Bondade é pros Fracos

Sem qualquer modéstia neste momento – e talvez seja exatamente nisso que peco – sou um ser humano raro. Sério. Deus me fez com carinho mas esqueceu um pouco da beleza. Mas de fato sou uma boa pessoa.
Hoje passo meu dia reclusa no meu quarto, desde às 5:15, hora em que cheguei e discuti e consegui ir pro meu quarto enfim, até o momento em que escrevo aqui essas palavras. Tiro, porém, os momentos em que liguei essa máquina e comi pão na chapa com Coca-cola e tomei banho. Não haveria motivo para isso se eu não me sentisse culpada por ter tido uma ótima noite regada à diversão e amigos. Deus me fez boa filha, boa, neta, boa sobrinha, boa prima; e só não sou boa irmã por falta de um(a).

‘(In)felizmente’ tenho a ‘péssima’ tendência a colocar a vontade alheia à minha. E por mais que tente agradar, estou sempre sendo desagradável, porque, por um momento de prazer que creio ser meu direito, desagrado tanto que essa insatisfação criada poderia servir por uma vida inteirinha…

O que mais me perguntam é como consigo ser assim. Como consigo, literalmente deixar de viver para não fazer os outros infelizes. Ceder tanto de mim e da minha vida no auge da minha vida. E no final, infeliz fico eu, seja por tentar evitar a infelicidade alheia ou por tentar ser e estar feliz com um pouco, e ver a tragédia em que isso se transforma.
Também sou boa amiga, não nego(como disse acima, a falta de modéstia é quase que o tema central deste texto). Tento me convencer que sou egoísta mas não sou, minhas atitudes falam por mim. E nem é por falta de tentativa. Mas isso não me faz infeliz não, mas tentar agradar todos ao mesmo tempo pode causar certas dores de cabeça.
É o que eu chamaria de uma pseudo tentativa de “Síndrome de Jesus Cristo”. Até tento salvar tudo e todos e no final creio que só crio confusão.

Confesso: fico triste em não ser egoísta.
É por isso que me sinto uma perdedora. Ou ‘vencedora’, citando meus queridos Los Hermanos: “faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz”. E é por aí. Sou perdedora porque perco de mim pra fazer os outros. Mas venço em tentar encontrar a paz nessas atitudes. Essa paz, infelizmente me custa mais caro do que meu bolso está disposto a pagar.
Paz esta, mais cara do que pessoas ‘normais’ costumam se propor a pagar. Não digo isto por me sentir melhor ou superior, mas sim por ser mais boba, mais trouxa ao ser tão boazinha assim.

Minha bobeira me faz insistir no ‘ininsistível’, desistir dos meus sonhos pela simples questão de ter a tal paz que busco sempre e nisso abdico do que considero ser direitos por mim adquiridos.
Sou boba até quando se trata das piores questões que assombram meu falido viver; e vos digo: o amor. A bobeira não se trata apenas por eu não ter coragem de correr atrás do que quero, no sentido de enfrentar minhas vergonhas e limitações e falar o que se espera ser falado. Ao invés disto, desisto ‘fair and square’. E não! Não me sinto mal por isto. Fico feliz com a felicidade das pessoas. O amor não correspondido que outrora me assombrou algumas vezes, tantas vezes, se transforma facilmente em felicidade pela felicidade alheia. Não sei quem me ensinou a ser assim, se foi Deus quem benevolamente me fez pro bem.
Desisto também de quem mal quero. O mínimo conflito de interesses fugazes me faz passar a vez. Não me vale a pena. E poxa, por que ser má, por que amargurar o que não vale a pena? A vida já é por demais amarga para continuar regando esse tipo de sentimento.

E escrevo estas palavras por ter escutado de uma amiga e de certo modo também ter confessado a mim mesma que essa sou eu: boa, boba, tola. E se já não sou muito feliz assim, prefiro nem conhecer algum possível lado o oposto que teoricamente eu teria.

Agora choro. Choro por perceber que bondade não tem recompensa. Até nos atos de maior relevância, ser boa é ser mal interpretada. Que bondade me garante uns bons amigos – que quando bem escolhidos não se aproveitarão dessa minha característica – é inegável. E disto não reclamo; os meus, a não ser que sejam exímios atores, me são bons de verdade.
Mas com amigos bons, com uma vida melhor que de muitos, com uma boa índole e um bom coração, atitudes positivas para com outros (nem sempre comigo), continuo sendo uma pessoa incompleta que já passou da beira da autodestruição.

Acredito ser válido tentar acreditar que um dia atos de bondade serão recompensados. Acredito que talvez seja necessário acreditar no equilíbrio das coisas para manter aquela pequena chama acesa que me permite continuar vivendo. Porque, se algum dia, eu realmente me pegar realizando que de nada me vale ser assim – e não, não o sou por busca de recompensas, apenas sou – de verdade, não me valerá nada viver.
Diferente disto nunca serei, não consigo. Minhas essência é translúcida e seu cheiro exala nos poros da pessoa que me tornei depois de vencer a corrida dos espermatozóides.

E hoje, eu, pessoa boba não sou nada, tampouco alguém, porque a bondade que tenho no coração e que carinhosamente afaga um cachorro labrador às 5 da manhã, é só mais um alguém a levar rasteiras de um ríspido mundo que considera essas minhas ‘propriedades’ como um grande amontoado de fraquezas.

Nenhuma esperança me resta, afinal…

“Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso minha gente lá de casa começou a rezar…”

E por aí vai uma música bacana na voz de Adriana Calcanhoto escrita por Assis Valente, dizem minhas fontes.

O mundo vai acabar logo. Ou deveria. É de fato a única explicação que tenho quando escuto coisas de gênero escatológicos como hoje.
Tive o mal prazer de conversar com uma professora de português falida. Nada contra o insucesso dela ou mesmo sua profissão, pelo contrário, queria eu ter seguido esses passos, talvez.
Papo vai, papo vem, coisas de cunho fútil foram sendo ditas até que ao perguntar da minha humilde e porque não pacata vida, digo que estou às voltas com a maldita prova da Ordem. E que tenho tido uma ânsia em montar uma biblioteca com livros de meu interesse, mesmo que não para lê-los de pronto, já que terei mais o que fazer pelos próximos meses.

E simplesmente acabou meu dia escutar a última frase do diálogo, que me fez arranjar uma desculpa e sair nada à francesa da conversa:
“Comprar livro pra quê? Estudo aí pra sua carteira e compra uma sandália da Melissa.”

Acho mesmo que o fim do mundo está por vir, ou ao menos peço a Deus que leve daqui pessoas com esse sentimento tão interessante acerca da própria língua materna, esta que ela gastou 4 anos de faculdade estudando, e vai chegar numa sala de aula com alunos falidos e desinteressados e formará, daí então, pessoas completamente desinteressadas e falidas.

Melhor: talvez seja melhor que o mundo acabe. Não sei se estou pronta pra uma geração de gente sem cultura. E não digo isto como um ser superior, mas sim alguém em busca de conhecimento e que ao escutar essas merdas fica tão assustadas que não sabe se terá estrutura mental e emocional pra lidar com gente que só lê encarte da Casa&Video.

O Elo Mais Fraco

Engraçado como tudo muda na sua cabeça quando se descobre o que realmente pensam de você. De certa forma, não chega a ser tão assustador, mas um tanto surpreendente se pararmos pra pensar que, infelizmente, ainda temos aquela pontinha de esperança na humanidade.

E que puta humanidade. Humanidade que te chama de louca. E não de brincadeira. Humanidade egoísta pra cacete(porque não uso palavrões aqui), que se curva ao máximo, tira até uma costela, só pra olhar o próprio umbigo.

Lindo. Lindo mesmo. Verdade que se descobre da pessoa que menos deveria pensar assim de você, ou que pelo menos iria agir a favor disso, não achar que é simplesmente loucura. Taxar, rotular e julgar são coisas ótimas de se fazer quando não se está na berlinda.

Hoje eu odeio a berlinda. Odeio a loucura. Odeio o egoísmo. Hoje eu odeio o mundo e todo mundo. Sem distinção de raça, credo, cor predileta ou número de sapato.

E eu tenho o direito. Eu sinto aquilo que bem entendo. Não vou falar aquilo que penso, eu magôo as pessoas só com meu respirar, mas sentir, ah! sinto mesmo. Todo mundo sente.

O problema é que ninguém sente que ressente. E a bola de neve cresce. E um dia vai explodir. No elo mais fraco, porque é ele que carrega as dores do mundo.
É o bode expiatório.
É o Judas malhado.
É o chicote no corpo molhado.
É a marca do chicote no rabo.
É o pelo encravado.
É o chute do dedo quebrado.
É o olhar mal encarado.
É o amor mal regado.
É o ódio disseminado.
É o que sente o avacalhado.
É o que falta ao ovacionado.
É o que sobra no deseperado.
E é o que se espera do mal amado.

O elo mais fraco. O elo enfraquecido, enraivecido, esquecido.

O elo mais fraco… este sim carrega as dores do mundo. E ninguém agradece.

(eu tenho noção da falta de coerência neste post. mas eu quem escrevi e o direito é meu)

De Ontem Em Diante *

O mundo é uma grande decepção… Se antes da minha concepção alguém tivesse me dito que seria esta merda, juro que não teria o menor orgulho em ser o espermatozóoide vencedor. Venci o quê? A corrida pro inferno?!?! Só se for.

Engraçado dizer tudo isso, porque na verdade, talvez todos estejam certos e eu errada. Se todos dizem a mesma coisa, provavelmente ela é verdadeira. E então é melhor eu acreditar.

A partir de agora, não só de agora, porque já venho acreditando, mas por uma questão de estabelecer o marco, é a partir de agora que assumirei para o mundo quem eu realmente sou.

A partir de agora eu assumo mesmo. Sou grossa. E por mais esforço que faça, continuo grossa. De mau humor, de bom humor… o que interessa é que sou grossa. Sempre, com qualquer um.

A partir de agora, eu assumo. Eu pareço um homem. Não, não sou traveco. Mas pareço um homem. Devo ser forte como um, rude como um, devo me vestir como… Sou um homem. E sou gay, já que minha preferências é por homens também.

A partir de agora eu admito. Eu escrevo direitinho. Sempre diziam isso e eu não aceitava porque não achava verdade. Não acho, ainda. Mas assumirei a qualidade. Porque qualidade é algo que dificilmente vêem em mim. Se quem me procriou não vê, por que mais alguém veria, certo?

E declaro, pra quem quiser saber. Sou feia. Beleza não me foi dada. Minha genética só atrapalhou, principalmente depois que juntou com minha personalidade formada. Beleza não entra na lista de qualidades. Não muita coisa entra, mas beleza também não. Ainda tem aqueles que, tentando consolar dizem: “que isso, não fala assim não”… chega a ser engraçado.. ninguém discorda de você.. Até podem tentar,mas é claro e alvo que é por uma questão de consolo….

Em contrapartida, gordura me sobra. Engraçado, né? Minha gordura é inversamente proporcional à minha beleza…e vice-versa. Ser gorda eu já admitia. Mas fica na lista.

A partir de hoje, eu declaro: sou preguiçosa. Você deve ter pensado: “ah, mas isso também sou, isso todo mundo é”. Não. Eu sou preguiçosa de verdade. Pecaminosamente preguiçosa. Com certeza morreria em Seven – Os sete pecados capitais – por este pecado. Eu sou capaz de dormir, literalmente, o dia todo. Principalmente se ninguém encher a paciência.

A partir de agora eu aceito. Fui, sou e serei sempre solteira. Sim, claro, a tão chamada solteirona. Ou seria solteirão? Bom, o que importa é que, aparentemente, eu não me importo. E devo ficar sozinha mesmo… Acho que passo uma imagem de “independent woman”(ou seria independent man?) e para os outros basta achar que eu me basto. Até porque, convenhamos…mulher que parece um homem… gorda(o), grossa(o), feia(o), preguiçosa(o)… não dá em muito lugar, né? (sem trocadilhos, por favor…)

A partir deste post digo: eu sou a futilidade em pessoa. Em tempos como este, tempos de assumir quem realmente sou, só o que me faz feliz é um celular novo. Ou uma blusa nova. São exatamente como maconha. Dá um barato e depois volta tudo à mesma merda. Mas quem se importa, né?

A partir de hoje, por final, eu admito. Sou estranha(o). Ou estou sendo. Estranha(o) ao repelir pessoas, a esperar delas coisas que eu nem devia esperar da minha sombra. Estranha(o) ao querer sumir, a não querer conversar, a querer morrer, a querer mandar todo mundo ir se catar. Estranha(o) ao oscilar de humor de forma tão drástica que tenho a impressão de que vou enlouquecer a qualquer momento. E estranha(o) por esperar que todos tenham paciência, se eu mesma já perdi.

Bom… isso tudo. Assumindo isso tudo. Sou grossa(o), homem, feia(o),gorda(o), preguiçosa(o), solterona(ão), fútil, estranha(o). E um bocado de outras coisas. Não quero aqui, fazer um relato de auto-piedade. Mas sim uma declaração de tudo que sei que sou. É minha forma de dizer a quem interessar, que eu sei quem sou, não precisa ficar avisando.

Resumindo: o próximo que me encher a paciência vou mandar tomar no orifício que sol não doura.

*Poema de Teatro Mágico. Remete à minha infância, quando eu não assumia nada disso aí em cima, porque eu não era nada disso aí em cima.

Um Viva Para o Umbigo!!!

Tem coisas que a gente só se dá conta depois que passa por certas situações.
Hoje mesmo meu supervisor disse que preferia viver com o papagaio resmungão, igualzinho à ele, do que com pessoas. E eu o repreendi. Talvez porque, naquele momento, eu achasse interessante essas relações inter-pessoais.
Mas, basta muito pouco pra gente mudar de idéia. Basta uma frase, sincera, ou mesmo mal colocada. E tudo muda.

Tive um chefe, um senhor muito simpático, porém completamente mimado, de 70 anos de idade, que dizia que somos senhores do nosso silêncio e refém de nossas palavras.
E é isso mesmo. É preferível ficarmos de boca fechada se não temos a habilidade de nos colocarmos de maneira apropriada.
E o mais engraçado é que a sociedade chegou num nível tão impressionante de impessoalidade que ninguém mais liga pra ninguém. Com suas raras exceções, as pessoas não estão nem aí pras outras.
Ultimamente amamos mais a um objeto, a um momento específico da vida, do que pessoas que estão à nossa volta. Não estou eximindo de qualquer responsabilidade aqueles que repelem as pessoas, os amigos, os mais próximos, como eu mesma andei fazendo há pouquíssimo tempo. Mas é nesses momentos que descobrimos o que se passa nas mentes desses seres.
Talvez, um afastamento, mesmo que inconsciente, seja motivo de atitudes iguais dos que nos cercam. Mas cadê a compreensão? Cadê? Cadê aquele “eu sei o que você está passando”? É tudo falso? “Estou pro que der e vier”, “Saiba que pode contar comigo”… tudo da boca pra fora.
Tem como achar que as pessoas são verdadeiras? Tem como achar que ainda existem amigos? Verdadeiros amigos?? Porque verdadeiros amigos não fazem afirmações das quais não cumprirão.
Digo isto como regra, mas acredito que existem exceções.
Uma amiga minha (e digo amiga porque ela é mesmo) disse-me algo certo: a maioria das pessoas só se aproxima, só fala, só liga, porque tem algum interesse… E por mais idiota que possa parecer, por mais que achemos que nada temos a oferecer, sempre tem um desgraçado que só fala quando convém. E pobres mortais como eu, como muitos por aí, acreditam nisto. E se machucam de verdade.
É triste quando abrimos os olhos pra realidade e vemos que nada disso aqui é pintado de cor de rosa. Apesar de, infelizmente, acreditarmos nisso,  sei que a boba sou eu e pessoas como eu, que ainda têm fé na humanidade. E fé na nossa importância pro mundo e pras pessoas. O que importa na verdade é o nosso umbigo. E um dia ainda hei de viver assim.