Parabém Pra Mim

Poderia chamar esses posts de aniversário de “chronicles of life and death.” Por algum motivo estranhíssimo, faço questão de voltar aqui sempre na mesma data, mesmo que tenha passado muito tempo sem digitar uma linha. Deve ter alguma explicação. O bom é que, como tenho memória fraca, posso reler meus textos e saber onde eu me encontrava em cada parabéns.

E hoje, como era de se esperar, estou aqui. Feliz, estranhamente feliz, apesar de saber que o futuro se aproxima com tanta velocidade, ferocidade, vulgaridade. Feliz por completar 29 anos, data que ninguém comemora porque são todos uns trouxas não é número inteiro nem múltiplo de nada. Eu resolvi comemorar. Resolvi me dar um parabém bem grande.

29 anos. Só tive festa, comemoração mesmo, até o momento em que minha mãe resolveu parar de bancar comida pra terceiros. E nunca soube dizer exatamente se era uma vontade minha. A de 15 anos certamente não foi. E depois dele acho que não houve comemoração, com muitas pessoas, ou com pessoas aleatórias e variadas. Porque eu não queria, porque eu desanimava. Porque eu estava deprimida. Porque eu sempre achava um motivo até quando me chantagearam com garrafa de Jose Cuervo.
Sempre um desses fatores, nunca quaisquer outros. Nunca quis, sempre chorei e sempre pensei que minha vida tava muita merda pra ficar cantando e sorrindo e tirando foto e agradecendo cada “feliz aniversário.” Na época de faculdade, meus amigos ainda conseguiram me levar pra bar, pra tomar café e até rolou boate uma vez. Mas foi só, só com eles e seus pingentes. Nunca colidi mundos, sempre tive medo de tudo, desânimo pra tudo.

2012 começou diferente. 2012 vem com 2012 chances e muito mais pra fazê-lo ser diferente de todos os outros. Pode ser que termine a mesma bosta, mas pelo menos começou diferente. E eu resolvi comemorar.
Não é lá grandes coisas mas vou cantar parabém com direito  bolo. E convite que eu mesma fiz. E mundos colidindo.
Tenho muito menos que 2012 motivos pra celebrar. Minha conta bancária está um fiasco, estou solteira, não me sinto exatamente profissional. Odeio minhas roupas e meu estilo e queria ser magra. Ainda tomo meus remedinhos de controle emocional e trabalho em algo nada a ver com o que eu gostaria.

Só que este ano eu decidir comemorar. Minha solteirice, internalizando COM FORÇA o “antes só que mal acompanhada.” Meu emprego e meus colegas de trabalho que fazem do meu pequeno salário só um detalhe. Meus amigos, os próximos, os não tão próximos, os de muito longe. Minha decisão de correr atrás do que quero. Os cursos que faço. O rastafari que tirei. O 29 anos. Comemoro os dias felizes e os dias péssimos. Comemoro por me conhecer muito mais do que nos anos que se passaram. Comemorar porque 2011 foi embora e, pra mim, o ano começa agora.

Parabém pra mim. Nesta data querida. Muitas felicidades. Muitos anos de vida. 

A Volta De Quem Nunca Foi

Eu não venho aqui desde ano passado. Muita coisa aconteceu, muita coisa mudou, passei por inúmeras outras que metade das pessoas que me conhecem não tomaram ciência… Eu não apareço mais porque sempre falo “depois” e esse momento nunca acontece porque eu vou dormir e o computador do trabalho consegue ser pior que meu celular que nem Android tem.

Mas enfim. Só vim avisar que estou viva. Muita coisa pra compartilhar, e eu me esqueço delas no caminho. Agora não é a melhor hora pra fazer isso, mas só vim avisar que não abandonei meu blog – penso nele todos os dias, creia-me – mas falta algo que me empurre pra esta página depois de um dia de trabalho.

Voltem. Leiam posts antigos. Tem uns absurdamente engraçados, posso garantir. E outros bons pra se pensar. também posso garantir.

To indo. Mas volto. 

Isso Aí.

Demorou muio tempo pra voltar aqui. Demorou muito tempo até muitas coisas se acertarem. Confesso que venho lavar a alma, a me condenar, tudo junto.

Não posso reclamar muito do ano que tenho tido, faço curso na área que gosto e hoje, finalmente, acho que dei mais um passo à libertação emocional das coisas que não me faziam bem, também conhecidas como ex-namorado.
Nem é o caso de dizer que depois de sei lá quantos meses eu finalmente o esqueci porque isto já aconteceu; mas fazer com que ele entendesse isso me emocionou. Namorar é algo desgastante e terminar, mais ainda. Principalmente quando 1 não quer. E olha eu aqui, incrivelmente abismada por finalmente ter alguém que de fato me queira e eu não. Isso não acontece no meu mundo.

Hoje minha alma tá mais leve, eu to literalmente emocionada – e mulheres são tão suscetíveis a qualquer coisa, e os hormônios se alteram sem a gente perceber – por ter feito ele, o ex, entender que já deu. Um sofrimento, aborrecimento, por nada, só encheção de saco. Não dá.

A vida vai muto além de homens – não que eles não sejam importantes, quem somos nós sem eles e vice-versa? – mas tem muita coisa além da janela de casa.
To cada dia mais determinada a fazer minha vida dar certo em pelo menos um aspecto. E to correndo atrás da minha carreira. Se vai dar certo não sei. Li um texto hoje (http://papodehomem.com.br/quando-voce-deixa-de-ser-menino-e-vira-homem/) e, sem a menor necessidade de adaptação para o mundo feminino, é exatamente isso. A gente para de sonhar e começa a realizar. É isso.

Meu medo muitas vezes me paralisa, tipo agora, que espero resposta de um teste e não consigo meter minha cara de pau em outras tentativas até saber se esta deu certo.
Me espanta e me dá esperança de um lugar ao sol, por exemplo, ser uma das únicas na minha turma da pós, que está ali de coração, de alma, que realmente quer aquilo ali pra vida. Não sou obrigada a gostar de todas as matérias, não tenho o know-how que a maioria possui, nem o nível intelectual de outros, mas to ali porque é A tentativa que quero que dê certo na vida. E é muito, muito complicado. Porque pode ser que eu dê a cara na parede e volte aos planos familiares de mediocridade e concurso público e etc. Mas não quero que seja meu caso. Não serei 1% feliz se tiver que ceder para ter. Ter dinheiro, ter status… 

Seria uma utopia? Talvez. só que ando percebendo/entendendo que ainda sou nova – e nunca consegui me ver assim – e é o momento. Mais tarde, dando com a cara na parede ou não, não terei a possibilidade de tentar de novo.

To feliz. To sozinha e solteira, to gorda, to de cabelos novos aos quais não me adapto. Mas to feliz. Até fui à igreja semana passada e se Deus me der forças e eu não lutar contra, voltarei aos meus velhos hábitos.

É isso. Eu acho. Alma lavada. Coração aberto. Consciência tranquila. Esperança à pino.

Tristeza Não Tem Fim. Felicidade…

Sabe quando algo magoa? Magoa de verdade? Pois é, ta aí um negócio que não sei lidar.
To numa boa, numa nice, tá dando pra levar a vida, tá dando ganhar mal e administrar pior ainda meu dinheiro. Tá dando.

A vida continua a mesma, o pentelho do meu ex-namorado ainda acha que pode me encher o saco… enfim, cotidiano.
Até que chega o dia, que venho esperando desde que o ano começou, em que eu vou começar a resolver a minha vida, do modo como realmente acho que deve ser. Fiquei quieta até então, porque a gente nunca sabe, né?
E depois de muito pensar e conversar com umas amigas, resolvi compartilhar com as pessoas que, supostamente, deveriam me apoiar nas escolhas da vida: familia. E o que aconteceu? Me fudi. Não, ninguém disse: “você não está louca de fazer isso” ou “te interno num centro psiquiátrico” e tals. Nem precisou.
Lidei com a cara de desapontamento, lidei com o desgosto estampado na testa gigante, com os comentários típicos de um cavalo de roça, que não enxerga pros lados, só à frente, aquela frente determinada por ele.

Passado o primeiro desgosto, achando que acabaria ali, me vi surpreendida por um alguém que sempre me apoiou em tudo. E daí a facada foi mais profunda. E isso me fez chorar, e me sentir verdadeiramente magoada, e chegar à patética conclusão de que as pessoas não querem te ver felizes, querem ver você realizando o que ELAS tem como padrão de felicidade.

Gente patética. Gente que consegue acabar com o seu mojo, sua vontade de fazer as coisas. Gente esta que está muito enganada em achar que irei desistir. Desta vez vou em frente, farei o que acho que deve ser feito.

Pode ser que eu quebre a cara, pode ser que não me sirva, pode ser que eu me ferre mesmo. Mas se eu não tentar, não vou saber e viverei o resto dos meus dias mediocremente aceitando aquilo que tem me sido imposto desde meu nascimento.
Não dá pra viver assim, não consigo ser feliz vivendo através dos outros. Preciso criar minhas próprias experiencias, boas, ruins, péssimas satisfatórias. Preciso enfrentar o mundo e as pessoas, mesmo as mais imbecis e tacanhas, mesmo que elas compartilhem DNA.

Isso tudo, se Deus assim permitir, vai acontecer. Até lá eu vou tentando não sentir a imensa dor de decepção, de coração partido, de facada nas costas, de  desapontamento por algo que me confere decidir e não os outros.
Farei tudo o que achar que deve ser feito. Se ninguém se preocupa com a minha felicidade, pelo menos eu ainda tenho esperança de alcançá-la.

Essa coisa toda de amor é muito complicado. Dá muito trabalho. Acho que não nasci pra isso, de desencontros.  E então preciso – ou quero, ou seria adequado – me encontrar. Com quem eu quero, com quem me quer.

Hoje não amo ninguém. To amando a vida e isso é uma puta vitória, considerando os anos perdidos querendo que ela se findasse.
Achava que não tinha porque amar alguém, por tudo que passei, por tudo que vivi nos meus anos de amores não correspondidos. E então resolvi amar, e amei. E me ferrei.
E como o mundo dá voltas, não amo mais a quem um dia disse que não me amava mais e hoje não larga do meu pé. Cansa, desgasta, me faz sofrer.

Eu, que sempre fui rejeitada por meus amores, estou rejeitando amor. Rejeitando amor alheio. Realmente não dá pra forçar a barra com alguém que realmente não quero e só descobri isso quando me dei uma chance de ser otária.
Recobrei a consciência. “Sai, que hoje não te quero mais, não quero sua amizade, não quero saber de você”.
Uma semana depois a pessoa vem e diz: “quero sair pra dançar com você, você sumiu, você não fala mais comigo.”

OI? Seria realmente difícil me fazer entender?

Ok. Tenho a teoria de que, talvez, esse sofrimento por ter um chiclete me perseguindo, é a vontade de esquecer. Por saber onde tudo vai dar, ou seja, em lugar algum.

Por mais clichê e brega que seja, eu quero a sorte de um amor tranquilo. Sem doenças, sem obsessões, sem rejeições, coisa fácil. Seja lá quando for isso, sei lá se até lá serei uma velha pelancuda e cheia de rancor no coração. A gente tem mesmo data de validade, como me disse uma amiga, certa vez.
Qual a dificuldade disso? Não faço a menor ideia. Mas é. Difícil pra mim, pelo menos. A vida toda, essa coisa de amor e etc.

Tá na hora de mudar essa tradição. Ninguém vive sem amor. Só quero que as coisas fiquem um pouquinho menos complicadas pra mim.

Por favor.

Engole o Choro e Enfrente o Mundo. É o Que Tem Pra Vida.

Nada a ver, esses seus problemas. Ninguém veio ao mundo pra se incomodar com o que se passa com você.
Ninguém é obrigado a aturar o seu humor, a sua depressão, a sua personalidade. Ninguém.

O mundo é cheio de gente, todos eles têm suas próprias questões pra resolver, mas não dá pra sair transparecendo que hoje você não está bem, todos tem problemas, mais graves que os seus. Tem gente surda, com câncer, sem uma perna.

Ninguém tem nada a ver com seus problemas.

Tratar os outros com polidez e com sorriso no rosto é necessário pra se viver em sociedade. Porque as pessoas não estão preocupadas com o que tem acontecido, mas querem ser bem tratadas independente de qualquer coisa e um bom tratamento vai além de uma comunicação educada, mas também de uma boa “cara”.

A questão não é se isolar, mas saber que da porta de casa pra fora, não adianta trazer o que te aflige, porque o mundo é muito corrido, as pessoas superficiais, os vizinhos de rua nem devem saber quem você é. A vida urge e segue.

Levante os ombros, abra um sorriso amigável, engula o choro, trate todos bem e, se perguntarem como está, diga que tudo bem.

Porque ninguém tem nada a ver com seus problemas.

Comida: num daqueles meus textos intermináveis.

Lá por aquelas bandas onde trabalho, não tem muita coisa boa em geral e principalmente em relação aos restaurantes, não dá pra variar muito e onde é bom mesmo, é caro mesmo. Então só nos resta comer sempre no mesmíssimo lugar, restaurante bem bacaninha.

É negócio de família. O pai e o filho trabalham como uns cornos; o filho no caixa, o pai na pesagem. A mãe, visivelmente A DONA do lugar também trabalha. Mas é bem daquele tipo perua que fica passeando e falando com as pessoas, dando oi e distribuindo sorrisos e soltando os cachorros nos funcionários, inclusive os da família.

Ela A-DO-RA uma das minhas colegas de trabalho. E gosta da outra também. Comigo não é capaz de dar boa tarde, quando tenho a infelicidade de encontrá-la na balança pra pesar meu prato. Acho que ela não gosta de mim – ou eu falo pra dentro mesmo, como as meninas do trabalho vivem me dizendo.

Aleatoriamente, você pode ganhar uma sobremesa de graça. Essa amiga minha que ela A-DO-RA já ganhou 3 vezes e ela fala pra todos ouvirem que “não é marmelada, gente.” Ta aí uma família que muito me apavora.

Ela é toda perua, uma cinquentona daquelas que compra vestidinhos curtos super na moda, de estampas normalmente muito lindas. Daí ela fica desfilando enquanto seu marido coroa fica quieto num canto fazendo o que ela manda. Ele, alto e magro, quase não interage. Mas é educado. O filho chega a ser engraçado e é realmente muito agradável. Com certeza nos fins de semana dá pra encontrá-lo na praia de Ipanema surfando. Ele tem aquele sotaque INSUPORTÁVEL de carioca de praia, estilo playboy mas por ser tão bacana, dá pra aturar. Ele é gato, mas não atesto 100% porque vive de boné. Ninguém nunca o viu sem. E pode ser uma coisa meio Tiger Woods. Eu assistia golf, acha o cara lindo. Daí ele ganhou um campeonato, tirou o boné pra receber o prêmio e quase chorei de desgosto. To achando que o surfista é nessa vibe também.

Interessante que lá você tem noção do cardápio, bem variado por sinal, porque ele se repete. Segundas tem bife à parmegiana; quarta, camarão empanado, por aí vai. Mas a comida é gostosa e só enjoa mesmo porque se come lá todo dia e não é comida caseira. Todo mundo que dizia comer na rua durante a semana tinha dessas de reclamar por comida caseira e agora eu entendo.

Dia desses resolvemos almoçar num restaurante diferente. Tínhamos que fazer umas coisas e só me alertaram o seguinte:” a comida é tipo aquela, daquele restaurantezinho meia boca, que a gente só consegue comer linguiça e até o churrasco é frio”.
Enfim, se for no mesmo nível, eu como linguiça e arroz e batata, não tem erro (minto, batata sempre tem erro e eu nunca aprendo isso). Fomos nós pra lá. Lugarzinho até meio aprazível, sabe. Daqueles que até parece servir comida boa.

Todo aquele ritual de escolher o que comer. O cardápio especial do dia era comida mineira mas só descobri depois porque não achei a couve nem a linguiça. Peguei batata, bolinha de queijo, frango empanado. Depois de quase regurgitar ao ver um rechauld gigante com galinha ao molho pardo. Sério, gente, precisava mesmo?
A comida tava morna. A garçonete gritava por um buraco pelo refrigerante do cliente que não tinham dado ainda. Ela parecia aquelas russas massagistas de nome Herta. Pura brutalidade, sabe? Veio nos entregar as bebidas e fiquei com medo.
A comida? Horrível. E eu não sou de reclamar de paladar; sou fresca quanto ao que como mas se for algo que esteja na minha dieta, tá tranquilo. Foi sofrido. Até bebi junto com a comida, coisa que não tenho mais feito. Só salvou a bolinha de queijo, porque aquele frango empanado cheio de gordura e sem gosto de frango desceu às duras penas. E a batata frita, CERTEZA de que era da manhã do dia anterior.

Ainda podia se ver que o pano as garçonetes limpavam as mesas eram aqueles panos de prato mal pintados que camelô vende 5 por R$1 e na primeira lavagem perdem a cor. Nem pra fazer o favor de me comprar panos brancos típico de qualquer restaurante razoável.

Disso tudo eu depreendo que tem como emagrecer. Me leve nesses lugares. Como pouco, como mal, economizo. Mas por hora, só assim mesmo. Se bem que ainda prefiro aturar a perua do outro restaurante, que dia desses deu uma “dica” pras meninas, mas que às “granfinas” ela não diria não. Achei insulto. Mas antes o insulto com boa comida, né.

Música Está nos Olhos de Quem Ouve.

As pessoas não sabem valorar as coisas. Confundem tudo.
É tudo ignorância. Eu também sou, em muitos outros assuntos, mas não neste.

Uma colega do trabalho foi assistir um concerto de orquestra esta semana. Não faz parte do mundo dela, nunca fez, e obviamente ela saiu e lá extasiada com a grandeza daquilo tudo, com a beleza de tudo, com o som, com a harpa, com tudo. Ficou realmente impressionada.
Nada daquilo que ela dizia me era estranho. Cresci numa família onde música erudita sempre se fez presente; toquei flauta, violino, piano e cantei por tantos anos. E achei super legal a impressão que ela teve, e como gostou do programa diferente.

Daí ela soltou a pérola: “aquilo sim que é música. Não funk ou pagode.” Fiquei com raiva. Não porque eu goste de funk ou pagode, mas não acho justo essa desvalorização.

Vejamos. Música nada mais é que sons que se harmonizam, chegando numa melodia, contendo ou não letra. Notas musicais unidas formando uma pauta, uma partitura.
Música é expressão, cultura. Música clássica reflete uma época; pagode, de outra; funk, de uma parcela da sociedade. Pra uns soa muito mais agradável um ‘batidão’ do que um quarteto de cordas.

Mas quem sou eu pra julgar e dizer que não é música? Acho muito abuso. Se a gente não gosta, tudo bem, mas música é sim. Essa minha colega só gosta de MPB, porque ‘isso sim é música’. E agora se encantou com o som do violino. Será que deveria apresentá-la Dream Theater, banda de metal que usa instrumentos clássicos? Ou lembrá-la que existe percussão – com suas devidas proporções e adaptações – numa orquestra? Então deixa de ser música?

Aquilo me chateou e muito. Música é música, goste você ou não de um estilo. Isso vai do seu ouvido e tolerância. Ninguém é obrigado a gostar de tudo, mas as pessoas se manifestam como achar adequado e como melhor lhes convir, inclusive pela influência cultural que tiveram. Seja através de pagode, funk, sertanejo, emocore, samba… Cresci comprando cd de Frank Sinatra, Os 3 Tenores, CDs orquestrados, várias coleções, e ainda as tenho e nem por isso deixo de ouvir MPB, rock, samba, hiphop e, porque não, vez por outra um funk.

Pra mim isso é puro sinal de ignorância, de intolerância. E eu não curto isso. Não curto gente que simplesmente desqualifica algo só por não achar adequado pra ela. É a mesma coisa de dizer que gosta de azul e por isso cinza é podre.

Queria vê-la desqualificando as músicas da boate em que ela foi comemorar os 50 anos. E não me venha dizer que era flashback e tudo bem. Tá cheio de música ruim naquela sua época de mocinha também, meu bem.

Agradável. Trabalhamos.

Sabe um grande problema? Eu sou adorável. Posso não ser bonita, nem inteligente, nem bem-sucedida. Mas eu sou adorável. E Deus, como isso é chato. Ser adorável não é mesmo a melhor das qualidades. Parece arrogância, mas é verdade. E é sabido que não tenho grande estima de mim mesma. É a verdade.
Minha personalidade é forte, e eu venho tentando esconder, ou mudar alguns traços que não agradam nem a mim, ando bem menos ríspida e me tornando cada vez mais adorável. Que merda.
Óbvio que ser bem quista é ótimo, mas ultimamente não tenho tido nenhum ganho com isso. Elogios e tals. Mas elogios não pagam contas, não emagrece, tampouco te arranjam um namorado. Porque eu também sou adorável pros homens. Os que se dão ao trabalho árduo de conseguir me conhecer e ter um mínimo de intimidade – porque mesmo adorável, tenho me visto cada vez mais fechada pro mundo – vêem que assim sou.
Daí a vida se torna chata. Ser adorável hoje é o ‘você é muito figura’, que escutei durante alguns vários anos durante a adolescência. Era ‘figura’ porque era ranzinza demais. Hoje ainda sou, mas em doses controladas. Era a ‘figura’ que arranjava namorado pra todos, que engolia sapos e era preterida.

Hoje eu sou adorável. Não arranjo mais namorado pra ninguém porque na minha idade todos estão tendo filhos e meus amigos solteiros se conhecem e não se querem.  Continuo engolindo sapos. Continuo relevando coisas que pra muitos são intoleráveis. Sigo sendo culpada por atitudes equivocadas e informações mal dadas. Mas eu sempre arranjo uma desculpa por me culparem, por tolerar o intragável, por calar-me quando deveria mesmo era jogar a merda toda no ventilador

Tornei-me adorável, porém muito menos expansiva, com muito menos vontade de conhecer gente nova e desbravar o mundo.  Desenvolvi uma grande dificuldade em ver como o mundo funciona fora dos locais de trabalho, estudo e casa, não tem porque me chamarem pra seja lá o que for. Não tenho muito mais amigos pra isso e conhecer gente, invariavelmente, necessita que eu passe por esse processo. E então continuo preterida.  

Adoravelmente engraçada quando meu nível de humor está alto; adoravelmente ranzinza em dias ruins. Não me esforço muito mais pra que continuem gostando de mim. Pelas minhas contas, tem pelo menos meia dúzia de pessoas que não me acham nada. Um dia achavam; hoje, tem mais o que fazer e em suas to do list não eu me encontro.

Isso tudo frustra muito. Não porque seja ruim, mas te colocam em patamares estranhos. Adorável num dia não pode estar mal-humorada no outro. “Tomou seu remédio hoje?”, é o que acabam me perguntando. Adorável, engraçada, divertida, irônica. Seja lá como me classifiquem, não sei se é isso que quero que pensem.

Guardar todas as raivas, respostas, vontades dentro de mim não tem me feito bem, não faz bem a ninguém e não tem antidepressivo que resolva isso. Terapia, talvez. Mas agora não dá. E ser essa pessoa supostamente agradável pros outros – e ultimamente até minha mãe tem achado, pasmem! – cansa.

Preciso de um diazinho de fúria, voltar pro meu eu do passado, entre meu tempo “muito figura” e o “adorável”, dar meia dúzia de foras, ser grossa e por aí vai. Nessa época, eu pelo menos curtia viver a vida um pouco mais intensamente, e conhecer pessoas que acabassem gostando de mim era um desafio. Agora nem pessoas conheço.

As coisas tão boas, tá até tudo bem. Mas nem tanto assim.

A Vida Tá Boa.

Hoje é dia dos namorados. E eu não tenho namorado. Não que isso importe muito nessa fase da minha vida. E daí eu digo o seguinte:

Pela primeira vez na vida estou extremamente bem resolvida em não ter alguém. Não porque é um dia consumista e blablabla.. Até acho que existem coisas mais importantes no mundo e não diminuo a comemoração só porque estou solteira. Tem todo o lance de não curtir datas comemorativas, mas já que sinto falta de um pai no dia deles, não acho errado que um namorado faça falta dia 12/06.
Mas o mais legal é que realmente não fez.

A vida tá boa, sabe? To cheia de coisas pra fazer, pra ver, pra resolver. Não que eu curta todas elas, mas estou ocupada com a vida. Ainda guardo meu tempo precioso de ócio porque disso ainda não me livrei. Mas a vida tá boa.

(mesmo estando tudo muitíssimo bem, tem todo o problema do ócio ser mais forte do que eu, a ponto de desistir, quase sempre, de ver a vida lá fora)

Eu descobri que não me descobri em Direito e talvez consiga me achar fazendo o que sempre quis.
Confessar isso pra mim mesma foi bem difícil. Não é nenhuma novidade mas demorei muito pra assimilar isso e partir pr’aquilo que acho ser meu caminho. Super muito me apavora falhar mais uma vez, mas estou mais feliz nesse caminho e verei onde vai dar.
Mesmo assim, estou aqui fazendo curso pra concurso. Não que eu deva, mas achei de bom tom tentar agradar a família. Digo e repito: concurso é pra quem quer concurso. O mundo não sobrevive só de funcionário público. E eu posso, perfeitamente, não ser uma.

Tenho amigos novos. Acho que o bom de trabalhar é isso: conhecer gente. E pela primeira vez na vida, fiz amigos “bem” mais velhos que eu, cuja alma certamente é mais nova que a minha. Tem sido um grande aprendizado e talvez elas sejam a razão de muita coisa estar mudando na minha mente e por via de consequência, na vida.
Pra melhorar, amigos que sempre foram amigos, estão de volta na minha vida. Toda a crise do post anterior e tals. Tem gente que de fato, deve ser pra vida toda, só isso explica. Amigos pra vida toda, eles são ótimos e nos entendem mesmo que não concordem. Acho genial e justo. Nem todo mundo é perfeito, né.

Daí quando falo em (im)perfeição lembro do meu ex-namorado. Porque nem tudo na vida é perfeito, mesmo ela estando boa e tem aí esse rapaz, que me assombra desde o dia que resolveu terminar comigo mas que resolveu se arrepender. Essa vida é uma loucura, né? Dá voltas mesmo. A gente nem imagina.

Mas não me aborrece mais. Porque a vida tá boa, e por que eu iria me abalar com o que não deveria. Então fica tudo bem, sem aborrecimentos, é o que estou tentando levar pra vida.
E quando, no dia dos namorados,  a gente vê que o mais chato foi conversar com ele, sabe-se que estar solteira – ao menos não com ele – é a melhor opção.

Nada disso faz muito sentido, mas a vida tá boa. E eu to feliz. E acho decente parar de achar que só consigo escrever quando não estou bem, não faz muito sentido.

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