Cadê a Satisfatividade?*

Engraçado como as coisas são… É bem verdadeira aquela premissa de que nunca estamos satisfeitos com o que temos. Não me acho parâmetro, porque sou naturalmente reclamona, mas tenho sentido muito na pele nos últimos tempos.

Meu estágio não é nenhuma realização pessoal. Não aprendo muito e nem tenho futuro algum lá. Quando entrei, eu reclamava do muito trabalho e mesmo assim, ainda reclamava do pouco que me davam pra fazer. Eu tinha vontade de fazer coisas diferentes do que costumava, de aprender o que os funcionários lá faziam. Aquilo me frustrava muito, me achava incapaz, aos olhos dos outros.
Pouco tempo depois, me deram uma atribuição. Fiquei feliz. E depois de 2 semanas, não queria mais. Era muito cheio de detalhes, eu errava e caía na cabeça de uma outra pessoa e era incômodo. Então eu voltei ao que então fazia.
Depois de um tempo, resolveram me dar uma outra atribuição. Nem achei que seria bom, mas nem tinha quem fizesse. Todos os funcionários estavam (e ainda estão) meio assoberbados. E até hoje eu faço. Nem me incomodo não. Estava quase que satisfeita em fazer aquilo.
Um dia, um funcionário muito bacana veio me “perguntar” se eu não queria ajudá-lo em outra coisa; “é simples”, disse ele. É. Super simples. Supimpa. Não bastasse isso tudo, ainda faço todas as coisas que os estagiários fazem (porque nenhum deles fazem nada além do básico).
Ok, ok. Teoricamente, não posso reclamar. Era “tudo que eu queria”, alguns podem dizer. O problema é quando você chega no estágio e descobre que, por conta de uma ajuda que você deu a um funcionário um dia (e que teoricamente tem a ver com uma de suas “funções”), você passa a ganhar outra atribuição!; e por conta da primeira, que nem é tão ruim assim, nasceu uma outra também! Uhu! Como eu fico feliz. Como diria um “colega”: “É tudo pela satisfação que vejo no seu sorriso; eu vejo que você fica feliz com mais tarefa, aprendendo mais. Na verdade, estamos te ajudando a aprender mais, pra quando você vier trabalhar aqui.”
E não adianta dizer que você NÃO VAI trabalhar lá. Pelo menos não tão cedo.
Poxa vida, eu acabo ensinando a nova estagiária a fazer direito e ela começa a não gostar muito de mim; eu vou na xerox pro chefe mil vezes ao dia, porque um engraçadinho me indica; ainda me colocam responsável pela caixinha do café.
E assim eu vou, vivendo cheia de coisas pra fazer, sonhando com trabalho, ficando até 2 horas a mais além do horário. Tudo pra terminar o que comecei. Tá, tenho fortes tendências a me tornar uma workaholic. Não nego que gosto de trabalhar, e que lá tem sido o meu refúgio. Mas ora bolas. É muita coisa. Coisa demais.
E mesmo assim, mesmo reclamando de tudo isso, daqui a 6 meses vou estar reclamando de não ter o que fazer; vou dizer o quanto sentia saudade do estágio, do trabalho.
No final, a gente nunca está mesmo satisfeito com o que tem. Mesmo que tenha sido aquilo que pedimos.

post scriptum: eu sou realmente feliz lá. E não estar realizada tem muito a ver com o que eu acho que eu quero fazer no futuro. Não acho que estaria em lugar melhor, senão lá mesmo, dentro das opções que existem, claro.

 

 

 

 

*Homenagem a uma não tão querida professora que adorava esta palavra. Nem acho que seja o caso de usá-la, mas me lembrei muito dela ao escrever este post. Não sei por que. Ela era péssima, me odiava, não sabe português ou formar frase e ainda veio reclamar da minha letra de forma, supostamente ilegível. Mas tá aí. Quem sabe um dia ela não dê valor ao meu pequeno gesto aqui (se é que um dia ela venha a saber…)

Cores e sinestesia

Cores. Amarelo. Azul. Vermelho. Roxo. Preto. Verde. Marrom. Vinho. Cinza.

Cores.

Foi tudo em que pensei hoje. Fui andando da Uruguaiana até o estágio procurando o que comer. E escutando minha música, alheia a tudo que acontecia; ao trânsito, aos pivetes, às milhares de bancas de jornal que tem no caminho. E até mesmo aos bonitinhos executivos do centro da cidade.

E minha música começou a dar sensações diferentes, quase estranhas a mim. E CéU se tornou Amarelo. E Chicas se tornou amarelo. The Killers e Damien Rice também. Cada um no seu tom. Mais forte ou mais fraco. E o mundo foi tomando cor na minha mente.

E na verdade agora, tudo tem cor. Música, meus textos, minha vida, minha profissão.

E depois de usar branco por 4 dias consecutivos, creio que é algo que procuro mesmo.

Todas as cores em mim. E se catar, talvez eu ache. Talvez encontre o preto das coisas ruins; o vermelho de tudo que é bom. O azul dos meus textos. O caramelo da minha vida.

E talvez um dia, num futuro próximo assim se espera, eu encontre um rosa. Ou roxo.

[O marrom sou eu (!!!)]

Quero minha essência colorida, como aquelas caixas de lápis de cor que mãe comprava no começo do ano letivo (eu sempre quis a de 48 cores, ou 36 – nem sei se existem mesmo – mas só ganhava a de 24).

Quero enxergar em mim o arco-íris que a Xuxa tanto falava (mas não o dela, porque nada que vem dela eu gosto). Viver expelindo o vermelho do meu sangue. Ou mesmo o amarelo da música que canto e ouço. Talvez o azul das coisas que tento expressar nos meus textos.

Quero dias assim, cheios de Sinestesia. Cheio de cheiro gostoso do amor. Ou o barulho ensudercedor do ódio. Mas hoje só as cores. As cores que tenho, as cores que quero.

E quero todos os rosas, todos os laranjas, todos os beges. Todos os prateados. E lilases. E a turquesa. E o caramelo. O índigo. O Cáqui. A lima. A Magenta. O pêssego. O dourado. Ferrugem. Gelo. Linho. Oliva. Mocassim. Violeta. Preto. Tomate. Lavanda. Púrpura

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p.s.: acabei comendo esfihas do Habib’s

A gente descobre que precisa de médico quando sente, de verdade, que está enlouquecendo. Noites mal dormidas, pesadelos dia sim e outro também, manias…

A vida de um louco é bem movimentada, nunca se torna fatigante ou monótona.
Fugir dos policiais que querem te prender pela bala que você roubou nas Lojas Americanas quando adolescente.
Acreditar que alguma força está fazendo você perder ou ganhar partidas seguidas de sinuca.
Seus amigos estão fazendo um complô contra você, sem motivo algum.

Loucos são loucos, com certeza. Mas ao mesmo tempo conseguem ter muita sanidade. Acho mesmo que loucos vêem o mundo como ele realmente é, só que de certa forma, se recusam a aceitá-lo e pior ainda, se recusam a vivê-lo.
Loucos percebem coisas que pessoas “normais” não percebem. E falam isso. Porque loucos não se importam.

Estou começando a ter uma admiração muito grande por eles. Não cheguei ainda nesse nível de loucura. E por isso não ajo como uma louca. Mas se agisse seria mais feliz.

Se fosse louca, pelo menos não engoliria a seco tanta coisa, por ser boazinha demais. Loucos não são tão bonzinhos assim.
Se fosse louca, qualquer um seria meu amigo, porque, ou todos são uma ameaça ou ninguém é. Mas ele não se importaria com o amigo. E muito menos as coisas que os amigos falam e não tem noção do quanto incomoda ou machuca.
Se fosse louca, não perderia tempo em empregos ou estágios, porque logo os loucos são demitidos.
Faculdade? Loucos até fazem. Artes, música…. essas coisas. Eles são realmente muito ligados a essas coisas.
Se fosse louca, tomaria remedinhos controlados in a daily basis e seria ótimo. Remedinhos te isolam do mundo e te deixam calminho…
Se fosse louca, veria mundo da maneira que meus olhos quereriam ver.
Porque enquanto estou no caminho, no limbo, as coisas nem preto-e-branco e nem coloridas são;
As coisas me incomodam, e eu não posso dar fim a elas, como um ato de loucura;
As pessoas me incomodam e eu não falo nada na cara delas porque a educação diz pra sermos gentis, principalmente com as pessoas que a gente gosta;
Não posso largar meu estágio, muito menos alegar loucura pra me dispensarem, e por isso ter que aturar comentários realmente desagradáveis;
Viver no limbo não me exime de se sentir completamente inadequada socialmente;
Ninguém ainda me receitou remédios pra me fazer dormir. Bem;
Os remedinhos também controlariam o apetite. Ninguém fica parecendo um glutão por comer demais, quando se é louco.
É muito lucrativo ser louco, ninguém espera nada de você.

E se eu fosse louca, seria normal dizer que pareço estar enlouquecendo, porque na verdade, estaria já, há muito tempo.