Verdade seja dita: ninguém nos entende por completo. Nem quem, com muita força de vontade, tenta.
Hoje eu sinto muita, muita falta de quem me entenda por completo.
Óbvio que não é um fim de semana que me faz mudar uma situação que simplesmente não muda.
O meu teve direito a festa divertidíssima, boa comida, muita bebida. Boa bebida. Me diverti, bebi pacas, ri, esqueci por algumas horas que passo por muita coisa internamente. E que ninguém entende.

Acordei me sentindo shit. Mandei e-mail, confessei coisas a pessoas, fiz coisas das quais não me orgulho, não reconheço em mim. Ressaca moral. Há quem diga que não é nada e foi assim que levei o dia.
E ele se desenrolou num outro encontro. Igualmente agradável. E voltei de lá muito pior do que como estava no começo do fim de semana.

Não consigo lidar mais com o sucesso das pessoas. Eu ja declarei sentir ‘inveja’ dos outros, nos últimos dias. Não digo que seja uma inveja por a pessoa TER e eu não, especificamente falando. Mas inveja de ver TODAS as pessoas VIVENDO 2010 e eu não. Tenho minhas limitações financeiras, principalmente, entre outras que não me permitem realizar as mesmas coisas, sem contar na questão dos sonhos, gostos e etc. Não quero o que é dos outros. Mas o que deveria ser meu. E eu não tenho. E eu não sou.
Minha inveja é diretamente ligada ao sucesso alheio e ao meu fracasso.
Então eu acabo simplesmente não sabendo sorrir, sinceramente, por ver os outros bem, felizes e realizados naquilo que queriam, desejavam fazer, que Deus me perdoe.
Eu não sei quão ruim isso tudo acabou soando, mas é a pura verdade.

Daí eu no auge do “hoje me sinto uma merda”, acabo me sentindo mais merda ainda vendo fotos minhas da festcheeenha de ontem. Fico sempre achando que to bem, daí vejo fotos e estou enorme. Me sinto imensa, gorda, feia, deplorável.
Meus amigos diriam que estou viajando, mas sinceramente/ Hoje eu não confio neles. Porque amigo gosta de ajudar. E amenizaria tudo. E eu to vendo, vi as fotos, to gigante. Sou gigante, horrorosa e daí não me admira continuar solteira.
Também tampouco me admirará morrer sozinha e sem amigos.

Eu to muito cansada de me sentir enganada. As pessoas poupariam muito de mim se fossem sinceras e dissessem que eu to gorda, sou feia, sou chata. Viveria minha vida miserável bem mais tranquila sem me preocupar em agradar, em impressionar, em achar que tenho chance no mundo. Eu não tenho.
Sério, cansei. Cansei do mundo, cansei da minha família, cansei de mim.

E hoje eu sei que ninguém me entende. Nem 1% que seja. E era só isso que eu queria na vida, no mundo, no universo. E não tenho. Nem uma pessoa que realmente conseguisse entender o que eu to sentindo agora. O quão ruim tudo que passo e tudo que sou me soam hoje.

Pode ser que eu esteja num momento muito ruim. Pode ser que eu esteja sendo ingrata. Mas é como me sinto. E não vi ninguém tentando mudar isso de forma coerente; daí eu volto pro lance de que ninguém realmente me entende.

Papo de louca, papo de adolescente, papo de deprimida, papo de idiota.
Só sei que hoje eu to surtando.
E surtos passam. Ou não. Podem ser só a constatação do que é a minha verdadeira realidade.

É A Vida.

Fui aprendendo com a vida a não sair cofiando em tudo que me dizem. Infelizmente isso me tornou uma pessoa extremamente desconfiada da minha sombra, até. Na semana que antecedeu o dia dos namorados, conversei com uma pessoa que teve um acesso de verborragia e saiu falando pelos cotovelos tudo aquilo que qualquer mulher gostaria de escutar. Escutei, fui extremamente sincera em minhas opiniões [coisa que preciso controlar] e tentei levar tudo aquilo como meias verdades pra também não desvalorizar demais.

Passei uma semana, a mesma que passei com as crianças, com um ponto de interrogação no peito, sem saber bem o que pensar, o que sentir, como me portar e o que esperar disso tudo.

Dia 12 de junho. Dia dos Namorados. Nunca comemorei tampouco tive encontros. Mas desta vez foi diferente e lá estava eu colocando meus medos, neuras, desconfiômetro de lado pra me encontrar com alguém que aparentemente tinha mudado de discurso.

E sabe quando eu digo que não confio nas pessoas, nas palavras dos outros? Exatamente pelo que aconteceu naquele dia. Tudo, aquele papo todo não passou de papo furado, de conversa pra boi dormir e o infeliz não precisar passar o dia sozinho. Aproveitar? Lógico que aproveitei, tava ali, bora curtir.

E começou a semana. Como sou bobinha, boazinha, simpatiquinha, mandei um bom fim de semana, ao qual tive resposta. E só. Aquilo tudo ERA MESMO história pra boi dormir. E sabe o que chateia? Se tivesse usado de sinceridade, teríamos nos visto dia 12 da mesma forma. Ou não, sei lá. Mas pelo menos seria sinceridade. E isso eu prezo muito, mais do que muitas outras coisas.

Já faz quase 1 mês. E, tipo assim, temos telefone, orkut e msn. Não quis me procurar, beleza, mas agora querido, vaza. Objeto, por definição, é um ser inanimado e até onde eu to sabendo, sou classificada como ser humano.

Aquele ditado de “antes só do que mal acompanhada” ganha um novo significado quando você percebe – mesmo que demore – que é perda de tempo tentar acreditar em quem nunca passou honestidade nos olhos.

Totalmente Fora de Moda…

Quanto mais o tempo passa, mais percebo o quanto me sinto sozinha neste mundo. Não de ser sozinha ou estar sozinha. Mas sozinha quanto aos meus pensamentos, princípios, ideais. Estou longe de ser tudo o que gostaria, o que Deus gostaria que eu fosse e o que as pessoas esperam de mim. Mas se tem uma coisa que meus amigos podem contar comigo sempre são atos de bondade. Porque eu sou boa, do fundo da alma. E pode parece falta de modéstia mas não é. É a simples constatação de que sou boa e isso definitivamente não é uma qualidade. Não nos dias de hoje, não neste século, não neste país.
Sou boa e incluindo uma única letra, minha bondade se resume: boba.
E parece que quanto mais os ano passam, mais bo(b)a vou ficando.
Quando mais nova, me achava e talvez agisse, da forma mais egoísta possível. Tudo pra mim, tudo eu, eu, eu, eu. Talvez fruto da minha criação, coisa de filho único.
E não sei se foi a vida, se foram minhas experiências ou mesmo o meio, me fizeram abandonar esse culto a mim mesma e pensar nos outros.
Enquanto uns ficam fulos porque fulano tá namorando ou vai casar, eu fico feliz. Não digo não sentir uma pontinha de inveja, afinal, quem não quer um par, não é?
Enquanto uns acham mais fácil odiar alguém por simplesmente odiar, algo dentro de mim pára pra pensar se não existe algo de bom. E eu também odeio, não tiro meu cavalo da chuva não. Mas confesso que nas minhas tardes solitárias ou noites insones eu realmente fico a pensar na justiça de julgar alguém por algo.

E tem mais. Acredito nas pessoas, no mundo, na paz mundial que nunca vai acontecer. No amor – mesmo que ainda não tenha verdadeiramente acontecido pra mim – na palavra dita, no segredo confessado. E vou pagando de trouxa até o 1º sinal de mentira. Não me passe a perna, por favor. Eu só faço existir desse jeito que sou.

Uma amiga um dia me escreveu: “É bem verdade que tem um capa de ‘gente forte e articulada’, mas por mais que pareça ‘do contra’, a **** sabe ouvir e sabe perguntar e sabe sentir. Muito sentimental essa menina. É só saber ver com cuidado.”
Foi uma das melhores definições sobre mim mesma. Acho que nem eu conseguiria ser tão exata.
Meus sentimentos predominam na minha vida. Principalmente os de esperança. Eu até minto e digo que não a tenho mais. Eu até finjo ignorar algo que me faça mal. Mas no meu cantinho escondido eu choro, fico com gritos e berros entalados na garganta e frases não ditas nos momentos apropriados.

Hoje, um dia em que tudo correu super bem, eu me decepcionei. Algo que parece tão pequeno mas que, vendo o contexto, vendo o passado, tem uma importância tremenda. E me mostra que a boba sou eu, na minha bondade finita (porque também não sou perfeita), que me permite fazer pelos outros o que outros não fariam por mim.
Quem sabe não é algo Freudiano dizendo que eu sinto a necessidade de ser aceita? Não duvido nada.

Mas, infelizmente, eu sinto, faço, falo, me preocupo, choro, oro, peço, imploro a Deus pelas pessoas à minha volta e seus anseios. Peço por mim também. Mas ver o sorriso dos outros me alegra, mesmo quando meu sorriso se esconde em lágrimas. Já que eu não sorrio, que sejam outros.
E nessa de sorrir pela felicidade dos outros, eu ajudo, coopero, sou solidária. De boba que sou. Já caí do cavalo 2 vezes e não aprendi. Mas a vida dá voltas, cada dia é um dia e posso eu ser hoje como uma borboleta, ainda lagarta, em seu casulo, esperando o momento pra voar.
E pode ser que nesse vôo, eu comece a olhar mais pra mim, pensar mais em mim, fazer tudo pra mim. Porque bobo é quem faz coisa pros outros. Que pensa nos outros. Que se alegra pelos outros.
Esse mundo é egoísta e a cada descoberta como essa vejo o quanto não estou no lugar certo.

Mudaram as estações, nada mudou…

Momento de crise. Das boas. Lógico que eu não sou desequilibrada e minhas crises sempre têm fundamento; então esta também tem.
Passei a noite conversando com uma amiga de anos. Amiga de adolescência que agora tem um trabalho bom pacas, vai casar e começar uma 2ª faculdade. Nada disso me abalou horrores até porque a errada no mundo sou eu, com zilhões de conhecidos casando e trabalhando e eu dormindo às 5 da manhã e almoçando às 4 da tarde. Mas o que me chocou foi conversar com ela coisas até bem particulares e pras perguntas que ela me fazia, as respostas eram as mesmas de 8 anos atrás! C-R-E-D-O!

E eu me pergunto: como pode a pessoa simplesmente estacionar no tempo?!?! Meu corpo foi, minha idade tá indo mas a mentalidade tá voltando e não, não é uma coisa boa, quando a mente volta só pras coisas ruins e não pras boas. Perceber que perdi 2 anos da vida fazendo nada até entrar na faculdade e perceber que estou com 1 ano de formada e minha vida tá beeeem pior do que quando era acadêmica me assusta! É muito tempo perdido com nada!
Ano passado achei que precisar ter objetivos difusos, não me concentrando em merda nenhuma porque achava que concentrando em várias, a chance de conseguir alguma era grande. Ledo engano. Me ferrei feio, e como agravante tenho essa coisa de doença mental babaca que não vai embora.
Mesmo agora que eu estou há um mês vivendo por conta própria, me achando a dona de mim mesma e do mundo, vejo o quanto eu me engano achando que estou bem. Quando estou bem acho que estou ótima e volta à rebeldia característica, deixando tudo de lado. Aí quando o cerco aperta e eu vejo que nada mudou, volto desesperadamente aos meus hábitos necessários na esperança de uma cura pra algo que eu não trato como deveria.

Então… desde 2007 cultivando coisas na minha mente, que evoluem pro meu corpo e invadem meu ser a ponto de me modificar como ser social. E volta a preguiça. E volta o desânimo. E volta o sono que não passa. E vai embora o humor. E volta a ansiedade e a enxaqueca. E o mundo que parecia tão colorido não passa mesmo é de uma imagem refletida nos óculos de alguém, não vivo isso. I play tricks on me, achando que sim, mas não. Vivo uma realidade de cor acinzentada, que varia no máximo pros tons pastéis. Não que eu goste disso, mas não faço esforço pra mudar. Não porque não queira. Mas por achar que quando estou bem já estou ótima, mas nem tudo é assim.

Me descobri inapta pra vida. Não tenho objetivos claros, porque minha mente ainda adolescente acha que pode abraçar o mundo e fazer tudo que a mente ainda sonhadora e ingênua acredita ser possível. algo dentro de mim ainda não assimilou que tenho uma ‘profissão’ e preciso saber exatamente o que fazer dela, porque rolar de um lado pro outro, em extremos que não se combinam, só me faz perder tempo. Concurso, Mestrado, trainee, escritório… o que? Não sei. A adolescente dentro de mim quer tudo isso MAIS uma 2ª faculdade, tudo ao mesmo tempo.

E eu ainda não considero algo muito relevante: eu não sou nenhum gênio. Nem sou sortuda. Só minha avó passou no vestibular fazendo prova de francês sem nunca ter estudado. Isso não é da minha natureza. então o que me faz acreditar que tenho perfil de Mestranda? Acho que é muita prepotência da minha parte. Sem contar que essa situação que (con) vivo há 2 anos me tira qualquer disposição pra estudar (pra sair de casa, pra ser sociável, pra tudo, enfim) e minhas rebeldias não ajudam.

Crises.
E eu que achei que elas cessariam logo nesse ano. Eu ainda consigo me enganar, o que é o mais hilário nessa história toda. Tenho enganado a muita gente, não por maldade, mas por achar que assim é melhor pra todos. bobinha eu. E pior pra quem acredita, porque são essas pessoas que não aceitam o fato de nada ter mudado.

Agora.. se pros outros é complicado, imagina pra quem passa?!

Talvez teria sido melhor não ter existido; simplesmente não me adapto. Não amadureço. Não evoluo. Só ocupo espaço.

Síndrome de Peter Pan não funciona no mundo real. E imaginar que nunca gostei da personagem.

2009

2009. Ano ímpar. Dizem as más línguas que ano ímpar é ao pra arranjar um par. Não garanto certeza de satisfação total verificando que alguns anos ímpares já se passaram e testemunhas vivas continuam solteiras em anos pares e ímpares. Essa e outras coisinhas que se ouvem por aí, na minha humilde opinião é tudo balela. Mas há quem acredite. Há quem ainda acredite em Bicho Papão, em Papai Noel, em coelhinho da Páscoa, em príncipe encantado, em paz mundial, em emprego perfeito, em família perfeita, em vida ideal.

Nada contra; sonhos, dizem, quanto mais os têm, mais fácil de viver. Eu tento. Tento viver do meu jeito, com peito aberto pra vida que Deus me deu. E neste ano que vai começar, as esperanças se renovam. Mas não com os sonhos irreais que outrora tive. Hoje minha esperança se basta em si só. Em ser, literalmente esperança. Esperar pelo que há de vir. Expectativas, não as quero mais. Vivo só de esperar. Esperar pelo amanhecer, pelo anoitecer. Pelo feriado e pelo fim de semana. Pelo aniversário e pelas festas. Pelos choros por coisa nova e choros por motivos antigos. Esperar pela coragem que ainda não tenho. Pelo medo que não me abandona.

Esperar é mais difícil do que acreditar no que não existe. Esperar requer ter consciência da realidade e esta nem sempre é boa. Acreditar no inexistente é uma fuga, mas uma fuga consoladora; fecham-se os olhos pro ruim, pro mau e pro inevitável; pro chato, pro trabalhoso, pro obrigatório. Esperar requer coragem. Coragem que nem sempre as pessoas têm. E eu me incluo nisso. Me finjo de forte, de independente, de bem resolvida e de moderninha. Mas meus conceitos são retrógrados, me escondo atrás de máscaras, preciso de atenção e sou frouxa como um filhote de cachorro recém desmamado.

Mas 2009 está aí e a cara está à frente, esperando o tapa que lhe é devido. A coragem, finjo ter, me faço de valente e de noite, como quem finge não querer nada, me escondo debaixo do cobertor no meu cantinho escondido.

E que venha! Venha me desafiar, me irritar, me apaixonar, me alegrar, me surpreender, me entristecer, porque também faz parte. Darei à cara a tapa aos corajosos que partirem pra cima de mim, pras situações mais constrangedoras, mais pitorescas, mais inusitadas, mais rotineiras. E que seja assim. Assim, como quem não quer nada, que 2009 venha pra ser o que lhe é de obrigação: fazer-nos passar por mais um ano, vivendo as aventuras que é viver uma vida, derramar uma lágrima, gargalhar às alturas, dançar como se ninguém estivesse vendo. Mais 52 semanas. Mais 365 dias. Mais 12 meses. E só.


Bondade é pros Fracos

Sem qualquer modéstia neste momento – e talvez seja exatamente nisso que peco – sou um ser humano raro. Sério. Deus me fez com carinho mas esqueceu um pouco da beleza. Mas de fato sou uma boa pessoa.
Hoje passo meu dia reclusa no meu quarto, desde às 5:15, hora em que cheguei e discuti e consegui ir pro meu quarto enfim, até o momento em que escrevo aqui essas palavras. Tiro, porém, os momentos em que liguei essa máquina e comi pão na chapa com Coca-cola e tomei banho. Não haveria motivo para isso se eu não me sentisse culpada por ter tido uma ótima noite regada à diversão e amigos. Deus me fez boa filha, boa, neta, boa sobrinha, boa prima; e só não sou boa irmã por falta de um(a).

‘(In)felizmente’ tenho a ‘péssima’ tendência a colocar a vontade alheia à minha. E por mais que tente agradar, estou sempre sendo desagradável, porque, por um momento de prazer que creio ser meu direito, desagrado tanto que essa insatisfação criada poderia servir por uma vida inteirinha…

O que mais me perguntam é como consigo ser assim. Como consigo, literalmente deixar de viver para não fazer os outros infelizes. Ceder tanto de mim e da minha vida no auge da minha vida. E no final, infeliz fico eu, seja por tentar evitar a infelicidade alheia ou por tentar ser e estar feliz com um pouco, e ver a tragédia em que isso se transforma.
Também sou boa amiga, não nego(como disse acima, a falta de modéstia é quase que o tema central deste texto). Tento me convencer que sou egoísta mas não sou, minhas atitudes falam por mim. E nem é por falta de tentativa. Mas isso não me faz infeliz não, mas tentar agradar todos ao mesmo tempo pode causar certas dores de cabeça.
É o que eu chamaria de uma pseudo tentativa de “Síndrome de Jesus Cristo”. Até tento salvar tudo e todos e no final creio que só crio confusão.

Confesso: fico triste em não ser egoísta.
É por isso que me sinto uma perdedora. Ou ‘vencedora’, citando meus queridos Los Hermanos: “faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz”. E é por aí. Sou perdedora porque perco de mim pra fazer os outros. Mas venço em tentar encontrar a paz nessas atitudes. Essa paz, infelizmente me custa mais caro do que meu bolso está disposto a pagar.
Paz esta, mais cara do que pessoas ‘normais’ costumam se propor a pagar. Não digo isto por me sentir melhor ou superior, mas sim por ser mais boba, mais trouxa ao ser tão boazinha assim.

Minha bobeira me faz insistir no ‘ininsistível’, desistir dos meus sonhos pela simples questão de ter a tal paz que busco sempre e nisso abdico do que considero ser direitos por mim adquiridos.
Sou boba até quando se trata das piores questões que assombram meu falido viver; e vos digo: o amor. A bobeira não se trata apenas por eu não ter coragem de correr atrás do que quero, no sentido de enfrentar minhas vergonhas e limitações e falar o que se espera ser falado. Ao invés disto, desisto ‘fair and square’. E não! Não me sinto mal por isto. Fico feliz com a felicidade das pessoas. O amor não correspondido que outrora me assombrou algumas vezes, tantas vezes, se transforma facilmente em felicidade pela felicidade alheia. Não sei quem me ensinou a ser assim, se foi Deus quem benevolamente me fez pro bem.
Desisto também de quem mal quero. O mínimo conflito de interesses fugazes me faz passar a vez. Não me vale a pena. E poxa, por que ser má, por que amargurar o que não vale a pena? A vida já é por demais amarga para continuar regando esse tipo de sentimento.

E escrevo estas palavras por ter escutado de uma amiga e de certo modo também ter confessado a mim mesma que essa sou eu: boa, boba, tola. E se já não sou muito feliz assim, prefiro nem conhecer algum possível lado o oposto que teoricamente eu teria.

Agora choro. Choro por perceber que bondade não tem recompensa. Até nos atos de maior relevância, ser boa é ser mal interpretada. Que bondade me garante uns bons amigos – que quando bem escolhidos não se aproveitarão dessa minha característica – é inegável. E disto não reclamo; os meus, a não ser que sejam exímios atores, me são bons de verdade.
Mas com amigos bons, com uma vida melhor que de muitos, com uma boa índole e um bom coração, atitudes positivas para com outros (nem sempre comigo), continuo sendo uma pessoa incompleta que já passou da beira da autodestruição.

Acredito ser válido tentar acreditar que um dia atos de bondade serão recompensados. Acredito que talvez seja necessário acreditar no equilíbrio das coisas para manter aquela pequena chama acesa que me permite continuar vivendo. Porque, se algum dia, eu realmente me pegar realizando que de nada me vale ser assim – e não, não o sou por busca de recompensas, apenas sou – de verdade, não me valerá nada viver.
Diferente disto nunca serei, não consigo. Minhas essência é translúcida e seu cheiro exala nos poros da pessoa que me tornei depois de vencer a corrida dos espermatozóides.

E hoje, eu, pessoa boba não sou nada, tampouco alguém, porque a bondade que tenho no coração e que carinhosamente afaga um cachorro labrador às 5 da manhã, é só mais um alguém a levar rasteiras de um ríspido mundo que considera essas minhas ‘propriedades’ como um grande amontoado de fraquezas.

Tudo tem explicação…

25 anos, 8 meses e 9 dias.
1 dedinho da mão quebrado.
1 dedinho do pé luxado.
Cabelo queimado.
4 anos de flauta transversal e doce.
2  anos  – ou menos -de violino.
6 meses de piano.
Mais de 10 anos cantando.
Faço comida.
Arrumo a casa.
Atendo o telefone e anoto recados.
Cuido de avó doente.
Vou pra Petrópolis.
Passo o Carnaval sozinha em Copacabana.
Fui à Espanha e Portugal.
Pago contas.
Tenho conta corrente.
Tenho dívidas e as pago.
Me viro bem com computadores.
5 anos e Direito.
1 trabalho e 2 estágios.
Viro a noite jogando corrida.
Ando sozinha à meia noite pelas ruas.
Jogo sinuca.
Jogo buraco.
Bebo chás.
Vou à cafeterias.
Encontro pessoas desconhecidas.
Fico com pessoas de caráter duvidoso.
Durmo sozinha vez ou outra.
Chorei várias vezes no colégio.
Choro vendo filmes.
Sei bater, sei brigar.

Tudo isso, com 25 anos 8 meses e 9 dias. Mas nada disso me é suficiente para eu ter a liberdade de quem verdadeiramente vive essa idade.
Já passei da fase do cansaço e desapontamento ou frustração, pra momentos de raiva e ódio mortais.

Esses anos de vida ainda não me fizeram eliminar certas toxinas que resolvem se manifestar na minha vida. Me afetam mais do que tudo que eu possa lembrar nesse momento. E por mais exercício mental que faça, essas tais toxinas me envenenam mais do que qualquer outra coisa.

A solução (e fuga, na verdade, é sempre dormir, tirar a raiva do coração (que eu sei que só sairá quando eu meter o pé fora de casa) e tentar aproveitar o que o resto do dia me proporciona.
Ou passar momentos com livros(no momento Ssramago). Ele, com certeza, me entende.  Aliás, o mundo inteiro me entende, menos quem compartilha do meu dna; seja ascendente, colateral ou seja lá mais o quê.
A parte da personalidade veio com (d)efeito, porque igual a minha ainda não achei ninguém na família. E infelizmente não dá pra dizer que EU fui adotada porque a semelhança até assusta..

Minha boca é cheia de argumentos cuspidos pela minha mente. Eu já tentei todos eles e nenhum funciona. É mais firme que o muro de Berlim ou as muralhas da china.
E minha única explicação pra isso tudo, pra tanta resistência contra um sistema já firmado, uma opinião firmemente formada, uma realidade tão redundantemente real é a seguinte: EGOÍSMO.

Update acerca do comment da Carol:
A minha IDENTIDADE, se choca com o EGOÍSMO das pessoas que vivem ao meu redor. É essa a raiz do problema…

Dissolvendo Meu Ego Num Post Descartável

Eu queria alcançar o Nirvana. Mas meu professor de filosofia da faculdade (salve, salve  prof. Samir!) já dilacerou do meu ser qualquer possibilidade de um dia, enfim, me libertar por completo de meu corpo são.

Uma única tentativa foi feita e falha, óbvio. De lá pra cá tenho tentado sair do meu próprio eu e me procurar em outros lugares; coisa que este mesmo ilustríssimo mestre nos dizia: “que para filosofar era necessário sair de você, da situação e analisar ‘de fora'”.

Como boa aluna que era e como persistente que sou, tenho tentado me ausentar de mim mesma durante todo o ano e com certo sucesso. O que é interessante é que muitas dessas vezes foram ingenuamente sem querer. Tá que pra isso acontecer foi preciso o auxílio de substâncias (i)legais que, misturadas com outras substâncias controladas legais me levaram ao ápice do meu ‘nada’.

Momentos de euforia contida. Momentos de análise profunda. Momentos de conhecimento da subconsciência. Momentos. E desses momentos eu me descobri de várias formas: às vezes quadrada, às vezes mais redonda do que sou, muitas vezes culpada pelo que fiz, pelo que não fiz e pelo que não tenho nada a ver.
Ah! Descobertas são libertadoras! Libertar-se de desejos do subconsciente é, redundantemente falando, libertador.

Negamo-nos a nós mesmos o tempo todo (e não quero falar aqui de Cristianismo, Protestantismo ou qualquer coisa ligada a isso; não é disso que falo) e por alguns momentos dessa vida ingrata, vazia, mórbida e irônica – que ri na tua cara de todas as merdinhas feitas no caminho, – é possível descobrir o tudo que é negado.

Liberdade de ver dois homens se abraçando e dizendo ‘eu te amo,’ esquecer do gosto ruim do maracujá, pouco ligar se usaram água potável no copo que te oferecem, pensar que a vida é tão curta e fazer tudo logo de uma vez (principalmente se tudo for acabar em 2012); descobrir o amor mais profundo pela mãe é lindo; lembrar de suas tendências suicidas ao abrir portas de carros em movimento e meter-se a ator de filme de ação. Ah!, a adrenalina que corre nas veias nesses momentos é praticamente indescritível.

Nunca vou alcançar Nirvana algum, tampouco filosofar nesta vida que levo. Até porque, apesar do amor à ela, no pouco que me meti a falar aqui, já me envergonho. E sinto mais vergonha disto do que chorar às 8 da manhã porque ganhei um desenho feito por uma menina de 5 anos. Ou porque as pessoas estão morrendo. Ou porque, por mais que se queira negar você se apaixonou por aquele cara que só quer farra contigo.

Voltar à realidade, com um pouco de dor de cabeça e a sensação de que alguma coisa aconteceu no dia anterior e, teoricamente, você não saber o que foi é a pior parte.  Ou realmente saber e não poder guardar aquele estado de espírito, corpo e mente, num potinho como de resto de sabonete pra cheirar toda vez que o mundo resolver arrotar realidades nada bem quistas. Tenho certeza de que Alice, quando voltou à realidade sentiu a mesma coisa.

Mas nada disso importa; o que importa é que tenho me negado menos e dado mais minha cara à tapa aos causos que eu resolvo me meter na vida. Mas não, não os assumo assim, de pronto. Antes, por favor, me traga um copo de caipirinha e/ou uma dose de tequila.

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Enlouquecendo? Mode out loud: on

“Diz que deu, diz que Deus, diz que Deus dará,
Não vou duvidar,ô nega e se Deus não dá, como é que vai ficar, ô nega?
Diz que deu, diz que dá, e se Deus negar, ô nega
Eu vou me indignar e chega, Deus dará, deus dará
Deus é um cara gozador, adora brincadeira
Pois prá me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro
Na barriga da miséria nasci batuqueiro
Eu sou do Rio de Janeiro”


Estou há 2 dias com esse trecho da Música de Chico. Tá que a letra em si nada teria a ver comigo. A questão é interpretá-la. A música toda. Não, não modificá-la. Mas sim ver aos olhos de Chico. A música pode até ser simples, mas pra mim é de um simbolismo magnânimo.

De uns dias pra cá, tudo que tava dando errado conseguiu piorar. Tudo.

Já disse tudo, tudo mesmo? Pois é. Tá sendo a semana mais trash do ano. E só estou sobrevivendo porque sobrevivo assim, de remédio mesmo.

Hoje conseguiram enfiar uma estaca no meu peito. Poucos sabem (ou muitos sabem, já que essa porra de internet é pro mundo inteiro e eu falo disso aqui) do tal Mestrado que resolvi me aventurar. Não passei. E fiquei na boua, levando-se em conta que chamaram apenas 16 pessoas num grupo de 109. Ainda vou descobrir quanto tirei mas to pensando se é ideal.

Mas não foi isso. Ontem o dia já terminou errado quando as coisas que deveriam ter sido terminadas não foram, eu chorei de raiva e não podia, eu gritei com minha mãe e com razão (ela também sabe disso e nem se opôs!!!) e fui dormir me sentindo uma titica.

Acordei um bagaço, fiz milhões de coisas. Descobri que estou me tornando uma pessoa quase pontual e esperar pelos outros realmente me faz querer arrancar os cabelos. Parei na Ilha do Governador, não peguei meu vestido pra sábado, peguei uma chuva do cacete e sujei minha sapatilha.

E, depois de um almoço violento, daqueles de tomar sal de frutas depois, ainda teve torta de abacaxi, torta de chocolate, docinhos, salgadinhos e o bicho todo à quarta potência. Aniversário da tia. E depois, num bate papo informal – infelizmente não num boteco, mas num dos cômodos da casa da minha avó – descobri que eu sou uma imbecil que não cria planos alternativos na vida; que sou muito ingênua de achar que posso passar numa prova (mesmo num futuro distante), considerada hoje a mais difícil do Brasil se não passo nem na OAB.

To vendo que eu sou incapaz de gerenciar minha vida de forma eficiente. Onde coloco o dedo quebro, o que penso fazer dá errado. As pessoas com que resolvo me relacionar ou querem de mim o que não quero delas, ou eu quero delas o que elas não podem me dar, a.k.a., reciprocidade.

Eu sabia que aquele papo de levar tudo numa boa, apesar de nada ter sido efetivamente feito este ano, fatalmente ia me enlouquecer depois de uma ducha fria e uma bofetadas à face. Dá vontade de voltar pro status quo do ano passado, me desesperar, dormir horrores, esquecer do mundo e virar vagaba, porque NADA do que quero eu tenho apoio (e sim, algumas pessoas no mundo me desestimulam…) ou são viáveis ou são reais. E uma das minhas opções foi, aparentemente por água abaixo porque crise econômica americana aumenta a cotação do dólar e oi?!?, não vou pagar rios de dinheiros, pra gastar rios de dinheiro lá fora porque não existe rio algum. Moro no cerrado.
Tá, não moro. É só pra ser enfática. Vai ter gente falando que eu tenho que seguir com meus sonhos e blá blá blá Whiskas Sachê, mas não se vive de sonhos e sim de realidade. E a realidade não é agradável e não tá me ajudando.

Pela primeira vez na vida eu estou absolutamente à toa, sem rumo, sem emprego, sem estudo, sem apoio, sem esperança de mudança, sem saber o que fazer. Eu simplesmente não tenho noção pra solução dos meus problemas.

Ainda mais! Tem gente que me leva a sério quando faço piada, fica puto comigo, eu fico bolada, porque fiz uma piada e a pessoa me interpretou mal, acabo me irritando – porque eu sou irritada (e minha mãe não entende isso!!) – e escutando que não posso ficar irritada, o que não deixa de ser verdade, já que minha mãe não pode se estressar.

Ah é, minha mãe tá doente. Realmente doente. E não consegue fazer repouso. E se não fizer repouso, pode acabar internada. Ou acabar parando. Literalmente. Pode não conseguir andar.

Acordar cedo todos os dias dessa semana acabou com o pouco de esperança de um humor sadio.

Conversar com seres humanos hoje acabou com o pouco que sobrava de esperança em mim.

Tudo acabou.

E nem adianta falar que não, porque agora, hoje, neste momento, nesta lua, na posição desses planetas(!!!), minha opinião não mudará com comentários de incentivos a la Vigilantes do Peso ou, porque não, Alcóolicos Anônimos.

Desculpaê.

Evoluindo ou enlouquecendo?

O que uma vida de ócio constante não faz com um ser humano. Acho que estou na pior onda de “nada pra fazer” da história da minha vida. E olha que “minha vida” tem muitas histórias. Pra todos os gostos, idades, crenças, culturas e etc, heheh.

Meu relógio biológico enlouqueceu de vez. Dá 4 da manhã e estou com a corda toda. É até bem engraçadinho, se não fosse pelo fato de acabar indo dormir umas 5, acordando milhões de vezes até levantar de vez, às 14. E nessa de acordar muito, almoço, volto e durmo mais um pouco. No final das contas meu dia só começa às 17. Engordei horrores. Não consigo ler metade das coisas que PRECISO ler. E quando começo é madrugada.

Confesso que estou prestes a ligar pra todos os canais televisivos e pedir programação melhor nas madrugadas. Poxa vida, só programa ruim de ver, nada interessante… Não posso negar que por conta de coisa melhor pra fazer parei pra pensar, tive um insight ou coisa que o valha por conta de uma conversa de MSN (as pessoas também precisam ir dormir mais tarde, diria meu lado mais egoísta…)

Arredondando, estamos em Novembro. Final de outubro. Semana que vem já é novembro. Fazendo um balanço, o ano foi o seguinte (na ordem que vêm à minha cabeça, e não dos acontecimentos):

  • Estou sem emprego e/ou ocupação desde março;
  • Me apaixonei por Clarice Lispector;
  • Fui a Brasília 2 vezes;
  • Fiz 2 provas para a OAB;
  • Me inscrevi em uma seleção de Mestrado;
  • Me inscrevi em milhões de programas de trainees;
  • Não anulei meus votos, como de costume;
  • Comprei algo em torno de 15 livros, contando os jurídicos;
  • Conheci cerca de 8 bandas/artistas diferentes;
  • Tomei grande quantidade de bebidas alcóolicas;
  • Perdi o medo de Labradores;
  • Descobri que quero um cachorro;
  • Saí pra dançar umas 3 vezes no máximo;
  • Não fui ao cinema nem ao Teatro (sem meia entrada e sem emprego fica um pouco complicado);
  • Fiz 3 cursos diferentes;
  • Pensei mais de 10 vezes em tentar Mestrado em filosofia;
  • Me arrependi mais de 10 vezes de ter comprado esse computador pelo qual escrevo essas baboseiras;
  • Peguei 1 única vez num carro, ri de nervoso, quase tive um treco e bati em carros parados;
  • Perdi o RG em menos de 3 meses depois da 2ª via;
  • Dispensei um trabalho (escravo) na Ilha do Governador;
  • Pensei e pseudo-planejei viagens pra resolver meus problemas pessoais e profissionais;
  • Neguei, casa, comida e roupa lavada em outro estado da federação (adoro essa expressão);
  • Parei de cantar o pouco que cantava;
  • Falei muita coisa que pensava a muita gente que não queria ouvir, incluindo minha mãe;
  • Virei fã de cinema latino e europeu;
  • Fui no Festival do Rio (não importa em que circunstância, please);
  • Fiz um piercing (mas já era pra ter 2);
  • Fiquei com um número razoável de pessoas (rá! acha que vou contar?!?!?), incluindo gays e gagos;
  • Não me apaixonei nenhuma vez (incluindo descobrir que ‘antes só do que mal acompanhada’ é O ditado!);
  • Fiz cálculos realistas sobre o meu futuro.

Bom, parece idiotice, mas o fato é que nem estou enlouquecendo como estava na mesma época do ano passado (tinha milhões de outras variantes também).
Cheguei num nível de evolução humana que, para mim, para minha pessoa, era algo quase inatingível.

Tá, não nego que passar todos os dias em casa, fazer coisa alguma, sem resolver minha vida profissional e me enrolando na amorosa, nunca foi meu sonho. Mas eu to normal, respirando e bem! Cara, que evolução! To tão orgulhosa de mim, colocaria aquelas estrelinhas douradas na minha cabeça, como os professores faziam nos cadernos quando o dever de casa era bem feito!

Daqui a pouco estamos em 2009, não fiz nada, não alcancei nada, não arranjei emprego, tampouco sei o que realmente quero pra minha vida e também nenhum alguém que esteja no mesmo ritmo que o meu e eu não ligo! Uhu!!! E nem ligo que o tempo tá passando e eu to envelhecendo e não tô fazendo nada! Vou viver esse momento de total loucura antes que eu acorde pra realidade e literalmente enlouqueça!