Movimentação…

… vou postar alguns textos que estavam no rascunho do outro blog [sweetvice.wordpress], por aqui. Vou com tudo, então vai parecer que escrevi uma caralhada de textos de uma hora pra outra. Mas não. São antigos.

Pra ficar diferenciar, todos estão com formatação básica, sem cor ou mudança de fonte.

Entre e fique à vontade. E comente, né? Fazfavor…

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Ser, não sendo…

Cada dia que passa eu me sinto pior como ser humano. A cada dia que passa, eu canso de mim mesma e desejo simplesmente não existir mais. E o engraçado é que eu tento ser o melhor de mim e simplesmente falho a cada tentativa, no mínimo, por pura incapacidade de ser algo melhor do que a medíocre eu que sempre fui.

Não é conformismo e sim constatação. E engraçado é que sempre me senti medíocre como ser humano. Desses últimos não tão benditos dois anos que estou vivendo a mediocridade seria um puta elogio. Chegar à infeliz conclusão de que não ser feito pra viver não é pra qualquer um; só pra privilegiados, aqueles que nunca tiveram nada de realmente bom pra contar ou pra fazer; que nunca foram exemplares em algo; que nunca deram orgulho a ninguém; que nunca foram admirados por nada; que não fazem nada pra ninguém e nem pra si mesmos.

Há quem leia isso e simplesmente diga que eu tenho que agradecer a Deus por ter ‘saúde’ – remédios controlados e psiquiatra aos vinte e poucos anos não é lá o que chamaria de ser saudável –, um teto, familiares que aparentemente me toleram e amigos que, por algum milagre ou sentimento de pena, ainda querem ter contato comigo. Mas sabe de uma coisa? É uma grande palhaçada. É ser mais medíocre do que os próprios medíocres, se contentar com a mediocridade de simplesmente SER. Convenhamos… quando ainda pequenos e nos perguntavam o que gostaríamos de ser quando crescêssemos, por mais simples ou banal que fosse a profissão na visão do ouvinte, desejávamos que aquilo fosse ser importante pra alguém. Todo mundo, de certa forma, procura o sucesso. E esse sucesso não está simplesmente relacionado com profissão ou com notoriedade. É sucesso em SER. Então, como achar que só o fato de respirar e ter pernas funcionais, olhos que enxergam, braços que se movem e voz pra reclamar são suficientes? Não digo que não sou grata pelo que sou e tenho, mas insatisfação faz parte. E no meu caso, grande parte da minha vida e de tudo que me envolvo é simplesmente podre, dispensável, numa linha abaixo da mediocridade. Medíocre pra mim é sinônimo de sucesso, hoje. Parece um abalroado de palavras ridículas e melodramáticas, mas é a mais pura sensação que aflige meu ser a cada processo de inspirar e expirar.

Meus dias são assim: eu acordo e me pergunto: “Por que mais um dia?” E vou fazer o que devo; coisas banais e tudo que vem aparecendo no caminho. No final do dia, inevitavelmente, eu acabo decepcionando alguém. Ou aborrecendo. Ou deixando na mão. Eu sou daquelas pessoas que você NÃO pode contar. E não é que eu não queira ser diferente, mas como já disse, por mais que eu tente, nunca consigo sair disso que sou. Estou exagerando? Não. Sendo bem flexível, dia sim dia não, algo de mim, enche, aborrece, entristece, estressa alguém além de mim.

Eu mesma já estou de saco cheio. E Deus sabe disso. E aí fico me perguntando cadê Ele que permite me viver dessa forma. Me leve daqui, ou me tire desse fundo de poço que parece cada vez mais longe da saída.

Dia como esse que tive hoje são um morde-assopra. Fazem parte daqueles que você acha que vai dar certo, e que nada está tão péssimo, só ruim e às vezes até razoavelmente bom… Mas no final tem um twist e tudo vira merda, tipo um Midas às avessas do século XXI(whatever, joga no Google).

Eu sou completamente desajustada e todos os meus anseios e vontades são banidos por mim, pelos outros e pela sociedade. Tudo aquilo que me daria prazer é completamente limado da minha vida. E a cada dia, a cada tentativa de ser melhor, eu consigo piorar e deixar pessoas na mão, criar falsas expectativas. Tento controlar minha ansiedade, minha óbvia depressão e minha personalidade forte pra que não seja tão ruim quanto pensam, calo-me quando minha vontade é jogar merda no ventilador e faço um grande exercício de pensar em coisas boas, tipo algodão doce, Gerard Butler, chá de morango. Até sub-emprego estou à procura. E aceitando propostas que, sinceramente, por pior que eu seja, está muito abaixo daquilo que eu sei que seria justo pra mim. Só pra tentar viver, tentar não ser tão ruim aos olhos dos outros, tentar ser útil mesmo que de forma cu, tentar chegar em algum lugar.

Porque o pior é chegar onde estou: vendo todo mundo resolvendo resolver a própria vida, acordando e cantando “Morning’s Here”, olhando pro céu e vendo que aquela manhã é o novo começo de novas tentativas e antigas pendências e eu acordando sem querer acordar, falando sem querer falar, convivendo sem capacidade para tal e vivendo sem a menor vontade de viver.

Eu reclamo muito? Talvez.

Mas primeiro, antes de falar, troque de lugar comigo por uma semana. Fique sendo eu, tendo que lembrar de remédios essenciais – e não vitaminas bacaninhas para o corpo – de todo dia, se preocupar com uma cólica ou dor de cabeça e que com outros remédios só acumulam, piorando uma dor de estômago que cultivo há certo tempo. E sinceramente nem quero procurar saber o que é porque não quero mais remédios.

Fique no meu lugar e passe o dia sem motivação pra levantar e fazer as atividades normais, como tomar café, tomar banho, arrumar um armário, ler um livro.

Passe uma semana na minha pele e sinta falta de vontade – não só preguiça por si só – de viver; ter que sorrir quando se quer chorar: sorriso falso é mais aceito do que um choro sincero. Viver com repreensões ‘surpresa’ sobre coisas banais, mas que tem um efeito catastrófico sobre quem sou hoje. Não ter vontade e até sentir repulsa em estudar, mesmo sabendo que aquilo ali é a porta da esperança para dias melhores, liberdade, realizações, um passo largo a frente, uma injeção de esperança, de futuro garantido…

E, como disse a uma amiga esta semana que passou: “no que me apoiar?” Cadê aquele ponto positivo que todo mundo tem na vida pra achar que outras áreas podem rolar, melhorar, chegar a algum lugar? Não consigo melhorar dessa maldita doença; pelo contrário, estou me tornando tudo que sempre critiquei. Não tenho alguém que me ame e, sinceramente, não vou  ou mereço ter esse alguém; porque ninguém gosta de gente mau humorada ou triste ou chorosa, ou que nem levante da cama. E pior, sem auto-estima. Não tenho como exercer minha profissão, que por mais árduo que seja o mercado de trabalho, eu estava disposta a tentar, mas eu não tenho carteira. Mesmo tendo tentado com tudo que tinha e como pude. Pessoas que se formaram depois de mim já têm, mas eu não. E como não se sentir inferior?

Não posso ou mesmo consigo, encarar outra faculdade neste momento. O que quero requer de mim um conhecimento que não tenho mais, que demoraria certo tempo e despenderia dinheiro para consegui-lo. Mas não tenho emprego e nem 17 anos pra achar normal pedir pra família bancar. Esta que deveria ser minha base, meu ponto de apoio, é a raiz de muitos aborrecimentos e acaba sendo fruto de tristezas pra todas as partes envolvidas.

Como já disse, concursos requerem estudo e simplesmente falta-me forçar para tal.

Minha última – e ironicamente a primeira – opção, seria viajar. Ver outras coisas, viver novas experiências. Mas pras condições financeiras da minha família atualmente, isto seria um luxo que não se pode bancar. Pelo menos até onde eu saiba. O único lugar pra onde poderia viajar é onde realmente poderia me jogar pela janela sem pensar duas vezes.

Minha vida não é fácil. E não digo que todos têm vidas fáceis. Mas as pessoas se realizam de alguma forma. Seja conquistando algo que querem, ou tendo um suporte familiar ou de um alguém especial; a realização da profissão dos seus sonhos; ou mesmo o exercício daquilo que foi estudado na fase mais marcante da nossa vida. Algumas das coisas que me dariam certo prazer ou estão financeiramente inviáveis ou eu simplesmente não tenho condições de usufruir por tudo que sou hoje. Não sou confiável, não consigo ser responsável. Se com momentos de lazer eu deixo pessoas na mão, em situações que requerem compromisso, não posso mais fazê-lo com a certeza de que estarei 100% capaz de verdadeiramente me comprometer. E não é por não querer, é por simplesmente não conseguir, repito. Vivo com uma força negativa muito mais forte do que eu gostaria que fosse; com um (sub)consciente muito mais doente que o da maioria; com uma esperança que não existe. Eu finjo ou tento me convencer de que esta ainda tenho, mas a cada dia, a cada tropeço dos vários que tenho diariamente, é como se fosse um estalo me dizendo pra acordar, porque dias melhores só em sonhos mesmo.

E, quando eu era nova, meus sonhos eram o que me faziam acordar todo dia. Hoje, só acordo porque o sono acaba. Os sonhos? Estes já acabaram. E a mim resta ser do jeito que sou; e não SER como todos os outros estão e/ou pior, que esperam de mim.

O Dia Em Que O Homem Aranha Quase Me Conquistou – relatos de uma mulher que tentou ser forte, mas…

Engraçado, né? Nós mulheres Pós-modernas gritamos tanto por um espaço em igualdade com o sexo masculino, nos fazemos de fortes e duronas. E nos bastamos a nós mesmas. Homens só servem pra fazer os trabalhos que quebram unha e/ou não podem ser feitos e salto.
De certa forma eu pensava assim também. Durona, sabe? Difícil. Nada de me amolecer por palavras doces dos Don Juans que existem por aí. Mas quando você menos espera, à espreita, só te vigiando, lá está ele… pra fazer de você a mais nova vítima de seus charmes e galanteios.

Passeios no shopping não rendem muita coisa. A não ser que você vá fazer compras. Ou comer. Ou ver um filme. Eu tinha meu objetivo em mente, mas não tinha esperanças de cumprí-lo naquele fim de tarde tão melancólico.
Distraída com minhas músicas, me deparei com o Homem Aranha. Ele parado alí, me olhando, me encarando com seu charme. Eu, na hora, nem dei muita bola. “Fala sério, cara feio me olhando”. E o olhar continuou. E eu tentei e distrair com outras coisas que me rodeavam naquele momento tenso. Mas algo me puxou. E fiquei lá, fitando aquele rapaz (minha mãe usa muito esta palavra…). Não estava decidida. Não sabia mesmo se ia ceder a tanto charme. Não era mesmo aquilo que queria pra mim, mas ele tinha outra feição, não sei… brilhava de uma tal forma…
Me controlei e saí daquele recinto que tanto me incomodou. Prometi que voltaria mais tarde, caso eu me decidisse. Continuei meu passeio no shopping. Mas sabia que ia voltar par os braços daquele garoto, com olhos tão penetrantes (nas traduções dos livros de Sidney Sheldon usam muito esta palavra).

Pouco passou e eu já estava lá, flertando com outro. Ainda me dei ao trabalho de pensar: “Controla! Controla! Eles são todos resistíveis!. Mas sabe como é, né? Ninguém vive sem. Mas eu gosto do estilo, e este me agrada mais”. Pensei muito, não queria ceder a tanta investida.

Não teve jeito. Tive que pegar. E levei a bosta do caderno. Tem cara de caderno de homem. Mas não tenho visto coisa melhor. E homem aranha, bem, lindo. Mas muito masculino, eu achei. Mesmo o outro tendo cara de caderno e homem.

É bom lembrar aos fabricantes que existem pessoas in need de cadernos decentes no meio do ano…

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Now playing: Maroon 5 – Can’t Stop
via FoxyTunes

Cores e sinestesia

Cores. Amarelo. Azul. Vermelho. Roxo. Preto. Verde. Marrom. Vinho. Cinza.

Cores.

Foi tudo em que pensei hoje. Fui andando da Uruguaiana até o estágio procurando o que comer. E escutando minha música, alheia a tudo que acontecia; ao trânsito, aos pivetes, às milhares de bancas de jornal que tem no caminho. E até mesmo aos bonitinhos executivos do centro da cidade.

E minha música começou a dar sensações diferentes, quase estranhas a mim. E CéU se tornou Amarelo. E Chicas se tornou amarelo. The Killers e Damien Rice também. Cada um no seu tom. Mais forte ou mais fraco. E o mundo foi tomando cor na minha mente.

E na verdade agora, tudo tem cor. Música, meus textos, minha vida, minha profissão.

E depois de usar branco por 4 dias consecutivos, creio que é algo que procuro mesmo.

Todas as cores em mim. E se catar, talvez eu ache. Talvez encontre o preto das coisas ruins; o vermelho de tudo que é bom. O azul dos meus textos. O caramelo da minha vida.

E talvez um dia, num futuro próximo assim se espera, eu encontre um rosa. Ou roxo.

[O marrom sou eu (!!!)]

Quero minha essência colorida, como aquelas caixas de lápis de cor que mãe comprava no começo do ano letivo (eu sempre quis a de 48 cores, ou 36 – nem sei se existem mesmo – mas só ganhava a de 24).

Quero enxergar em mim o arco-íris que a Xuxa tanto falava (mas não o dela, porque nada que vem dela eu gosto). Viver expelindo o vermelho do meu sangue. Ou mesmo o amarelo da música que canto e ouço. Talvez o azul das coisas que tento expressar nos meus textos.

Quero dias assim, cheios de Sinestesia. Cheio de cheiro gostoso do amor. Ou o barulho ensudercedor do ódio. Mas hoje só as cores. As cores que tenho, as cores que quero.

E quero todos os rosas, todos os laranjas, todos os beges. Todos os prateados. E lilases. E a turquesa. E o caramelo. O índigo. O Cáqui. A lima. A Magenta. O pêssego. O dourado. Ferrugem. Gelo. Linho. Oliva. Mocassim. Violeta. Preto. Tomate. Lavanda. Púrpura

cores1.jpg

 

 

p.s.: acabei comendo esfihas do Habib’s

De Ontem Em Diante *

O mundo é uma grande decepção… Se antes da minha concepção alguém tivesse me dito que seria esta merda, juro que não teria o menor orgulho em ser o espermatozóoide vencedor. Venci o quê? A corrida pro inferno?!?! Só se for.

Engraçado dizer tudo isso, porque na verdade, talvez todos estejam certos e eu errada. Se todos dizem a mesma coisa, provavelmente ela é verdadeira. E então é melhor eu acreditar.

A partir de agora, não só de agora, porque já venho acreditando, mas por uma questão de estabelecer o marco, é a partir de agora que assumirei para o mundo quem eu realmente sou.

A partir de agora eu assumo mesmo. Sou grossa. E por mais esforço que faça, continuo grossa. De mau humor, de bom humor… o que interessa é que sou grossa. Sempre, com qualquer um.

A partir de agora, eu assumo. Eu pareço um homem. Não, não sou traveco. Mas pareço um homem. Devo ser forte como um, rude como um, devo me vestir como… Sou um homem. E sou gay, já que minha preferências é por homens também.

A partir de agora eu admito. Eu escrevo direitinho. Sempre diziam isso e eu não aceitava porque não achava verdade. Não acho, ainda. Mas assumirei a qualidade. Porque qualidade é algo que dificilmente vêem em mim. Se quem me procriou não vê, por que mais alguém veria, certo?

E declaro, pra quem quiser saber. Sou feia. Beleza não me foi dada. Minha genética só atrapalhou, principalmente depois que juntou com minha personalidade formada. Beleza não entra na lista de qualidades. Não muita coisa entra, mas beleza também não. Ainda tem aqueles que, tentando consolar dizem: “que isso, não fala assim não”… chega a ser engraçado.. ninguém discorda de você.. Até podem tentar,mas é claro e alvo que é por uma questão de consolo….

Em contrapartida, gordura me sobra. Engraçado, né? Minha gordura é inversamente proporcional à minha beleza…e vice-versa. Ser gorda eu já admitia. Mas fica na lista.

A partir de hoje, eu declaro: sou preguiçosa. Você deve ter pensado: “ah, mas isso também sou, isso todo mundo é”. Não. Eu sou preguiçosa de verdade. Pecaminosamente preguiçosa. Com certeza morreria em Seven – Os sete pecados capitais – por este pecado. Eu sou capaz de dormir, literalmente, o dia todo. Principalmente se ninguém encher a paciência.

A partir de agora eu aceito. Fui, sou e serei sempre solteira. Sim, claro, a tão chamada solteirona. Ou seria solteirão? Bom, o que importa é que, aparentemente, eu não me importo. E devo ficar sozinha mesmo… Acho que passo uma imagem de “independent woman”(ou seria independent man?) e para os outros basta achar que eu me basto. Até porque, convenhamos…mulher que parece um homem… gorda(o), grossa(o), feia(o), preguiçosa(o)… não dá em muito lugar, né? (sem trocadilhos, por favor…)

A partir deste post digo: eu sou a futilidade em pessoa. Em tempos como este, tempos de assumir quem realmente sou, só o que me faz feliz é um celular novo. Ou uma blusa nova. São exatamente como maconha. Dá um barato e depois volta tudo à mesma merda. Mas quem se importa, né?

A partir de hoje, por final, eu admito. Sou estranha(o). Ou estou sendo. Estranha(o) ao repelir pessoas, a esperar delas coisas que eu nem devia esperar da minha sombra. Estranha(o) ao querer sumir, a não querer conversar, a querer morrer, a querer mandar todo mundo ir se catar. Estranha(o) ao oscilar de humor de forma tão drástica que tenho a impressão de que vou enlouquecer a qualquer momento. E estranha(o) por esperar que todos tenham paciência, se eu mesma já perdi.

Bom… isso tudo. Assumindo isso tudo. Sou grossa(o), homem, feia(o),gorda(o), preguiçosa(o), solterona(ão), fútil, estranha(o). E um bocado de outras coisas. Não quero aqui, fazer um relato de auto-piedade. Mas sim uma declaração de tudo que sei que sou. É minha forma de dizer a quem interessar, que eu sei quem sou, não precisa ficar avisando.

Resumindo: o próximo que me encher a paciência vou mandar tomar no orifício que sol não doura.

*Poema de Teatro Mágico. Remete à minha infância, quando eu não assumia nada disso aí em cima, porque eu não era nada disso aí em cima.

Amigo… essa é pra você!

Pensei que nunca mais ia ter sua amizade… Depois de tanto tempo separada de você, meu coração começou a se acostumar com sua ausência.

Acho que batalhei muito contra meus sentimentos. Não era possível não estarmos mais convivendo, você sempre foi tão essencial pra mim! Lembro-me até, quando passsava os finais de semana na casa da minha avó, e meu tio ainda era vivo… aprontávamos umas poucas e boas! E meu tio sempre conosco… minha avó já não era muito de dar atenção. Não que ela não te quisesse bem, mas tinha um certo preconceito, devo admitir.

Depois que meu tio faleceu, eu não sei, acho que a lembrança de nós três era muito forte, e eu não tinha mais tanta coragem assim de estar com você, era muito estranho pra mim, a sensação já não era a mesma.

Aos poucos comecei a cogitar na idéia de te procurar. Não sabia o que você pensava a respeito, afinal, você também nunca mais apareceu em minha casa. E eu respeitei o espaço que parecia importante pra ti. E pra mim também. E depois de muito tempo te encontrei e como você me fez mal! Como estar com você, até ânsia de vômito me dava! Tudo de ruim me dava, desde que começaram alguns boatos. E eu me deixei levar por todos eles. Fui covarde de não perceber que também tenho um passado não tão bonito quanto gostaria. E não tão diferente do seu. E me afastei de novo. E achei que seria pra sempre.

Mas hoje não deu. Hoje eu sabia que era o dia que tudo se acertaria nessa amizade que temos desde criança, desde às idas na casa da minha tia, no méier, desde meus finais de semana na casa da minha avó, desde o apoio que eu precisei de você, quando meu tio faleceu e não estaria mais lá conosco…

Hoje eu saí do trabalho obstinada a fazer tudo dar certo. E, ao seu encontro fui eu. Sabia que você estaria lá. Sabia que dali não teria como fugir de mim. E cheguei em casa contente, contando à minha mãe sobre nós dois. E ela ficou feliz, ela também gosta de você.

E então, peguei uma faca, o pote de margarina e começei a te preparar, com todo o gosto e vontade do mundo. E lá estava! Você, meu pão francês com mortadela! Como era bom estar com você de novo, suprindo minha fome e vontade de comer!

Espero mesmo, que a partir deste novo reencontro a gente possa se acertar! E vê se não some, por favor! Você é tão importante, que tive que me expressar aqui. Amigo…essa foi pra você!

Como ser feio numa sociedade pós-moderna

*Se você é feio, se ninguém nunca te chamou de bonito, aceite o fato e bola pra frente.
*Quando alguém chegar e disser que você está bonito, acredite, você ESTÁ bonito! Guarde o elogio no fundo da sua alma, porque escutar de novo vai ser difícil.
*Provavelmente sua sina será escutar todos dizerem o quão legal você é. Ou como sua personalidade é forte. Coisas do tipo vão, sim, reforçar o fato de que te falta beleza.
*Não saia por aí, com pessoas bonitas, falando mal das feias. Com certeza quando você não está perto, falam a mesma coisa de você.
*Quando você estiver numa crise do tipo: “eu sou muito feio”, não comente com as pessoas. O pior que pode acontecer é alguém te consolar, mas em momento algum dizer que você está errado. Na melhor das hipóteses, vai escutar um típico: “Não fala assim. Que isso”. Não sei o que é pior. A sinceridade ou a pena.
* Se você conseguiu ficar com AQUELA(E) gata(o), existe a grande possibilidade da pessoa estar bêbada. Ou apostou. Ou ficou com pena.
* Nem gaste tempo formulando teses sobre suas amizades. Você será sim, a(o) melhor amiguinha(o) de quase todos, se não todos os seus amigos do sexo oposto. E você arranjará namoradas pra todos eles, se não a maioria.
*Desculpas do tipo, “tem gente que é feio de verdade”, e pessoas mostrando aquelas aberrações são como maconha: alívio imediato. Depois a realidade se encarrega de mostrar a verdade.
* Se acontecer de você arranjar um significant other antes dos seus amigos bonitos, tenha certeza de que eles vão se perguntar o por quê.
* Pessoas podem até quere te arranjar pra alguém, mas será sempre aquela pessoa que desconfiam ser homossexual; ou uma pessoa que, sem querer, querendo, dizem: “ela(e) não tem critério”.

*Mas sempre tem o lado positivo: se você é feio, é bem provável que seja legal. Ser legal e bonito é muita coisa boa numa pessoa só. Deus estava certo de te tirar alguma coisa. Pena que essa sociedade fútil dê valor ao outro atributo. Só que nada na vida é justo. Contente-se.

[talvez seja autobiográfico. Talvez não.]

[extraído de http://sutilcomoumelefante.blogspot.com]