Nodoby Knows You When You’re Down And Out

Eu to grogue (e daqui já justifico caso algumas frases não façam sentido, ou o texto todo mesmo)
Não resolve meus problemas mas me deixa dormir mais cedo.
Desde as últimas semanas tenho visto o sol nascer.

Eu to grogue. Porque daí eu sinto menos. Durante meus dias que começam lá pras 3 da tarde, eu convivo bem. Mas de noite o sofrimento é muito grande. O que me acalma é o bendito Rivotril. Confesso que este não foi prescrito, mas sempre fora, então não me culpo por isso.

Eu preciso ficar grogue porque não consigo lidar com minhas frustrações e muitas vezes – que Deus me perdoe – com a inveja que sinto de algumas pessoas, fatos e etc. Não que eu seja invejosa mas a comparação com a minha vida é inevitável e, independentemente de doença que seja, eu sou privada de tantas coisas e só posso lamentar.

Meus lamentos têm sido constantes, através de choros que a gente só chora quando criança quando machuca a cabeça. Aquele choro de boca aberta, de sair som. É ridículo na minha idade eu chegar nesse ponto. Mas cá estou eu.
E hoje, pra acalmar resolvi dormir. E dormir o dia todo.
Quando acordei, me deparei com as mesmas coisas que me causam os mesmo sofrimentos. E chorei.
Eu sei que minha mãe não morreu.
Ninguém da minha família foi seqüestrada.
Nem tenho parente em estado terminal.
Mas tenho as minhas dores. E são muitas.

Depois de chorar, caí eu no bendito remédio. Porque eu preciso me elevar desse estado, e por um momento, uma noite, algumas horas, eu saio do poço.

Eu preciso sair do poço sozinha, porque meus problemas não se resolvem com a ajuda de ninguém – algum deles, no caso.
E mesmo que tivesse a ajuda de alguém, as pessoas ao meu redor entram em categorias:
Amigos que posso contar, mas que se for desabafar, posso incomodar porque muito dos meus sofrimentos têm fonte indireta neles;
Amigos que querem ajudar mas não sabem como, o que me deixa pior por estar jogando meus problemas a eles;
Amigos que já não sei mais se são amigos, porque não perdem muito tempo querendo saber como estou, mesmo que seja para sair pela tangente e não escutar mais do que gostaria;
Colegas, quase amigos, que eu vejo verdadeira vontade de estar mais perto, mas que, por medo meu, fica uma barreira, um medo.
Confesso que hoje, eu que sempre fui de muitos, muitos amigos, me considero rodeada de 2,3 pessoas amáveis, adoráveis, que estão lá por mim, mesmo que durmam no meio de uma conversa, mesmo tendo vidas agitadas e coisas mais bacanas pra compartilhar.

É por isso que eu to grogue. Porque se limpa estivesse, não teria como escrever esse post.
De cara limpa, indagaria a Deus o por quê de gente agraciada e mal agradecida com aquilo que você sempre quis e não pode, com a possibilidade de curtir as coisas que gosta e não teve oportunidade.
Não vou compartilhar de minhas frustrações. Não nesse post. Já o fiz em outros e neste não cabe o que talvez gostaria de desabafar.

Mas o que mais me incomoda hoje pode ser traduzido por Eric Clapton, com as devidas analogias. Porque amigos nunca os tive por dinheiro, mas o sentimento de abandono é o mesmo.

Eu escrevo aqui e nem sei se tem amigo meu que vem aqui. Nem sei se quem se diz amigo meu sabe o que estou passando. É um blog pessoal, e amigo, só por ser amigo, e mesmo não tendo o que dizer, poderia gastar um mísero tempinho mostrando compaixão.
Mas não é cobrança, é opinião. E não é cobrança do tipo “lê meu blog”, pelo contrário, mas é a ausência desses amigos na minha vida num todo.
De qualquer forma, já adotei a Internet como companheira; dificilmente me decepcionarei.
Talvez eu me transforme nessas reclusas que nem pra comer saem de casa. E não estou muito longe disso. Só me falta o caos característico, alguns quilos a mais e meia dúzia de gatos com nomes dos atores prediletos (eu vejo mto filme).



A Bruxa

(Carlos Drummond de Andrade)

Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida ao meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.

De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto…
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse neste minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e clama.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.

Cold Water*…

A gente nunca sabe como vai ser o dia, quando acordamos. Tipo… O máximo que dá pra saber é que temos uma lista de obrigações, deveres, prazeres, compromissos a serem cumpridos. E não quer dizer também que os cumpramos.
Minha mãe sempre foi muito responsável e tentou passar isso pra mim. E enquanto ela ‘comandava’ minha vida, eu ia a tudo e todos os lugares e compromissos marcados. Ou mesmo idas ao Jardim Botânico com a turma do colégio em dia de chuva. Ela é do tipo que me fazia ir pro colégio no dia do aniversário. Ou mesmo nossas idas ao Barra Shopping todo santo domingo.
Aí a gente cresce e quer ditar nossas próprias regras. Porque eu era um tanto rebelde – na visão dela; pra muitos eu era um anjo – e matava aula, ‘assassinava’ explicadora, não mantinha minhas notas num nível digno de uma filha de professora. Era meio rebelde mesmo.
Depois que passei da fase de roupas pretas 90% do tempo, resolvi que ia ser adulta, ter responsabilidades e fui estudar. Mas lá todo mundo queria mesmo era qq outra coisa. Então no ano seguinte fui trabalhar, ter meu dinheiro, ser alguma coisa pro mundo. E nesse tempo todo, desde cedo mesmo,  fiz aulas de música, de piano, violinho, estudei inglês, aos 9 anos já cantava num coro e com isso tudo a gente aprende que tem que se obedecer regras de sociedade, ser responsáveis pelo que nos comprometemos e tudo o mais.
Acabei fazendo uma faculdade que, se não fosse intenção minha sobreviver,  a ela, poderia não fazer absolutamente nada. Mas desde o 1º período só escutava que “advogado não perde prazo”. E isso faz o quê? Coloca uma puta responsabilidade nas costas de quem só quer ajudar o outro (Direito é isso pra mim, estender a mão, a um ‘módico’ valor, a quem necessita).
E não é só isso. A gente passa a vida se comprometendo, se responsabilizando; é fazer um churrasco, marcar um reencontro, ligar pra um amigo, terminar um livro, ajudar a mãe na cozinha, tratar da pele, começar dieta… Tudo isso nos compromete, especialmente com nós mesmos.

Hoje vivo dias de uma ‘outcast’. Não porque eu queira do fundo da alma. Mas por estar numa situação tal que não consigo mover-me. Meu coração dispara, sinto tremores pelo corpo, calafrios, hiperventilo… evito até falar com pessoas. Porque eu simplesmente não sou fiel àquilo que me coloco à disposição ou a que me suponho.
Vivo num mundo meu, onde furar com alguém, não ligar pra quem devia, não terminar um livro, não começar uma dieta, não fazer as coisas que me dão prazer, não dar satisfações por deixar alguém na mão, não têm conseqüências pros outros. Mas pra mim, tem um peso gigantesco. Porque depois de um tempo, as pessoas que um dia contaram com você, esquecem, deixam pra lá. Mas eu não; remôo tudo o que tenho deixado pra trás, num sofrimento tão sofrível quando a dor do parto (pelo que dizem é terrível) por não ser mais alguém com quem se possa contar.
Seja pra cantar, pra fazer uma caminhada, pra telefonar e perguntar se está tudo bem. Até mesmo pra viajar, encontrar uma velha amiga. Eu me esquivo. Eu fujo. Finjo não conhecer conhecidos pelas ruas.
Infelizmente só não consigo fingir, nem fugir das conseqüências disso tudo, minha frustração, minha tristeza de ver meus anos serem jogados no lixo. De me ver parada vendo o mundo rodar e não pegar carona.

Não, não estou bem. Comigo, com o mundo, com ninguém. Eu forço sorrisos e tento convivência mas isso me incomoda. Conviver. Requer compromisso nem a acordar eu tenho me comprometido.
Se tem algo comprometido é meu futuro; por ele, nada faço e quanto menos se faz mais trágico você imagina o encaminhar dos anos. E apesar disso, apesar de precisar, eu não consigo. Apesar de querer cantar, eu não consigo. Apesar de querer ligar pra quem devia, não o faço. Quero reencontrar tanta gente, que até me cobra por isso, mas algo dentro de mim é muito mais forte do que qualquer saudade.

E vai queimando
Vai ardendo
Destruindo
Aniquilando
Vaporizando…
…Tudo que um dia eu fui. E o pior é ter a sensação de nunca mais ser a mesma que cantava por prazer, que ia à terapia por saúde, que tinha amigos por amor. Que corria atrás até de quem fugia de mim.

Passei da auto-sabotagem pra auto-destruição (enfia a reforma ortográfica onde vc quiser, by the way). Daqui não sei aonde posso chegar, mas não tenho boas previsões.

Isso não é um relato de auto-piedade. Mas a minha vida. Cada dia ando mais aberta nesse canto que finjo que ninguém lê, porque é com quem consigo falar. Com ninguém e com todo mundo, pelo visto. Internet é isso, o mundo todo.
E mesmo com um mundo todo ao meu redor, dos conhecidos aos desconhecidos, dos virtuais e dos de carne e osso, passei do estado de me sentir só. O que sinto não tem palavra e não me comprometo a procurá-la.
E vou dormir. E torcer pra ter sonhos bons, de momentos melhores, de um alguém melhor do que quem digita essas linhas; torcer pra Deus fazer o que acha que deve fazer comigo, com minha vida. Não me comprometo a fazer o que realmente gostaria. É tudo auto-destrutivo e disso, já basta o meu pensar de todos os momentos.

Se eu voltar a ser alguém que era legal estar perto, sem ficar divididndo tristezas e agonias ou reclamando da vida; se eu nutrir minhas amizades de forma saudável e sincera; se eu parar de fazer certas coisas que só acabam com o corpo que ainda me resta; se eu voltar a ter prazer em cantar; em falar inglês… Se eu voltar a querer, verdadeiramente viver, vai ser o melhor momento dos últimos que tenho vivido. E de coração, eu bem que queria, simplesmente não consigo.

Viver é muito mais que acordar no dia seguinte. Viver é muito e tem sido demais pra mim.

Cold Water

Dançando e discutindo com minha solidão.

Dia desses uma amiga minha comentou que se sentiu só num fim de semana desses. Pra ela e pra mim, era difícil entender como alguém poderia se sentir só quando se tem pessoas ao redor.
Há tempos eu não pensava em solidão. Não por não senti-la exatamente, mas por não sentir absolutamente nada. Hoje, com os sentidos um pouco melhor aparados, sinto-me completamente só. De olhar pro teto do quarto e me sentir tão grande e tão pequena ao mesmo tempo.
Estou muito melhor que há duas semanas atrás, mas tão pior quanto poderia estar considerando absolutamente tudo à minha volta. Tive a audácia de dizer que não consigo as coisas por falta de vontade de viver. E sabe o pior? Não foi da boca pra fora, não foi por autopiedade e eu continuo me sentindo assim. Não faço idéia de como a gente sai do fundo do poço sem ao menos uma corda pra nos ajudar chegar à superfície. As cordas que me dão são mais frágeis que patas de formiga e não aguentam meu peso.
Acho que esta época não ajuda muito. O inverno tá chegando, dá vontade de chamego; aí vem aquele bombardeio de dia dos namorados e – ok, é comercial, é pra vender e whatever – sinto-me como um peixe fora d’água por representar, sempre, a parcela dos desacompanhados. E o que tem piorado tudo isso é perceber que o tempo tá passando. Óbvio que o tempo passa, não sou idiota de achar que estou parada nas horas – por mais que eu gostasse. Mas tudo pesa muito mais quando você contabiliza 5 casamentos em 6 meses e, pelo menos 7 casamentos em 12 meses. Parabéns pros noivos, do fundo da alma, mas em mim bate uma sensação de outkast que particularmente não gosto. A maioria cresceu comigo e tem a minha idade. É estranho pra mim, pronto e acabou e nada desse lance de que cada um tem seu tempo porque na minha vida, NADA aconteceu, então estou fora de tempo.
E não to falando de casar em 6 meses – o que até pode acontecer – mas de não ter nem com quem compartilhar isso. Pra quê pensar em casamento se nem pretendente eu tenho?
Ao mesmo tempo, acho que me puno pensando nessas coisas sabendo que nas condições emocionais que me encontro não há de aparecer ninguém disposto a me tolerar. Então eu entro num mega conflito.
Aliás, eu VIVO de conflitos e em conflitos. Pessoas por aí tem uma vida tão mais tranqüilas; ah, que sejam problemas externos. o problema é lidar com problemas internos que só você e no máximo sua terapeuta sabem. Os amigos sabem superficialmente, porque por dó, respeito o ouvido dos outros e não despejo tudo que gostaria de falar.
E como eu sou idiota, estou sem terapia. Ajuda nada, né? E pra piorar acho que tenho outros sintomas de coisas nada boas. Eu só tenho certeza de não ser esquizofrênica.
A solidão que sinto hoje e que me faz despejar tanta amargura pra qualquer um ler é o cúmulo do absurdo a partir do momento que eu sei que muitos dos meus amigos não estão em contato comigo porque eu sumi. Com meus motivos, mas não os culpo por não quererem aturar gentalha como eu. E fico feliz com os que por perto ficam, os corajosos ou doadores do amor que neles transbordam. Nem eu sei se ficaria por perto de mim.
Tirando isso, meus problemas me absorvem tanto que resolvo não me preocupar com outras coisas além de mim mesma. Melhor, não me preocupo com coisas que deveriam me atingir diretamente. Graças a Deus, ainda me compadeço com os problemas das pessoas que gosto e isso talvez seja o que me mantenha na sanidade, por me fazer esquecer por algum tempo, mínimo que seja, dos meus.
Se fosse preocupar-me com o que deveria me preocupar, talvez estaria a reclamar muito das pessoas. São falhas, assim como eu, mas têm umas manias, umas cobranças que simplesmente não fazem sentido. mas sinceramente, ainda não consigo me abalar com isso. Estou recuperando meu ‘eu’ ainda. Falta muito até lá.
Também não sei porque escrevo coisas aqui. Além de absurdamente pessoais, são chatas, ninguém lê e quem o faz, fica sabendo de coisas que não conto ao meu porteiro, que me conhece desde bebê, por que contaria a desconhecidos ou conhecidos não identificados?
Acho que é a tal da solidão. A minha companhia, quando não a cama, é meu computador. Queria mesmo era conversar com ele, mas seres inanimados só fazem ocupar espaço e serem usados.
Respirando…
Respirando…
Respirando…
.
.
.
Já deu. De tudo, sabe? Deste post também. Sinceramente sinto pena de quem ainda chega às ultimas linhas.
Dançarei, com eu e minha solidão, sem minha super desejada garrafa de vinho, pra afastar os maus pensamentos…


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Now playing: Elliott Yamin – How Do I Know
via FoxyTunes

What’s Up*

Eu queria saber em que momento da minha corrida acirrada ao óvulo de minha mãe, eu pedi pra ser assim. Também gostaria que me explicassem a parada dos genes do pai e da mãe. Não que eu me importe com Biologia, to pouco me lixando. Mas queria entender como tudo consegue dar errado aquele que um dia teve esperança de dar certo.
Juro que andei pensando que, talvez, eu tenha sido um espermatozóide curioso, não vitorioso… tipo.. larguei antes e saí entrando pra ver qual era a da parada, porque NADA FAZ SENTIDO.

Minhas semanas voltaram a ser a eterna confusão de absolutamente tudo misturado – isso mesmo – e eu não sei como resolver 1/3 dos meus problemas. Porque falar – como muito e quase todos fazem – é muito fácil; mas colocar em prática normalmente é difícil, principalmente quando sua mente corre pro lado contrário.

Voltei a pensar em coisas trágicas e formas trágicas de tornar tudo trágico. Porque, como boa dramática que sou, cansei de escutar que me faço de vítima, de coitada, que não aceito críticas. Cansei. Não porque eu aceite críticas; mas berrar comigo não funciona. E é fácil demais exaltar as coisas ruins, mas as boas eu fico sentada esperando e batendo a cabeça de cochilar, porque não vêm.
Posso estar exagerando? Posso. Mas considerando a situação fática que me encontro há 2 anos, deveriam ter um pouco mais de paciência ou compreensão. Não quero ninguém “sentindo a minha dor”, mas quero que respeitem o que eu penso e quem eu sou.

Cheguei num ponto em que estou desistindo dos meus amigos. Não que eles mereçam ser desistidos, mas ele não merecem conviver com alguém que reclama 90% do tempo sobre coisas que ninguém pode consertar. E quando não sou chata sou insuportável com meu sarcasmo, ironia, sinceridade e tantas outras coisas ruins. Então não os procuro, muitas vezes os evito e muitos deles nem lembram que cá estou com minha solitude. Não são todos, mas alguns.

E, sinceramente, se o básico que é cultivar amigos e manter o mínimo de sanidade tem sido difícil, se com o mínimo de animação eu não consigo cumprir metade das coisas que deveria cumprir num dia, quiçá passar num concurso; sair de casa e conhecer alguém interessante. E tantas outras coisas.
Cheguei ao ponto – melhor, voltei -de não conseguir me comprometer com as pessoas, furar e não dar satisfação, dormir a maior parte do dia, isso quando não estou comendo. E quem deveria entender, reconhecer, ajudar, faz vista grossa, porque, por ironia do destino, a prática da profissão no âmbito familiar é algo impossível.

Não quero piedade, pena, caridade ou favor. Na verdade eu não quero nada de ninguém. Minto, quero muitas coisas. Mas como estou, não terei nada de ninguém, porque estou como aqueles que as pessoas fogem; tipinho de gente desagradável que quando resolve conversar quebra o clima tranquilo da vida da pessoa do outro lado.

Se eu posso me ajudar? Posso. Estou tentando. Mais uma vez. Mas desta vez não vejo esperanças. Me sinto num túnel sem luz no final, num labirinto sem saída. Vislumbro um futuro nojento pra mim e não consigo parar de pensar nele todos os dias, – literalmente – mas não me movo pra modificá-lo. Não que não queira, só não consigo. E o papo de “Você tem que tentar”, não funciona com pessoas como eu. Não é má vontade, é simplesmente mais forte do que todos os estímulos cerebrais que deveriam me impulsionar.

Hoje já não sei se peço pro mundo acabar amanhã, se espero ser atropelada por um ônibus na Presidente Vargas, se espero definhar afundando na cama… Porque pensar no futuro que acho que está reservado pra mim me faz tão mal – e sim, nem isso me faz mudar. E não é falta de desejo – que não quererei vivê-lo. Eu velha, desempregada, solteira e morando com minha mãe… pior do que todos os meus pesadelos.

Agora, que remedinho fez efeito, vou deitar-me e sonhar com o nada, ou com tudo aquilo que sonho ter na vida e não vejo caminhos hábeis ou habilidade para alcançá-lo. E nem no mérito de que não sou inteligente eu vou entrar porque é um trauma bem guardado, já que resolvido não será.

Indo contra todas as minhas crenças – mas acredito piamente que Deus sabe que não estou no meu melhor juízo – perdi minha esperança de um futuro qualquer. Porque o futuro que acho que terei já estou vivendo e no limite, a passo de pegar meia dúzia de roupas e parar no 1º abrigo da prefeitura que achar.
Não, nem iria pra abrigo porque sou medrosa. Mas esse monstro tá dormindo também.
Tenho uns outros no coraçãozinho mas que quanto mais os verbalizo mais sofrimento e traz. E de sofrimento bastam-me os causados no decorrer desses dias que não chamaria de malditos, mas infortúnios.

Partindo pro fim de semana do cobertor, televisão, biscoito e cochilo. Porque, por enquanto, aparentemente, só isso posso me permitir a fazer sem chatear alguém ou me irritar ao ponto de acabar fazendo coisas que não quero.
A esperança – e única – que tenho dentro de mim é que pelo menos na minha cama eu posso ficar, deixando o mundo rodar lá fora, pros felizes, otimistas e obstinados. Eu não faço parte dessas categorias.


*Now playing: 4 Non Blondes – What’s Up?
via FoxyTunes

Statu Quo Ante

Solidão.
Sentimento que vem arrebatando meu ser, respirando meu ar, como um irmão gêmeo parasita, sugando minhas forças e ao invés de jorrar as lavas que saem desse vulcão que sou, engole e arrota uma fumaça que não chega nem perto de externalizar o que eu acho que necessariamente tem de sair.

Acredito piamente que a convivência com esses seres de igual espécie contribui como também leva a falhas no sistema interno que vezes deseja fazer uma limpeza total ou simplesmente reorganizar os dados que tem sido jogados de forma aleatória na minha mente.

Inevitavelmente algumas atitudes auto-destrutivas se revelam, ou melhor, se potencializam. O ruim é compreender todas elas, e praticá-las em concomitância. O que antes parecia um corpo sadio e uma mente sã, vão se deteriorando de dentro pra fora com pequenos atos de crueldade para com o que me foi agraciado. Feridas pelo corpo, auto-flagelação de fato. Pulmões escurecendo, rins danificados, fígado desprezado,  peles rasgadas, unhas carcomidas.
É o castigo, o preço que se paga ser quem se é, por não ter a capacidade dos camaleões de forma tal a conseguir adaptar-se a um mundo cada vez mais frenético e louco, que demanda mais energias do que alguém pode oferecer.

A freqüente necessidade em sentir sofrimento com situações exteriores só demonstram na verdade, uma maneira de encobrir o que coberto já está. Resolver o encoberto dá muito mais trabalho que esperar cicatrizes fecharem ou arranhões sararem.

É completamente compreensível porque tantos escolhem passar seus dias dentro de um refúgio, num “infinito particular” com gatos, cachorros, elefantes, cavalos… seja lá o que for… As sarnas que os bichos podem transmitir são muito mais fáceis de curar do que as que os Homens transmitem com um simples olhar, uma palavra, um gesto, uma frase, um diálogo…

Meu corpo se coça a cada passo nas ruas. A cada bom dia. Por mais que eu venha tentando com afinco, uma adaptação forçada  e necessária não tem sido bem sucedida ou meus dados têm configurações muito complexas. Essa complexidade, desde muito cedo, fora mal interpretada e todo o sofrimento causado por isso é o que vêm alimentando essas tais sarnas humanas, que Florais de Bach não curaram à época em que tudo parecia começar e que terapia também não tem tido sucesso.

Desisto, antes mesmo que 2009 comece, de esperar dele, o ano vindouro, cura pros males incuráveis. Desisto de listar desejos e sonhos e passar o ano engolindo vírus e trojans. Infelizmente falta-me dom para tornar-me eremita de verdade.
Só me resta, talvez, viver nesta selva como se eremita fosse, curtindo minha penitência por ter nascido e continuar existindo por tantos anos, incomodando o vizinho com música alta, decepcionando a mim e a outros, desistindo de mim e dos outros.

Só me resta afinal, dançar a dança da solidão, na versão mais high tech e remodulada. Mas continuará a ser a mesma dança que minha alma coreografa a cada raiar de dia, a cada virar de noite. E cantaremos e dançaremos juntas, minha alma e meu ser, como uma dupla em sincronia: “Danço eu, dança você na dança da solidão”… E , enfim, voltarei ao meu Statu Quo Ante.