Domingo, 18:38. Eu cogitei ir à igreja, mas a preguiça, pecaminosamente, toma conta do meu corpo. Culpa do calor também, que não dá refresco.

Dezembro está à porta. Os dias passam correndo, as semanas somem do calendário. Dezembro está à porta, de fato. E aí começam os rituais. Os meus, os seus, os nossos. Os meus, de odiar essa época de gente feliz mentindo pras crianças e falando que Papai Noel existe; de não querer VIVER o mês, porque apesar de gostar e entender o significado do Natal, não gosto de todo o processo; de não gostar de virar o ano, seja da forma que o faço ou pelo simples fato de ter de fazê-lo.
Aí começam as correrias de compra de comida, presente, roupa pra virar ano/passar Natal. Vira a estação – se bem que no calor que tá fazendo, to pedindo a Deus que o verão fique só no nome, já tá quente DEMAIS – e todo mundo assa, todo mundo reclama, todo mundo passa mal.

De fato prefiro o começo do ano.

Mas estranhamente estou gostando desse fim de ano. Estou trabalhando ainda. Nem de muito longe é o emprego dos sonhos, o emprego ideal, mas por hora é o que tenho. E pelo menos eu distraio. Pelo menos me dá vontade de voltar a estudar. Não sei exatamente quando ou como vou começar mas é um passo; preciso sair desse marasmo.
Estou gostando de como estou. Ainda há muito o que consertar e é mesmo preciso voltar pros meus hábitos terapêuticos, que, acredito eu, irão dar um up no quesito voltar a estudar. Mas há um quê de leveza, algo de mim que tinha ficado pelo caminho há uns 2 anos atrás, quando minha vida degringolou.
Estou feliz. Pelo momento, pela vida, pelo que ando atraindo pra mesma. Estou feliz de me sentir um tanto feliz. Confesso que tem gente cooperando pra essa felicidade. E que mesmo tão diferente, me faz tão bem. Bem comigo, bem com quem sou. E bem eu fico quando com ele. Mesmo quando levo esporro, hehe.
É, to feliz.
Durmo sorrindo.
Acordo ansiosa.
Sonho com ele. Com a gente, com o que está acontecendo. Simplesmente sonho.

Tirando isso, tem sido também um tanto marcante, esses últimos tempos; tem muita coisa acontecendo que deixa claro a necessidade de redirecionamento da minha vida. Tem coisas que saturam, relacionamentos que não dão certo do jeito que são. E isso não ajuda muito pra paz plena, pra minha serenidade e sanidade mental, hehehe!

Não tenho muito o que falar,só queria falar. Ainda tem muito mais a dizer – afinal eu SEMPRE tenho o que dizer – mas algumas coisas são necessárias pra que isso aconteça. Muito medo e receio, porque elas dependem de mim também…

Deixando tudo isso de lado, vou ali tomar o resto do sorvete da casa porque ó, to derretendo.
Compartilho da minha felicidade depois.

 

post scriptum: 4,500 visitantes! lindo isso! Thanks and come back!!

A Arte de (Con)Viver…

Cada dia tem sido mais difícil (con)viver. Não por falta de habilidade, pelo contrário. mas por falta de SACO.
Esse meu empreguinho meia boca pode não servir de muito, mas pra uma coisa serviu: aprender a engolir sapo na boa. Ter paciência, e muita paciência com gente idiota – mals aê mas elas realmente existem – controlar minha personalidade, segurar minha língua… Uma escola de vida, praticamente, hehehe!

Tenho aprendido e muito sobre isso de viver, de ser, de obedecer. Fácil realmente não é. mas olha, um exercício. Já são mais de 45 dias (yay, passei pelo 1º corte!) e até da minha chefe eu comecei a sentir um certo apreço. Melhor, não a odeio mais. Ta aí a arte de saber lidar com as pessoas.
E mesmo assim, aprendendo a lidar com as pessoas – e muitas vezes me dando bem com pessoas que muita gente odeia e ainda escutar que eu gosto de todo mundo – tem muita, mas muita coisa que simplesmente não engulo.
Mas só voltando rapidinho na história de eu “gostar de todo mundo”, realmente não sei porque disseram isso. Eu sou a primeira pessoa a apontar na cara alheia, por mais que resista, sempre tenho algo a falar sobre alguém.

Bom. O que acontece. Você aprende a ser um ser humano adaptável, amadurece, aprende a amar/gostar/suportar as pessoas como elas são. Mas o inverso nem sempre é verdadeiro. As pessoas não fazem A MENOR QUESTÃO de ceder a parte que lhes cabe pra entender o outro. Porque é muito mais fácil meter o pé na porta e falar: “eu sou assim, não adianta, vai ter que me engolir”.
Mas, ei! Não tem essa não. Engolir por que?!? A vida é tão preciosa pra perder tempo com coisas pequenas, mesquinhas, de pouca importância. E se tem uma coisa certa na vida – além de nascer e morrer – é podermos e devermos escolher com quem andamos, falamos, convivemos. E de certa forma, eu me deixo conviver com qualquer um, basta me tratar com decência.
Só que tem uma coisa que venho aprendendo nos últimos tempos, graças à minha terapeuta (or NOT) que é me valorizar como pessoa mesmo. Por que então, gastar minhas energias com nego que só faz pisar, me colocar pra escanteio… aí não dá. E me deixa a opção de simplesmente não querer mais ficar perto. De negatividade já basta minha essência e de chatice, já basta a vida e suas complexidades. Ninguém precisa disso. Eu não preciso disso, você também não.

O que me prende muito é meu apego às pessoas que conheço. Pode ter certeza que o dia que eu sair desse emprego que de certa forma tanto desprezo, vou ficar mal. Não porque é meu sonho morrer ali, mas porque me apego mesmo às pessoas, às situações. E esse desapego nunca foi uma das minhas melhores habilidades.
Mas sabe também o que venho aprendendo? A vida é preciosa demais pra se perder energia com coisa pequena. Não que as pessoas sejam pequenas, mas elas incorporam essa pequeneza e perdem taaanto o valor. É triste.

Sei que sou difícil, cheia de complexidades, com milhões e milhões de efeitos. mas mesmo com essas bizarrices, tenho meu limite. Minhas loucuras eu guardo pra minha mente louca e incessante no pensar cada dia mais.
E vou me adaptando ao mundo, porque aqui é um exercício constante de convivência e a seleção natural te prepara pro futuro.

Não to aqui pra apontar dedos, ou pra especificar o direcionamento desse texto. É só um desabafo de alguém que vem aprendendo tanto a lidar com os outros que não consegue aprender a lidar com dificuldade, e muitas vezes recusa, dos outros em lidar com o mundo. Tampouco entender como tem gente que vive bem e feliz sendo tão inconveniente à vida alheia.

Updating…

Tem tanta coisa acontecendo na minha vida que quando resolvo escrever já aconteceram outras e parece que tudo se torna muito velho.

Mas é velho pra mim, não pra quem lê. Mas ao mesmo tempo, passa rápido e muda rápido. Então vira assunto velho mesmo!

O que posso dizer hoje, por exemplo é que to podre de cansada. Arranjei um trabalho – que só não chamo de ingrato porque é ser mto mal agradecida com as ínfimas oportunidades que Deus deu – que me faz acordar às 6 da manhã de 2ª à sábado. Aí, como eu realmente quero coisa melhor pra mim, preciso chegar em casa e fazer várias atividades relacionadas a uns processos seletivos que estou participando.

Aí hoje, sábado, eu doidinha pra fazer um programa inusitado e relaxar com amiguinhos, descubro que preciso pastar em casa pra terminar um trabalho ‘bacana’ com um pessoal que não conheço e que não me conhece pra passar pra próxima fase do processo seletivo.

Além disso, preciso ir ao médico. Tenho tido o desprazer de sentir dores no estômago entre outras coisas relacionadas todo santo dia. É ruim,viu. Tô quase me acostumando a tomar Plasil, comer banana amassada de manhã e me alimentar pouquíssimas vezes ao dia, sem poder nem dar-me ao luxo de comer o que gosto, por exemplo.

Por hora é isso.

Poderia ficar parágrafos reclamando de muitas coisas tipo Olimpíada no Rio, minha preguiça em migrar pro pacote Office 2007 e instalar meu roteador, meu quarto que tá zoneado e tudo mais… mas vamos com calma. Estou voltando e assustar geral não é bacana. Tenho poucos visitantes e pretendo mantê-los!!!

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Now playing: Lulu Santos – Condição
via FoxyTunes

Eu juro que não é falta de vontade. Mas convenhamos quando não se faz nada, tem-se nada sobre o qual escrever. Acredito que nunca passei por um período tão tedioso na minha vida. E olha, tédio é um tema recorrente, viu. Mas tem sido realmente muito pior do que tudo que já vivi.
Vejamos…
Se eu parasse pra me perguntar o que rolou na minha vida nas últimas semanas. Checa só:
  • Visitei meu antigo estágio. Tive que inventar estar vivendo um ano sabático pra não me sentir uma merda com gente que já passou em pelo menos 2 concursos na vida. Sem contar que a média de idade é de uns 35 anos no máximo.
  • Não faço minha sobrancelha desde julho.
  • Minhas caminhadas, que estava tentando fazer um hábito – mesmo não conseguindo caminhar todos os dias – estão em stand by há 10 dias.
  • Minhas trancinhas estão terríveis. E nem vontade de fazê-las de novo eu tenho tido.
  • O auge dos últimos dias foi assistir ao Grand Prix de vôlei feminino na madrugada.
  • Viciei em Freecell (meu, quem vicia nesse jogo?!?)
  • To há mais de 1 semana pra fazer arroz integral pra mim, pra melhorar minha dieta e simplesmente não faço por preguiça.
  • Acordar cedo significa ir ao apartamento novo e voltar pra casa.
  • Não paro nem pra ver filmes.
  • Não estou lendo nada. Minto, terminei de ler um livro em PDF, meu primeiro. Graças ao Bertolo, meu notebook.
  • A maior indagação dos últimos dias é o que significa “remédio de venda livre”
  • Viciei em Máfia Wars, Farmville e conheci um jogo novo, de digitação. Maldito facebook.
  • Tem mais de mês que não vou à terapia. Tem 7 dias que meu remédio ficou pronto e só os tomei uns 3 dias, tops.
Assim, eu poderia continuar eternamente listando um monte de coisas que poderia/deveria fazer e não faço. Mas estou com preguiça de viver. E quanto mais eu não tenho o que fazer e nem um pouco de rotina – não muita, peloamordeDeus – creio que vou continuar assim.
Até acho que muito disso tem a ver com o fato de que estou os poucos abandonando minha terapia e meu tratamento e sei que isso não é saudável pra mim. Como não tenho pensado muito, não tenho parado pra pensar em mim ou em coisas que precisam ser resolvidas e tratadas.
Mas ó, não dá pra ficar dizendo isso ou aquilo. Eu simplesmente to com preguiça de viver. E quando eu paro pra ver as 799 comunidades de um desconhecido, além de outras coisinhas tão humilhantes quanto, vejo que o poço já chegou ao seu fundo há tempos, mas olha, passei dele também, como já disse.
Então… é por falta do que falar mesmo que não passo por aqui.
Porque se eu tratasse de assuntos interessantes, profundos e tal, de repente até teria do que falar. Mas não vou fazer do meu espaço um lugar pra ficar criticando o Governo ou coisa do tipo. Não é o objeto disso aqui. Pensando bem, poderia conseguir mais visitas, mas não, o dia que fizer disso uma profissão, talvez quem sabe…
Ou não. Mais provável que não.
Eu poderia enumerar os problemas que estão rodeando minha vida e dos meus amigos, doenças e etc, mas não quero compartilhar disso. Quem sabe, sabe. Quem não sabe, talvez não fique sabendo…
Então..
se alguém quiser me dar um emprego, um trabalho, um namorado, uma viagem pra Singapura… Estamos aí.
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Now playing: Roberta Sá – Eu Sambo Mesmo

via FoxyTunes

Devaneios De Uma Madrugada Qualquer

Tenho me sentido meio xiita. Não que eu vá sair por aí matando por conta das minhas convicções religiosas e políticas.

Confesso que sinceramente, não seria uma má idéia. Faria um serviço à comunidade, o povo seria mais feliz, poderia até rolar uma medalha de honra ao mérito. Mas não, não é disso que se trata.

Pensei em fazer uma tatuagem. Pensei em raspar a cabeça. Pensei em fugir de casa. Nada disso faz sentido por questões óbvias.

Fazer tatuagem requer dinheiro; não só dinheiro mas uma noção definida do que se quer tatuar. Sem contar que tatuagem na altura do campeonato seria mais do que simplesmente uma afronta à minha família. Dinheiro eu não tenho; na verdade tem até gente esperando por isso e simplesmente não tenho como cumprir com meus compromissos. Isso, dívidas, mas passemos adiante.

Eu não tenho muita certeza do que gostaria de tatuar. Certo, até teria, porque tenho 2 opções e 1 delas é certa. Mas tatuar aonde? Pode ser até na bunda, porque realmente não sei aonde. Já pensei nos lugares mais interessantes mas ao mesmo tempo não sei se seria realmente legal. Sem contar também, que por algum motivo babaca, acho que deveria fazer as tattoos como forma de pagamento a mim mesma por ter sido um bom ser humano. Ou por ter emagrecido. Ou porque quero ver a casa cair, sei lá.

E tem essa parte que é pior: minha mãe teria uma síncope o dia que me visse com um desenho no corpo. Ta, oi?!? Eu tenho 26 e meio, dane-se. Deveria ser assim mas meus 2 anos de terapia não fizeram o efeito desejado. Ainda.

Raspar a cabeça foi a coisa mais prática que pensei nos últimos dias. De uma criatividade do cacete e muito, mas muito audacioso da minha parte. Mas pensar na minha cabeça grande, alimentada pela serotonina que hoje me falta e sem cabelo, me faz pensar mais um pouco sobre o assunto. Por que raspar? Bem, pesa o seguinte: você não tem muita força pra existir, não nasceu com o cabelo maneiro e precisa tirar cerca de 300 tranças finas de hasta da sua cabeça e refazê-las. Do jeito que ta me dá vergonha mas não me movo pra tirar ou nem penso em marcar com as angolanas esquisitas no salão fuleiro. Cabelo ruim sofre mesmo. Nego reclama de meia dúzia de cacho bonito mas não sabe o que é cabelo crespo, de ‘afro-descendente’.

Sério, raspar a cabeça seria uma ótima solução, mas acho que pra achar emprego seria difícil. Só se eu mentisse dizendo que faço quimioterapia mas não brinco com câncer. Depois que eu nunca raspei a cabeça e não sei como meu cabelo cresceria. E ainda teria que explicar pra Deus e o mundo que tive um surto depressivo e achei que seria uma solução rápida pra pendência que não tava afim de resolver.

Fugir de casa é super 1990. Principalmente considerando o fato de que eu não sou mais nenhuma garotinha pra achar bacana sair por aí com uma sacola e achar que o policial da 19ª teria pena de mim e me traria pra casa após algumas horas achando que sou dona do mundo, das ruas e tudo mais. Depois rolaria um esporro básico, a família perguntando que merda preenche minha cabeça, minha mãe me culpando pelos problemas de saúde que outrora não tinha e por aí vai. Seriam semanas de inferno, mas oi, I’ve already been there.

Finalmente estou ficando com sono. Exatamente às 2:24 da manhã de 14 de agosto de 09. Meu corpo coça, passa Friends na Warner e amanhã quero acordar antes do meio-dia pra ver um programa de tv. Derrota define.

Aliás, derrota parece ser meu grito de guerra. E se pensar bem, derrota é goxtoso (sic) de falar. Rrrrrrrrrrrrrrrrrr. Não é qualquer pessoa que pode sair por aí dizendo essas coisas, mas eu tenho respaldo. Tenho cacife. E se posso me orgulhar de alguma coisa na vida, é de ser uma derrota. É a única coisa da qual posso me gabar, anyways.

Deixo esse post pra reflexão. Se você é uma derrota, junte-se a nós derrotados (fato de que você conhece alguém) e dê pulinhos de idiota derrotado!

Vou dormir pra continuar a amanhã. Cansei de tentar existir por hoje.

P.s.: eu postaria com mais freqüência, mas a falta de vida me limita um pouco. E pra reclamar dos fatos básicos de todo dia tem o Twitter. Porque nada melhor do que reclamar em 140 caracteres.

É Preciso Saber Viver II

Venho indagando como fazer as coisas fluírem na minha vida. Eu sempre penso, penso, penso. Alias, só faço pensar.

No caminho para cá me peguei pensando em um monte de coisas que aconteceram ontem, hoje e em muitas coisas que aconteceram no passado.

Descobri, sem querer, que o emprego que supostamente eu queria não vou conseguir por um erro involuntário meu. “Supostamente” porque acredito que meu subconsciente tem um ultra poder de me dominar e o tal erro que cometi é a nítida constatação do mesmo quando, após 1 semana do dia que achava ter encaminhado o texto que me foi pedido, vi na pasta de e-mails enviados, e que até abri no decorrer da semana e nem relei os olhos neste em especial, que o endereço estava errado. E apesar de querer E precisar trabalhar, vez ou outra não compareço a entrevistas marcadas, tampouco entrego meu curriculum a empregos quase certos de conseguir.

Ontem também descobri que uma pessoa que sempre foi mais “letárgica” que eu, está num ciclo de evolução estrondoso. Começou o ano trabalhando, sempre procurando melhores propostas; acabou virando funcionária pública e como se não bastasse, está tentando ocupar o tempo que resta com algo que capitalize para conseguir a tão esperada independência e ir morar sozinha em 2 meses. Foi um choque e ao mesmo tempo uma boa surpresa; fiquei orgulhosa. O choque é muito maior, tem proporções terríveis em mim, por saber e conhecer bem quem a pessoa era e como se comportava. Claro que vários fatores contam contra mim e muitos a favor deste ser.

Vejo cada um à minha volta vivendo, se envolvendo em milhões de coisas, criando metas e planejando o futuro. Eu só sonho. Muito. Muito mais do que as pessoas possam imaginar. Sou uma eterna sonhadora, apesar de naturalmente ser pessimista; é meio dicotômico, mas é assim. Porque sonhar sabendo ou achando que nada vai dar certo me coloca de novo no ponto de partida, de onde pareço nunca ter saído.

Pra dizer que nunca “agi, agindo”, “fiz fazendo”, houve uma época em que nada importava muito. Não tinha medo, não tinha dúvidas avassaladores e muito menos uma variedade de análises pra comprar uma maça fuji ou gala. Vivia de um jeito louco a meu ver, fruto das companhias que tinha; fruto de uma vida de repressão e proibições. Literalmente não tava nem aí pra mim, pra você, pra muita coisa. Mas vivia. Saía e me divertia. Curtia aquele momento como único e em momento algum criava hipóteses mirabolantes para não sair de casa. Se eu tivesse parado pra avaliar o que eu fazia naquela época, veria o quão vazia tudo parecia… Mas foi bom.

Esse gap não durou muito. Mas foi bom, me rendeu histórias, “escureceu” meu passado e alguns podres que eu talvez vá contar aos meus filhos.

E hoje, ao passar por uma senhora com câncer, de lenço na cabeça, fiquei a pensar do que seria de mim na mesma situação. Inflei o peito e pensei que no lugar dela eu aproveitaria cada minuto da incerta vida que me restara. E com muito pesar, muita tristeza, lembrei da Juliana. Já se fizeram 6 anos desde o seu falecimento por conta essa maldita doença. E lembro que apesar de tudo, de tantas marés contra ela, Juliana era intensa. Até os últimos dias ela aproveitou o que pôde e sempre me dizia que o lance era curtir a vida porque do amanhã só Deus sabe. E assim ela se foi. De uma ótima conversa numa 5ª-feira à noite a um domingo triste quando ela se foi. Mas tenho certeza de que ela não se arrependia do tempo que teve, das dúzias de namorados, das dezenas de lenços pra adornar a cabeça combinando com as roupas.

E eu? Eu escuto tantas pessoas, amigos, terapeutas me dizendo o mesmo, a todo tempo. E mesmo assim eu não consigo internalizar. Não consigo viver e para de pensar tanto. E me esforço, mas falho em 99% das tentativas.

A teoria que tiro disso tudo é que mesmo quando eu quero algo, pode até ser que eu vá lá e faça. Mas isso tudo é de uma efemeridade tamanha. Tem muito monstrinho dentro de mim, como um batalhão muito eficaz e eficiente, criando estratagemas e boicotes para não permitir que minhas esperanças de ser alguém melhor se concretize. E fico na esperança de daqui a 10 anos olhar pra trás e ver que pude mudar as coisas em tempo hábil, tempo de ainda ser realmente feliz, ser livre, de ainda ter tempo de viver.

Post Scriptum: o texto foi escrito na sala de espera de um hospital dia 21/07. Resolvi publicá-lo por estar dando voltar neste assunto



Ser, não sendo…

Cada dia que passa eu me sinto pior como ser humano. A cada dia que passa, eu canso de mim mesma e desejo simplesmente não existir mais. E o engraçado é que eu tento ser o melhor de mim e simplesmente falho a cada tentativa, no mínimo, por pura incapacidade de ser algo melhor do que a medíocre eu que sempre fui.

Não é conformismo e sim constatação. E engraçado é que sempre me senti medíocre como ser humano. Desses últimos não tão benditos dois anos que estou vivendo a mediocridade seria um puta elogio. Chegar à infeliz conclusão de que não ser feito pra viver não é pra qualquer um; só pra privilegiados, aqueles que nunca tiveram nada de realmente bom pra contar ou pra fazer; que nunca foram exemplares em algo; que nunca deram orgulho a ninguém; que nunca foram admirados por nada; que não fazem nada pra ninguém e nem pra si mesmos.

Há quem leia isso e simplesmente diga que eu tenho que agradecer a Deus por ter ‘saúde’ – remédios controlados e psiquiatra aos vinte e poucos anos não é lá o que chamaria de ser saudável –, um teto, familiares que aparentemente me toleram e amigos que, por algum milagre ou sentimento de pena, ainda querem ter contato comigo. Mas sabe de uma coisa? É uma grande palhaçada. É ser mais medíocre do que os próprios medíocres, se contentar com a mediocridade de simplesmente SER. Convenhamos… quando ainda pequenos e nos perguntavam o que gostaríamos de ser quando crescêssemos, por mais simples ou banal que fosse a profissão na visão do ouvinte, desejávamos que aquilo fosse ser importante pra alguém. Todo mundo, de certa forma, procura o sucesso. E esse sucesso não está simplesmente relacionado com profissão ou com notoriedade. É sucesso em SER. Então, como achar que só o fato de respirar e ter pernas funcionais, olhos que enxergam, braços que se movem e voz pra reclamar são suficientes? Não digo que não sou grata pelo que sou e tenho, mas insatisfação faz parte. E no meu caso, grande parte da minha vida e de tudo que me envolvo é simplesmente podre, dispensável, numa linha abaixo da mediocridade. Medíocre pra mim é sinônimo de sucesso, hoje. Parece um abalroado de palavras ridículas e melodramáticas, mas é a mais pura sensação que aflige meu ser a cada processo de inspirar e expirar.

Meus dias são assim: eu acordo e me pergunto: “Por que mais um dia?” E vou fazer o que devo; coisas banais e tudo que vem aparecendo no caminho. No final do dia, inevitavelmente, eu acabo decepcionando alguém. Ou aborrecendo. Ou deixando na mão. Eu sou daquelas pessoas que você NÃO pode contar. E não é que eu não queira ser diferente, mas como já disse, por mais que eu tente, nunca consigo sair disso que sou. Estou exagerando? Não. Sendo bem flexível, dia sim dia não, algo de mim, enche, aborrece, entristece, estressa alguém além de mim.

Eu mesma já estou de saco cheio. E Deus sabe disso. E aí fico me perguntando cadê Ele que permite me viver dessa forma. Me leve daqui, ou me tire desse fundo de poço que parece cada vez mais longe da saída.

Dia como esse que tive hoje são um morde-assopra. Fazem parte daqueles que você acha que vai dar certo, e que nada está tão péssimo, só ruim e às vezes até razoavelmente bom… Mas no final tem um twist e tudo vira merda, tipo um Midas às avessas do século XXI(whatever, joga no Google).

Eu sou completamente desajustada e todos os meus anseios e vontades são banidos por mim, pelos outros e pela sociedade. Tudo aquilo que me daria prazer é completamente limado da minha vida. E a cada dia, a cada tentativa de ser melhor, eu consigo piorar e deixar pessoas na mão, criar falsas expectativas. Tento controlar minha ansiedade, minha óbvia depressão e minha personalidade forte pra que não seja tão ruim quanto pensam, calo-me quando minha vontade é jogar merda no ventilador e faço um grande exercício de pensar em coisas boas, tipo algodão doce, Gerard Butler, chá de morango. Até sub-emprego estou à procura. E aceitando propostas que, sinceramente, por pior que eu seja, está muito abaixo daquilo que eu sei que seria justo pra mim. Só pra tentar viver, tentar não ser tão ruim aos olhos dos outros, tentar ser útil mesmo que de forma cu, tentar chegar em algum lugar.

Porque o pior é chegar onde estou: vendo todo mundo resolvendo resolver a própria vida, acordando e cantando “Morning’s Here”, olhando pro céu e vendo que aquela manhã é o novo começo de novas tentativas e antigas pendências e eu acordando sem querer acordar, falando sem querer falar, convivendo sem capacidade para tal e vivendo sem a menor vontade de viver.

Eu reclamo muito? Talvez.

Mas primeiro, antes de falar, troque de lugar comigo por uma semana. Fique sendo eu, tendo que lembrar de remédios essenciais – e não vitaminas bacaninhas para o corpo – de todo dia, se preocupar com uma cólica ou dor de cabeça e que com outros remédios só acumulam, piorando uma dor de estômago que cultivo há certo tempo. E sinceramente nem quero procurar saber o que é porque não quero mais remédios.

Fique no meu lugar e passe o dia sem motivação pra levantar e fazer as atividades normais, como tomar café, tomar banho, arrumar um armário, ler um livro.

Passe uma semana na minha pele e sinta falta de vontade – não só preguiça por si só – de viver; ter que sorrir quando se quer chorar: sorriso falso é mais aceito do que um choro sincero. Viver com repreensões ‘surpresa’ sobre coisas banais, mas que tem um efeito catastrófico sobre quem sou hoje. Não ter vontade e até sentir repulsa em estudar, mesmo sabendo que aquilo ali é a porta da esperança para dias melhores, liberdade, realizações, um passo largo a frente, uma injeção de esperança, de futuro garantido…

E, como disse a uma amiga esta semana que passou: “no que me apoiar?” Cadê aquele ponto positivo que todo mundo tem na vida pra achar que outras áreas podem rolar, melhorar, chegar a algum lugar? Não consigo melhorar dessa maldita doença; pelo contrário, estou me tornando tudo que sempre critiquei. Não tenho alguém que me ame e, sinceramente, não vou  ou mereço ter esse alguém; porque ninguém gosta de gente mau humorada ou triste ou chorosa, ou que nem levante da cama. E pior, sem auto-estima. Não tenho como exercer minha profissão, que por mais árduo que seja o mercado de trabalho, eu estava disposta a tentar, mas eu não tenho carteira. Mesmo tendo tentado com tudo que tinha e como pude. Pessoas que se formaram depois de mim já têm, mas eu não. E como não se sentir inferior?

Não posso ou mesmo consigo, encarar outra faculdade neste momento. O que quero requer de mim um conhecimento que não tenho mais, que demoraria certo tempo e despenderia dinheiro para consegui-lo. Mas não tenho emprego e nem 17 anos pra achar normal pedir pra família bancar. Esta que deveria ser minha base, meu ponto de apoio, é a raiz de muitos aborrecimentos e acaba sendo fruto de tristezas pra todas as partes envolvidas.

Como já disse, concursos requerem estudo e simplesmente falta-me forçar para tal.

Minha última – e ironicamente a primeira – opção, seria viajar. Ver outras coisas, viver novas experiências. Mas pras condições financeiras da minha família atualmente, isto seria um luxo que não se pode bancar. Pelo menos até onde eu saiba. O único lugar pra onde poderia viajar é onde realmente poderia me jogar pela janela sem pensar duas vezes.

Minha vida não é fácil. E não digo que todos têm vidas fáceis. Mas as pessoas se realizam de alguma forma. Seja conquistando algo que querem, ou tendo um suporte familiar ou de um alguém especial; a realização da profissão dos seus sonhos; ou mesmo o exercício daquilo que foi estudado na fase mais marcante da nossa vida. Algumas das coisas que me dariam certo prazer ou estão financeiramente inviáveis ou eu simplesmente não tenho condições de usufruir por tudo que sou hoje. Não sou confiável, não consigo ser responsável. Se com momentos de lazer eu deixo pessoas na mão, em situações que requerem compromisso, não posso mais fazê-lo com a certeza de que estarei 100% capaz de verdadeiramente me comprometer. E não é por não querer, é por simplesmente não conseguir, repito. Vivo com uma força negativa muito mais forte do que eu gostaria que fosse; com um (sub)consciente muito mais doente que o da maioria; com uma esperança que não existe. Eu finjo ou tento me convencer de que esta ainda tenho, mas a cada dia, a cada tropeço dos vários que tenho diariamente, é como se fosse um estalo me dizendo pra acordar, porque dias melhores só em sonhos mesmo.

E, quando eu era nova, meus sonhos eram o que me faziam acordar todo dia. Hoje, só acordo porque o sono acaba. Os sonhos? Estes já acabaram. E a mim resta ser do jeito que sou; e não SER como todos os outros estão e/ou pior, que esperam de mim.

É Preciso Saber Viver…

“É preciso ter cuidado, pra mais tarde não sofrer. É preciso saber viver.”

Essa música é linda. Aliás, como já disse algumas vezes, as músicas do Roberto Carlos são muito boas, se não fosse ele cantando.

Mas não é por causa do Roberto Carlos que eu resolvi escrever. É por causa do “é preciso saber viver”. Eu não sei. Não que eu não viva, dã. Mas eu não vivo. Eu respiro, ando, como, tomo banho, faço tudo que todo mundo faz. Mas não faço tudo que todo mundo faz. Umas coisas não faço por questões óbvias, morais e éticas. Mas não faço o que uma pessoa normal faria, não aproveito a idade e a vida que tenho.

Semana passada, entre milhões de dilemas que estava passando, me meti em outros dilemas totalmente dispensáveis por conta dessa minha falta de habilidade em viver. Demorei maus de uma hora pra perceber que eu não precisava analisar tantos prós e contras pra sair numa sexta-feira à noite.

Eu analiso tudo. Até se vale a pena colocar o pé na rua porque talvez chova e eu não tenho pretensão de levar guarda-chuva. Eu analiso o que pode vir a acontecer se outra coisa vier acontecer no meio. E analiso mais ainda se vale ou não ir ou não, com quem eu vá ou não, se eu for. Ou não.

Simplesmente não sei acordar, olhar pro céu, colocar uma lista de coisas pra fazer no bolso e lidar com as conseqüências dos imprevistos se estes existirem. Mas simplesmente não sei.

Engraçado é que sempre fui assim. Desde quando me lembro ser um ser pensante. Lembro que minha 2ª picada de abelha (foram 3 na infância e 1 este ano que quase me arrancou o braço), ainda com uns 8 anos, eu tinha pensado se valia a pena ir pra piscina, onde todos estavam porque sabia que havia abelhas na borda e poderia ser picada. Ou não. Acabei indo. E sendo picada. Talvez a minha preocupação com tudo que eu tinha previsto tenha levado a bendita abelha ao encontro das minhas coxas – gostosas na época – para um ultimo ato em vida.

Nesta semana que passou, por muito tempo fiquei criando situações e problemáticas inexistentes pra justificar meu medo de sair (coisa que na verdade é outro assunto e renderia muito). Minha amiga, sabe-se lá como ou porquê, tentava me mostrar o quão absurda eram minhas teorias, sobre coisas que não faziam o menor sentido. E que se eu fosse parar pra pensar em tudo, tudo mesmo, não sairia de casa, porque não tenho certeza de que voltarei. Confesso que nessa hora quase congelei e pensei seriamente no assunto, hehehe!

Se não fosse ela me mostrando tudo isso, não teria ido a um lugar perfeito, tido uma noite perfeita, com pessoas ótimas, conhecido outras pessoas ótimas, me divertido muito, vivenciado um momento louco tipo cena de filme… Não teria nem ganhado uma maçã da feirante às 4:30 da manhã enquanto uma amiga fazia xixi atrás de outra barraca. Nada disso teria acontecido se eu tivesse levado à cabo todas as minhas neuras e loucas indagações.

A mesma coisa são meus casos amorosos. Vai fazer 1 ano que conheci uma pessoa. Saímos poucas vezes e da última vez pra cá, como não podia deixar de ser, comecei a indagar se valia a pena ‘gastar meu tempo’ tentando descobrir se essa relação, seja lá o que ela for, vale a pena. Por que não deixar as coisas acontecerem? Por que ficar me perguntando se vai ou não dar certo? Por que não curtir aquele momento, que normalmente é tão bom? Mas essa coisa de “e se…”, “mas e se não…”, “mas e se sim…” Eu consigo me achar irritante, mas não consigo não ser assim.

Eu estava na minha sessão e terapia, local que não ia há uns 3 meses e no meio da sessão escuto exatamente tudo que minha amiga havia me dito. E só me disse a coisa mais óbvia: “Por que você simplesmente não vive? Não deixa as coisas fluírem?” E eu não tive resposta, porque até pra isso eu paro pra pensar como é essa coisa de deixar a vida me levar.

Se resolvo ler um livro penso se vale a pena ou não começar por conta do tempo, se eu vou ou não gostar da história, se vou demorar pra terminar, se tem outros que poderiam ser mais interessantes.. Ninguém que chega nesse ponto é normal.

Estou num sábado à noite, me chamaram pra sair e mesmo sem dinheiro iriam me bancar. Quem recusa? Eu. Porque aí fico pensando se acontecer algo no meio do caminho, se vale a pena reencontrar pessoas loucas.

Estou no meio de uma nova crise. Porque sempre tenho muitas e apesar de ser mulher e todas serem neuróticas, eu consigo ser pior que a vasta maioria delas. Eu preciso de instruções pra viver, o que é a coisa mais absurda que um ser humano comum posa falar. Mas eu não sei viver. E quanto mais o tempo passa, mais penso no quanto tanto pensamento tem me levado a lugar nenhum.

E ao invés de tocar a vida, fazer tudo o que devo – e até o que não devo – fico sentada analisando a situação em que me encontro.

Aí, voltando ao trecho da música, é preciso mesmo ter cuidado. Mas eu tenho cuidado demais. Cuidado tipo mãe coruja que não deixa o filho ir pra praia sem tudo quanto é apetrecho de segurança e bloqueadores solares.

Isso não é vida. Mas não sei viver de outra maneira, por mais que eu realmente queira abraçar o mundo com meus braços gordeenhos e deixar o que tiver que acontecer, acontecer. Sem listas de prós, contras ou qualquer coisa do tipo. Pode ser que um dia eu aprenda. Pode ser que daqui a uma década eu leia tudo isso e diga a mim mesma: “Tá vendo? Eu te falei que era isso que ia acontecer”.

É e fato, preciso saber viver. Ou então perde-se os melhores anos da vida. E destes já perdi alguns.

É A Vida.

Fui aprendendo com a vida a não sair cofiando em tudo que me dizem. Infelizmente isso me tornou uma pessoa extremamente desconfiada da minha sombra, até. Na semana que antecedeu o dia dos namorados, conversei com uma pessoa que teve um acesso de verborragia e saiu falando pelos cotovelos tudo aquilo que qualquer mulher gostaria de escutar. Escutei, fui extremamente sincera em minhas opiniões [coisa que preciso controlar] e tentei levar tudo aquilo como meias verdades pra também não desvalorizar demais.

Passei uma semana, a mesma que passei com as crianças, com um ponto de interrogação no peito, sem saber bem o que pensar, o que sentir, como me portar e o que esperar disso tudo.

Dia 12 de junho. Dia dos Namorados. Nunca comemorei tampouco tive encontros. Mas desta vez foi diferente e lá estava eu colocando meus medos, neuras, desconfiômetro de lado pra me encontrar com alguém que aparentemente tinha mudado de discurso.

E sabe quando eu digo que não confio nas pessoas, nas palavras dos outros? Exatamente pelo que aconteceu naquele dia. Tudo, aquele papo todo não passou de papo furado, de conversa pra boi dormir e o infeliz não precisar passar o dia sozinho. Aproveitar? Lógico que aproveitei, tava ali, bora curtir.

E começou a semana. Como sou bobinha, boazinha, simpatiquinha, mandei um bom fim de semana, ao qual tive resposta. E só. Aquilo tudo ERA MESMO história pra boi dormir. E sabe o que chateia? Se tivesse usado de sinceridade, teríamos nos visto dia 12 da mesma forma. Ou não, sei lá. Mas pelo menos seria sinceridade. E isso eu prezo muito, mais do que muitas outras coisas.

Já faz quase 1 mês. E, tipo assim, temos telefone, orkut e msn. Não quis me procurar, beleza, mas agora querido, vaza. Objeto, por definição, é um ser inanimado e até onde eu to sabendo, sou classificada como ser humano.

Aquele ditado de “antes só do que mal acompanhada” ganha um novo significado quando você percebe – mesmo que demore – que é perda de tempo tentar acreditar em quem nunca passou honestidade nos olhos.

Pessoal e Intransferível.

Eu cismo. Mas não porque eu sou idiota, mas porque sou grande e minha boca acaba sendo proporcional. Eu falo muito. Muito mesmo. E quando tenho que falar muito, acabo falando muito pouco.

Na verdade falar não é um mal, mas falar o que não é necessário aos outros saberem, talvez seja prejudicial a você mesma.
Tenho sentido essa sensação de estar falando demais 90% do tempo que tenho falado. Porque a gente nunca sabe o que se passa na cabeça dos outros né? Mas na minha mente neurótica, só as piores coisas.
Sinceramente me preocupo demais com que os outros pensam de mim a ponto de sonhar ser capaz de ler mentes só pra me certificar que eu não sou tão chata quanto realmente acho que sou com meus problemas. Como diz um professor do meu curso: “ema, ema, ema…” e eu preciso aprender que meus problemas não são dos outros e não posso simplesmente dar uma de verborrágica e achar que tá tudo bem.

Até porque, tem uma coisa: nem todo mundo, melhor, ninguém te entende. E realmente, ninguém tem a menor obrigação de te entender além da sua terapeuta.
Aí você fica naquela: tem gente que vive em negação, ou você mesma resolve que finge que é normal pra quem vive por detrás das mesma porta que você. E pros outros é uma puta crise que não sara e só piora a cada dia.
Aí um dia você toma coragem e fala pra si mesma: “Eu preciso andar um caminho, só; vou buscar alguém que eu nem sei quem sou”. No final o medo e a covardia diante de tudo, de todos e de você mesma é tão grande que você volta pra casa pra dormir ao invés de ir pra orla sentir o vendo vindo do mar. Só que não tens culhões pra isso. Os transferi pra um outro alguém que ainda vive dentro de mim e que morre um pouco a cada dia.
Engraçado é que ‘esse alguém’ não era pra ser meu alterego. E acabou virando, junto a com a virada de mesa que minha vida deu logo em seguida. Um amigo meu brincava comigo no MSN dizendo que um dia era eu e no outro era esse outro alguém: um levava meu nome e o outro, o sobrenome. Não passou muito tempo pra aquilo que eu era virar o que eu gostaria de ser.

Eu não sei mesmo, se na cabeça das pessoas isso tudo não passa de um dramalhão mexicano. Porque ao mesmo tempo que tento reagir de coisas que realmente não consigo reagir, fico inerte no fundo da minha cama. E não é que eu não queira me ajudar, mas simplesmente não consigo. Será que alguém entende isso?

E paro por aqui, como diz o título, esse assunto é pessoal e intransferível. Ninguém faz parte disso, nem deve tomar pra si. E ninguém toma mesmo, porque além de não fazer o menor sentido, consome a alma de qualquer um.
E de hoje, vou começar a guardar na alma aquilo que a ninguém interessa. Minha vida, normalmente, já é chata o suficiente e as pessoas já têm problemas suficientes pra aguentar alguém buzinando em seu ouvido.

E se sou fraca e não luto contra isso? Sim, muito. Mas nunca me fiz de forte pra enganar ninguém. Sou tão fraca que preciso dos outros pra me ‘alavancar’. Não será mais assim. Serei eu, comigo mesma, nome e sobrenome. Eu por completo e meus problemas pessoais e intransferíveis.

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