Totalmente Fora de Moda…

Quanto mais o tempo passa, mais percebo o quanto me sinto sozinha neste mundo. Não de ser sozinha ou estar sozinha. Mas sozinha quanto aos meus pensamentos, princípios, ideais. Estou longe de ser tudo o que gostaria, o que Deus gostaria que eu fosse e o que as pessoas esperam de mim. Mas se tem uma coisa que meus amigos podem contar comigo sempre são atos de bondade. Porque eu sou boa, do fundo da alma. E pode parece falta de modéstia mas não é. É a simples constatação de que sou boa e isso definitivamente não é uma qualidade. Não nos dias de hoje, não neste século, não neste país.
Sou boa e incluindo uma única letra, minha bondade se resume: boba.
E parece que quanto mais os ano passam, mais bo(b)a vou ficando.
Quando mais nova, me achava e talvez agisse, da forma mais egoísta possível. Tudo pra mim, tudo eu, eu, eu, eu. Talvez fruto da minha criação, coisa de filho único.
E não sei se foi a vida, se foram minhas experiências ou mesmo o meio, me fizeram abandonar esse culto a mim mesma e pensar nos outros.
Enquanto uns ficam fulos porque fulano tá namorando ou vai casar, eu fico feliz. Não digo não sentir uma pontinha de inveja, afinal, quem não quer um par, não é?
Enquanto uns acham mais fácil odiar alguém por simplesmente odiar, algo dentro de mim pára pra pensar se não existe algo de bom. E eu também odeio, não tiro meu cavalo da chuva não. Mas confesso que nas minhas tardes solitárias ou noites insones eu realmente fico a pensar na justiça de julgar alguém por algo.

E tem mais. Acredito nas pessoas, no mundo, na paz mundial que nunca vai acontecer. No amor – mesmo que ainda não tenha verdadeiramente acontecido pra mim – na palavra dita, no segredo confessado. E vou pagando de trouxa até o 1º sinal de mentira. Não me passe a perna, por favor. Eu só faço existir desse jeito que sou.

Uma amiga um dia me escreveu: “É bem verdade que tem um capa de ‘gente forte e articulada’, mas por mais que pareça ‘do contra’, a **** sabe ouvir e sabe perguntar e sabe sentir. Muito sentimental essa menina. É só saber ver com cuidado.”
Foi uma das melhores definições sobre mim mesma. Acho que nem eu conseguiria ser tão exata.
Meus sentimentos predominam na minha vida. Principalmente os de esperança. Eu até minto e digo que não a tenho mais. Eu até finjo ignorar algo que me faça mal. Mas no meu cantinho escondido eu choro, fico com gritos e berros entalados na garganta e frases não ditas nos momentos apropriados.

Hoje, um dia em que tudo correu super bem, eu me decepcionei. Algo que parece tão pequeno mas que, vendo o contexto, vendo o passado, tem uma importância tremenda. E me mostra que a boba sou eu, na minha bondade finita (porque também não sou perfeita), que me permite fazer pelos outros o que outros não fariam por mim.
Quem sabe não é algo Freudiano dizendo que eu sinto a necessidade de ser aceita? Não duvido nada.

Mas, infelizmente, eu sinto, faço, falo, me preocupo, choro, oro, peço, imploro a Deus pelas pessoas à minha volta e seus anseios. Peço por mim também. Mas ver o sorriso dos outros me alegra, mesmo quando meu sorriso se esconde em lágrimas. Já que eu não sorrio, que sejam outros.
E nessa de sorrir pela felicidade dos outros, eu ajudo, coopero, sou solidária. De boba que sou. Já caí do cavalo 2 vezes e não aprendi. Mas a vida dá voltas, cada dia é um dia e posso eu ser hoje como uma borboleta, ainda lagarta, em seu casulo, esperando o momento pra voar.
E pode ser que nesse vôo, eu comece a olhar mais pra mim, pensar mais em mim, fazer tudo pra mim. Porque bobo é quem faz coisa pros outros. Que pensa nos outros. Que se alegra pelos outros.
Esse mundo é egoísta e a cada descoberta como essa vejo o quanto não estou no lugar certo.

Bondade é pros Fracos

Sem qualquer modéstia neste momento – e talvez seja exatamente nisso que peco – sou um ser humano raro. Sério. Deus me fez com carinho mas esqueceu um pouco da beleza. Mas de fato sou uma boa pessoa.
Hoje passo meu dia reclusa no meu quarto, desde às 5:15, hora em que cheguei e discuti e consegui ir pro meu quarto enfim, até o momento em que escrevo aqui essas palavras. Tiro, porém, os momentos em que liguei essa máquina e comi pão na chapa com Coca-cola e tomei banho. Não haveria motivo para isso se eu não me sentisse culpada por ter tido uma ótima noite regada à diversão e amigos. Deus me fez boa filha, boa, neta, boa sobrinha, boa prima; e só não sou boa irmã por falta de um(a).

‘(In)felizmente’ tenho a ‘péssima’ tendência a colocar a vontade alheia à minha. E por mais que tente agradar, estou sempre sendo desagradável, porque, por um momento de prazer que creio ser meu direito, desagrado tanto que essa insatisfação criada poderia servir por uma vida inteirinha…

O que mais me perguntam é como consigo ser assim. Como consigo, literalmente deixar de viver para não fazer os outros infelizes. Ceder tanto de mim e da minha vida no auge da minha vida. E no final, infeliz fico eu, seja por tentar evitar a infelicidade alheia ou por tentar ser e estar feliz com um pouco, e ver a tragédia em que isso se transforma.
Também sou boa amiga, não nego(como disse acima, a falta de modéstia é quase que o tema central deste texto). Tento me convencer que sou egoísta mas não sou, minhas atitudes falam por mim. E nem é por falta de tentativa. Mas isso não me faz infeliz não, mas tentar agradar todos ao mesmo tempo pode causar certas dores de cabeça.
É o que eu chamaria de uma pseudo tentativa de “Síndrome de Jesus Cristo”. Até tento salvar tudo e todos e no final creio que só crio confusão.

Confesso: fico triste em não ser egoísta.
É por isso que me sinto uma perdedora. Ou ‘vencedora’, citando meus queridos Los Hermanos: “faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz”. E é por aí. Sou perdedora porque perco de mim pra fazer os outros. Mas venço em tentar encontrar a paz nessas atitudes. Essa paz, infelizmente me custa mais caro do que meu bolso está disposto a pagar.
Paz esta, mais cara do que pessoas ‘normais’ costumam se propor a pagar. Não digo isto por me sentir melhor ou superior, mas sim por ser mais boba, mais trouxa ao ser tão boazinha assim.

Minha bobeira me faz insistir no ‘ininsistível’, desistir dos meus sonhos pela simples questão de ter a tal paz que busco sempre e nisso abdico do que considero ser direitos por mim adquiridos.
Sou boba até quando se trata das piores questões que assombram meu falido viver; e vos digo: o amor. A bobeira não se trata apenas por eu não ter coragem de correr atrás do que quero, no sentido de enfrentar minhas vergonhas e limitações e falar o que se espera ser falado. Ao invés disto, desisto ‘fair and square’. E não! Não me sinto mal por isto. Fico feliz com a felicidade das pessoas. O amor não correspondido que outrora me assombrou algumas vezes, tantas vezes, se transforma facilmente em felicidade pela felicidade alheia. Não sei quem me ensinou a ser assim, se foi Deus quem benevolamente me fez pro bem.
Desisto também de quem mal quero. O mínimo conflito de interesses fugazes me faz passar a vez. Não me vale a pena. E poxa, por que ser má, por que amargurar o que não vale a pena? A vida já é por demais amarga para continuar regando esse tipo de sentimento.

E escrevo estas palavras por ter escutado de uma amiga e de certo modo também ter confessado a mim mesma que essa sou eu: boa, boba, tola. E se já não sou muito feliz assim, prefiro nem conhecer algum possível lado o oposto que teoricamente eu teria.

Agora choro. Choro por perceber que bondade não tem recompensa. Até nos atos de maior relevância, ser boa é ser mal interpretada. Que bondade me garante uns bons amigos – que quando bem escolhidos não se aproveitarão dessa minha característica – é inegável. E disto não reclamo; os meus, a não ser que sejam exímios atores, me são bons de verdade.
Mas com amigos bons, com uma vida melhor que de muitos, com uma boa índole e um bom coração, atitudes positivas para com outros (nem sempre comigo), continuo sendo uma pessoa incompleta que já passou da beira da autodestruição.

Acredito ser válido tentar acreditar que um dia atos de bondade serão recompensados. Acredito que talvez seja necessário acreditar no equilíbrio das coisas para manter aquela pequena chama acesa que me permite continuar vivendo. Porque, se algum dia, eu realmente me pegar realizando que de nada me vale ser assim – e não, não o sou por busca de recompensas, apenas sou – de verdade, não me valerá nada viver.
Diferente disto nunca serei, não consigo. Minhas essência é translúcida e seu cheiro exala nos poros da pessoa que me tornei depois de vencer a corrida dos espermatozóides.

E hoje, eu, pessoa boba não sou nada, tampouco alguém, porque a bondade que tenho no coração e que carinhosamente afaga um cachorro labrador às 5 da manhã, é só mais um alguém a levar rasteiras de um ríspido mundo que considera essas minhas ‘propriedades’ como um grande amontoado de fraquezas.

Tudo tem explicação…

25 anos, 8 meses e 9 dias.
1 dedinho da mão quebrado.
1 dedinho do pé luxado.
Cabelo queimado.
4 anos de flauta transversal e doce.
2  anos  – ou menos -de violino.
6 meses de piano.
Mais de 10 anos cantando.
Faço comida.
Arrumo a casa.
Atendo o telefone e anoto recados.
Cuido de avó doente.
Vou pra Petrópolis.
Passo o Carnaval sozinha em Copacabana.
Fui à Espanha e Portugal.
Pago contas.
Tenho conta corrente.
Tenho dívidas e as pago.
Me viro bem com computadores.
5 anos e Direito.
1 trabalho e 2 estágios.
Viro a noite jogando corrida.
Ando sozinha à meia noite pelas ruas.
Jogo sinuca.
Jogo buraco.
Bebo chás.
Vou à cafeterias.
Encontro pessoas desconhecidas.
Fico com pessoas de caráter duvidoso.
Durmo sozinha vez ou outra.
Chorei várias vezes no colégio.
Choro vendo filmes.
Sei bater, sei brigar.

Tudo isso, com 25 anos 8 meses e 9 dias. Mas nada disso me é suficiente para eu ter a liberdade de quem verdadeiramente vive essa idade.
Já passei da fase do cansaço e desapontamento ou frustração, pra momentos de raiva e ódio mortais.

Esses anos de vida ainda não me fizeram eliminar certas toxinas que resolvem se manifestar na minha vida. Me afetam mais do que tudo que eu possa lembrar nesse momento. E por mais exercício mental que faça, essas tais toxinas me envenenam mais do que qualquer outra coisa.

A solução (e fuga, na verdade, é sempre dormir, tirar a raiva do coração (que eu sei que só sairá quando eu meter o pé fora de casa) e tentar aproveitar o que o resto do dia me proporciona.
Ou passar momentos com livros(no momento Ssramago). Ele, com certeza, me entende.  Aliás, o mundo inteiro me entende, menos quem compartilha do meu dna; seja ascendente, colateral ou seja lá mais o quê.
A parte da personalidade veio com (d)efeito, porque igual a minha ainda não achei ninguém na família. E infelizmente não dá pra dizer que EU fui adotada porque a semelhança até assusta..

Minha boca é cheia de argumentos cuspidos pela minha mente. Eu já tentei todos eles e nenhum funciona. É mais firme que o muro de Berlim ou as muralhas da china.
E minha única explicação pra isso tudo, pra tanta resistência contra um sistema já firmado, uma opinião firmemente formada, uma realidade tão redundantemente real é a seguinte: EGOÍSMO.

Update acerca do comment da Carol:
A minha IDENTIDADE, se choca com o EGOÍSMO das pessoas que vivem ao meu redor. É essa a raiz do problema…

O Elo Mais Fraco

Engraçado como tudo muda na sua cabeça quando se descobre o que realmente pensam de você. De certa forma, não chega a ser tão assustador, mas um tanto surpreendente se pararmos pra pensar que, infelizmente, ainda temos aquela pontinha de esperança na humanidade.

E que puta humanidade. Humanidade que te chama de louca. E não de brincadeira. Humanidade egoísta pra cacete(porque não uso palavrões aqui), que se curva ao máximo, tira até uma costela, só pra olhar o próprio umbigo.

Lindo. Lindo mesmo. Verdade que se descobre da pessoa que menos deveria pensar assim de você, ou que pelo menos iria agir a favor disso, não achar que é simplesmente loucura. Taxar, rotular e julgar são coisas ótimas de se fazer quando não se está na berlinda.

Hoje eu odeio a berlinda. Odeio a loucura. Odeio o egoísmo. Hoje eu odeio o mundo e todo mundo. Sem distinção de raça, credo, cor predileta ou número de sapato.

E eu tenho o direito. Eu sinto aquilo que bem entendo. Não vou falar aquilo que penso, eu magôo as pessoas só com meu respirar, mas sentir, ah! sinto mesmo. Todo mundo sente.

O problema é que ninguém sente que ressente. E a bola de neve cresce. E um dia vai explodir. No elo mais fraco, porque é ele que carrega as dores do mundo.
É o bode expiatório.
É o Judas malhado.
É o chicote no corpo molhado.
É a marca do chicote no rabo.
É o pelo encravado.
É o chute do dedo quebrado.
É o olhar mal encarado.
É o amor mal regado.
É o ódio disseminado.
É o que sente o avacalhado.
É o que falta ao ovacionado.
É o que sobra no deseperado.
E é o que se espera do mal amado.

O elo mais fraco. O elo enfraquecido, enraivecido, esquecido.

O elo mais fraco… este sim carrega as dores do mundo. E ninguém agradece.

(eu tenho noção da falta de coerência neste post. mas eu quem escrevi e o direito é meu)