Vai Passar

A gente nunca acha que as coisas acontecem do jeito que acontecem. Pois bem, cá eu estou solteira e lidando muito bem com a situação. Não que importe a alguém(o blog é meu, lê quem quer), mas tudo ocorreu da pior forma possível – no meu aniversário – porque as pessoas não sabem lidar com frustrações.

Aprendi que não quero mais saber de barreiras geográficas, motivo que me afasta da pessoa que amo e que me ama. É tipo isso. A gente se ama, a gente quer ficar junto, mas ele ta voltando pra terra dele e eu não tenho grana pra ir, nem ele pra me levar e nem poderia ir agora, sendo que ele não pode ficar aqui também. África é longe demais.

Engraçado que sempre fui muito romântica. Pra vida, sabe. E com isso tudo, seja porque eu sou assim, ou porque tava tomando um remédio que só minha médica pra me salvar dele, eu não consegui chorar, como se deveria, tipo filme, digno desse drama todo. Chorei sonhando, ou durante o sono; e todas as vezes que quis chorar, a vontade passou mais rápido que brisa.

Depois de todos os pingos nos i’s e todas as observações relevantes a se fazer, é assim que estamos: solteiros. Por culpa do destino que nos colocou em continentes diferentes e sem grana pra ficar pagando passagens aéreas exorbitantes pra nossa realidade. A vida dele é complicada e a minha não é simples.

Pelo menos, pra hoje, pro futuro, ficam sentimentos bons. Sem mágoa. Tristeza, sim. Da situação, com certeza; de não termos nascido no mesmo país.

E pra quem pergunta se estou bem, além do fato de ter o remedinho numb feeling no meu sangue, me sinto bem. E ninguém entende. Mas eu sou do tipo que me acostumei a não ser correspondida pelos meus pretendidos; estar solteira não era nenhuma novidade há 9 meses atrás e pelo visto voltou a me acompanhar. A diferença não é não ser correspondida, mas semelhante aos outros amores platônicos, é um amor impossível do ponto de vista prático.

Enfim, apesar de tudo, a quem pergunta, eu digo que vai passar. E virou meu mantra. Porque tudo nessa vida passa, tem de passar, terminar, deixar de doer.

Vai passar.

 

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Farewell?

Cumpri meu rometido e me despeço(??) desse blog.

Isso não quer dizer que parei de escrever. Ou quer, né. Sei lá.

Mas agora eu estou no http://dramaqueenonpills.blogspot.com/

Resolvi mudar. Espero que a vida mude junto.

E que todo mundo que visitava aqui mude também e comente. Ou não também. Sei lá se vão me xingar, né…

See you there.

O Dia Depois de Amanhã…

Alguns anos se passaram pra que eu pudesse ver algo de bom na velhice. Não que ganhar rugas, ficar fraca, baixar imunidade, visitar médicos com muito mais regularidade, ter memória enfraquecida e tantas outras coisas sejam verdadeiramente boas. Aliás, nunca vi nada de bom em envelhecer.

De uma hora pra outra ‘percebi’ que estou envelhecendo. Não falo de anos que passaram, mas da minha memória, que nunca foi muito boa e anda cada vez pior; falo da mega dificuldade em emagrecer fazendo as mesmas coisas que antigamente me garantiam resultados mais rápidos. Também não digo velhice quanto à idade mental ou coisa do tipo. Isso é questão de retardo, no melhor sentido da palavra.
E não, não sou velha. Mas a velhice chega. E quando chega, não tem como não perceber. Vejo nos olhos da minha avó, nas reações da minha mãe. O que é na aparência um incômodo, é na verdade a beleza de se viver e acolher dentro de si mesmo, tantos anos, tantas coisas ruins e boas e se tornar um ser humano admirável. Ou não. Mas não falo destes. Estes não admiráveis não aproveitaram seus anos pra fazerem algo de bom a ninguém além da própria sombra. E ser assim não quero. E nem quero ser presidente de nada ou alguém. Não quero ser modelo pra criança alguma. Quero só ter a certeza de que os anos passaram e eu os aproveitei pra colher todas as rugas, todos os fios de cabelo branco – precoces ou não – todos os não, todos os sim, todas as aprovações e reprovações.

A morte é certa, e lidar com ela é de um exercício pior que muitos dias de educação física no colégio. Mas a cada dia vejo a inevitabilidade de olhá-la nos olhos, enfrentar com a coragem que nos é devida. Mas sei que ela vem na hora certa. Não necessariamente na idade certa. Mas com essa velhice que adquiro a cada segundo compreendo que cada um vive o tanto que lhe é permitido viver. Não retiro daqui qualquer possibilidade de “mudança de rota”. Mas vivemos o que queremos. E somos o que vivemos.
E estou feliz. Porque percebi a beleza da dor nas costas; porque vista cansada é conseqüência de ótimos hábitos; porque falta de ar numa corrida de 500 metros pode ser um sinal pra parar ou mesmo pra começar a pensar em fazer caminhadas diárias.

À velhice toda reverência que merece. Toda atenção um dia dispersada; todos os meus dias por vir e os dias que foram: que eles formem de mim uma velha ‘caquética’, se preciso, mas com respeito à vida, aos momentos, às experiências vividas e as frustradas. Que eu olhe pra trás e curta as minúcias dos segundos que um dia me concederam cada cabelo branco, cada espinha de estresse, cada ruga ao redor dos olhos.
À velhice, tudo que hoje sou, pra amanhã ser isso tudo e mais um pouco. Todos os anos e muitos outros.


post scriptum: o título dele era este mesmo mas o que pensei originalmente e o que tinha ficado como link foi “Antes fosse Piratas do Caribe”. Juro que ri alto.

Totalmente Fora de Moda…

Quanto mais o tempo passa, mais percebo o quanto me sinto sozinha neste mundo. Não de ser sozinha ou estar sozinha. Mas sozinha quanto aos meus pensamentos, princípios, ideais. Estou longe de ser tudo o que gostaria, o que Deus gostaria que eu fosse e o que as pessoas esperam de mim. Mas se tem uma coisa que meus amigos podem contar comigo sempre são atos de bondade. Porque eu sou boa, do fundo da alma. E pode parece falta de modéstia mas não é. É a simples constatação de que sou boa e isso definitivamente não é uma qualidade. Não nos dias de hoje, não neste século, não neste país.
Sou boa e incluindo uma única letra, minha bondade se resume: boba.
E parece que quanto mais os ano passam, mais bo(b)a vou ficando.
Quando mais nova, me achava e talvez agisse, da forma mais egoísta possível. Tudo pra mim, tudo eu, eu, eu, eu. Talvez fruto da minha criação, coisa de filho único.
E não sei se foi a vida, se foram minhas experiências ou mesmo o meio, me fizeram abandonar esse culto a mim mesma e pensar nos outros.
Enquanto uns ficam fulos porque fulano tá namorando ou vai casar, eu fico feliz. Não digo não sentir uma pontinha de inveja, afinal, quem não quer um par, não é?
Enquanto uns acham mais fácil odiar alguém por simplesmente odiar, algo dentro de mim pára pra pensar se não existe algo de bom. E eu também odeio, não tiro meu cavalo da chuva não. Mas confesso que nas minhas tardes solitárias ou noites insones eu realmente fico a pensar na justiça de julgar alguém por algo.

E tem mais. Acredito nas pessoas, no mundo, na paz mundial que nunca vai acontecer. No amor – mesmo que ainda não tenha verdadeiramente acontecido pra mim – na palavra dita, no segredo confessado. E vou pagando de trouxa até o 1º sinal de mentira. Não me passe a perna, por favor. Eu só faço existir desse jeito que sou.

Uma amiga um dia me escreveu: “É bem verdade que tem um capa de ‘gente forte e articulada’, mas por mais que pareça ‘do contra’, a **** sabe ouvir e sabe perguntar e sabe sentir. Muito sentimental essa menina. É só saber ver com cuidado.”
Foi uma das melhores definições sobre mim mesma. Acho que nem eu conseguiria ser tão exata.
Meus sentimentos predominam na minha vida. Principalmente os de esperança. Eu até minto e digo que não a tenho mais. Eu até finjo ignorar algo que me faça mal. Mas no meu cantinho escondido eu choro, fico com gritos e berros entalados na garganta e frases não ditas nos momentos apropriados.

Hoje, um dia em que tudo correu super bem, eu me decepcionei. Algo que parece tão pequeno mas que, vendo o contexto, vendo o passado, tem uma importância tremenda. E me mostra que a boba sou eu, na minha bondade finita (porque também não sou perfeita), que me permite fazer pelos outros o que outros não fariam por mim.
Quem sabe não é algo Freudiano dizendo que eu sinto a necessidade de ser aceita? Não duvido nada.

Mas, infelizmente, eu sinto, faço, falo, me preocupo, choro, oro, peço, imploro a Deus pelas pessoas à minha volta e seus anseios. Peço por mim também. Mas ver o sorriso dos outros me alegra, mesmo quando meu sorriso se esconde em lágrimas. Já que eu não sorrio, que sejam outros.
E nessa de sorrir pela felicidade dos outros, eu ajudo, coopero, sou solidária. De boba que sou. Já caí do cavalo 2 vezes e não aprendi. Mas a vida dá voltas, cada dia é um dia e posso eu ser hoje como uma borboleta, ainda lagarta, em seu casulo, esperando o momento pra voar.
E pode ser que nesse vôo, eu comece a olhar mais pra mim, pensar mais em mim, fazer tudo pra mim. Porque bobo é quem faz coisa pros outros. Que pensa nos outros. Que se alegra pelos outros.
Esse mundo é egoísta e a cada descoberta como essa vejo o quanto não estou no lugar certo.

Nenhuma esperança me resta, afinal…

“Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso minha gente lá de casa começou a rezar…”

E por aí vai uma música bacana na voz de Adriana Calcanhoto escrita por Assis Valente, dizem minhas fontes.

O mundo vai acabar logo. Ou deveria. É de fato a única explicação que tenho quando escuto coisas de gênero escatológicos como hoje.
Tive o mal prazer de conversar com uma professora de português falida. Nada contra o insucesso dela ou mesmo sua profissão, pelo contrário, queria eu ter seguido esses passos, talvez.
Papo vai, papo vem, coisas de cunho fútil foram sendo ditas até que ao perguntar da minha humilde e porque não pacata vida, digo que estou às voltas com a maldita prova da Ordem. E que tenho tido uma ânsia em montar uma biblioteca com livros de meu interesse, mesmo que não para lê-los de pronto, já que terei mais o que fazer pelos próximos meses.

E simplesmente acabou meu dia escutar a última frase do diálogo, que me fez arranjar uma desculpa e sair nada à francesa da conversa:
“Comprar livro pra quê? Estudo aí pra sua carteira e compra uma sandália da Melissa.”

Acho mesmo que o fim do mundo está por vir, ou ao menos peço a Deus que leve daqui pessoas com esse sentimento tão interessante acerca da própria língua materna, esta que ela gastou 4 anos de faculdade estudando, e vai chegar numa sala de aula com alunos falidos e desinteressados e formará, daí então, pessoas completamente desinteressadas e falidas.

Melhor: talvez seja melhor que o mundo acabe. Não sei se estou pronta pra uma geração de gente sem cultura. E não digo isto como um ser superior, mas sim alguém em busca de conhecimento e que ao escutar essas merdas fica tão assustadas que não sabe se terá estrutura mental e emocional pra lidar com gente que só lê encarte da Casa&Video.

Adeus Ano Velho (um breve resumo de 2007)

Não vejo a hora de ouvir os fogos de artifício. De ver pessoas se abraçando. De comer as mesmas coisas que comi no Natal. De mandar mensagem pra Deus e o mundo. De receber mensagem de Deus e o mundo.

Na verdade, eu não gosto de nada disso. É só mais uma noite que se vira. Mas minha expectativa está alta. E não é pra ter um 2008 bom. É pra que 2007 termine logo, porque quando eu acho que não podia ficar pior, tenho surpresas nada agradáveis. Lógico que quero um ótimo 2008 e os problemas não irão sumir com o virar de uma noite, mas pelo menos eu sei que EU posso fechar o ciclo de coisas ruins na minha vida e andar pra frente.

Este ano não foi nada bom. Ano de fim de curso e crises monográficas, depressão, fim de noivado, engorda, de fora no 5º dia do ano, de avó quase morrendo, de doenças… Muita coisa aconteceu.. E a lista aí não me inclui somente não… Não estava noiva e sim minha prima. Mas há males que realmente vêm para o bem…

De qualquer forma, o blog é meu e eu quero falar sobre mim e meu ano ruim.

Então… voltando às vacas frias, é necessário que essa bosta de 2007 acabe. E vou acabar vestindo o branco de paz e várias outras cores, pra ver se puxo de tudo um pouco. E eu nem acredito nisso não, mas tô apelando pra todos os lados.

Na verdade, não tenho grandes perspectivas em ter um 2008 muito bom. Vivo com a esperança de ter apenas um ano melhor; porque até então achava que já tinha vivido o pior dos anos. Mas 2007 se superou.

Ano que vem não terá mais faculdade, porém outros desafios, até maiores, virão me sufocar. Mas sei que não vou ter monografia me assombrando dia e noite, noite e dia.

Não terei emprego ou estágio em 2008. Tá, a principio sim, até fevereiro. Mas depois tenho mais 10 meses pela frente, em lugar ainda a definir, tentando ganhar a vida.

Não tive namorados em 2007 (na verdade nunca os tive, se levar a palavra namorado no seu mais estrito sentido). Tinha me proposto a um desafio que demorei a quebrar, mas que, no final das contas valeu a pena. Porém, em nada me acrescentou.

Conheci gente interessante. Me desapontei com quem eu achava interessante (fala sério, homem fofoqueiro é feio demais…), e começei a achar interessante gente que estava do meu lado. Mas continuei apaixonada. Desde 2006. Até o final de 2007. Entrando 2008. Não tenho orgulho disso. Na verdade me bate uma baita vergonha. Não pelo sentimento que tenho, mas de saber que apenas um grande milagre meu relacionamento de amizade poderia mudar com essa pessoa. E mais vergonha ainda por ter passado por tanta coisa durante 12 meses, mas que pelo visto não foram suficientes, ou não me tornaram forte o bastante para seguir com minha vidinha em paz com meu coração.

Viajei com amigos e ainda andei atrás de carro de cerveja. E comprei queijo minas com cor de queijo prato.

Desejei viajar mais. Me frustrei não fazer metade das coisas que meu coração sonhou em fazer. Só pude sonhá-los; o sonho das coisas impossíveis e improváveis. E logo eu que não me guio por sonhos viajei na maionese e me iludi vivendo um mundo distorcido pelos meus próprios olhos e na minha própria mente, que resolveram ver apenas o que lhes conviam, baixando tanto o nível que foram capazes de criar coisas mirabolantes e imbecis.

Passei quase que 2007 inteiro sem cantar. E só agora, quase totalmente sã, devido à ajuda que tenho tido, que percebi o quanto me fez falta. Meu mundo que um dia foi tão cheio de notas e melodias coloridas, agora só toca marcha fúnebre.

Perdi laços de amizade que um dia foram forte. Não com o verdadeiro desejo de perdê-las, mas por fazerem parte do processo dolorido que passei e continuo passando, porém já bastante anestesiada.

Minhas crises de ansiedade me levaram ao topo e ao fundo d poço em questão de horas. Hiperventilei algumas vezes. E dormi nos momentos cruciais, quando na verdade, deveria estar agindo.

Me envergonhei. Por ser estúpida, por ser sincera, por ser sem graça. Por ser eu mesma. E passei da fase de me envergonhar pra fase da não aceitação. E constatação do óbvio. Daquilo que todo mundo realmente vê, mas poucos falam.

Chorei mais do que pitangas. Chorei muito. E realmente fez parte. Teve momentos que achei que ia secar de tanta lágrima derramada. E o choro tinha motivo. Mesmo quando não tinha. E principalmente quando me deparava com ratazanas dentro da minha cozinha. E sozinha em casa.

Dormir também não foi um privilégio. Precisei de ajuda pra isso também. Mas passar o trauma dos ratos demorou bastante. Aí soma isso com os outros problemas e foi um ano de poucas horas de sono. E quando conseguia, minha mente me fazia o favor de me interromper. Noites viradas, vendo o amanhecer chegar. E tirando fotos, pra gravar o momento.

Engordei e muito. E depois de meses emagreci. Foi com sofrimento, vendo uma pessoa que muito amo quase nos deixar. Mas a pessoinha sobreviver e eu continuei com meus quilos perdidos. Ainda tenho uma meta a alcançar, só não sei se terei forças pra tanto…

Mudei o cabelo e fiquei melhor. dizer que fiquei mais bonita, sinceramente não consigo. Mas fiquei melhor. E muita gente achou o mesmo.

Tinha a infelicidade de jogar sinuca uma única vez. Mas felizmente pude beber bastante café e cappuccino em lugares acolhedores…

Enfim, 2007 foi terrível. Pouca coisa sobrou pra contar de bom. Talvez quase nada.
E espero que 2008 supere minhas expectativas, que já estão no nível mais baixo possível e imaginável. Eu nem peço muito, só um ano feliz.

E espero conseguir regularizar minhas vindas a este lugar. Espero cumprir tudo que me prometo e que todos cumpram o que prometem a mim. E que, seja onde eu estiver, que eu seja mais feliz do que onde estou hoje (mesmo que signifique continuar no mesmo lugar)

Só me resta mesmo a esperança de dias melhores… Ou nem isso… Matei a Esperança quando entrou na casa da minha avó numa madrugada dessas… De fato, nada mais me resta, só esperar o ano findar…