I’ll Be Fine

Segunda-feira. 20:01.
Casa de mãe.

Eu saí. Ou estou saindo. O que vim desejando desde tão cedo, há tantos anos, se concretizou.
Eu finalmente saí da casa da minha mãe.
Ainda estou me mudando, como parte do acordo que fiz com ela, pra amenizar o trauma de todos.
Até hoje eu não contei pra minha tia, oficialmente. Ela sabe. Família; a notícia corre.

Escutei que ela só queria minha felicidade.
Escutei da minha avó que estou sendo ingrata.
No meu aniversário, ganhei as felicitações mais frias de todos os anos.

Daqui a uma semana, minha mudança deveria estar completa.
Não estará.
O ir e vir semanalmente pra cá não tem me feito bem nem tem sido produtivo.

Apesar dos julgamentos da minha mãe, não está sendo uma transição fácil.
Porque não foi aceito.
Porque temos uma relação simbiótica.
Porque nada mais é que uma mudança, drástica, e eu não sei lidar nem com mudança de tempo.

Minha mãe postou e ainda posta muita indireta no facebook.
Eu sei que ela está sofrendo. Eu também estou. Mas meu sofrimento não é nem um pouco validado, porque “era o que eu queria, então deveria estar feliz”.

Eu estou satisfeita com minha coragem, isto é um fato.
Também é um fato que dinheiro é difícil de administrar quando se tem compromissos sérios.
E dividir apartamento é uma tarefa complicada. Eu sou chata.
Tenho manias, eu sei. Tenho preferências. Gosto de ficar no meu canto, principalmente quando a depressão bate, como é o caso.
Pessoas são muito diferentes e você nem elas estão dispostas a tolerar como nossa família está “disposta”.
Meu quarto não será mais meu quarto porque estou me mudando dentro da própria casa. Nem ao menos cheguei e já houveram mudanças. Estamos trocando um roomate que preferiu ficar mais perto do trabalho.

Ultimamente eu tenho sentido muito tudo.
Desde às vésperas do meu aniversário as coisas não estão boas.
Tem a ver com a proximidade de tudo se finalizar, tinha a ver com inferno astral que bombou esse ano. Tem a ver com depressão. 

Vir pra casa da minha mãe no fim de semana e passar a semana aqui está sendo muito sofrido. Uma sensação de culpa, de erro, algo muito maior que deveria ser.
O sentimento é legítimo, mas a vontade de voltar atrás não pode tomar conta, e tem dias, momentos, que é tão maior do que eu, tão mais absurdamente mais significativo do que tudo que eu conquistei, que me assusta e preciso falar pra evitar levar à cabo e mais uma vez fazer o que querem que eu faça, ao invés de seguir com a minha vida do jeito que acho que deve ser.

São mais de 30 anos vivendo à sombra de mim mesma. Vivendo sob as expectativas dos outros a respeito do que minha vida deveria ser. Eu respeito, mas em algum momento eu tinha que começar a enfrentar e fazer o que acho que deve ser feito.
O medo de quebrar a cara é as-sus-ta-dor. Não tem outra palavra. Mas é necessário e aparentemente inevitável se eu quiser evoluir em algum momento.

Depressão tá batendo forte. Forte mesmo. Não era de surpreender, já que, mais uma vez, parei o tratamento à revelia, há quase 1 ano. Se os remédios eram necessários àquela época, não tem como achar que eles não fariam falta algum tempo depois.
Tenho consulta esta semana. 
Terapia estou há algum tempo, o que tem sido bem bom pra controlar os impulsos de voltar atrás e me dar um pouco de chão.

Tem a festa da minha avó no final de semana.
Tenho que finalizar a arrumação das coisas que preciso levar.
Tenho que ganhar mais dinheiro.
Tenho que receber minha segunda via do cartão de crédito pra comprar minhas passagens pra ver meu amigo no Sul.

Amigos.
Os mais significativos estão longe, ou estarão até o final do ano.
Não está sendo fácil. Inclusive porque me tornei uma pessoa muito mais dependente deles do que já fui em qualquer outro momento da vida.
Ao mesmo tempo, duvido tanto da amizade deles que chega a ser ridículo.
Eu sei que magoa mas acho que tem a ver com a visão distorcida que tenho em relação ao mundo.

Tenho um emprego novo. Fiz 4 meses. Acho que estou fazendo amigos lá. Só não ajuda muito estar com cara de merda e escutar que to sempre com essa cara. Amiga, não posso te contar que to em crise depressiva porque nem eu estou disposta a admitir isso. E não temos intimidade.
O emprego em si é bem ok. Não requer habilidade específica, só ser minimamente produtiva. Minimamente mesmo.
Me sinto entediada por vezes.
Tenho procurado outras coisas. Quero trabalhar numa empresa que não esteja quebrada. E que me pague melhor. Não fosse por isso, não estaria insatisfeita.

Eu me sinto uma merda, na verdade. Porque eu não sou boa em nada, não fiz carreira em profissão nenhuma, não sei pra que lado andar, não tenho previsão de futuro próspero e nem sei por onde começar. E não tenho mais 20 anos pra ter tantas dúvidas. Nem tempo pra encarar uma faculdade mais difícil e que tome tempo demais. Não to mais na casa da minha mãe pra decidir não trabalhar pra estudar novamente.

É uma merda se sentir uma merda.
Seja profissionalmente, com os amigos, com as próprias decisões. 

A vida não era pra ser assim.

Ainda não descobri como a vida deveria ser, mas a sensação que tenho é que tenho feito tudo errado, sempre, desde sempre e que será assim para sempre. É patético.

Eu engordei. Uns 6 quilos nos últimos 6 meses. Eu to fumando muito e há uns 5 meses tô roendo unha como na época de adolescência. Parecem muitos sintomas de um mesmo problema, eu sei. Esta semana começa a se resolver.
Problema é que bate um desespero porque eu já era gorda com 6 quilos a menos. E já é difícil me aceitar menos gorda, imagina mais. E se eu não me aceito, quem vai, não é mesmo?!
Bate uma vergonha de espelho, de gente, de rua, de tudo. E fico mal e como mais. É vicioso o negócio todo.

Minha mochila com roupas está como chegou no sábado, exceto pela calça e blusa que tirei pra trabalhar hoje.

Já comi dois salgados depois que saí do trabalho.

Dei mute em todos os grupos de whatsapp.

Desativei o facebook.

E gostaria imensamente que as pessoas não me procurassem.
Na verdade, essa parte é bem o oposto. Eu procuro tão mais as pessoas que chega a ser risível. Como disse, me tornei muito dependente de gente.

Segunda-feita. 20:37
Casa da mãe

E saí. Mas o medo não. A sensação de estar perdida parece pior do que em tantos outros momentos.
Pode ser que finalmente eu esteja me encontrando, o que já deveria ter acontecido há muito tempo. Estou fora da curva pras pré-definições da sociedade e o que ela demanda de nós.

Só tenho medos e fantasmas e neuroses pra me acompanhar. E algumas lágrimas que aparecem de vez em quando.

 

**(Legal mesmo é terminar o post ouvindo uma música que eu realmente preciso cantar pra mim mesma.)

She broke down the other day, you know
Some things in life may change
But some things they stay the same

Like time
There’s always time
On my mind
So pass me by
I’ll be fine
Just give me time

 

 

Que venha o próximo.

Porque hoje foi dia.
Dia de dizer “eu to afim de você”
Dia de dizer “eu to chateada com você”

Disso tudo, a segunda parte rendeu frutos. E foi bom expor, apesar da minha resistência.
Porque amizade é algo que deve ser recíproco e se não está sendo assim, talvez nem valha a pena gastar energia tentando recuperar o que nunca existiu.
Conversar abre a mente, porém. A gente entende o outro. O outro entende a gente. E a gente vê que precisa ceder e a pessoa também.
E a pessoa, o amigo, entende que as pessoas são diferentes e que cada um reage e age de forma distinta. E que cada um demanda coisas diferentes e que não dá pra generalizar.
E foi bom. Foi DR. E foi bom.
E me senti mais leve, mais clara, melhor esclarecida, mais segura e feliz de saber que eu não to ultrapassando limites, não to exagerando nas minhas insatisfações.
Amizade é espelho.

Sentimentos de carinho também é espelho.
E falar isso, assim como qualquer outro sentimento, faz tudo ficar bem. Seja porque é recíproco, seja porque a amizade fica e o sentimento passa. E é esse o caso. Vai passar.
Falar me fez bem. Mesmo que eu tenha feito no impulso porque eu tava explodindo e da forma que não queria, fez bem. Mesmo ele tendo dito que conversaríamos depois e tendo conversado comigo depois não ter tocado no assunto, me fez bem.
Que seja assim então e que a amizade permaneça. Vale bastante e vale a pena.

Queria um abraço com intenções, um beijo bem dado, uma sussurrada no ouvido, quem não quer?
Mas to aprendendo, sempre e cada vez mais ciente disso, é que tem gente que não foi feita pro amor. Talvez seja o meu caso.
Preferia não sentir nada por ninguém e voltando a tomar meus remédios, isso vai acontecer, a libido diminui e fica bem sussa lidar com pessoas, em todos os sentidos, por sinal.

Queria conversar, mas preciso dar espaço. O ciclo em si está fechado, mas é bom finalizar assuntos.

Agora é me preparar pra ser a adulta com a idade que tenho, para lidar com tudo isso com maturidade, me fingir de bem resolvida, ao invés de passar qualquer impressão de constrangimento, e seguir em frente.
Atrás não vem gente, infelizmente.

O que tenho da vida, porém, é isso. É o que ela me dá apesar de exaustivamente pedir mais, muito mais.

Vai passar. Mas vida, tá mais que na hora de ser mais generosa comigo.

Amizade: ok.
Amor: parece que fica pra próxima e, por favor, que tenha próxima.

Enjoy

A gente conhece pessoas que talvez tenham a missão de fazer você entender que a vida é curta, é bela e que tudo passa. Ela foi uma dessas. A pessoa mais animada. Conheci como mãe do meu colega de faculdade; ele virou amigo, grande amigo. Ela virou a tia. E então virou nossa amiga. Amiga pra qualquer coisa. Pra se juntar nos nossos queijos e vinhos, pra escutar problemas, pra tomar chá, pra desabafar dos problemas dela no trabalho, com o marido, com os filhos, nosso amigo.

Ela sabia viver porque era o que tinha pro dia, pro mês, pro ano. Tem que viver, tem que aproveitar. Todo ano, uma viagem com belas fotos. Festas de ano novo, reuniões dos filhos onde ela se juntava e bebia junto e cantava e ria; comemoração porque o filho voltou do intercâmbio, comemoração porque meu amigo terminou a faculdade  – ufa – conseguiu apresentar a monografia, aniversários… tudo era motivo porque viver era o motivo.

Em 2011 meu amigo passou por um péssimo momento e em questões de meses foi a minha vez. Eles se juntaram e não como uma amiga, mas com a idade e experiência de vida, se fez de mãe, a mãe que não tive pra me apoiar naquele momento, e me levou onde deveria ir, me orientou no que deveria fazer, me deu força, me deu apoio. Não só naquele momento, mas a partir dele. Dali pra frente, se havia alguma dúvida da importância dela, não havia mais. Ela passara, mais que oficialmente, pro posto de amiga, companheira.

Semana passada meu amigo compartilhou uma de suas paraltices. No dia seguinte veio com a notícia que avassalou os corações de qualquer um que tenha cruzado o caminho dela. E em 4 dias ela se foi por conta do destino, das circunstâncias, da vontade de Deus, é a única explicação.

E nessa tristeza toda, no choque de saber que meu amigo e o irmão perderam a mãe e uma amiga, que seus amigos ficaram desamparados da pessoa que era ela, reli minhas mensagens:

“Minha amiga querida, entendo seu sentimento, entendo seu recolhimento mas torço como sempre para que vc consiga passar mais uma vez por isso. Nossa vida é feita de altos e baixos. Devemos ficar no alto e estarmos preparados para os baixos. Aproveite querida, vamos viver o que podemos.
Não desista nunca amiga…………..a vida é para ser vivida”

Não pude me “despedir” na festa de aniversário que ela deu porque eu estava em crise. Porque eu estava deixando de viver, o que tem sido habitual pra mim desde 2006 e isso me dói.

Parece bobeira, parece coisa de filme com moral da história, mas a morte dela me deixou um bocado assustada. Eu, que passei meus dias pedindo a Deus que me levasse, me senti com medo de morrer e não viver tudo que quero. Pra mim, ela foi a personificação de viver a vida, aproveitá-la ao máximo, mesmo com problemas, mesmo com desvios no caminho….

Hoje, meus remédios estão ok. Nos entendemos, estou bem. Voltei à academia, gosto disso e estou fazendo das minhas idas uma hábito. Voltei a socializar. Voltei a sorrir. Tá tudo bem e se der tudo certo, vou começar a viver bem a vida. É o que tem na ordem dos dias.

Ah, e não fui demitida.

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Isso Aí.

Demorou muio tempo pra voltar aqui. Demorou muito tempo até muitas coisas se acertarem. Confesso que venho lavar a alma, a me condenar, tudo junto.

Não posso reclamar muito do ano que tenho tido, faço curso na área que gosto e hoje, finalmente, acho que dei mais um passo à libertação emocional das coisas que não me faziam bem, também conhecidas como ex-namorado.
Nem é o caso de dizer que depois de sei lá quantos meses eu finalmente o esqueci porque isto já aconteceu; mas fazer com que ele entendesse isso me emocionou. Namorar é algo desgastante e terminar, mais ainda. Principalmente quando 1 não quer. E olha eu aqui, incrivelmente abismada por finalmente ter alguém que de fato me queira e eu não. Isso não acontece no meu mundo.

Hoje minha alma tá mais leve, eu to literalmente emocionada – e mulheres são tão suscetíveis a qualquer coisa, e os hormônios se alteram sem a gente perceber – por ter feito ele, o ex, entender que já deu. Um sofrimento, aborrecimento, por nada, só encheção de saco. Não dá.

A vida vai muto além de homens – não que eles não sejam importantes, quem somos nós sem eles e vice-versa? – mas tem muita coisa além da janela de casa.
To cada dia mais determinada a fazer minha vida dar certo em pelo menos um aspecto. E to correndo atrás da minha carreira. Se vai dar certo não sei. Li um texto hoje (http://papodehomem.com.br/quando-voce-deixa-de-ser-menino-e-vira-homem/) e, sem a menor necessidade de adaptação para o mundo feminino, é exatamente isso. A gente para de sonhar e começa a realizar. É isso.

Meu medo muitas vezes me paralisa, tipo agora, que espero resposta de um teste e não consigo meter minha cara de pau em outras tentativas até saber se esta deu certo.
Me espanta e me dá esperança de um lugar ao sol, por exemplo, ser uma das únicas na minha turma da pós, que está ali de coração, de alma, que realmente quer aquilo ali pra vida. Não sou obrigada a gostar de todas as matérias, não tenho o know-how que a maioria possui, nem o nível intelectual de outros, mas to ali porque é A tentativa que quero que dê certo na vida. E é muito, muito complicado. Porque pode ser que eu dê a cara na parede e volte aos planos familiares de mediocridade e concurso público e etc. Mas não quero que seja meu caso. Não serei 1% feliz se tiver que ceder para ter. Ter dinheiro, ter status… 

Seria uma utopia? Talvez. só que ando percebendo/entendendo que ainda sou nova – e nunca consegui me ver assim – e é o momento. Mais tarde, dando com a cara na parede ou não, não terei a possibilidade de tentar de novo.

To feliz. To sozinha e solteira, to gorda, to de cabelos novos aos quais não me adapto. Mas to feliz. Até fui à igreja semana passada e se Deus me der forças e eu não lutar contra, voltarei aos meus velhos hábitos.

É isso. Eu acho. Alma lavada. Coração aberto. Consciência tranquila. Esperança à pino.

Mas hoje eu sei ao certo o que quero pra amanhã, pelo menos.

Eu quero minha vida de volta.

Eu quero a vida que tinha em 2007.
Eu quero meus amigos de volta.
Eu quero meus hábitos de volta.
Eu quero eu de volta.

Desde aquela época eu não sou quem gostaria. Não gosto de quem sou, nem das coisas que faço.
Quero voltar a estudar. Quero ter planos e sonhos. E fazê-los acontecer.
Quero voltar a ir pra igreja. Mais do que simplesmente frequentar, quero fazer parte. Quero meu relacionamento com Deus de volta.

Quero sair do marasmo que vivo. Quero ter energia. Quero querer sair, conhecer gente, encontrar com amigos.
Quero parar de me auto-destruir.
Quero saber a hora de parar.
Quero parar de afundar na lama de tristeza.
Quero continuar cantando.

Eu quero minha vida de volta.
Não a vida que eu acho que deveria ter, nem a que um dia sonhei alcançar.
Só quero o que sempre foi meu, quero quem eu era de volta à tona, deixando esse lado até aquele momento tão sutil, imergir nas profundezas do que não conheço. Deixar sumir.

Eu quero minha vida de volta, quando ela fazia algum sentido. Quando 2 domingos em casa era estranho demais, quando ainda participava da minha igreja e sabia o que acontecia. Não só isso, eu tinha razão de ser.
Ninguém sabe ao certo o que sou, o que esperar de mim. Nem eu. Me perdi no meio dessa coisa toda que é desistir de lutar. Me perdi e hoje acordei.
Não despertei para uma mudança, mas para a vontade que ela aconteça.
Essa vontade vai passar? Talvez, se minha mente ainda doente não for tratada; se eu continuar não fazendo nada.

Mas hoje eu sei ao certo o que quero pra amanhã, pelo menos.
Eu quero minha vida de volta.

That’s How My Life Rolls

Eu não dormi mas já considero o dia seguinte. Então pra mim hoje é terça, véspera de feriado.
Eu to ácida, mal humorada. To numa baixa séria de Serotonina. E cheia de rancor.
A culpa não é dos outros, a culpa nunca é de ninguém, tirando quando a pessoa resolve fazer o que faz da vida dela e isso te afeta, direta ou indiretamente.

O que importa é que o rancor é maior por mim mesma. Já falei disso aqui mas to de novo, no mesmo dilema de 2 semanas atrás, quando eu queria sair e não tinha ninguém. Hoje é véspera de feriado e não tem ninguém me chamando pra fazer merda nenhuma, mesmo eu estando numa puta vontade de ir na Casa Rosa, ir pra Lapa, ou qualquer lugar. Eu queria sair.
E é capaz também de alguém me convidar e eu também não ir. Por motivos fortes, mas que estou com preguiça de detalhar.
O que importa é que talvez, isso seja tudo culpa minha. Talvez. Porque eu normalmente recuso convites pra sair e agora eu to querendo e ninguém me chama. Eu to desempregada, sem dinheiro e hoje, logo hoje que tudo está ao meu favor, nada acontece.

No mínimo, no mínimo, eu devo merecer isso. E aí então, não adianta reclamar.
Do contrário, meus amigos nunca foram amigos suficientes pra me chamarem pra fazer as coisas. Tenho até repensado bastante sobre amigos; se os são de verdade, se os são por conveniência ou por ‘forçação’ de barra. Mas isso também não vem ao caso.

Então… juro que pensei em sair sozinha mas acho isso tão deprimente e eu já to deprimida o suficiente. Então descartei a opção. Mas olha, dá vontade, só de pirraça. Porque po, solteira no Rio de Janeiro, milaculosamente na pilha pra sair e nem uma sombra pra me acompanhar numa Festa Ardida. Ou uma Matriz, que tá boa amanhã também.

Mas that’s how my life rolls. Quando tenho com quem sair, não rola. E quando não tenho é quando mais quero.

Dois Mil E Dez.

E 2009 acabou. Meu único pedido pra 2010 foi me tornar um ser humano melhor. Tá, não foi o único, mas é isso que preciso no momento. Ser melhor.
Confesso que tudo começou bem difícil porque as pessoas são difíceis de lidar, são ingratas, insatisfeitas e tudo mais. E lidar comigo também é uma tarefa um tanto árdua.
Não que eu seja ‘A’ perfeição, pelo contrário, mas tenho tentado aceitar as coisas como elas vêm; tenho até tentado curtir os momentos, por pior que eles possam ser. Não sei se estou no caminho certo, mas tenho tentado do fundo da alma.

Mas essa alma é fraca e não tem tido muita habilidade pra lidar com coisas muito pequenas, reclamações normalmente infundadas. Aí eu entro na pilha de ponderar: me tornar alguém melhor inclui aturar gente mesquinha? Aturar picuinha? Sinceramente não sei.

Longe de mim de achar que devemos nos contentar com pouco. Ou nada, até. Mas existe um limite bem claro entre falta de ambição e ser mal agradecido. Só que tem gente que além da falta de ambição, é mal agradecido. Por tudo. Se bobear, até por respirar porque o ar não tem cor e deveria ser colorido. Sei lá, né. Quem quer reclamar, reclama de tudo mesmo.
Eu sempre fui muito reclamona. Minha mãe achava o máximo me chamar de velha. Não mudei muito. Mas as minhas reclamações, no geral, até porque sou humana também, são diretamente ligadas às coisas que eu quero pra mim. E ultimamente não tenho reclamado. Ando anestesiada.

Eu poderia muito bem reclamar horrores do quão deprimida eu estou.
Do quão sem esperança no meu próprio futuro eu tenho estado.
Não porque eu não seja capaz de um futuro melhor que o presente, mas porque a minha condição me deixa incapaz. E eu quero, quero muito pra mim e posso muito quando dou muito de mim. Pra dizer que não falei de como estou e tenho me sentido com ninguém, conversei com duas pessoas que vieram conversar comigo no GTalk(como eu ODEIO esse app) e pelo andar da conversa, acabamos rumando pros meus problemas. Mas nem aí eu to pilhando muito; incrivelmente tenho até levado com um pouco de humor algo mega importância pra mim porque é a minha vida.

Em momento algum eu tenho chorado no ombro de ninguém dizendo o quanto meu ano começou péssimo, porque to desempregada e, apesar de ter sido chamada pra umas 5 entrevistas de emprego, não consegui ir a nenhuma – e ninguém sabia disso até agora – porque to mega deprimida e não tenho coragem de ir.
Estou formada há 2 anos e só de pensar em estudar novamente pra tirar minha OAB, pra conseguir algo na minha área, eu literalmente perco o sono e o ar.
E não que eu não queira.
Eu QUERO.
Porque não fiz 5 anos de faculdade, com uma puta monografia pra arranjar sub-sub-emprego.
Não é fácil também dizer pros outros como um cara idiota conseguiu acabar com as poucas forças que eu tinha além do pouco de estima que normalmente tenho por mim mesma, e ainda conseguiu me deixar me sentindo uma babaca, com o twist de que eu não tenho a mesma disposição de uma pessoa bem servida de Serotonina.

Estou há 3 anos lidando com isso, com uma situação que no momento não tenho como tratar. Porque além de tudo que preciso enfrentar, ainda lido com a negação da minha mãe, que acha normal a filha dela dormir o dia inteiro e não sair de casa por dias.
Eu sei que quando pude, não fui a melhor paciente porque sou normalmente rebelde e, sério, quando você acha que tá bem, você pára achando que tá bem até ver que nem tá não. Mas estava tentando
E eu tento respirar fundo e lidar com tudo isso (só não rola mesmo  gente que acha que depressão é uma tristeza que nego tem preguiça de enfrentar. Ou que diz que é desculpa pra tudo. Esses, por gentileza, passem longe).

De 3 anos pra cá eu vivo com as conseqüências das minhas crises, inclusive perder amigos – ou pelo menos acho que os perdi – porque eu simplesmente sou uma péssima amiga. Sou o tipo de pessoa que só sai com os outros por obrigação. Lógico que me divirto, são meus amigos e os escolhi por razões óbvias. Mas sair porque realmente quero não faço há um tempo. E eu nem me comprometo. Porque não cumpro.
E preciso entender que quando eu quero sair e tomar um chopp, não ter quem saia comigo. Os poucos que ainda me rodeiam, diminui em muito a probabilidade de um convite em cima da hora se efetivar.
Sou o tipo de amiga que fura; que não aparece no seu casamento alegando estar passando mal e, apesar de realmente estar passando mal, nada que um remedinho não resolvesse.

E eu entro 2010 sem saber mesmo se as coisas vão mudar. Porque não há como mudar, do ponto de vista prático. Faço parte de uma classe média falida; não posso fazer 1/3 do que gostaria, não tenho grana pra fazer tudo que gostaria, e nem estou como gostaria, até em termos de saúde mesmo. E o que poderia fazer não consigo, o porquê já expliquei.

Então, infelizmente ou não, resolvo que pra me tornar alguém melhor na minha situação é deixar tudo de negativo demais de lado. A gente tem que aprender a trabalhar com aquilo que tem, e óbvio, procurar  melhorar faz parte. Mas ingratidão, reclamação, cara de koo, bobeirice, chatice, cobranças idiotas, falso moralismo, etc traz muita negatividade e disso não preciso.
Tenho tentado fazer algo que uma amiga – essa tinha tudo, absolutamente tudo pra ter desistido de mim, sabe-se lá porque não o fez – me disse: aprenda a curtir as pequenas coisas.
Tento ficar feliz quando olho minha unha colorida. Não é nada, perto das viagens que gostaria de fazer, dos cursos que queria me inscrever, do namorado que gostaria de ter, das coisas que precisava fazer ou mesmo da saúde que preciso. Mas a unha é algo. É alguma coisa. É Pollyanna. É Amélie Poulain.

E longe, longe de mim ficar dando liçãozinha de moral, ficar dizendo isso ou aquilo. Mas tem dias que só o fato de não estar em Angra dos Reis já deve bastar. Que unha unha bem feita pode fazer um dia melhor. Que um belo prato de uma comida predileta satisfaz.

E de dia em dia eu vou tentando sobreviver. Serotonina e Dopamina down the hill, mas enfrentando um leão por dia, uma crise por vez. Um problema depois do outro. Um dia após o outro. E de pessoas pequenas, eu quero E preciso de distância.

E esse será meu ano.

p.s.: o ponto alto do meu dia amanhã será achar o Danoninho Ice. Só a expectativa já torna minha noite melhor (ou madrugada. Ou dia. São 05:50 a.m.)

A Arte de (Con)Viver…

Cada dia tem sido mais difícil (con)viver. Não por falta de habilidade, pelo contrário. mas por falta de SACO.
Esse meu empreguinho meia boca pode não servir de muito, mas pra uma coisa serviu: aprender a engolir sapo na boa. Ter paciência, e muita paciência com gente idiota – mals aê mas elas realmente existem – controlar minha personalidade, segurar minha língua… Uma escola de vida, praticamente, hehehe!

Tenho aprendido e muito sobre isso de viver, de ser, de obedecer. Fácil realmente não é. mas olha, um exercício. Já são mais de 45 dias (yay, passei pelo 1º corte!) e até da minha chefe eu comecei a sentir um certo apreço. Melhor, não a odeio mais. Ta aí a arte de saber lidar com as pessoas.
E mesmo assim, aprendendo a lidar com as pessoas – e muitas vezes me dando bem com pessoas que muita gente odeia e ainda escutar que eu gosto de todo mundo – tem muita, mas muita coisa que simplesmente não engulo.
Mas só voltando rapidinho na história de eu “gostar de todo mundo”, realmente não sei porque disseram isso. Eu sou a primeira pessoa a apontar na cara alheia, por mais que resista, sempre tenho algo a falar sobre alguém.

Bom. O que acontece. Você aprende a ser um ser humano adaptável, amadurece, aprende a amar/gostar/suportar as pessoas como elas são. Mas o inverso nem sempre é verdadeiro. As pessoas não fazem A MENOR QUESTÃO de ceder a parte que lhes cabe pra entender o outro. Porque é muito mais fácil meter o pé na porta e falar: “eu sou assim, não adianta, vai ter que me engolir”.
Mas, ei! Não tem essa não. Engolir por que?!? A vida é tão preciosa pra perder tempo com coisas pequenas, mesquinhas, de pouca importância. E se tem uma coisa certa na vida – além de nascer e morrer – é podermos e devermos escolher com quem andamos, falamos, convivemos. E de certa forma, eu me deixo conviver com qualquer um, basta me tratar com decência.
Só que tem uma coisa que venho aprendendo nos últimos tempos, graças à minha terapeuta (or NOT) que é me valorizar como pessoa mesmo. Por que então, gastar minhas energias com nego que só faz pisar, me colocar pra escanteio… aí não dá. E me deixa a opção de simplesmente não querer mais ficar perto. De negatividade já basta minha essência e de chatice, já basta a vida e suas complexidades. Ninguém precisa disso. Eu não preciso disso, você também não.

O que me prende muito é meu apego às pessoas que conheço. Pode ter certeza que o dia que eu sair desse emprego que de certa forma tanto desprezo, vou ficar mal. Não porque é meu sonho morrer ali, mas porque me apego mesmo às pessoas, às situações. E esse desapego nunca foi uma das minhas melhores habilidades.
Mas sabe também o que venho aprendendo? A vida é preciosa demais pra se perder energia com coisa pequena. Não que as pessoas sejam pequenas, mas elas incorporam essa pequeneza e perdem taaanto o valor. É triste.

Sei que sou difícil, cheia de complexidades, com milhões e milhões de efeitos. mas mesmo com essas bizarrices, tenho meu limite. Minhas loucuras eu guardo pra minha mente louca e incessante no pensar cada dia mais.
E vou me adaptando ao mundo, porque aqui é um exercício constante de convivência e a seleção natural te prepara pro futuro.

Não to aqui pra apontar dedos, ou pra especificar o direcionamento desse texto. É só um desabafo de alguém que vem aprendendo tanto a lidar com os outros que não consegue aprender a lidar com dificuldade, e muitas vezes recusa, dos outros em lidar com o mundo. Tampouco entender como tem gente que vive bem e feliz sendo tão inconveniente à vida alheia.

Updating…

Tem tanta coisa acontecendo na minha vida que quando resolvo escrever já aconteceram outras e parece que tudo se torna muito velho.

Mas é velho pra mim, não pra quem lê. Mas ao mesmo tempo, passa rápido e muda rápido. Então vira assunto velho mesmo!

O que posso dizer hoje, por exemplo é que to podre de cansada. Arranjei um trabalho – que só não chamo de ingrato porque é ser mto mal agradecida com as ínfimas oportunidades que Deus deu – que me faz acordar às 6 da manhã de 2ª à sábado. Aí, como eu realmente quero coisa melhor pra mim, preciso chegar em casa e fazer várias atividades relacionadas a uns processos seletivos que estou participando.

Aí hoje, sábado, eu doidinha pra fazer um programa inusitado e relaxar com amiguinhos, descubro que preciso pastar em casa pra terminar um trabalho ‘bacana’ com um pessoal que não conheço e que não me conhece pra passar pra próxima fase do processo seletivo.

Além disso, preciso ir ao médico. Tenho tido o desprazer de sentir dores no estômago entre outras coisas relacionadas todo santo dia. É ruim,viu. Tô quase me acostumando a tomar Plasil, comer banana amassada de manhã e me alimentar pouquíssimas vezes ao dia, sem poder nem dar-me ao luxo de comer o que gosto, por exemplo.

Por hora é isso.

Poderia ficar parágrafos reclamando de muitas coisas tipo Olimpíada no Rio, minha preguiça em migrar pro pacote Office 2007 e instalar meu roteador, meu quarto que tá zoneado e tudo mais… mas vamos com calma. Estou voltando e assustar geral não é bacana. Tenho poucos visitantes e pretendo mantê-los!!!

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