Tirei a tarde pra falar algumas verdades a pessoas queridas.
Queria mesmo entender por que pessoas estão perto e mim se não sou bonita, não sou inteligente, não sou interessante, não há nada de fato bacana sobre mim que faça sentido ter amigos.
Cheguei a dizer a meu amigo que ele não sente nada por mim – porque eu me declarei a ele – porque sou isso tudo aí.

Acho que as pessoas não entendem o quão importante é ter algo que de fato faça sentido ter pessoas por perto. Porque eu me sinto humilhada por ser tão vazia e oca e não ter nada de legal pros outros.
Estar ali simplesmente por estar ali e dar mais trabalho do que prazer pros outros é ridiculamente triste.

Agora, eu só queria morrer.

Talvez eu esteja em crise de depressão e não gosto de assumir isso. Também não tenho como ir ao médico e minha terapeuta está de férias.

Eu só queria morrer e não ter que lidar com minha falta de inteligência, com o fato de não ser interessante, com a realidade de ser vazia e incômoda a maior parte do tempo.

Além disso, ainda preciso lidar com o fato de não ter dado a devida atenção aos prazos que precisava e vou ter que lidar com esporro porque estou errada e posso ter ferrado muita coisa. Foi feio. E com isso, fica difícil me candidatar à vaga que estou pretendendo se não sou capaz de cumprir com minhas responsabilidades.

Sério, que vida ruim neste momento. Só queria poder sumir e deletar toda e qualquer pessoa próxima de perto de mim.

Ser, não sendo…

Cada dia que passa eu me sinto pior como ser humano. A cada dia que passa, eu canso de mim mesma e desejo simplesmente não existir mais. E o engraçado é que eu tento ser o melhor de mim e simplesmente falho a cada tentativa, no mínimo, por pura incapacidade de ser algo melhor do que a medíocre eu que sempre fui.

Não é conformismo e sim constatação. E engraçado é que sempre me senti medíocre como ser humano. Desses últimos não tão benditos dois anos que estou vivendo a mediocridade seria um puta elogio. Chegar à infeliz conclusão de que não ser feito pra viver não é pra qualquer um; só pra privilegiados, aqueles que nunca tiveram nada de realmente bom pra contar ou pra fazer; que nunca foram exemplares em algo; que nunca deram orgulho a ninguém; que nunca foram admirados por nada; que não fazem nada pra ninguém e nem pra si mesmos.

Há quem leia isso e simplesmente diga que eu tenho que agradecer a Deus por ter ‘saúde’ – remédios controlados e psiquiatra aos vinte e poucos anos não é lá o que chamaria de ser saudável –, um teto, familiares que aparentemente me toleram e amigos que, por algum milagre ou sentimento de pena, ainda querem ter contato comigo. Mas sabe de uma coisa? É uma grande palhaçada. É ser mais medíocre do que os próprios medíocres, se contentar com a mediocridade de simplesmente SER. Convenhamos… quando ainda pequenos e nos perguntavam o que gostaríamos de ser quando crescêssemos, por mais simples ou banal que fosse a profissão na visão do ouvinte, desejávamos que aquilo fosse ser importante pra alguém. Todo mundo, de certa forma, procura o sucesso. E esse sucesso não está simplesmente relacionado com profissão ou com notoriedade. É sucesso em SER. Então, como achar que só o fato de respirar e ter pernas funcionais, olhos que enxergam, braços que se movem e voz pra reclamar são suficientes? Não digo que não sou grata pelo que sou e tenho, mas insatisfação faz parte. E no meu caso, grande parte da minha vida e de tudo que me envolvo é simplesmente podre, dispensável, numa linha abaixo da mediocridade. Medíocre pra mim é sinônimo de sucesso, hoje. Parece um abalroado de palavras ridículas e melodramáticas, mas é a mais pura sensação que aflige meu ser a cada processo de inspirar e expirar.

Meus dias são assim: eu acordo e me pergunto: “Por que mais um dia?” E vou fazer o que devo; coisas banais e tudo que vem aparecendo no caminho. No final do dia, inevitavelmente, eu acabo decepcionando alguém. Ou aborrecendo. Ou deixando na mão. Eu sou daquelas pessoas que você NÃO pode contar. E não é que eu não queira ser diferente, mas como já disse, por mais que eu tente, nunca consigo sair disso que sou. Estou exagerando? Não. Sendo bem flexível, dia sim dia não, algo de mim, enche, aborrece, entristece, estressa alguém além de mim.

Eu mesma já estou de saco cheio. E Deus sabe disso. E aí fico me perguntando cadê Ele que permite me viver dessa forma. Me leve daqui, ou me tire desse fundo de poço que parece cada vez mais longe da saída.

Dia como esse que tive hoje são um morde-assopra. Fazem parte daqueles que você acha que vai dar certo, e que nada está tão péssimo, só ruim e às vezes até razoavelmente bom… Mas no final tem um twist e tudo vira merda, tipo um Midas às avessas do século XXI(whatever, joga no Google).

Eu sou completamente desajustada e todos os meus anseios e vontades são banidos por mim, pelos outros e pela sociedade. Tudo aquilo que me daria prazer é completamente limado da minha vida. E a cada dia, a cada tentativa de ser melhor, eu consigo piorar e deixar pessoas na mão, criar falsas expectativas. Tento controlar minha ansiedade, minha óbvia depressão e minha personalidade forte pra que não seja tão ruim quanto pensam, calo-me quando minha vontade é jogar merda no ventilador e faço um grande exercício de pensar em coisas boas, tipo algodão doce, Gerard Butler, chá de morango. Até sub-emprego estou à procura. E aceitando propostas que, sinceramente, por pior que eu seja, está muito abaixo daquilo que eu sei que seria justo pra mim. Só pra tentar viver, tentar não ser tão ruim aos olhos dos outros, tentar ser útil mesmo que de forma cu, tentar chegar em algum lugar.

Porque o pior é chegar onde estou: vendo todo mundo resolvendo resolver a própria vida, acordando e cantando “Morning’s Here”, olhando pro céu e vendo que aquela manhã é o novo começo de novas tentativas e antigas pendências e eu acordando sem querer acordar, falando sem querer falar, convivendo sem capacidade para tal e vivendo sem a menor vontade de viver.

Eu reclamo muito? Talvez.

Mas primeiro, antes de falar, troque de lugar comigo por uma semana. Fique sendo eu, tendo que lembrar de remédios essenciais – e não vitaminas bacaninhas para o corpo – de todo dia, se preocupar com uma cólica ou dor de cabeça e que com outros remédios só acumulam, piorando uma dor de estômago que cultivo há certo tempo. E sinceramente nem quero procurar saber o que é porque não quero mais remédios.

Fique no meu lugar e passe o dia sem motivação pra levantar e fazer as atividades normais, como tomar café, tomar banho, arrumar um armário, ler um livro.

Passe uma semana na minha pele e sinta falta de vontade – não só preguiça por si só – de viver; ter que sorrir quando se quer chorar: sorriso falso é mais aceito do que um choro sincero. Viver com repreensões ‘surpresa’ sobre coisas banais, mas que tem um efeito catastrófico sobre quem sou hoje. Não ter vontade e até sentir repulsa em estudar, mesmo sabendo que aquilo ali é a porta da esperança para dias melhores, liberdade, realizações, um passo largo a frente, uma injeção de esperança, de futuro garantido…

E, como disse a uma amiga esta semana que passou: “no que me apoiar?” Cadê aquele ponto positivo que todo mundo tem na vida pra achar que outras áreas podem rolar, melhorar, chegar a algum lugar? Não consigo melhorar dessa maldita doença; pelo contrário, estou me tornando tudo que sempre critiquei. Não tenho alguém que me ame e, sinceramente, não vou  ou mereço ter esse alguém; porque ninguém gosta de gente mau humorada ou triste ou chorosa, ou que nem levante da cama. E pior, sem auto-estima. Não tenho como exercer minha profissão, que por mais árduo que seja o mercado de trabalho, eu estava disposta a tentar, mas eu não tenho carteira. Mesmo tendo tentado com tudo que tinha e como pude. Pessoas que se formaram depois de mim já têm, mas eu não. E como não se sentir inferior?

Não posso ou mesmo consigo, encarar outra faculdade neste momento. O que quero requer de mim um conhecimento que não tenho mais, que demoraria certo tempo e despenderia dinheiro para consegui-lo. Mas não tenho emprego e nem 17 anos pra achar normal pedir pra família bancar. Esta que deveria ser minha base, meu ponto de apoio, é a raiz de muitos aborrecimentos e acaba sendo fruto de tristezas pra todas as partes envolvidas.

Como já disse, concursos requerem estudo e simplesmente falta-me forçar para tal.

Minha última – e ironicamente a primeira – opção, seria viajar. Ver outras coisas, viver novas experiências. Mas pras condições financeiras da minha família atualmente, isto seria um luxo que não se pode bancar. Pelo menos até onde eu saiba. O único lugar pra onde poderia viajar é onde realmente poderia me jogar pela janela sem pensar duas vezes.

Minha vida não é fácil. E não digo que todos têm vidas fáceis. Mas as pessoas se realizam de alguma forma. Seja conquistando algo que querem, ou tendo um suporte familiar ou de um alguém especial; a realização da profissão dos seus sonhos; ou mesmo o exercício daquilo que foi estudado na fase mais marcante da nossa vida. Algumas das coisas que me dariam certo prazer ou estão financeiramente inviáveis ou eu simplesmente não tenho condições de usufruir por tudo que sou hoje. Não sou confiável, não consigo ser responsável. Se com momentos de lazer eu deixo pessoas na mão, em situações que requerem compromisso, não posso mais fazê-lo com a certeza de que estarei 100% capaz de verdadeiramente me comprometer. E não é por não querer, é por simplesmente não conseguir, repito. Vivo com uma força negativa muito mais forte do que eu gostaria que fosse; com um (sub)consciente muito mais doente que o da maioria; com uma esperança que não existe. Eu finjo ou tento me convencer de que esta ainda tenho, mas a cada dia, a cada tropeço dos vários que tenho diariamente, é como se fosse um estalo me dizendo pra acordar, porque dias melhores só em sonhos mesmo.

E, quando eu era nova, meus sonhos eram o que me faziam acordar todo dia. Hoje, só acordo porque o sono acaba. Os sonhos? Estes já acabaram. E a mim resta ser do jeito que sou; e não SER como todos os outros estão e/ou pior, que esperam de mim.

Cold Water*…

A gente nunca sabe como vai ser o dia, quando acordamos. Tipo… O máximo que dá pra saber é que temos uma lista de obrigações, deveres, prazeres, compromissos a serem cumpridos. E não quer dizer também que os cumpramos.
Minha mãe sempre foi muito responsável e tentou passar isso pra mim. E enquanto ela ‘comandava’ minha vida, eu ia a tudo e todos os lugares e compromissos marcados. Ou mesmo idas ao Jardim Botânico com a turma do colégio em dia de chuva. Ela é do tipo que me fazia ir pro colégio no dia do aniversário. Ou mesmo nossas idas ao Barra Shopping todo santo domingo.
Aí a gente cresce e quer ditar nossas próprias regras. Porque eu era um tanto rebelde – na visão dela; pra muitos eu era um anjo – e matava aula, ‘assassinava’ explicadora, não mantinha minhas notas num nível digno de uma filha de professora. Era meio rebelde mesmo.
Depois que passei da fase de roupas pretas 90% do tempo, resolvi que ia ser adulta, ter responsabilidades e fui estudar. Mas lá todo mundo queria mesmo era qq outra coisa. Então no ano seguinte fui trabalhar, ter meu dinheiro, ser alguma coisa pro mundo. E nesse tempo todo, desde cedo mesmo,  fiz aulas de música, de piano, violinho, estudei inglês, aos 9 anos já cantava num coro e com isso tudo a gente aprende que tem que se obedecer regras de sociedade, ser responsáveis pelo que nos comprometemos e tudo o mais.
Acabei fazendo uma faculdade que, se não fosse intenção minha sobreviver,  a ela, poderia não fazer absolutamente nada. Mas desde o 1º período só escutava que “advogado não perde prazo”. E isso faz o quê? Coloca uma puta responsabilidade nas costas de quem só quer ajudar o outro (Direito é isso pra mim, estender a mão, a um ‘módico’ valor, a quem necessita).
E não é só isso. A gente passa a vida se comprometendo, se responsabilizando; é fazer um churrasco, marcar um reencontro, ligar pra um amigo, terminar um livro, ajudar a mãe na cozinha, tratar da pele, começar dieta… Tudo isso nos compromete, especialmente com nós mesmos.

Hoje vivo dias de uma ‘outcast’. Não porque eu queira do fundo da alma. Mas por estar numa situação tal que não consigo mover-me. Meu coração dispara, sinto tremores pelo corpo, calafrios, hiperventilo… evito até falar com pessoas. Porque eu simplesmente não sou fiel àquilo que me coloco à disposição ou a que me suponho.
Vivo num mundo meu, onde furar com alguém, não ligar pra quem devia, não terminar um livro, não começar uma dieta, não fazer as coisas que me dão prazer, não dar satisfações por deixar alguém na mão, não têm conseqüências pros outros. Mas pra mim, tem um peso gigantesco. Porque depois de um tempo, as pessoas que um dia contaram com você, esquecem, deixam pra lá. Mas eu não; remôo tudo o que tenho deixado pra trás, num sofrimento tão sofrível quando a dor do parto (pelo que dizem é terrível) por não ser mais alguém com quem se possa contar.
Seja pra cantar, pra fazer uma caminhada, pra telefonar e perguntar se está tudo bem. Até mesmo pra viajar, encontrar uma velha amiga. Eu me esquivo. Eu fujo. Finjo não conhecer conhecidos pelas ruas.
Infelizmente só não consigo fingir, nem fugir das conseqüências disso tudo, minha frustração, minha tristeza de ver meus anos serem jogados no lixo. De me ver parada vendo o mundo rodar e não pegar carona.

Não, não estou bem. Comigo, com o mundo, com ninguém. Eu forço sorrisos e tento convivência mas isso me incomoda. Conviver. Requer compromisso nem a acordar eu tenho me comprometido.
Se tem algo comprometido é meu futuro; por ele, nada faço e quanto menos se faz mais trágico você imagina o encaminhar dos anos. E apesar disso, apesar de precisar, eu não consigo. Apesar de querer cantar, eu não consigo. Apesar de querer ligar pra quem devia, não o faço. Quero reencontrar tanta gente, que até me cobra por isso, mas algo dentro de mim é muito mais forte do que qualquer saudade.

E vai queimando
Vai ardendo
Destruindo
Aniquilando
Vaporizando…
…Tudo que um dia eu fui. E o pior é ter a sensação de nunca mais ser a mesma que cantava por prazer, que ia à terapia por saúde, que tinha amigos por amor. Que corria atrás até de quem fugia de mim.

Passei da auto-sabotagem pra auto-destruição (enfia a reforma ortográfica onde vc quiser, by the way). Daqui não sei aonde posso chegar, mas não tenho boas previsões.

Isso não é um relato de auto-piedade. Mas a minha vida. Cada dia ando mais aberta nesse canto que finjo que ninguém lê, porque é com quem consigo falar. Com ninguém e com todo mundo, pelo visto. Internet é isso, o mundo todo.
E mesmo com um mundo todo ao meu redor, dos conhecidos aos desconhecidos, dos virtuais e dos de carne e osso, passei do estado de me sentir só. O que sinto não tem palavra e não me comprometo a procurá-la.
E vou dormir. E torcer pra ter sonhos bons, de momentos melhores, de um alguém melhor do que quem digita essas linhas; torcer pra Deus fazer o que acha que deve fazer comigo, com minha vida. Não me comprometo a fazer o que realmente gostaria. É tudo auto-destrutivo e disso, já basta o meu pensar de todos os momentos.

Se eu voltar a ser alguém que era legal estar perto, sem ficar divididndo tristezas e agonias ou reclamando da vida; se eu nutrir minhas amizades de forma saudável e sincera; se eu parar de fazer certas coisas que só acabam com o corpo que ainda me resta; se eu voltar a ter prazer em cantar; em falar inglês… Se eu voltar a querer, verdadeiramente viver, vai ser o melhor momento dos últimos que tenho vivido. E de coração, eu bem que queria, simplesmente não consigo.

Viver é muito mais que acordar no dia seguinte. Viver é muito e tem sido demais pra mim.

Cold Water

What’s Up*

Eu queria saber em que momento da minha corrida acirrada ao óvulo de minha mãe, eu pedi pra ser assim. Também gostaria que me explicassem a parada dos genes do pai e da mãe. Não que eu me importe com Biologia, to pouco me lixando. Mas queria entender como tudo consegue dar errado aquele que um dia teve esperança de dar certo.
Juro que andei pensando que, talvez, eu tenha sido um espermatozóide curioso, não vitorioso… tipo.. larguei antes e saí entrando pra ver qual era a da parada, porque NADA FAZ SENTIDO.

Minhas semanas voltaram a ser a eterna confusão de absolutamente tudo misturado – isso mesmo – e eu não sei como resolver 1/3 dos meus problemas. Porque falar – como muito e quase todos fazem – é muito fácil; mas colocar em prática normalmente é difícil, principalmente quando sua mente corre pro lado contrário.

Voltei a pensar em coisas trágicas e formas trágicas de tornar tudo trágico. Porque, como boa dramática que sou, cansei de escutar que me faço de vítima, de coitada, que não aceito críticas. Cansei. Não porque eu aceite críticas; mas berrar comigo não funciona. E é fácil demais exaltar as coisas ruins, mas as boas eu fico sentada esperando e batendo a cabeça de cochilar, porque não vêm.
Posso estar exagerando? Posso. Mas considerando a situação fática que me encontro há 2 anos, deveriam ter um pouco mais de paciência ou compreensão. Não quero ninguém “sentindo a minha dor”, mas quero que respeitem o que eu penso e quem eu sou.

Cheguei num ponto em que estou desistindo dos meus amigos. Não que eles mereçam ser desistidos, mas ele não merecem conviver com alguém que reclama 90% do tempo sobre coisas que ninguém pode consertar. E quando não sou chata sou insuportável com meu sarcasmo, ironia, sinceridade e tantas outras coisas ruins. Então não os procuro, muitas vezes os evito e muitos deles nem lembram que cá estou com minha solitude. Não são todos, mas alguns.

E, sinceramente, se o básico que é cultivar amigos e manter o mínimo de sanidade tem sido difícil, se com o mínimo de animação eu não consigo cumprir metade das coisas que deveria cumprir num dia, quiçá passar num concurso; sair de casa e conhecer alguém interessante. E tantas outras coisas.
Cheguei ao ponto – melhor, voltei -de não conseguir me comprometer com as pessoas, furar e não dar satisfação, dormir a maior parte do dia, isso quando não estou comendo. E quem deveria entender, reconhecer, ajudar, faz vista grossa, porque, por ironia do destino, a prática da profissão no âmbito familiar é algo impossível.

Não quero piedade, pena, caridade ou favor. Na verdade eu não quero nada de ninguém. Minto, quero muitas coisas. Mas como estou, não terei nada de ninguém, porque estou como aqueles que as pessoas fogem; tipinho de gente desagradável que quando resolve conversar quebra o clima tranquilo da vida da pessoa do outro lado.

Se eu posso me ajudar? Posso. Estou tentando. Mais uma vez. Mas desta vez não vejo esperanças. Me sinto num túnel sem luz no final, num labirinto sem saída. Vislumbro um futuro nojento pra mim e não consigo parar de pensar nele todos os dias, – literalmente – mas não me movo pra modificá-lo. Não que não queira, só não consigo. E o papo de “Você tem que tentar”, não funciona com pessoas como eu. Não é má vontade, é simplesmente mais forte do que todos os estímulos cerebrais que deveriam me impulsionar.

Hoje já não sei se peço pro mundo acabar amanhã, se espero ser atropelada por um ônibus na Presidente Vargas, se espero definhar afundando na cama… Porque pensar no futuro que acho que está reservado pra mim me faz tão mal – e sim, nem isso me faz mudar. E não é falta de desejo – que não quererei vivê-lo. Eu velha, desempregada, solteira e morando com minha mãe… pior do que todos os meus pesadelos.

Agora, que remedinho fez efeito, vou deitar-me e sonhar com o nada, ou com tudo aquilo que sonho ter na vida e não vejo caminhos hábeis ou habilidade para alcançá-lo. E nem no mérito de que não sou inteligente eu vou entrar porque é um trauma bem guardado, já que resolvido não será.

Indo contra todas as minhas crenças – mas acredito piamente que Deus sabe que não estou no meu melhor juízo – perdi minha esperança de um futuro qualquer. Porque o futuro que acho que terei já estou vivendo e no limite, a passo de pegar meia dúzia de roupas e parar no 1º abrigo da prefeitura que achar.
Não, nem iria pra abrigo porque sou medrosa. Mas esse monstro tá dormindo também.
Tenho uns outros no coraçãozinho mas que quanto mais os verbalizo mais sofrimento e traz. E de sofrimento bastam-me os causados no decorrer desses dias que não chamaria de malditos, mas infortúnios.

Partindo pro fim de semana do cobertor, televisão, biscoito e cochilo. Porque, por enquanto, aparentemente, só isso posso me permitir a fazer sem chatear alguém ou me irritar ao ponto de acabar fazendo coisas que não quero.
A esperança – e única – que tenho dentro de mim é que pelo menos na minha cama eu posso ficar, deixando o mundo rodar lá fora, pros felizes, otimistas e obstinados. Eu não faço parte dessas categorias.


*Now playing: 4 Non Blondes – What’s Up?
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Two months.

Foram dois meses de muita coisa. Subjetivamente falando. Ou seria objetivamente?

Bom, foram dois meses em que engordei cerca de 7 quilos; que eu parei e voltei aos meus tratamentos necessários pra ser um ser humano normal. Foram dois meses de muita reflexão, o que ironicamente eu já faço com uma freqüência absurda.
Nesses dois meses não rolou terapia. Não que eu não tivesse; eu simplesmente não fui. Ta, coisa feia, ai, ai, ai pra mim.
Encarei a realidade de um modo esquisito, ruim ou bom, diferente ou inusitado ou simplesmente de forma real. Não que eu tenha gostado. Não desgostei, porém. Só tive consciência de quem sou eu na realidade, pra sociedade, pra mim, pro outros e pra minha própria sombra.

Hoje sei mais um pouco de mim e não gosto muito desse eu que andei escondendo ou desprezando por tanto tempo, é uma pessoa que normalmente irrita, aborrece e entristece qualquer ser que respire, até mesmo a uma planta.

Consegui, em dois meses, decepcionar um parente, brigar com 3 amigas e descobrir quem eu sou pras pessoas. Eu sou um ser medonho. Não há nada pior do que saber que as pessoas têm medo de conversar com você sobre assuntos pouco agradáveis. E cheguei à conclusão de que o medo também acontece na minha família, algo bizarro de um jeito que não dá pra explicar.

Longe de mim de querer ser perfeita ou super supimpa, odeio pessoas assim. Mas a partir do momento que as pessoas têm receio de conversar com você sobre assuntos delicados, isso magoa. Magoa mais porque eu não tinha noção de que sou tão ‘ruim’ assim do que pelo próprio fato em si.

Confesso que passei alguns dias refletindo, algumas noites chorando e muitos dias de mal com o mundo porque a intenção de todos nós é ir melhorando pra conseguir sobreviver nessa selva; e apesar de achar que eu estava progredindo, crescendo e qualquer coisa do tipo, eu descubro que sou tão ruim como era há três anos atrás, por mais que tenham sido meus esforços.

Eu me sinto má, não como a Cruela (vide google), mas má como amiga, parente, filha, neta, colega, ou seja lá mais o que for pra quem quer que seja. E daí, tiro algumas conclusões.

Definitivamente eu não sei viver em sociedade. Por mais que eu tente agradar todo mundo, isso só acontece em raros momentos. Minha ‘energia’ deveria me levar a lugares muito melhores – já que sou de áries – mas só tem me levado pra boca do inferno, a ponto de cogitar cortar todas as relações que tenho com o mundo externo. Estou vivendo o purgatório do Inferno de Dante – vide Google – e não sei como sair, já que achava piamente que estava no caminho certo.

Talvez seja uma posição derrotista da minha parte, mas quem disse que não sou? Hoje eu assumo tudo: assumo que sou derrotista, pessimista, irritante, de personalidade extremamente difícil, emocional, passional, durona, sensível ao mesmo tempo. Eu sou muita coisa ruim. Até esporro de médico eu levei; isso diz muita coisa.

Sinceramente não tenho mais força emocional ou física pra forçar-me a mudar e uma hora pra outra. São alguns anos tentando mudar o que construí durante anos cruciais da minha vida e não houve progresso algum. Pra quê continuar tentando? Não tento mais. Me entrego a quem sou e talvez eu perca muito mais do que venho perdendo os últimos 2 anos. E digo: não foi pouca coisa, foram momentos, pessoas e tudo o mais, até demais. Mas nosso ser tem um limite e meu limite tem chegado ao fim. Não é culpa de ninguém, é culpa minha, claramente minha. Eu quem não soube ser quem deveria ser; eu quem não soube mudar aquilo que era necessário mudar.

Se entrego os pontos, afinal? Entrego. Sou uma deprimida assumida e sinceramente, deprimidos não têm força a là Michael Phelps ou Maguila, pra mudar. Eu JURO que tentei, que dei o melhor de mim durante todo esse processo, mas mostrou-se completamente nulo qualquer coisa que eu tenha feio, já que eu não consigo guardar o que devo calar e ainda consigo deixar as pessoas que – supostamente – têm liberdade comigo com medo de falar disso ou aquilo. Isso explica o porquê de estar solteira, sozinha e abandonando os poucos amigos que ainda tentam, com um certo esforço, manter contato comigo.

Não termino este post triste. Não que isso tudo não me traga tristeza; mas a tal tristeza não me fez mudar, portanto é inútil e sofrível. Termino descobrindo que sou muito aquém do que espero; que estou longe do que gostaria de ser e talvez uma decepção para os que esperam qualquer coisa de mim.

*começei a escrever este post em 13.05.09 e não retiro uma palavra.

Now playing: Electrocute – Tales Of Ordinary Sadness

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Usando palavrão pela 1ª vez. Culpa do (des)equilíbrio da minha vida…

Um dia me falaram sobre o equilíbrio das coisas… Que pra cada sofrimento vinha uma alegria e vice-versa, seria algo de ‘equilíbrio da natureza’.

De fato, nunca acreditei nisso e minhas amigas estão vivas para comprovar. Sempre refutei essa teoria porque simplesmente não a via acontecendo na minha vida. Mas, como a gente tem que ter fé, tem que acreditar que as coisas podem e vão dar certo, tentei adotar parcialmente a tal teoria pra mim.

Junto dela, acolhi o pensamento positivo, as ações positivas para se conseguir o que se quer e fui em frente, acreditando, muito mais do que isso tudo junto, em Deus que está sempre presente e vê não só o que queremos e nossas ansiedades, mas vê também nosso esforço em alcançá-las.

Ontem tive uma notícia muito ruim. Poderia ser pior, mas foi muito ruim. Eu estudei, tive pensamento positivo, sofri e vi que Deus tava comigo e achei que passaria numa prova mega crucial pra minha vida. E não só não passei como fiquei longe disso. E pior, quando não estudei tive rendimento semelhante.

Foi terrível relembrar os momentos de paz que senti ao fazer a prova e depois dela. Eu orei antes de começar, ao terminar, no dia anterior e em todos os outros. Não to dizendo aqui que minha fé é dependente de bons resultados, só digo que não foi por falta dela.

Não bastasse a má, péssima notícia, por conta dela, travei uma big guerra mundial na minha casa, sem que eu tivesse começado, pelo simples fato de eu não aceitar as condições impostas à minha vida. Não respeitam meu direito de chorar, de achar o mundo injusto, de me achar coitadinha, mesmo que seja por alguns dias ou momentos. Não me dão direito de ser, sem ser o que querem que eu seja, não vale nada ser maior de idade porque pouco importa. Importa o lugar em que vivo, com quem vivo e por quem fui criada. Levantei minha voz e só piorou. Não se pode levantar a voz, mesmo que seja pra ser ouvida, na ditadura da minha casa.

E só ouço os gritos, literais, na minha cabeça e ouvidos, que eu preciso parar de me fazer de vítima, que eu preciso seguir em frente, e que eu não posso me incomodar com o que as pessoas pensam. Tudo isso com menos de 30 minutos após o resultado.
Porque eu não posso me incomodar, eu deveria ser outro alguém.
Porque a partir de ontem eu não tenho mais mãe nem avó, porque eu não mereço (e pelos motivos que a 1ª acha razoável). E tenho uma tia que não se cansa em me convencer a ir pra casa dela.

Então eu pergunto: aonde está o equilíbrio da natureza, aonde está Deus aonde está tudo porque agora à minha frente, vejo um nada. Um nada de pessoas com raiva de mim, porque eu choro; porque eu quero ser eu e não o que me mandam; com pena de mim e me pressionando pra sair do meu estado e estudar em outro lugar pra não sofrer pressão dos amigos; um nada de resultados, que me levam a pensar até aonde Deus permite essas coisas e o que Ele quer de mim.

Não passei e não foi por falta de estudo.
Estou sendo deserdada por querer ser eu.
Estraguei o aniversário das pessoas.
Não consigo dizer não às pressões pra me tirarem do Rio de Janeiro.
Vejo injustiça pra todo o lado, com pessoas que mal e porcamente estudaram com material que eu dei e passaram.

Passei o dia todo me perguntando como consegui tirar 10 ‘com louvor’ na minha monografia de fim de curso e sinceramente começo a achar que foi pena. Nada faz sentido. Eu nunca fui aluna de “10 com louvor” e também não terminei a faculdade assim. Foi um “gap” na minha vida e me fez confiante quando na verdade deveria levar como um golpe de sorte por ter escolhido um tema diferente, coisa que já me garantia um certo respeito, talvez…

A vida é uma longa sucessão de injustiças. Há os que nasceram pras melhores coisas da vida. Há os que nasceram pra se foder. Literalmente. Porque nada na vida da minha família vem fácil, mas essa prova não teve nada de fácil. Mas sou obrigada a escutar que deveriam ter me negado mais quando era pequena pra eu aprender a não ter as coisas.

Sinceramente? Não vejo mais sentido em nada. Não vejo sentido em estudar, se não é pra passar; não vejo sentido em ser maior, se não posso ser quem sou; não vejo sentido em viver, se na verdade preciso ser uma marionete.

O que eu quero? Grandes merda, que se foda o que eu quero. Eu tenho que querer o que querem. Mas talvez isso faça parte do equilíbrio natural da vida.

Engraçado é fazer Direito, ter uma réplica da Deusa Minerva(ou Têmis, sei lá) segurando um balança e vendo a balança da minha vida em total discrepância com aquela. Nem de olhos abertos eu consigo mantê-la sem virá-la, ou mesmo encostar um dos lados no chão.