Música (+) Eu (=) Subverteu².

Sabe aquilo que “take your breath away?”
Aquilo que, num dia de tempestades te faz achar que algo de bom ainda pode vir?
Aquilo que com tanta paixão vemos, como aquela paixão de um primeiro amor adolescente mas que nunca passa?

Pois é. Tem poucas coisas na minha vida atualmente que tentam chegar ao nível ‘animadinha’, ou no mínimo ‘interessada’. Cada dia que passa, eu vou ficando cada vez mais meio numb, meio anestesiada mesmo das sensações alheias e minhas. Parece que vivo num mundo paralelo onde nada se sente, onde eu e minhas cópias vivemos esperando o dia acabar para outro tão insípido venha.
Daí a gente vive aquele dia, como qualquer outro, só no Ctrl+C/Ctrl+V de situações 90% idênticas às vividas nas últimas 24, 48 horas.
A coisa não tende a mudar. Você nem tem isso de achar que pode mudar, por uma questão de passividade, derrotismo. E porque não, por preguiça?
Não vou aqui levantar a possibilidade de a inércia ter se dado por um sentimento de fracasso contínuo porque nem vem ao caso.
Mas daí você vai vivendo, uma madrugada e um nascer do sol atrás do outro, consciente de que não muda.

Noite dessas comecei a cantarolar.
Foi estranho porque me distanciei de música de um modo geral. Rádio não escuto há anos, desde antes mesmo da Rádio Cidade extinguir. Minhas músicas estão no computador e não as escuto nunca. Daí comprei um MP4 porque facilitaria. Eu o uso, mas com menos freqüência do que há dois anos, por exemplo.
[Se for pra falar de abandono – independente de como tenha ocorrido, teve o violino. Abandonei a Flauta por pressão externa e fugi do piano por rebeldia hormonal. Mas enfim...].
Mesmo assim, me mantenho à busca de músicas que gosto de ouvir e normalmente são gringas, apesar da minha grande paixão por MPB e alguns representantes.

Cantar em corais, grupos de louvor, quintetos fez parte da minha vida desde os 10 anos. E quando tomei gosto não parei. Acabava um, procurava outro. E fui assim até um monstro emocional me dar uma rasteira. Juntei alguns cacos e por culpa da rotina, continuei como dava. Até não dar mais.
E ano passado, acenei minha bandeira branca à depressão, porque eu não sabia mais como lutar contra isso. Saí dos coros. Já tinha saído da igreja, presencialmente [e também com alguns outros motivos por detrás]. E eu não dei satisfação das minhas saídas repentinas nos grupos em que participava.

E na noite que cantarolei, voltei a PENSAR música.

De alguma forma, numa madrugada qualquer nessa semana, fiquei relembrando de músicas que cantei nesses corais da vida, especialmente o último, e relacionando-as aos compositores. E daí ia pro Letras.mus.br e procurava por ela. Sempre tinha vídeo com o cantor original junto à letra. Nessa busca, fui numa musica que gosto muito. Daquelas que canto interpretando o texto, cheia de uma veia artística que eu fatalmente não tenho, na frente do espelho. Mas não tinha vídeo original.
No momento que fui ver os vídeos alternativos, bati os olhos num que trazia exatamente a versão que eu cantava, pelo coro que cantava.

Não pude berrar. Não tinha a quem contar, senão ao twitter, completamente jogado às traças e aos insones de plantão como eu. E desse primeiro vídeo, vi outros e mais outros.

E naquele momento de descoberta, minha respiração começou a falhar. Meus olhos marejavam de lágrimas. Senti uma ALEGRIA que não sinto há muito, muito tempo. Senti-me fazendo parte daquilo, entendendo aquilo.

E também naquele momento, comecei a achar, talvez erroneamente, que aquilo era um sinal; porque eu tinha dito a uma amiga que não sabia se gostaria de voltar a cantar por milhões de outras questões.
Naquele momento, que durou mais de 2 horas, não havia nenhuma outra questão. Havia paixão, daqueles de você achar que te deram um alucinógeno porque você está praticamente fora de si.

Música transcende qualquer sentimento racional que eu possa ter. E apesar de parecer algo como paixão, é o puro, mais singelo e mais verdadeiro amor. Porque paixão passa. Amor permanece. Há 21 anos, desde meu primeiro instrumento.

E como todo objeto de amor, muitas vezes negligenciamos. Mas de uma forma ou de outra, ela te traz de volta pra casa; de volta pr’aquilo que sempre foi o que VOCÊ sempre foi.

E termino o texto extremamente emocional. Porque, obviamente já dito, eu sou emocional.
E não ter como ficar indiferente com algo que mexe tanto, mas tanto comigo, a ponto de encher meus olhos d’água, a ponto de me dar calafrios, me traz tantas dúvidas, tanta coisa a pensar… Mas que, independente dessas coisas todas, deixa claro que fica um grande vazio se eu não tiver música na minha vida. Se eu não tiver esta fonte de alegria, de sublimação, de inspiração, fatalmente viverei de modo muito mais medíocre do que poderia viver, tendo que lidar só com os outros fracassos e depressão que ainda me rodeiam. Viverei como tenho vivido nos últimos vários meses.

Cantar, tocar, estar cercada disso tudo, faz-me sentir parte de algum mundo. E me pergunto, em momentos como este, se eu não é a ele que realmente pertenço. De corpo, alma; de dedicação, de planos para um futuro próximo. Não sei.

Mas hoje, desde àquela fantástica madrugada, eu sei. Sei que sem música, eu sou metade, eu sou pior. Eu não sou eu.
Se aquilo que faz nossos olhos brilharem, que faz nosso coração bater mais forte, é a nossa verdadeira vocação, então tá tudo mais do que explicado.

Como Ser Sutilmente Humilhada Em 2 Atos.

Sábado de sol. Cara-a-tapa vai a evento onde encontraria amigos.

- Nossa, quanto tempo!!
– Pois é, tava sumida…
- E como vão as coisas?
– Vão bem, tudo na mesma.
- E a faculdade? Terminou?
– Claro, em 2007.
- Ah é, me esqueci. E a OAB? Fulano e Ciclana conseguiram agora.
– Pois é!!! Fiquei sabendo. Mas não tirei ainda não.
- Mas tá trabalhando, então.
– Não, nem to.
-Ah…

Trinta minutos depois.

- Porque eu to ficando velha, com quase 25 anos!!, reclama a moça.
– Fala sério, né. Você é a mais nova da mesa, consola Cara-a-tapa.
- Tá mas poxa, to fazendo facul mas só termino ano que vem, só tenho um estágio e estou solteira.
- Po, então tá tranquilo, po. Eu to com 28, interrompe um rapaz.
- Pra você é fácil falar, né? Já tem profissão, trabalha e tá namorando, aí é tranquilo de chegar aos 28, diz a moça.
– Então tá, né. To com quase 27, sem profissão definida, sem emprego e solteira, diz, humilhada, Cara-a-tapa.
Moça faz cara de constrangida/’tadinha dela’


Só não me sinto pior porque eram pessoas queridas e mau nenhum havia nas conversas. MAs ó, conhecendo maneira mais bacana de humilhação, só comentar!!!

Coisas

Coisas.

Coisa que percebi hoje:

  • dançar é quase um estado de espírito, uma elevação de você mesmo pra um nível superior, onde pouco importa ser desajeitado, sem ritmo ou brega. Quem dança, dança feliz e caga e anda pra você.
  • todo mundo é egoísta! Já percebeu que toda vez que alguém começa a falar algo sobre si mesmo, sempre tem alguém, ou você mesmo que diz: “pois é, comigo foi assim” ou “e eu?! eu tô muito mais cansada, eu tô muito mais pobre, eu tô muito mais gorda…” e por aí vai. É inconsciente, acredito eu que ninguém faça por mal.
  • chefe é sempre chefe. Mesmo quando não quer ser.
  • subordinado é sempre subordinado.
  • estagiário sempre se ferra. E é zoado. E culpado de tudo.
  • se tornar um velhinho apreciador da vida é essencial. Quero chegar aos 70 anos dançando na noite da Lapa(ou qualquer lugar que toque um sambinha, um rock, um forró, ou o que tiver de bom).
  • a mente das pessoas é completamente poluída. Cinco minutos de conversa entre 2 amigos de sexo oposto já é motivo de olhares maldosos. Só pra constar, se realmente houver maldade, acabou naquele exato momento.
  • muita gente nessa vida tem o dom de acabar com a alegria alheia.

Coisas que fiz nesses últimos dias:

  • compras de natal.
  • ajudar pessoas no trabalho.
  • dormir mal.
  • escutar reclamação.
  • aguentar gente chata.
  • pensar pouco.

Coisas que deveria ter feito esses dias:

  • Compras de Natal.
  • Estudado.
  • Lido livros pendentes.
  • Arrumado gavetas do armário.
  • Arrumado armário, na verdade.
  • Arrumado material de faculdade.
  • Arrumado um namorado (zoa, zoa…)

Por que uma lista de coisas?

Porque minha mente tá entupida e tinha que “dar descarga” em algum lugar, sorry…

Alterego

Completar 25 anos não estava nos planos dela. Nunca imaginava que em algum momento continuaria respirando e vivendo por tanto tempo.Ela sabia – e como sabia – que era uma dádiva e deveria aproveitar a chance que Deus tinha dado.
Enquanto pensava o quanto tantos anos pesam, ficou a imaginar se realmente merecia tanto.
Não é todo dia que uma pessoa tão jovem conseguia nutrir sentimento de repulsa por si mesmo; nunca, na cabeça dela, alguém dessa idade passaria tanto tempo tomando remédios controlados. Muito menos que precisasse disso.
Aos 25 anos ela achava que já teria conquistado alguma coisa que estivesse em seu caderninho de realizações. Mas nada daquilo aconteceu.
Pra ela, uma menina cheia de sonhos e (des)ilusões, viver tinha se tornado uma obrigação, das mais chatas. Acordar cedo, estudar, trabalhar…. Nada daquilo a agradava.
O futuro, ali na frente, a todo o momento e a cada segundo, era sempre uma incógnita. A falta de personalidade, a falta de vontade, talvez, a fazia duvidar de todas as decisões que tomava. Nada durava tanto tempo quanto deveria. A persistência em sua vida só se mostrava nas horas de sono que, com prazer, dormia.
Sorte? Nunca teve. Se achava a mais azarada dos seres. Via na criação de Deus uma grande brincadeira de mau gosto: colocou-se tudo de esquisito, de rejeitável, de dúbio, de ruim e de razoável. Só queria mesmo era ganhar um bingo, ou mesmo um sorteio. Ou ter entrado na fila da beleza alguma vez….
A família era interessante. Cheia de padrões, de estigmas, de preconceitos.
E ela, fatalmente, não se encaixava. Não entendia a rejeição pelo Rock, pela noite, pelos chás, pela noite, pela sinuca. E a falta de aceitação a incomodava. E a consumia. E a tornava cada vez menor como aquela que ela se tornara.
Não a agradava ser tão forçosamente dependente de sua família, de ter tão pouca voz sobre as coisas que eram importantes pra ela – uma impotência sem fim – pensava…
Seu sonho era fazer o que o coração mandar e o que a vontade deixar, sem culpa.
Romance? Ah! Nada de romances pra esta mocinha. A sorte não batia no coração também. A tal “sorte no jogo, azar no amor” funcionava bastante. E com 25 anos ela sonhava já ter se resolvido. Quando criança jurava que já teria sua casa no campo e seu marido e seu filho. Ou mesmo estaria morando sozinha, com seus 8 gatos, como literalmente sonhou na infância.
Hoje, aos 25 anos ela só sonha com paz. Com independência. Com felicidade. Os sonhos se tornaram tão pequenos, tão simples. O que ela mais quer é o básico. É o essencial. O mínimo pra se viver.
Mas ainda se permite sonhar os sonhos não tão simples, mas aqueles que todos sonham também. Sonhos de amor, de segurança, de sucesso profissional. A rejeição da vida tinha um gosto amargo, mas a bondade de seu coração persistia em desejar tudo isso e mais um pouco.
E hoje, ao completar ¼ de século, a esperança bate a porta e se renova, para mais 25 anos que se seguem. E, como criança que um dia foi, não imagina o que pode vir, sequer imagina que podem vir mais 25 anos. E essa criança que ainda existe nela, só deseja o melhor e o pior. Deseja o ruim e o bom. Deseja 25 anos melhores vividos.

Post Scriptum: esse post é ligação direta com este: http://wp.me/p4oe1-G

O Dia Depois de Amanhã…

Alguns anos se passaram pra que eu pudesse ver algo de bom na velhice. Não que ganhar rugas, ficar fraca, baixar imunidade, visitar médicos com muito mais regularidade, ter memória enfraquecida e tantas outras coisas sejam verdadeiramente boas. Aliás, nunca vi nada de bom em envelhecer.

De uma hora pra outra ‘percebi’ que estou envelhecendo. Não falo de anos que passaram, mas da minha memória, que nunca foi muito boa e anda cada vez pior; falo da mega dificuldade em emagrecer fazendo as mesmas coisas que antigamente me garantiam resultados mais rápidos. Também não digo velhice quanto à idade mental ou coisa do tipo. Isso é questão de retardo, no melhor sentido da palavra.
E não, não sou velha. Mas a velhice chega. E quando chega, não tem como não perceber. Vejo nos olhos da minha avó, nas reações da minha mãe. O que é na aparência um incômodo, é na verdade a beleza de se viver e acolher dentro de si mesmo, tantos anos, tantas coisas ruins e boas e se tornar um ser humano admirável. Ou não. Mas não falo destes. Estes não admiráveis não aproveitaram seus anos pra fazerem algo de bom a ninguém além da própria sombra. E ser assim não quero. E nem quero ser presidente de nada ou alguém. Não quero ser modelo pra criança alguma. Quero só ter a certeza de que os anos passaram e eu os aproveitei pra colher todas as rugas, todos os fios de cabelo branco – precoces ou não – todos os não, todos os sim, todas as aprovações e reprovações.

A morte é certa, e lidar com ela é de um exercício pior que muitos dias de educação física no colégio. Mas a cada dia vejo a inevitabilidade de olhá-la nos olhos, enfrentar com a coragem que nos é devida. Mas sei que ela vem na hora certa. Não necessariamente na idade certa. Mas com essa velhice que adquiro a cada segundo compreendo que cada um vive o tanto que lhe é permitido viver. Não retiro daqui qualquer possibilidade de “mudança de rota”. Mas vivemos o que queremos. E somos o que vivemos.
E estou feliz. Porque percebi a beleza da dor nas costas; porque vista cansada é conseqüência de ótimos hábitos; porque falta de ar numa corrida de 500 metros pode ser um sinal pra parar ou mesmo pra começar a pensar em fazer caminhadas diárias.

À velhice toda reverência que merece. Toda atenção um dia dispersada; todos os meus dias por vir e os dias que foram: que eles formem de mim uma velha ‘caquética’, se preciso, mas com respeito à vida, aos momentos, às experiências vividas e as frustradas. Que eu olhe pra trás e curta as minúcias dos segundos que um dia me concederam cada cabelo branco, cada espinha de estresse, cada ruga ao redor dos olhos.
À velhice, tudo que hoje sou, pra amanhã ser isso tudo e mais um pouco. Todos os anos e muitos outros.


post scriptum: o título dele era este mesmo mas o que pensei originalmente e o que tinha ficado como link foi “Antes fosse Piratas do Caribe”. Juro que ri alto.

À Velhice…

Alguns anos se passaram pra que eu pudesse ver algo de bom na velhice. Não que ganhar rugas, ficar fraca, baixar imunidade, visitar médicos com muito mais regularidade, ter memória enfraquecida e tantas outras coisas sejam verdadeiramente boas. Aliás, nunca vi nada de bom em envelhecer.

De uma hora pra outra ‘percebi’ que estou envelhecendo. Não falo de anos que passaram, mas da minha memória, que nunca foi muito boa e anda cada vez pior; falo da mega dificuldade em emagrecer fazendo as mesmas coisas que antigamente me garantiam resultados mais rápidos. Também não digo velhice quanto à idade mental ou coisa do tipo. Isso é questão de retardo, no melhor sentido da palavra.
E não, não sou velha. Mas a velhice chega. E quando chega, não tem como não perceber. Vejo nos olhos da minha avó, nas reações da minha mãe. O que é na aparência um incômodo, é na verdade a beleza de se viver e acolher dentro de si mesmo, tantos anos, tantas coisas ruins e boas e se tornar um ser humano admirável. Ou não. Mas não falo destes. Estes não admiráveis não aproveitaram seus anos pra fazerem algo de bom a ninguém além da própria sombra. E ser assim não quero. E nem quero ser presidente de nada ou alguém. Não quero ser modelo pra criança alguma. Quero só ter a certeza de que os anos passaram e eu os aproveitei pra colher todas as rugas, todos os fios de cabelo branco – precoces ou não – todos os não, todos os sim, todas as aprovações e reprovações.

A morte é certa, e lidar com ela é de um exercício pior que muitos dias de educação física no colégio. Mas a cada dia vejo a inevitabilidade de olhá-la nos olhos, enfrentar com a coragem que nos é devida. Sei que ela vem na hora certa. Não necessariamente na idade certa, mas com essa velhice que adquiro a cada segundo compreendo que cada um vive o tanto que lhe é permitido viver. Não retiro daqui qualquer possibilidade de “mudança de rota”, so que vivemos o que queremos. E somos o que vivemos.
E estou feliz. Porque percebi a beleza da dor nas costas; porque vista cansada é conseqüência de ótimos hábitos; porque falta de ar numa corrida de 500 metros pode ser um sinal pra parar ou mesmo pra começar a pensar em fazer caminhadas diárias.

À velhice toda reverência que merece. Toda atenção um dia dispersada; todos os meus dias por vir e os dias que foram: que eles formem de mim uma velha ‘caquética’, se preciso, mas com respeito à vida, aos momentos, às experiências vividas e as frustradas. Que eu olhe pra trás e curta as minúcias dos segundos que um dia me concederam cada cabelo branco, cada espinha de estresse, cada ruga ao redor dos olhos.
À velhice, tudo que hoje sou, pra amanhã ser isso tudo e mais um pouco. Todos os anos e muitos outros.

Movimentação…

… vou postar alguns textos que estavam no rascunho do outro blog [sweetvice.wordpress], por aqui. Vou com tudo, então vai parecer que escrevi uma caralhada de textos de uma hora pra outra. Mas não. São antigos.

Pra ficar diferenciar, todos estão com formatação básica, sem cor ou mudança de fonte.

Entre e fique à vontade. E comente, né? Fazfavor…

A Dor É Minha, A Dor É De Quem Tem…

Se tem uma coisa intrigante é a dificuldade das pessoas de entender/aceitar que você tem depressão.
A impressão que passa é que a pessoa tá de frescura, fazendo tipo, não sei. São conjecturas.

Este ano completam 3 em que me encontro nessa situação. Independente de ser rebelde, antes ainda fazia tratamento; agora nem isso. Há tempos, por sinal.
É claro que como eu estava em meados de 2007 não se compara como estou hoje, principalmente pelo auto conhecimento. Porque nada pior do que não saber qual o seu problema. Hoje eu sei e sim, não tenho feito nada em relação a isso por milhões de motivos.

Parei pra pensar nisso hoje por 2 motivos bem fortes.
Estou numa puta crise.
Eu não tenho estado bem e sabia o que aconteceria quando eu saísse do emprego. Não que aquilo fosse uma cura, mas me segurava um pouco. Mas minha mãe achou que era. Pra ela sempre foi assim.
“Você está assim porque a faculdade está acabando.”
“Você está assim porque o estágio está acabando.”
“Ah, quando você se ocupar, isso vai melhorar, é só arrumar um emprego, não é depressão não.”
Sempre escutei essas coisas, apesar de, no entanto, ainda estar me tratando.

Então comecei a trabalhar e minhas idas à terapia ou a psiquiatra cessaram. Ela, minha mãe, que trabalha na área de saúde e tem acesso a coisas que eu não tenho, nada fez. Eu não tenho plano de saúde e tampouco ela se ofereceu pra pagar a continuidade do meu tratamento, sabendo que onde eu fazia – que ela me levou na primeira vez – era de graça e que eu não tinha como pagar nada com o mísero salário que ganhava.
Tá. Saí do emprego. E não voltei pro tratamento. Fala sério, quem tem cara de voltar ao mesmo médico, do jeito que saiu há 6 meses atrás de cara limpa? Não é fácil. Eu sou do tipo que fico com vergonha de coisas pequenas, ou de situações que pessoas normais agiriam numa boa.
Eu não sou assim. “Oi, to de volta. Mas ó, na 1ª oportunidade de emprego que aparecer, vou ter que sair de novo, né? Porque esse horário não é mto legal, mas vamos levando”. Não, não sou assim.

Aí, quando foi hoje, minha mãe veio me falar pra eu ir no médico ver minhas alergias. Até aí tudo bem. Aí ela vem com o argumento de que agora posso ver as alergias e voltar na minha médica, porque não to trabalhando.
E ela só falou isso porque eu to sem falar desde domingo. Aí ela se toca.

Outra coisa que me intrigou, até chateou – também não sei por quê; as pessoas não tem a menor obrigação de te entender – foi uma amiga, mega amiga, tipo uma das melhores, me desejar melhoras “seja lá no que fosse”, ou algo do gênero. Parece que a pessoa tá alheia ao que você passa.(aliás, posso nem reclamar de uma das pouquíssimas pessoas que continuam de alguma forma presente na minha vida porque  o resto tá nem aí).
E eu não posso me chatear porque né, um dos motivos de não estar procurando tratamento é que eu mesma sou super mal resolvida com isso e não aceito bem. Então porque as pessoas deveriam? Mas também, quando eu falo que não to bem, que to deprimida e passando por uma crise, parece falso porque – acho eu – na visão dos outros – deprimido não sabe que tá deprimido. Então eu passo por dramática.
É o que eu acho que os outros acham, na verdade.

É chato porque eu não tenho que fazer ninguém acreditar em mim. Nem mãe, nem amigo, nem empregador, nem namorado (o suposto ex também não entendia e ainda achava que era falta de força de vontade pra ficar feliz. ¬¬). Nem ninguém.
Mas ao mesmo tempo, é mega triste você viver sabendo que não tem com quem contar. Simples assim. As amigas não entendem, a mãe acha que é passageiro.
E o que EU acho? Acho uma merda, um fim de carreira sem fim.
Mas o que eu acho ou deixo de achar também não muda o mundo. Eu só faço refletir sobre isso com um certo desconcerto de alma, numa decepção de hoje saber que o mundo não mudou.

Me resta somente minhas noites intermináveis, minha fama de dramática, minhas poucas palavras pronunciadas. Uma mente quieta. Não me darei mais ao trabalho de me surpreender com obviedades.

“Se ela me deixou a dor,
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor”

Tópicos Sobre Nada

  • Confesso que tem algumas idéias que eu poderia colocar como planos pra 2010 que me agradam muito. Confesso também que foi um momento de sugestão que meu próprio e humilde blog deu, quando parei pra ler coisas de um ano e meio atrás.
    Só que eu preciso ser realista e nessa realidade, o custo é muito alto prum benefício que muito provavelmente não venha por motivos já expostos a mim.

    Então… pensei em tentar Mestrado de novo. Tá que eu penso nessas coisas na alta madrugada, num momento meio surtação. Mas mesmo que não fosse, mestrado só em facul pública e pra isso, só tendo estudado nelas, o que não foi o meu caso. Então esse plano se torna meidiota né? Gastar uns mil reais em livros pra fatalmente não passar não é lá minha praia.

    Engraçado… começo a escrever e vejo que é mais absurdo do que eu imaginava! Eu não tenho perfil de estudante de Mestrado! Tá que pra mim, hoje e ontem e mês passado, eu não tenho pefil de nada. Pras dezenas de empregadores que relaram a mão no meu currículum pra sub-empregos, eu também não tenho perfil. Então, né. Pra quê forçar a barra. Deixa quieto.

  • Hoje dormi o dia todo. Fui dormir às 4, acordei 14, almocei e dormi de novo, até as 19:30. Daí minha mãe veio cá no meu quarto fazer uma social de meio minuto e queria saber do meu carnaval. Minha avó quer ir pra Atibaia, num acampamento que tem lá. A velhinha comprou pacote pra família inteira e todo mundo tá trabalhando. Menos eu, que não quero. E minha mãe já avisou que vai viajar. Então sobra pra mim. Eu meio que disse que não tava afim, que poderia arranjar um emprego nesse meio tempo e tals. Mas com ou sem emprego, eu não to afim de ir. Minha mãe pergunta se vou ficar em casa e só tenho a lamentar e dizer que sim.

  • Resolvi procurar uma receita de Risoto. Estamos com uns 2 pacotes fechados de arroz arbóreo e minha veia de chef diz pra que eu faça um risoto. Juro que fiquei bem irritada, porque aquele arroz de forno ocm sobra de frango, arroz, milho e ervilha era o campeão das buscas! Tem um site de receitas que fui olhar e 30% falava em risoto com arroz adequado. Chama de arroz de forno né? Por favor.

    Mas achei uma boa receita. De alho poró, o que é bom porque aí posso escolher uma carne pra acompanhar. Veremos.


A Bruxa

(Carlos Drummond de Andrade)

Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida ao meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.

De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto…
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse neste minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e clama.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.