Minha mãe é daquelas que acha que se souberem que minha licença foi por motivos de doença psiquiátrica, serei mandada embora por justa causa (vê-se que ela não sabe qual o conceito de justa causa, pra começo de conversa)- aff. E que é bom que ninguém saiba porque se eu for demitida eu fico péssima em casa, muito pior que trabalhando. Vê se pode. A pessoa não sabe o que to passando e fala umas merdas que só Jesus mesmo pra salvar.
Ela também é daquelas que, sabendo do que se tata essa maldita doença não vem querer saber como estou; instead, diz com todas as letras que está esperando eu chegar pra falar com ela. Falou isso, quando fiz questão de informar que ela já sabe de tudo pois foi atrás da minha amiga pra saber das coisas e ela negou que soubesse de qualquer coisa.

E ainda tem quem não entenda o por quê de eu querer meu canto, minha casa, minha vida.

Esses dias de licença foram perturbadores porque, além de eu não querer tirá-los, ainda neurotizei com essa história da minha mãe, apesar de achar que ela não tem razão. Porém sei que minha saúde precisa de atenção e se, por algum acaso, nesse mundo moderno, em pleno século 21, acontecer algo do tipo, prefiro perder meu emprego. Lugar nenhum que prefira me demitir porque estou cuidando da minha saúde e de mim, me merece como funcionária.
Nem por isso deixei de sonhar com o trabalho. Também abri e-mail mas não respondi nenhum.

Hoje fui à academia, descobri que tenho até novembro; meu plano vai até agosto e com os 2 meses trancados e a choradinha de maio, que não tranquei nem fui, ganhei 3 meses pra frente. Espero voltar essa semana.

Confesso que me sinto muito melhor, não pelos dias que estou em casa, mas pela medicação mesmo. Vai que agora dá certo, né. É o que espero, de verdade. Dá uma canseira danada esse negócio todo.

Amanhã ainda é sábado e, pasmem, tô cansada de casa, por mim ia trabalhar. Tem muito da questão não resolvida também, me deixando meio ansiosa. E ficar em casa com a senhora minha mãe nesses últimos tempos não tem sido a melhor das opções.

Isso Aí.

Demorou muio tempo pra voltar aqui. Demorou muito tempo até muitas coisas se acertarem. Confesso que venho lavar a alma, a me condenar, tudo junto.

Não posso reclamar muito do ano que tenho tido, faço curso na área que gosto e hoje, finalmente, acho que dei mais um passo à libertação emocional das coisas que não me faziam bem, também conhecidas como ex-namorado.
Nem é o caso de dizer que depois de sei lá quantos meses eu finalmente o esqueci porque isto já aconteceu; mas fazer com que ele entendesse isso me emocionou. Namorar é algo desgastante e terminar, mais ainda. Principalmente quando 1 não quer. E olha eu aqui, incrivelmente abismada por finalmente ter alguém que de fato me queira e eu não. Isso não acontece no meu mundo.

Hoje minha alma tá mais leve, eu to literalmente emocionada – e mulheres são tão suscetíveis a qualquer coisa, e os hormônios se alteram sem a gente perceber – por ter feito ele, o ex, entender que já deu. Um sofrimento, aborrecimento, por nada, só encheção de saco. Não dá.

A vida vai muto além de homens – não que eles não sejam importantes, quem somos nós sem eles e vice-versa? – mas tem muita coisa além da janela de casa.
To cada dia mais determinada a fazer minha vida dar certo em pelo menos um aspecto. E to correndo atrás da minha carreira. Se vai dar certo não sei. Li um texto hoje (http://papodehomem.com.br/quando-voce-deixa-de-ser-menino-e-vira-homem/) e, sem a menor necessidade de adaptação para o mundo feminino, é exatamente isso. A gente para de sonhar e começa a realizar. É isso.

Meu medo muitas vezes me paralisa, tipo agora, que espero resposta de um teste e não consigo meter minha cara de pau em outras tentativas até saber se esta deu certo.
Me espanta e me dá esperança de um lugar ao sol, por exemplo, ser uma das únicas na minha turma da pós, que está ali de coração, de alma, que realmente quer aquilo ali pra vida. Não sou obrigada a gostar de todas as matérias, não tenho o know-how que a maioria possui, nem o nível intelectual de outros, mas to ali porque é A tentativa que quero que dê certo na vida. E é muito, muito complicado. Porque pode ser que eu dê a cara na parede e volte aos planos familiares de mediocridade e concurso público e etc. Mas não quero que seja meu caso. Não serei 1% feliz se tiver que ceder para ter. Ter dinheiro, ter status… 

Seria uma utopia? Talvez. só que ando percebendo/entendendo que ainda sou nova – e nunca consegui me ver assim – e é o momento. Mais tarde, dando com a cara na parede ou não, não terei a possibilidade de tentar de novo.

To feliz. To sozinha e solteira, to gorda, to de cabelos novos aos quais não me adapto. Mas to feliz. Até fui à igreja semana passada e se Deus me der forças e eu não lutar contra, voltarei aos meus velhos hábitos.

É isso. Eu acho. Alma lavada. Coração aberto. Consciência tranquila. Esperança à pino.

Esperança?!

É difícil.. Está cada vez mais difícil acreditar que o Brasil ainda pode mudar, dar a volta por cima, sair dessa vergonha de país que somos.

Não, não é só um pensamento pessimista; é realista.

Num país que o Presidente da República Federativa resolve dar R$ 12,8 milhões de reais pra escolas de samba, tudo pode acontecer.

Me envergonho disso. Principalmente porque acaba financiando idas dessas escolas a casamentos de traficantes presos.

Me envergonho, porque a população não têm escola decente. Porque a maioria dos professores não têm qualificação.

Me envergonho, quando descobre-se que o Brasil caiu no ranking de educação da UNESCO.

Me envergonho porque o número de apreensões de armas e de prisões foram menores do que no ano passado

Me envergonho ao lembrar das reportagens mostrando tanta gente morrendo em fila de hospital; de tanta gente sem socorro por falta de recursos.

Me envergonho de ver turistas morrendo na minha cidade.

Me envergonho de ver minha cidade tão maravilhosa ficando debaixo d’ água com qualquer chuva de verão.

Me envergonho ao saber da dificuldade me se adotar uma criança hoje em dia, apesar das milhares que procuram lares.

Me envergonho sim. E me envergonho com orgulho. Não da vergonha, mas de saber que, diferente daqueles que detêm o poder, ainda me importo com o meu país, com o futuro que vem, com a qualidade de vida da população, mesmo que eu não possa fazer muito por isso.

Mas o que me dá mais vergonha é a minha falta de esperança; a falta de fé. Mas vivendo no meio desse caos, onde aquele que representa o povo só pensa em financiar escolas de samba do Grupo Especial em detrimento do básico, não há de onde tirar qualquer tipo de perspectiva de melhora.

Só um adendo: claro que todos precisamos de lazer, diversão e cultura. Mas sem educação não se sabe o que é cultura. E sem saúde não se aproveita nada. E com violência… bem, ninguém sai mais de casa…

É Preciso Saber Viver II

Venho indagando como fazer as coisas fluírem na minha vida. Eu sempre penso, penso, penso. Alias, só faço pensar.

No caminho para cá me peguei pensando em um monte de coisas que aconteceram ontem, hoje e em muitas coisas que aconteceram no passado.

Descobri, sem querer, que o emprego que supostamente eu queria não vou conseguir por um erro involuntário meu. “Supostamente” porque acredito que meu subconsciente tem um ultra poder de me dominar e o tal erro que cometi é a nítida constatação do mesmo quando, após 1 semana do dia que achava ter encaminhado o texto que me foi pedido, vi na pasta de e-mails enviados, e que até abri no decorrer da semana e nem relei os olhos neste em especial, que o endereço estava errado. E apesar de querer E precisar trabalhar, vez ou outra não compareço a entrevistas marcadas, tampouco entrego meu curriculum a empregos quase certos de conseguir.

Ontem também descobri que uma pessoa que sempre foi mais “letárgica” que eu, está num ciclo de evolução estrondoso. Começou o ano trabalhando, sempre procurando melhores propostas; acabou virando funcionária pública e como se não bastasse, está tentando ocupar o tempo que resta com algo que capitalize para conseguir a tão esperada independência e ir morar sozinha em 2 meses. Foi um choque e ao mesmo tempo uma boa surpresa; fiquei orgulhosa. O choque é muito maior, tem proporções terríveis em mim, por saber e conhecer bem quem a pessoa era e como se comportava. Claro que vários fatores contam contra mim e muitos a favor deste ser.

Vejo cada um à minha volta vivendo, se envolvendo em milhões de coisas, criando metas e planejando o futuro. Eu só sonho. Muito. Muito mais do que as pessoas possam imaginar. Sou uma eterna sonhadora, apesar de naturalmente ser pessimista; é meio dicotômico, mas é assim. Porque sonhar sabendo ou achando que nada vai dar certo me coloca de novo no ponto de partida, de onde pareço nunca ter saído.

Pra dizer que nunca “agi, agindo”, “fiz fazendo”, houve uma época em que nada importava muito. Não tinha medo, não tinha dúvidas avassaladores e muito menos uma variedade de análises pra comprar uma maça fuji ou gala. Vivia de um jeito louco a meu ver, fruto das companhias que tinha; fruto de uma vida de repressão e proibições. Literalmente não tava nem aí pra mim, pra você, pra muita coisa. Mas vivia. Saía e me divertia. Curtia aquele momento como único e em momento algum criava hipóteses mirabolantes para não sair de casa. Se eu tivesse parado pra avaliar o que eu fazia naquela época, veria o quão vazia tudo parecia… Mas foi bom.

Esse gap não durou muito. Mas foi bom, me rendeu histórias, “escureceu” meu passado e alguns podres que eu talvez vá contar aos meus filhos.

E hoje, ao passar por uma senhora com câncer, de lenço na cabeça, fiquei a pensar do que seria de mim na mesma situação. Inflei o peito e pensei que no lugar dela eu aproveitaria cada minuto da incerta vida que me restara. E com muito pesar, muita tristeza, lembrei da Juliana. Já se fizeram 6 anos desde o seu falecimento por conta essa maldita doença. E lembro que apesar de tudo, de tantas marés contra ela, Juliana era intensa. Até os últimos dias ela aproveitou o que pôde e sempre me dizia que o lance era curtir a vida porque do amanhã só Deus sabe. E assim ela se foi. De uma ótima conversa numa 5ª-feira à noite a um domingo triste quando ela se foi. Mas tenho certeza de que ela não se arrependia do tempo que teve, das dúzias de namorados, das dezenas de lenços pra adornar a cabeça combinando com as roupas.

E eu? Eu escuto tantas pessoas, amigos, terapeutas me dizendo o mesmo, a todo tempo. E mesmo assim eu não consigo internalizar. Não consigo viver e para de pensar tanto. E me esforço, mas falho em 99% das tentativas.

A teoria que tiro disso tudo é que mesmo quando eu quero algo, pode até ser que eu vá lá e faça. Mas isso tudo é de uma efemeridade tamanha. Tem muito monstrinho dentro de mim, como um batalhão muito eficaz e eficiente, criando estratagemas e boicotes para não permitir que minhas esperanças de ser alguém melhor se concretize. E fico na esperança de daqui a 10 anos olhar pra trás e ver que pude mudar as coisas em tempo hábil, tempo de ainda ser realmente feliz, ser livre, de ainda ter tempo de viver.

Post Scriptum: o texto foi escrito na sala de espera de um hospital dia 21/07. Resolvi publicá-lo por estar dando voltar neste assunto



What’s Up*

Eu queria saber em que momento da minha corrida acirrada ao óvulo de minha mãe, eu pedi pra ser assim. Também gostaria que me explicassem a parada dos genes do pai e da mãe. Não que eu me importe com Biologia, to pouco me lixando. Mas queria entender como tudo consegue dar errado aquele que um dia teve esperança de dar certo.
Juro que andei pensando que, talvez, eu tenha sido um espermatozóide curioso, não vitorioso… tipo.. larguei antes e saí entrando pra ver qual era a da parada, porque NADA FAZ SENTIDO.

Minhas semanas voltaram a ser a eterna confusão de absolutamente tudo misturado – isso mesmo – e eu não sei como resolver 1/3 dos meus problemas. Porque falar – como muito e quase todos fazem – é muito fácil; mas colocar em prática normalmente é difícil, principalmente quando sua mente corre pro lado contrário.

Voltei a pensar em coisas trágicas e formas trágicas de tornar tudo trágico. Porque, como boa dramática que sou, cansei de escutar que me faço de vítima, de coitada, que não aceito críticas. Cansei. Não porque eu aceite críticas; mas berrar comigo não funciona. E é fácil demais exaltar as coisas ruins, mas as boas eu fico sentada esperando e batendo a cabeça de cochilar, porque não vêm.
Posso estar exagerando? Posso. Mas considerando a situação fática que me encontro há 2 anos, deveriam ter um pouco mais de paciência ou compreensão. Não quero ninguém “sentindo a minha dor”, mas quero que respeitem o que eu penso e quem eu sou.

Cheguei num ponto em que estou desistindo dos meus amigos. Não que eles mereçam ser desistidos, mas ele não merecem conviver com alguém que reclama 90% do tempo sobre coisas que ninguém pode consertar. E quando não sou chata sou insuportável com meu sarcasmo, ironia, sinceridade e tantas outras coisas ruins. Então não os procuro, muitas vezes os evito e muitos deles nem lembram que cá estou com minha solitude. Não são todos, mas alguns.

E, sinceramente, se o básico que é cultivar amigos e manter o mínimo de sanidade tem sido difícil, se com o mínimo de animação eu não consigo cumprir metade das coisas que deveria cumprir num dia, quiçá passar num concurso; sair de casa e conhecer alguém interessante. E tantas outras coisas.
Cheguei ao ponto – melhor, voltei -de não conseguir me comprometer com as pessoas, furar e não dar satisfação, dormir a maior parte do dia, isso quando não estou comendo. E quem deveria entender, reconhecer, ajudar, faz vista grossa, porque, por ironia do destino, a prática da profissão no âmbito familiar é algo impossível.

Não quero piedade, pena, caridade ou favor. Na verdade eu não quero nada de ninguém. Minto, quero muitas coisas. Mas como estou, não terei nada de ninguém, porque estou como aqueles que as pessoas fogem; tipinho de gente desagradável que quando resolve conversar quebra o clima tranquilo da vida da pessoa do outro lado.

Se eu posso me ajudar? Posso. Estou tentando. Mais uma vez. Mas desta vez não vejo esperanças. Me sinto num túnel sem luz no final, num labirinto sem saída. Vislumbro um futuro nojento pra mim e não consigo parar de pensar nele todos os dias, – literalmente – mas não me movo pra modificá-lo. Não que não queira, só não consigo. E o papo de “Você tem que tentar”, não funciona com pessoas como eu. Não é má vontade, é simplesmente mais forte do que todos os estímulos cerebrais que deveriam me impulsionar.

Hoje já não sei se peço pro mundo acabar amanhã, se espero ser atropelada por um ônibus na Presidente Vargas, se espero definhar afundando na cama… Porque pensar no futuro que acho que está reservado pra mim me faz tão mal – e sim, nem isso me faz mudar. E não é falta de desejo – que não quererei vivê-lo. Eu velha, desempregada, solteira e morando com minha mãe… pior do que todos os meus pesadelos.

Agora, que remedinho fez efeito, vou deitar-me e sonhar com o nada, ou com tudo aquilo que sonho ter na vida e não vejo caminhos hábeis ou habilidade para alcançá-lo. E nem no mérito de que não sou inteligente eu vou entrar porque é um trauma bem guardado, já que resolvido não será.

Indo contra todas as minhas crenças – mas acredito piamente que Deus sabe que não estou no meu melhor juízo – perdi minha esperança de um futuro qualquer. Porque o futuro que acho que terei já estou vivendo e no limite, a passo de pegar meia dúzia de roupas e parar no 1º abrigo da prefeitura que achar.
Não, nem iria pra abrigo porque sou medrosa. Mas esse monstro tá dormindo também.
Tenho uns outros no coraçãozinho mas que quanto mais os verbalizo mais sofrimento e traz. E de sofrimento bastam-me os causados no decorrer desses dias que não chamaria de malditos, mas infortúnios.

Partindo pro fim de semana do cobertor, televisão, biscoito e cochilo. Porque, por enquanto, aparentemente, só isso posso me permitir a fazer sem chatear alguém ou me irritar ao ponto de acabar fazendo coisas que não quero.
A esperança – e única – que tenho dentro de mim é que pelo menos na minha cama eu posso ficar, deixando o mundo rodar lá fora, pros felizes, otimistas e obstinados. Eu não faço parte dessas categorias.


*Now playing: 4 Non Blondes – What’s Up?
via FoxyTunes

Quando os hormônios falam – e como falam!

Minha mente é um andarilho que quando resolve se encontrar ou chegar a algum lugar, parece escolher sempre o caminho errado.

Queria fazer uma pesquisa de campo sobre o que as pessoas realmente pensam sobre mim. Não to disposta a receber respostas amigáveis ou daquelas “já que você pediu pra falar…”, mas sim respostas objetivas, apontando mesmo o que as pessoas que me conhecem pensam de mim. Sim, eu sei, é o cúmulo da neurose e ei!, nunca neguei isso. Pior que a neurose, na verdade, é minha auto-estima, que se fosse mais baixa seria menor que uma formiga.

Nessas condições, fico a pensar o por quê de continuar tentando mudar uma coisa que, a meu ver, é mega inerente à minha pessoa. Essa coisa toda de ser um ser social, de fazer terapia, de colocar a cara na porta e etc, tudo em vão. Porque, veja bem… se eu simplesmente não me relacionasse, metade das minhas questões, sejam elas pertinentes ou não (e sim, acho mesmo que a maioria é), não existiriam.

Eu juro que tento ver o lado bom das coisas, mas acho que tenho um lado negro mega sádico que não me permite dizer que o copo está meio cheio. Tudo bem que copo pela metade é copo pela metade e pronto… Mas isso não é papo pra esse post.
Voltando à vaca fria, esse lance de ter pensamento positivo e tal, não é muito comigo. Eu tento, tento e tento, e mesmo quando consigo minhas tentativas são fadadas ao fracasso… Já andei me perguntando se EU estou destinada ao fracasso.. porque se for, nada do que eu fizer, por melhor intenção que tenha e esforço que faça, será em vão. Cansaço físico emocional e espiritual… Convenhamos, sou muito preguiçosa pra admitir gastar energia à toa.

2009 começou e sei lá porque, achei que seria tão igual quanto os outros. Ledo engano. Bobinha fui eu de achar. Tirando a linearidade da minha vida, muita coisa tem acontecido ao meu redor. Eu pessoalmente continuo a formar uma linha mega extensa até o infinito; uma vida tão enfadonha que é quase impossível vislumbrar qualquer tipo de progresso… E é aí que todos se enganam! Se nada fosse tão ruim, tudo começou a piorar quando resolvi entrar o ano na dieta, pra perder aquilo que o Natal trouxe e o que o ano de desemprego adicionou. Além de estar sendo uma tarefa não só árdua como sofrida, é praticamente em vão. Continuo tentando, por trouxa que sou, mas continuo tentando.
A única coisa que poderia estar me trazendo um pouco de emoção nesta época, eu mandei pastar. Foi um lado racional meu, que talvez acha que em algum momento minha vida será melhor, e me trará coisas melhores do que somente um visual bonito num corpo vazio e uma cabeça cheia de merda. Arrependida? Talvez. Mas palavra solta não volta. E resolvi não voltar atrás – de novo – nesta.

Pra tentar me convencer de que estou sempre certa, fiz a bendita prova da ordem. E contrariando todas as expectativas, todos os conselhos, não estudei uma linha e fui melhor que nas 2 que fiz. Ainda não sei o que será de mim dia 01/03, mas tudo é possível, literalmente. Dependendo do que realmente acontecer, posso retomar minhas esperanças de um ano diferente, pelo menos pra mim…

… pros outros a banda toca beeem diferente. Parece até que todas as coisas boas resolveram acontecer a todos que conheço num único mês. O que é legal pacas, mas fico imaginando se terei meu mês também, cheio de coisas bacanas pra contar, realizações, bichos de estimação, fantasmas no armário, ratos na cozinha e coisas do tipo. Admirarei minha coragem de continuar vivendo, se repetir 12 vezes 12 meses chatos e sem ressacas como as praias nos agraciam vez ou outra.
Até a rotina dos lixeiros mudou! São 2:25 a.m. e os benditos trabalhadores acharam que este era o momento ideal pra trabalhar. Sorte deles que estou acordada e meu sono é pesado.

Continuando as tradições de começo de ano, minhas unhas resolveram entrarem greve e não estão crescendo. Pior: estão quebrando.
E eu, numa vã tentativa de busca de emprego não consegui nada, absolutamente nada. Talvez não seja pra conseguir mesmo. Mas queria conseguir entender o que Deus quer realmente de mim. Minhas alternativas nunca parecem ser as ideais. Mas tá tudo certo. Vou “i9ar” e tentar levar minha vida na esportiva. Aquela parada de ‘não leve a vida tão a sério’ deve servir pra alguma coisa, já que o autor do livro fatura um bocado(eu acho, tá sempre em promoção na Saraiva ou no Submarino).
Sabe o que eu acho? Que talvez eu realmente não leve a vida a sério e por isso ela não acontece; acho que é falta de crédito nela.
Ou simplesmente falta de vontade de viver. Penso muito nisso. Mas assim, não necessariamente quero me matar ou morrer. Quero viver assim do meu jeito, coisa que desde a minha tenra idade me parece impossível por imposições sociais ou familiares.

To viajando aqui. Não sei mais do que se trata esse texto, se é que ele se tratava de alguma coisa. Mas acontece que hoje foi um dia que começou cheio de sentimentos, que variaram da confusão, pra alegria, pro aborrecimento, pro alívio e por conta de um mero insight chegou na inveja, culminando na tristeza e na pessoa neurótica que me tornei ao imaginar essas muitas palavras jogadas numa tela de computador.
E rolando a barra de rolagem fiquei meio chocada com a quantidade de palavras que tem aqui. Não sei porque, mas sempre resolvo publicar essas coisas… acho que é na vã esperança de Deus ligar seu pc e resolver dar um “Google” em mim. Sei lá, né? Vai que ele acha e resolve se compadecer da minha pobre alma. E tirar de mim essas palavras R-Í-D-I-C-U-L-A-S de auto-piedade.

É provável que ao reler essa bosta eu fique com vergonha da minha unha do dedinho do pé, mas que se dane. SE tem uma coisa que aprendi depois de algumas décadas, é não me arrepender do que faço (super me contradizendo com o que escrevi lá em cima. Sim, voltei pra ler e não, não entendi nada, muito menos o propósito disso aqui).

De qualquer forma espero confiante por um ano babaca bacana.
Que eu cumpra minhas promessas, que Deus cumpra as Dele na minha vida; que eu volte a cantar, já que ‘encantar’ não é meu strong suit; que eu seja mais tolerável e tolerante; que o McDonald’s não mude o sabor do McFlurry a cada ciclo de ovulação da mulher do Ronald; que eu pare de trocar as letras que marco achando que vou abafar e acabo me ferrando; que eu consiga pensar em cogitar a possibilidade de fazer minha faculdade de letras; que finalmente eu pare de ser mais covarde do que um cão cego abandonado no meio da pista e resolva dirigir; que eu ganhe apostas e sorteios; que eu seja eleita a rainha da classe e que meu par seja um bacana e nao o jogador mais popular do colégio; que minha doação para o bingo da terceira idade me faça ganhar uma placa de agradecimento em bronze; que eu ganhe dinheiro de forma lícita; que a Globo faça um especial sobre mim; que meus dias terminem às 22 e comecem às 6; que eu consiga passar pelas grades da minha janela, só pela emoção; que eu compre mais canecas; que minha parede fique vermelha ou amarela ou laranja; que eu seja sorteada pra participar do “Melhor do Brasil”, ganhar um alisamento e ainda ter a ‘sorte’ de encontrar meu par, tipo um rapaz da zona oeste de SP, com 28 anos fazendo pré-vestibular e trabalhando como entregador das tortas da avó… Também não custa nada pensar em coisas ridículas como conseguir emagrecer, passar num concurso, começar um mestrado ou outra faculdade e porque não, achar um par. Mas essas coisas estão muito demodé. Acho mais fácil tentar as opções aí em cima…

Tá, acabou. Hormônios enlouquecidos mode off.


Post Scriptum: são exatos 03:03.. fala sério que eu sei que é VOCÊ que está pensando em mim!!! 😛

2009

2009. Ano ímpar. Dizem as más línguas que ano ímpar é ao pra arranjar um par. Não garanto certeza de satisfação total verificando que alguns anos ímpares já se passaram e testemunhas vivas continuam solteiras em anos pares e ímpares. Essa e outras coisinhas que se ouvem por aí, na minha humilde opinião é tudo balela. Mas há quem acredite. Há quem ainda acredite em Bicho Papão, em Papai Noel, em coelhinho da Páscoa, em príncipe encantado, em paz mundial, em emprego perfeito, em família perfeita, em vida ideal.

Nada contra; sonhos, dizem, quanto mais os têm, mais fácil de viver. Eu tento. Tento viver do meu jeito, com peito aberto pra vida que Deus me deu. E neste ano que vai começar, as esperanças se renovam. Mas não com os sonhos irreais que outrora tive. Hoje minha esperança se basta em si só. Em ser, literalmente esperança. Esperar pelo que há de vir. Expectativas, não as quero mais. Vivo só de esperar. Esperar pelo amanhecer, pelo anoitecer. Pelo feriado e pelo fim de semana. Pelo aniversário e pelas festas. Pelos choros por coisa nova e choros por motivos antigos. Esperar pela coragem que ainda não tenho. Pelo medo que não me abandona.

Esperar é mais difícil do que acreditar no que não existe. Esperar requer ter consciência da realidade e esta nem sempre é boa. Acreditar no inexistente é uma fuga, mas uma fuga consoladora; fecham-se os olhos pro ruim, pro mau e pro inevitável; pro chato, pro trabalhoso, pro obrigatório. Esperar requer coragem. Coragem que nem sempre as pessoas têm. E eu me incluo nisso. Me finjo de forte, de independente, de bem resolvida e de moderninha. Mas meus conceitos são retrógrados, me escondo atrás de máscaras, preciso de atenção e sou frouxa como um filhote de cachorro recém desmamado.

Mas 2009 está aí e a cara está à frente, esperando o tapa que lhe é devido. A coragem, finjo ter, me faço de valente e de noite, como quem finge não querer nada, me escondo debaixo do cobertor no meu cantinho escondido.

E que venha! Venha me desafiar, me irritar, me apaixonar, me alegrar, me surpreender, me entristecer, porque também faz parte. Darei à cara a tapa aos corajosos que partirem pra cima de mim, pras situações mais constrangedoras, mais pitorescas, mais inusitadas, mais rotineiras. E que seja assim. Assim, como quem não quer nada, que 2009 venha pra ser o que lhe é de obrigação: fazer-nos passar por mais um ano, vivendo as aventuras que é viver uma vida, derramar uma lágrima, gargalhar às alturas, dançar como se ninguém estivesse vendo. Mais 52 semanas. Mais 365 dias. Mais 12 meses. E só.


Adeus Ano Velho (um breve resumo de 2007)

Não vejo a hora de ouvir os fogos de artifício. De ver pessoas se abraçando. De comer as mesmas coisas que comi no Natal. De mandar mensagem pra Deus e o mundo. De receber mensagem de Deus e o mundo.

Na verdade, eu não gosto de nada disso. É só mais uma noite que se vira. Mas minha expectativa está alta. E não é pra ter um 2008 bom. É pra que 2007 termine logo, porque quando eu acho que não podia ficar pior, tenho surpresas nada agradáveis. Lógico que quero um ótimo 2008 e os problemas não irão sumir com o virar de uma noite, mas pelo menos eu sei que EU posso fechar o ciclo de coisas ruins na minha vida e andar pra frente.

Este ano não foi nada bom. Ano de fim de curso e crises monográficas, depressão, fim de noivado, engorda, de fora no 5º dia do ano, de avó quase morrendo, de doenças… Muita coisa aconteceu.. E a lista aí não me inclui somente não… Não estava noiva e sim minha prima. Mas há males que realmente vêm para o bem…

De qualquer forma, o blog é meu e eu quero falar sobre mim e meu ano ruim.

Então… voltando às vacas frias, é necessário que essa bosta de 2007 acabe. E vou acabar vestindo o branco de paz e várias outras cores, pra ver se puxo de tudo um pouco. E eu nem acredito nisso não, mas tô apelando pra todos os lados.

Na verdade, não tenho grandes perspectivas em ter um 2008 muito bom. Vivo com a esperança de ter apenas um ano melhor; porque até então achava que já tinha vivido o pior dos anos. Mas 2007 se superou.

Ano que vem não terá mais faculdade, porém outros desafios, até maiores, virão me sufocar. Mas sei que não vou ter monografia me assombrando dia e noite, noite e dia.

Não terei emprego ou estágio em 2008. Tá, a principio sim, até fevereiro. Mas depois tenho mais 10 meses pela frente, em lugar ainda a definir, tentando ganhar a vida.

Não tive namorados em 2007 (na verdade nunca os tive, se levar a palavra namorado no seu mais estrito sentido). Tinha me proposto a um desafio que demorei a quebrar, mas que, no final das contas valeu a pena. Porém, em nada me acrescentou.

Conheci gente interessante. Me desapontei com quem eu achava interessante (fala sério, homem fofoqueiro é feio demais…), e começei a achar interessante gente que estava do meu lado. Mas continuei apaixonada. Desde 2006. Até o final de 2007. Entrando 2008. Não tenho orgulho disso. Na verdade me bate uma baita vergonha. Não pelo sentimento que tenho, mas de saber que apenas um grande milagre meu relacionamento de amizade poderia mudar com essa pessoa. E mais vergonha ainda por ter passado por tanta coisa durante 12 meses, mas que pelo visto não foram suficientes, ou não me tornaram forte o bastante para seguir com minha vidinha em paz com meu coração.

Viajei com amigos e ainda andei atrás de carro de cerveja. E comprei queijo minas com cor de queijo prato.

Desejei viajar mais. Me frustrei não fazer metade das coisas que meu coração sonhou em fazer. Só pude sonhá-los; o sonho das coisas impossíveis e improváveis. E logo eu que não me guio por sonhos viajei na maionese e me iludi vivendo um mundo distorcido pelos meus próprios olhos e na minha própria mente, que resolveram ver apenas o que lhes conviam, baixando tanto o nível que foram capazes de criar coisas mirabolantes e imbecis.

Passei quase que 2007 inteiro sem cantar. E só agora, quase totalmente sã, devido à ajuda que tenho tido, que percebi o quanto me fez falta. Meu mundo que um dia foi tão cheio de notas e melodias coloridas, agora só toca marcha fúnebre.

Perdi laços de amizade que um dia foram forte. Não com o verdadeiro desejo de perdê-las, mas por fazerem parte do processo dolorido que passei e continuo passando, porém já bastante anestesiada.

Minhas crises de ansiedade me levaram ao topo e ao fundo d poço em questão de horas. Hiperventilei algumas vezes. E dormi nos momentos cruciais, quando na verdade, deveria estar agindo.

Me envergonhei. Por ser estúpida, por ser sincera, por ser sem graça. Por ser eu mesma. E passei da fase de me envergonhar pra fase da não aceitação. E constatação do óbvio. Daquilo que todo mundo realmente vê, mas poucos falam.

Chorei mais do que pitangas. Chorei muito. E realmente fez parte. Teve momentos que achei que ia secar de tanta lágrima derramada. E o choro tinha motivo. Mesmo quando não tinha. E principalmente quando me deparava com ratazanas dentro da minha cozinha. E sozinha em casa.

Dormir também não foi um privilégio. Precisei de ajuda pra isso também. Mas passar o trauma dos ratos demorou bastante. Aí soma isso com os outros problemas e foi um ano de poucas horas de sono. E quando conseguia, minha mente me fazia o favor de me interromper. Noites viradas, vendo o amanhecer chegar. E tirando fotos, pra gravar o momento.

Engordei e muito. E depois de meses emagreci. Foi com sofrimento, vendo uma pessoa que muito amo quase nos deixar. Mas a pessoinha sobreviver e eu continuei com meus quilos perdidos. Ainda tenho uma meta a alcançar, só não sei se terei forças pra tanto…

Mudei o cabelo e fiquei melhor. dizer que fiquei mais bonita, sinceramente não consigo. Mas fiquei melhor. E muita gente achou o mesmo.

Tinha a infelicidade de jogar sinuca uma única vez. Mas felizmente pude beber bastante café e cappuccino em lugares acolhedores…

Enfim, 2007 foi terrível. Pouca coisa sobrou pra contar de bom. Talvez quase nada.
E espero que 2008 supere minhas expectativas, que já estão no nível mais baixo possível e imaginável. Eu nem peço muito, só um ano feliz.

E espero conseguir regularizar minhas vindas a este lugar. Espero cumprir tudo que me prometo e que todos cumpram o que prometem a mim. E que, seja onde eu estiver, que eu seja mais feliz do que onde estou hoje (mesmo que signifique continuar no mesmo lugar)

Só me resta mesmo a esperança de dias melhores… Ou nem isso… Matei a Esperança quando entrou na casa da minha avó numa madrugada dessas… De fato, nada mais me resta, só esperar o ano findar…