Eu não pensava como uma possibilidade. Algo em mim fez deletar qualquer desejo da época de faculdade.

Não sei se foram as crises, se foi minha família com seus ideais egoístas. Não sei.

Também não sei se tem a ver com a minha imensa insatisfação com a vida e o que eu fiz dela. Com o trabalho, com a falta de realização profissional.

Sei que agora voltei a estudar. Direito. Fazer jus aos 5 longos e sofridos anos de faculdade, tirar minha OAB e, de alguma forma, me realizar. Não por salários e coisas do tipo, até porque não acho que a profissão permite tanto assim, mas me realizar fazendo algo que eu realmente dou valor e que me fará feliz.

Felicidade. Tá aí uma palavra que há muito tempo não relacionava com Direito. E hoje me peguei pensando no quanto posso ser feliz na área. Não penso em concurso num primeiro momento, e pra muitos e pra minha família isso é um erro grave de percurso. Naquelas famigeradas enquetes dos professores nas salas de aula, nunca levantava a mão como um dos que faziam faculdade pra prestar concurso; nunca foi a minha vibe. Também não estou dizendo que não os tentarei. De qualquer forma, qualquer coisa é melhor do que continuar onde estou, completamente estagnada, sendo desmerecida e sem ter um caminho profissional do qual me orgulhe.

O ano começou assim. Novos e grandes planos. Pareço estar mais madura, o suficiente pra tentar fazer com que eles deem certo ao invés de desistir no caminho. Espero mesmo que eu não desista e talvez isso não aconteça, apesar da grande dificuldade que vou ter pra me atualizar e prestar a prova, depois de quase 3 anos sem estudar absolutamente nada.
Mas enfim. É isso. Estou animada, depois da primeira aula no curso e espero mesmo manter o encantamento com minhas próprias decisões, desta vez mais forte pra rechaçar quem vier me desanimar.

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Quem És Tu, Rainha do Baile?

Meu colega de trabalho pediu demissão e semana que vem vai embora. A gente se aproximou nos últimos meses e, apesar do grande abismo entre nós, nos damos muito bem. Mais de 5 anos de diferença, ele já com carreira encaminhada apesar de mais novo. Engraçado como o julguei a primeira vez que o vi. E ele se mostrou uma pessoa maravilhosa. O chamo de coxinha e ele diz que sou a pessoa mais irônica que já conheceu. E nos damos bem.

Hoje fiquei até mais tarde e conversamos sobre o trabalho, sobre como me sinto, dei nome aos bois que sempre ficam nas entrelinhas de nossas conversas, falamos muitas coisas.
Desabafo muito com ele; filho de militar o menino, gosto de gente com o tipo de criação que ele teve. É educado, respeitador. Gosto disso.

No vai-e-vem do nosso papo, ele falou em tom de desespero a situação de um amigo, que está pra se formar em Direito e não sabe o que faz, e que iria enlouquecer com o never-ending pursuit for achievement de um advogado (e juro que só consegui pensar nisso em inglês). Naquela hora me deu um estalo, porque eu tenho cogitado MUITO voltar pra área caso NADA dê certo (por nada, lê-se a vida que estou levando). Mas quando alguém verbaliza aquilo tudo, vi que não dá pra mim, senti o mesmo desespero.

E ele falou uma coisa certa: “Eu vejo que você ainda não se encontrou. Tenta se achar e corre atrás.”

A frase saiu de um um playboy coxinha que frequenta pub de playboy todo fim de semana, com 25 anos de idade, que passou 1 ano na Austrália. Não desmereço, mas daí vê-se que pouca merda sou eu com 30 anos, que nunca morou fora do país, que trancou o curso de francês, não terminou a pós, não seguiu a carreira na qual se formou e não tem carreira whatsoever. E pior, com a idade que tenho, fica complicado ter qualquer carreira.

E agora? Ele não me desanimou, só me abriu os olhos nesse momento PÉSSIMO: eu não tenho carreira e tô velha. Só isso. Tradução? Não, não dá. Além de ser péssima em marketing pessoal, não me acho boa o suficiente em gramática e mesmo se fosse, pra ser bem sucedida, seria freelance, trabalharia basicamente de casa e isso não deve dar muito certo; preciso ver gente mesmo que eu conscientemente não queira.

Não sei bem o que pensar, nem o que fazer. Nem é o momento; tem coisa muito mais importante acontecendo comigo, muito mais relevante. Mas queria mesmo era ir pra um país qualquer ser faxineira (não que eu queira de verdade, mas dentro da minha realidade no momento seria uma boa ideia, por favor né). Ganharia mais do que ganho hoje, mas a Europa está em crise e vai que dá merda né. E eu tenho medo, medo de tudo. Culpa de uma família que vive da cultura do medo.
E sim, culpo minha família por isso, culpo minha mãe por muitas escolhas que tomei, e se hoje estou onde estou e bato na mesma tecla e não desisti é to prove her wrong e tentar fazer qualquer coisa dar certo porque finalmente escolhi por mim mesma.

E é só.
30 anos, sem carreira e talvez terminarei minha vida assim. Fatalista, pelo menos, é bem provável.

O básico do básico, my ass.

Foram 5 longos anos. Isso pra quem se livra de uma reprovação. Mas é isso. 5 anos. Provas, trabalhos, códigos, vade mecum, aulas de filosofia e até português.

Em 2003 me aventurei a fazer faculdade de Direto sem saber ao certo onde estava me metendo. E na certeza de que aquela fora uma escolha minha.
Foram anos bem feitos, bem vividos, bem estudados. Na verdade, poderiam ter sido melhor estudados, fato.
No final, saí da faculdade com uma monografia bárbara e uma depressão a tira colo.

Dia 19/02/10 far-se-ão 2 anos da minha colação de grau. E nada, absolutamente nada mudou de lá pra cá. Nada de bom, eu digo. São 2 anos fazendo nada, além de meia dúzia de cursos. Umas tentativas de tirar minha carteira da Ordem, mas de resto, nada.

De uns dias pra cá, aliás, desde o meio do ano passado, 2009, pra cá, tenho procurado emprego por mil  que não vêm ao caso. Consegui um e fui demitida. E voltei à saga das entrevistas e etc etc etc. Hoje voltei de uma, que nem sei se dará certo, mas que me impulsionou a tentar fazer alguma coisa sobre meus estudos.
E até comecei a me ‘animar’ pra OAB de novo, pagar um cursinho e tals. E minha mãe vem me falar que é pra eu pagar um curso pra fazer concurso pra qualquer coisa, tipo agente administrativo do Detran. Nada contra quem presta, mas eu não passei 5 anos de faculdade e 2 anos parada pra fazer concurso de 2º grau, sem nem cogitar tirar minha OAB tão cedo. “Depois que você tiver lá, você pensa nisso.”, foi o que escutei.
Então, pra quê eu fiz Direito? Pra isso, eu poderia ter feito qualquer coisa mais fácil, menos dispendiosa e que tivesse durado só 4 anos, muito melhor.
Daí eu me pergunto o porquê disso tudo. Eu já entendi que fiz Direito porque meu inconsciente queria agradar minha família e não a mim. Mas já que essa parte eu fiz, por que as pessoas não param de tentar coordenar minha vida? Quem disse a ela que concurso público pra trabalho burocrático é o melhor pra mim? Quem disse a ela que eu to feliz assim, sem minha OAB? Quem disse que eu quero isso, de concurso, de concurso pra 2º grau?

Sinceramente, me magoa e muito nego querer o básico do básico pra mim, porque assim é mais fácil viver. Cansei disso. Cansei das pessoas acharem que OAB é uma fase totalmente dispensável pro Bacharel em Direito. Então, fiz Direito só pra nego encher a boca? Enche a boca de comida, seja medíocre mas não peça que eu seja.
Hoje eu sei que não sou nem estou dando nem 1/3 do que posso. Eu não posso porque to confusa, porque to deprimida, porque não sei ao certo o que quero. Mas dessa mediocridade eu preciso passar longe essa mediocridade eu sei que não quero. Porque quando eu acreditar, de verdade, 100% de que basta ser mais umazinha qualquer fazendo qualquer bostinha, vou parar de tentar de vez. E daí, ai de quem questionar a minha falta de ambição. E vai ser culpa sua.

Coisas e mais coisas..

Sou um pouco narcisista e sempre, quase que uma vez por semana, fico a ver as fotos dos meus álbuns do orkut. Agora há pouco tava fazendo exatamente isso, até que comecei a me incomodar com um troço que eu nunca tinha dado valor até ter a 1ª vez: sobrancelhas feitas. Sério. 90% das fotos elas estão bagunçadas e como isso me incomoda hoje! Fica tão feio, não sei como demorei tanto pra começar a fazê-las.. E hoje eu quem as faço, não pago nada por isso e ficam tão direitinhas… Uma graça…
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Fui picada por uma abelha na segunda-feira. Isso não acontecia há uns 15 anos, mais ou menos. Aí cogitei a hipótese de ter ficado alérgica a picadas de abelha. Na mesma hora uma amiga disse: claro que não, né? Ninguém desenvolve alergia. Achei até coerente mas fiquei meio na dúvida. A semana passou, a picada começou a coçar e ontem eu tinha um braço nascendo do braço. Tava MEGA inchado, coçando horrores, doendo como nunca imaginei.. uma loucura. Resolvi ir no médico e quando ela olha, as primeiras palavras são: “Por que você não foi direto pra uma emergência?”. porque eu NUNCA que ia imaginar que meu braço cresceria e eu quase o perderia, coitadinho… E pra minha felicidade e susto, estou a tomar um antialérgico e um antibiótico por 10 dias, 4 vezes ao dia! Pelo visto não foi coisa pequena não… E agora sei que tenho alergia a picada de abelhas, thanks for telling me!
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Hoje é sexta e eu só quero que terça chegue. Parece perto, mas ao mesmo tempo muito longe. É o bendito dia que sai o resultado da OAB. Dependendo disso, comemoro ou não meu aniversário. E isso é sério, visto que a fossa, caso uma reprovação me assombre, vai ser de dias. E pior: não vou poder beber pra comemorar ou mesmo pra afogar as mágoas. Culpa do braço quase decepado e seu antibiótico.
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Olha, vou te dizer… Essa coisa de não ter emprego é uma merda. Não porque você não tem o que fazer ou coisas do tipo. Eu até tenho, tenho curso pro concurso que mais quero neste momento. O único e exclusivo detalhe é que pra isso eu preciso comprar alguns poucos livros. E quando digo pouco, são poucos mesmo. Só que a conta chega perto dos 500 reais! E se não basta ser sustentada e se sentir incomodada, é a possibilidade de não consegui-los -os livros, eu digo – ou mesmo ficar morrendo de vergonha de pedir mais dinheiro. Depois que a gente começa a trabalhar e ter noção de como dinheiro não se ganha fácil mas gasta-se fácil, fica difícil sair pedindo as coisas como se fosse um caixa automático. Eu só sou classe média porque moro bem e tenho boa criação, mas meu dinheiro não cresce em árvore, não é capim e não tá sobrando!
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Voltei a cantar. 2ª e 5ª. Um coro misto e um feminino. Sinto que renasci. E toda vez que vou pro ensaio de 2ª fico encantada com a faculdade e me dá uma puta vontade de fazer música (mas também quero fazer Letras, Filosofia, Ciências Políticas, Gastronomia, curso de fotografia, francês, espanhol e alemão). Mas pra isso eu preciso gastar uma fortuna com livros, passar num concurso e ter dinheiro pra me sustentar. Mas ao mesmo tempo, fico a pensar e vale a pena desfocar da minha área… porque o que quero messsmo é outra área no Direito. Não estou preparada agora pra isso, mas eu quero, num futuro não muito distante.
Acho que eu preciso messssmo aprender a ser gente grande e sair desse mundo de ilusão que vivo, de achar que vou ter tempo de fazer zilhões de faculdades e ter uma carreira bem sucedida. Confuso, não?
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Como eu ando intolerante. Sei lá por que. Só sei que estou. Só o fato de alguém não atender minhas ligações me irrita. Tentar dormir e não conseguir me irrita. Mas ao mesmo tempo estou com um astral ótimo, como disse uma amiga.
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Preciso comprar um roteador pra ontem. Meu notebook tá aqui parado, sem muita utilidade porque eu simplesmente não tenho como conectar-me à internet. E não tenho realmente digitado nada além do usual, aí perde o objeto… Mas como eu gosto dele!!

Tinha mais alguma coisa pra escrever aqui, mas esqueci completamente. Normal. Deixa pra depois.


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Now playing: Jason Mraz – Coyotes
via FoxyTunes

Politics and stuff

Ta aí. Se tem algo que eu odeio muito é política. Primeiro porque falar em política no Brasil é inútil. Na verdade, não tive essa educação no colégio (tá, tive moral e cívica, mas não ensina nada a ninguém…). E não gosto e pronto. Mas se tem alguém que gosta é minha avó. E gosta muito; vê TV Senado, TV Câmara… fica revoltada com as sessões de plenário, ri chora e tudo o mais vendo o que se passa nas casas.

Eu tento entender porque eu não gosto de política e não vejo razão senão a óbvia(oi, corrupção?!)… mas ao mesmo tempo não consigo entender porque não gosto se sou formada em Direito. Rola uma ligação meio indireta… o processo legislativo em si (quando entendido tb) é muito bonito.. pena que são pipoqueiros e semi analfabetos que propõem e sancionam as leis por aqui…

E sabe o que me intriga mais? Um montão de gente dando pitaco em eleição norte-americana, defendendo bandeira democrata, bandeira republicana, plataforma do negro bem sucedido, do coroa e sua vice, mãe de filha adolescente grávida… mas ninguém dá muita bola pras eleições aqui no Brasil. Este ano foi o mais absurdo. Como se fala nessa bosta de eleições americanas (agora mais que nunca, com a mega crise financeira blablabla e etc e tal…)….

Culpo as emissoras de tv que adouram alienar o povo. Bando de bostas vindos do inferno! Por isso só vejo seriado e filme. E leio as notícias que me interessam na web mesmo…

Trocando alhos por bugalhos…

To sentindo coisas ruins corroerem meu ser. Profundo não? Acordei com uma mini ressaca – algo incrível pela quantidade de líquidos ingeridos – e com muita raiva… De mim, no final das contas, por conta de como eu sou com os outros.

E sabe o que é pior/melhor/estranho? Eu não to com raiva do que deveria ter raiva, ou do que teria raiva há pouco tempo atrás. Na verdade coisas que me incomodavam antes hoje são tão pequenas… e não são pequenas nos seus efeitos, mas é como se eu as tivesse minimizado. E estou supervaorizando a mim mesma, o que me dá raiva! Acho que sou muito mais do que muita coisa que muita gente acha…

Além do mais, essa supervalorização me fez ver que minha vida tá mais aberta do que esse blog aqui. A culpa é minha, ninguém me obriga a falar bosta nenhuma. Por isso que ninguém fala bosta nenhuma. E tá todo mundo certo. E quem deveria saber sobre grandes coisas da minha vida, não sabe. Coisa que deveras me incomoda.

Tem também uns lances de reciprocidade que tem me assombrado o pensamentos.. coisa chata pra cacete! E na boua? Recíproca verdadeira de cú é rola. Falo logo.

Trocando alhos por bugalhos²

Homem só serve pra algumas poucas coisas: subir em escadas altas, matar largatixas e espantar cigarras, contar piadas de baixo calão, doação para banco de esperma e empurrar carro enguiçado. De resto, só faz/fala/dá merda. Essa parada de “fila andar” é só outra babaquice da cultura de massificação, já que a idéia do príncipe encantado não colou por muito tempo. Geral sabia que o Ken era um porre e Barbie um dia ia cair fora e vice-versa. Aí inventaram a babaquice de fila andar.. Toda fila anda, manezão! Até a de formigas carregando o teu açúcar.

Nem sei porque dessa porcaria aí em cima. Sono, gripe, qualquer coisa. E mesmo que não fosse… o blog é meu, escrevo o que quiser. E sim, sou grossa mesmo.

Usando palavrão pela 1ª vez. Culpa do (des)equilíbrio da minha vida…

Um dia me falaram sobre o equilíbrio das coisas… Que pra cada sofrimento vinha uma alegria e vice-versa, seria algo de ‘equilíbrio da natureza’.

De fato, nunca acreditei nisso e minhas amigas estão vivas para comprovar. Sempre refutei essa teoria porque simplesmente não a via acontecendo na minha vida. Mas, como a gente tem que ter fé, tem que acreditar que as coisas podem e vão dar certo, tentei adotar parcialmente a tal teoria pra mim.

Junto dela, acolhi o pensamento positivo, as ações positivas para se conseguir o que se quer e fui em frente, acreditando, muito mais do que isso tudo junto, em Deus que está sempre presente e vê não só o que queremos e nossas ansiedades, mas vê também nosso esforço em alcançá-las.

Ontem tive uma notícia muito ruim. Poderia ser pior, mas foi muito ruim. Eu estudei, tive pensamento positivo, sofri e vi que Deus tava comigo e achei que passaria numa prova mega crucial pra minha vida. E não só não passei como fiquei longe disso. E pior, quando não estudei tive rendimento semelhante.

Foi terrível relembrar os momentos de paz que senti ao fazer a prova e depois dela. Eu orei antes de começar, ao terminar, no dia anterior e em todos os outros. Não to dizendo aqui que minha fé é dependente de bons resultados, só digo que não foi por falta dela.

Não bastasse a má, péssima notícia, por conta dela, travei uma big guerra mundial na minha casa, sem que eu tivesse começado, pelo simples fato de eu não aceitar as condições impostas à minha vida. Não respeitam meu direito de chorar, de achar o mundo injusto, de me achar coitadinha, mesmo que seja por alguns dias ou momentos. Não me dão direito de ser, sem ser o que querem que eu seja, não vale nada ser maior de idade porque pouco importa. Importa o lugar em que vivo, com quem vivo e por quem fui criada. Levantei minha voz e só piorou. Não se pode levantar a voz, mesmo que seja pra ser ouvida, na ditadura da minha casa.

E só ouço os gritos, literais, na minha cabeça e ouvidos, que eu preciso parar de me fazer de vítima, que eu preciso seguir em frente, e que eu não posso me incomodar com o que as pessoas pensam. Tudo isso com menos de 30 minutos após o resultado.
Porque eu não posso me incomodar, eu deveria ser outro alguém.
Porque a partir de ontem eu não tenho mais mãe nem avó, porque eu não mereço (e pelos motivos que a 1ª acha razoável). E tenho uma tia que não se cansa em me convencer a ir pra casa dela.

Então eu pergunto: aonde está o equilíbrio da natureza, aonde está Deus aonde está tudo porque agora à minha frente, vejo um nada. Um nada de pessoas com raiva de mim, porque eu choro; porque eu quero ser eu e não o que me mandam; com pena de mim e me pressionando pra sair do meu estado e estudar em outro lugar pra não sofrer pressão dos amigos; um nada de resultados, que me levam a pensar até aonde Deus permite essas coisas e o que Ele quer de mim.

Não passei e não foi por falta de estudo.
Estou sendo deserdada por querer ser eu.
Estraguei o aniversário das pessoas.
Não consigo dizer não às pressões pra me tirarem do Rio de Janeiro.
Vejo injustiça pra todo o lado, com pessoas que mal e porcamente estudaram com material que eu dei e passaram.

Passei o dia todo me perguntando como consegui tirar 10 ‘com louvor’ na minha monografia de fim de curso e sinceramente começo a achar que foi pena. Nada faz sentido. Eu nunca fui aluna de “10 com louvor” e também não terminei a faculdade assim. Foi um “gap” na minha vida e me fez confiante quando na verdade deveria levar como um golpe de sorte por ter escolhido um tema diferente, coisa que já me garantia um certo respeito, talvez…

A vida é uma longa sucessão de injustiças. Há os que nasceram pras melhores coisas da vida. Há os que nasceram pra se foder. Literalmente. Porque nada na vida da minha família vem fácil, mas essa prova não teve nada de fácil. Mas sou obrigada a escutar que deveriam ter me negado mais quando era pequena pra eu aprender a não ter as coisas.

Sinceramente? Não vejo mais sentido em nada. Não vejo sentido em estudar, se não é pra passar; não vejo sentido em ser maior, se não posso ser quem sou; não vejo sentido em viver, se na verdade preciso ser uma marionete.

O que eu quero? Grandes merda, que se foda o que eu quero. Eu tenho que querer o que querem. Mas talvez isso faça parte do equilíbrio natural da vida.

Engraçado é fazer Direito, ter uma réplica da Deusa Minerva(ou Têmis, sei lá) segurando um balança e vendo a balança da minha vida em total discrepância com aquela. Nem de olhos abertos eu consigo mantê-la sem virá-la, ou mesmo encostar um dos lados no chão.

Eu Fiz Direito!

Pois sim. Hoje eu posso dizer que sou uma Bacharelada em Direito, porque colei grau faz uma semana, já. O que você tem a ver com isso? Nada. Mas eu tenho.

Eu colei grau! Eu sou formada em Direito!

E o que isso me garante? Só uma cela especial enquanto minha sentença não transitar em julgado. Falei grego, né? Pra você ver, meu canudo vazio não tá valendo muito mais que um abacaxi de fim de feira. Porque neste mundo injusto, qualquer profissão te garante qualquer coisa depois da faculdade, só que nós, bacharéis em Direito, precisamos nos matar pra conseguir uma carteirinha.

Não bastassem os cinco anos aprendendo milhares de correntes doutrinárias e posicionamentos dos tribunais; não bastam só os códigos, que todos os anos são iguais, mas tão diferentes ao mesmo tempo, que é preciso comprar outros, porque o idiota do legislador quis mudar uma lei que, sinceramente, possivelmente era melhor antes da modificação. E pra quê criar mais????

E porque ler o artigo 5º da Constituição Federal toda hora? Achar até que ali vai ter resposta pra prova de Direito Empresarial, já que nunca tem em lugar nenhum!

Também foi um graaande prazer ler e reler teorias de São Tomás de Aquino, Aristóteles, John Rawls, David Hume, Höffe, Hans Kelsen, Rousseau, Platão e não entender absolutamente nada do que eles diziam! E tentar entender o tal Devir e seus seguidores, sabe-se lá se era Heráclito de Éfeso, Zenão de Eléia, Parmênides ou sei lá mais quem. Mas o que filosofia tem a ver com tudo isso? Tudo! E isso é que é pior… Sabe o Legislativo, o Executivo e o Judiciário? Pois é, não seria assim se não fosse pelo velhinho Montesquieu.

Ah, foram esses os momentos em que pensei em fazer letras, filosofia e até mesmo turismo, menos Direito.

Mas durei tempo o suficiente pra acabar e ter o prazer de ver professores de má vontade, professores relaxados, professores mancos, professores que falavam pra dentro e ficavam sentados. Sem me esquecer dos que babavam em cima das alunas. Fiquei tempo o suficiente pra partir pra aulas no outro turno porque a professora era péssima; pra trocar de turma ao ver que o professor de Civil parecia um aluno nerd. E pra descobrir que de nerd não tinha nada, e maluco talvez fosse!

E vi filme sobre Processo Penal, onde o juiz de direito (que inicialmente hoje ganha uns R$20.000,00) vivia numa casa mega simples com móveis das Casas Bahia e comia pão com mortadela (ta, não lembro bem se comia, to inventando mesmo). E ainda pude descobrir que “quem pode mais, pode menos! Sem contar que tive o (des)prazer de ver mensagens de amor e de horóscopo do celular do professor. Escondido, claro!

Aturei muita gente mala, gente carente me pedindo um abraço e um pouco de atenção, gente indo fazer Queixa na delegacia do colega de classe por conta de humilhação em público.

E professor simulando conjunção carnal na mesa, chamando a senhora de “tia” e as meninas de “potranca”. É desse tipo de coisa que realmente quis fugir.

Quis fugir também das aulas dos malucos, das provas dos malucos e dos malucos. Mas das provas não deu. Tirar 5,5 e ganhar palmas não é pra qualquer um não!

Mas foram bons 5 anos. De trabalhos compartilhados, de petições de Direito Empresarial, de discussões com colegas de grupo, com dúvidas sobre “doutrina“! De fofocas sobre a vida alheia, de fofoca sobre as nossas vidas; de crises existenciais, de crises pré-prova, de crises das crises!

E, como não poderia terminar de outra forma, fechei com chave de ouro: monografia sobre tema difícil e ainda chamando a mais cheia de má vontade da faculdade. O que (não) se chora em 5 anos se chora em 2 dias. Mas o choro valeu, mesmo durante a deliberação e recebendo meu “10 com louvor”, valeu! Valeu escutar sobre coisas que nada me interessam, mas pra dar força pros meus amigos.

Valeu ter conhecido meus amigos! Mesmo eu tendo vomitado no meio da sala e todos rindo de mim; mesmo com minhas grosserias e os dias de mau humor de cada um. Valeu a pena conhecer os professores que conheci (uns mais do que outros). Valeu a pena conhecer pessoas agradáveis e desagradáveis. Vêm no pacote e fazem parte dele.

Eu agradeço muito e reclamo muito também! Verdade seja dita e eu sei que faço parte de uma minoria, aqueles que conseguiram começar e terminar uma faculdade. Mas agora estou num lado mais triste: da maioria que está sem emprego.

Hoje, com diploma na mão, não sou nada. Nem ninguém. Muito menos uma advogada. Mas uma coisa – bem piegas – eu posso dizer:

Eu Fiz Direito!