir aplicar pra mim a filosofia tântrica. Vou aceitar o que a vida me dá de bom e de ruim, da maneira que vem. Os amigos que comigo querem se relacionar e os que deliberadamente resolvem ir embora. E não pretendo mais questionar. Não mais isso, esse assunto, ou pelo menos tentarei arduamente

Porque realmente não vale a pena.

http://www.youtube.com/watch?v=S1LtIULGGDM

Hoje recebi um comentário num dos meus textos aqui. E parei pra ler. Engraçado como eu me identifico com esse blog. Como minha vida é um eterno cara a tapa.

Parece que o próprio título do blog me dá um espirito diferente pra escrever, a maneira como me expresso aqui, é completamente diferente de . E eu prefiro aqui. Passo-me a impressão de o que escrevo aqui, tem um pingo de esperança que não tem, tem um pouco mais de ‘claridade’ nas idéias que lá parecem confusas.

E confusa sou eu quando resolvo ter um novo blog mas emocionalmente estou tão liga a este que hoje, e há algum tempo, em menos de um ano de abandono, penso em voltar pra cá. E ser quem eu sou aqui, e escrever o que/como escrevo aqui.

A vontade é maior, inclusive, de atualizá-lo.
Ele não é meu primeiro blog, mas talvez tenha sido o que mais me conquistou, eu mesma me mostrando de formas às vezes inusitadas.

Talvez aqui eu seja mais real.

Mas hoje eu sei ao certo o que quero pra amanhã, pelo menos.

Eu quero minha vida de volta.

Eu quero a vida que tinha em 2007.
Eu quero meus amigos de volta.
Eu quero meus hábitos de volta.
Eu quero eu de volta.

Desde aquela época eu não sou quem gostaria. Não gosto de quem sou, nem das coisas que faço.
Quero voltar a estudar. Quero ter planos e sonhos. E fazê-los acontecer.
Quero voltar a ir pra igreja. Mais do que simplesmente frequentar, quero fazer parte. Quero meu relacionamento com Deus de volta.

Quero sair do marasmo que vivo. Quero ter energia. Quero querer sair, conhecer gente, encontrar com amigos.
Quero parar de me auto-destruir.
Quero saber a hora de parar.
Quero parar de afundar na lama de tristeza.
Quero continuar cantando.

Eu quero minha vida de volta.
Não a vida que eu acho que deveria ter, nem a que um dia sonhei alcançar.
Só quero o que sempre foi meu, quero quem eu era de volta à tona, deixando esse lado até aquele momento tão sutil, imergir nas profundezas do que não conheço. Deixar sumir.

Eu quero minha vida de volta, quando ela fazia algum sentido. Quando 2 domingos em casa era estranho demais, quando ainda participava da minha igreja e sabia o que acontecia. Não só isso, eu tinha razão de ser.
Ninguém sabe ao certo o que sou, o que esperar de mim. Nem eu. Me perdi no meio dessa coisa toda que é desistir de lutar. Me perdi e hoje acordei.
Não despertei para uma mudança, mas para a vontade que ela aconteça.
Essa vontade vai passar? Talvez, se minha mente ainda doente não for tratada; se eu continuar não fazendo nada.

Mas hoje eu sei ao certo o que quero pra amanhã, pelo menos.
Eu quero minha vida de volta.

A Dor É Minha, A Dor É De Quem Tem…

Se tem uma coisa intrigante é a dificuldade das pessoas de entender/aceitar que você tem depressão.
A impressão que passa é que a pessoa tá de frescura, fazendo tipo, não sei. São conjecturas.

Este ano completam 3 em que me encontro nessa situação. Independente de ser rebelde, antes ainda fazia tratamento; agora nem isso. Há tempos, por sinal.
É claro que como eu estava em meados de 2007 não se compara como estou hoje, principalmente pelo auto conhecimento. Porque nada pior do que não saber qual o seu problema. Hoje eu sei e sim, não tenho feito nada em relação a isso por milhões de motivos.

Parei pra pensar nisso hoje por 2 motivos bem fortes.
Estou numa puta crise.
Eu não tenho estado bem e sabia o que aconteceria quando eu saísse do emprego. Não que aquilo fosse uma cura, mas me segurava um pouco. Mas minha mãe achou que era. Pra ela sempre foi assim.
“Você está assim porque a faculdade está acabando.”
“Você está assim porque o estágio está acabando.”
“Ah, quando você se ocupar, isso vai melhorar, é só arrumar um emprego, não é depressão não.”
Sempre escutei essas coisas, apesar de, no entanto, ainda estar me tratando.

Então comecei a trabalhar e minhas idas à terapia ou a psiquiatra cessaram. Ela, minha mãe, que trabalha na área de saúde e tem acesso a coisas que eu não tenho, nada fez. Eu não tenho plano de saúde e tampouco ela se ofereceu pra pagar a continuidade do meu tratamento, sabendo que onde eu fazia – que ela me levou na primeira vez – era de graça e que eu não tinha como pagar nada com o mísero salário que ganhava.
Tá. Saí do emprego. E não voltei pro tratamento. Fala sério, quem tem cara de voltar ao mesmo médico, do jeito que saiu há 6 meses atrás de cara limpa? Não é fácil. Eu sou do tipo que fico com vergonha de coisas pequenas, ou de situações que pessoas normais agiriam numa boa.
Eu não sou assim. “Oi, to de volta. Mas ó, na 1ª oportunidade de emprego que aparecer, vou ter que sair de novo, né? Porque esse horário não é mto legal, mas vamos levando”. Não, não sou assim.

Aí, quando foi hoje, minha mãe veio me falar pra eu ir no médico ver minhas alergias. Até aí tudo bem. Aí ela vem com o argumento de que agora posso ver as alergias e voltar na minha médica, porque não to trabalhando.
E ela só falou isso porque eu to sem falar desde domingo. Aí ela se toca.

Outra coisa que me intrigou, até chateou – também não sei por quê; as pessoas não tem a menor obrigação de te entender – foi uma amiga, mega amiga, tipo uma das melhores, me desejar melhoras “seja lá no que fosse”, ou algo do gênero. Parece que a pessoa tá alheia ao que você passa.(aliás, posso nem reclamar de uma das pouquíssimas pessoas que continuam de alguma forma presente na minha vida porque  o resto tá nem aí).
E eu não posso me chatear porque né, um dos motivos de não estar procurando tratamento é que eu mesma sou super mal resolvida com isso e não aceito bem. Então porque as pessoas deveriam? Mas também, quando eu falo que não to bem, que to deprimida e passando por uma crise, parece falso porque – acho eu – na visão dos outros – deprimido não sabe que tá deprimido. Então eu passo por dramática.
É o que eu acho que os outros acham, na verdade.

É chato porque eu não tenho que fazer ninguém acreditar em mim. Nem mãe, nem amigo, nem empregador, nem namorado (o suposto ex também não entendia e ainda achava que era falta de força de vontade pra ficar feliz. ¬¬). Nem ninguém.
Mas ao mesmo tempo, é mega triste você viver sabendo que não tem com quem contar. Simples assim. As amigas não entendem, a mãe acha que é passageiro.
E o que EU acho? Acho uma merda, um fim de carreira sem fim.
Mas o que eu acho ou deixo de achar também não muda o mundo. Eu só faço refletir sobre isso com um certo desconcerto de alma, numa decepção de hoje saber que o mundo não mudou.

Me resta somente minhas noites intermináveis, minha fama de dramática, minhas poucas palavras pronunciadas. Uma mente quieta. Não me darei mais ao trabalho de me surpreender com obviedades.

“Se ela me deixou a dor,
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor”