É A Vida.

Fui aprendendo com a vida a não sair cofiando em tudo que me dizem. Infelizmente isso me tornou uma pessoa extremamente desconfiada da minha sombra, até. Na semana que antecedeu o dia dos namorados, conversei com uma pessoa que teve um acesso de verborragia e saiu falando pelos cotovelos tudo aquilo que qualquer mulher gostaria de escutar. Escutei, fui extremamente sincera em minhas opiniões [coisa que preciso controlar] e tentei levar tudo aquilo como meias verdades pra também não desvalorizar demais.

Passei uma semana, a mesma que passei com as crianças, com um ponto de interrogação no peito, sem saber bem o que pensar, o que sentir, como me portar e o que esperar disso tudo.

Dia 12 de junho. Dia dos Namorados. Nunca comemorei tampouco tive encontros. Mas desta vez foi diferente e lá estava eu colocando meus medos, neuras, desconfiômetro de lado pra me encontrar com alguém que aparentemente tinha mudado de discurso.

E sabe quando eu digo que não confio nas pessoas, nas palavras dos outros? Exatamente pelo que aconteceu naquele dia. Tudo, aquele papo todo não passou de papo furado, de conversa pra boi dormir e o infeliz não precisar passar o dia sozinho. Aproveitar? Lógico que aproveitei, tava ali, bora curtir.

E começou a semana. Como sou bobinha, boazinha, simpatiquinha, mandei um bom fim de semana, ao qual tive resposta. E só. Aquilo tudo ERA MESMO história pra boi dormir. E sabe o que chateia? Se tivesse usado de sinceridade, teríamos nos visto dia 12 da mesma forma. Ou não, sei lá. Mas pelo menos seria sinceridade. E isso eu prezo muito, mais do que muitas outras coisas.

Já faz quase 1 mês. E, tipo assim, temos telefone, orkut e msn. Não quis me procurar, beleza, mas agora querido, vaza. Objeto, por definição, é um ser inanimado e até onde eu to sabendo, sou classificada como ser humano.

Aquele ditado de “antes só do que mal acompanhada” ganha um novo significado quando você percebe – mesmo que demore – que é perda de tempo tentar acreditar em quem nunca passou honestidade nos olhos.

Pessoal e Intransferível.

Eu cismo. Mas não porque eu sou idiota, mas porque sou grande e minha boca acaba sendo proporcional. Eu falo muito. Muito mesmo. E quando tenho que falar muito, acabo falando muito pouco.

Na verdade falar não é um mal, mas falar o que não é necessário aos outros saberem, talvez seja prejudicial a você mesma.
Tenho sentido essa sensação de estar falando demais 90% do tempo que tenho falado. Porque a gente nunca sabe o que se passa na cabeça dos outros né? Mas na minha mente neurótica, só as piores coisas.
Sinceramente me preocupo demais com que os outros pensam de mim a ponto de sonhar ser capaz de ler mentes só pra me certificar que eu não sou tão chata quanto realmente acho que sou com meus problemas. Como diz um professor do meu curso: “ema, ema, ema…” e eu preciso aprender que meus problemas não são dos outros e não posso simplesmente dar uma de verborrágica e achar que tá tudo bem.

Até porque, tem uma coisa: nem todo mundo, melhor, ninguém te entende. E realmente, ninguém tem a menor obrigação de te entender além da sua terapeuta.
Aí você fica naquela: tem gente que vive em negação, ou você mesma resolve que finge que é normal pra quem vive por detrás das mesma porta que você. E pros outros é uma puta crise que não sara e só piora a cada dia.
Aí um dia você toma coragem e fala pra si mesma: “Eu preciso andar um caminho, só; vou buscar alguém que eu nem sei quem sou”. No final o medo e a covardia diante de tudo, de todos e de você mesma é tão grande que você volta pra casa pra dormir ao invés de ir pra orla sentir o vendo vindo do mar. Só que não tens culhões pra isso. Os transferi pra um outro alguém que ainda vive dentro de mim e que morre um pouco a cada dia.
Engraçado é que ‘esse alguém’ não era pra ser meu alterego. E acabou virando, junto a com a virada de mesa que minha vida deu logo em seguida. Um amigo meu brincava comigo no MSN dizendo que um dia era eu e no outro era esse outro alguém: um levava meu nome e o outro, o sobrenome. Não passou muito tempo pra aquilo que eu era virar o que eu gostaria de ser.

Eu não sei mesmo, se na cabeça das pessoas isso tudo não passa de um dramalhão mexicano. Porque ao mesmo tempo que tento reagir de coisas que realmente não consigo reagir, fico inerte no fundo da minha cama. E não é que eu não queira me ajudar, mas simplesmente não consigo. Será que alguém entende isso?

E paro por aqui, como diz o título, esse assunto é pessoal e intransferível. Ninguém faz parte disso, nem deve tomar pra si. E ninguém toma mesmo, porque além de não fazer o menor sentido, consome a alma de qualquer um.
E de hoje, vou começar a guardar na alma aquilo que a ninguém interessa. Minha vida, normalmente, já é chata o suficiente e as pessoas já têm problemas suficientes pra aguentar alguém buzinando em seu ouvido.

E se sou fraca e não luto contra isso? Sim, muito. Mas nunca me fiz de forte pra enganar ninguém. Sou tão fraca que preciso dos outros pra me ‘alavancar’. Não será mais assim. Serei eu, comigo mesma, nome e sobrenome. Eu por completo e meus problemas pessoais e intransferíveis.

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Now playing: Los Hermanos – Tá Bom
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Sem tomar partido…

Esse post tem tudo pra ser tachado de hipócrita. Mas digo, essa política brasileira me irrita, me cansa. E sabe o que me cansa mais? Ver um bando de gente se revoltando com tudo, com toda a corrupção, com os políticos levando nosso dinheiro e construindo/comprando castelos. Eu devia achar bom, não? Pois é, mas revolta passiva não muda nada.
Eu? Eu não me meto. Porque sou apolítica, se é que a palavra existe. E não é que eu não me preocupe com o futuro do meu país, com o que fazem com o dinheiro dos impostos que pago. Mas sei que eu não tenho tesão em fazer nada.
Há uns 2 ou 3 meses atrás, parei pra ver um documentário num canal aí, falando das Diretas Já, como o povo se mobilizou, como foram às ruas reivindicar direitos. Aquilo lá foi louco. Eu tinha acabado de nascer, aliás, nasci ainda na ditadura.
Personalidades importantes, artistas, cantores, formadores de opinião em palanques, todos por uma mesma causa.
Naquela época se fazia política. Sempre tivemos nossos ladrões, mas os relatos dos políticos da época eram genuinamente sobre política. E por pior que eles fossem naquela época, eles gostavam da política, no sentido mais puro. Era uma época em que acompanhar debate em Senado ou em Assembléias Legislativas devia ser legal, porque era debate, era discussão, era troca de idéias. E na maior parte das vezes, creio eu, pelo bem do todo.
De novo digo, talvez eles roubassem também naquela época, mas mesmo assim se via política.
O que temos hoje? Uns metidos a espertos, fazendo o povo de bobo, que pouco entendem a função e importância dos cargos que exercem. Votamos e acreditamos em pessoas porque são bonitas. Sim, isso ainda acontece e eu ouvi uma mulher, teoricamente esclarecida, dizendo que tinha votado em fulano porque era um ‘homão’.
Se você colocar naqueles canais de justiça, é triste. É o Congresso VAZIO, com meia dúzia de subversivos de bom coração, mas que não sabem agir ou mobilizar, gritando ao microfone achando ,que será ouvido. É Assembléia Legislativa aprovando projetos de Lei sem parar pra ouvir. É terrível.
Hoje os microfones até são mais ‘abertos’ porque não vivemos na ditadura, mas os ouvidos só escutam o que é de interesse próprio.
Desculpem-me a intolerância, mas como podemos eleger pessoas que literalmente ditam o que será de nós, se essa pessoa não tem instrução? Criar leis não é só ter uma idéia e achar bacana. É muito mais do que querer fio-dental nos restaurantes. É lidar com a vida dos outros, com a liberdade alheia, com a felicidade de uma nação inteira. E acabamos elegendo quem nem nunca ouviu falar em Processo Legislativo, não sabe a diferença de Lei Ordinária pra Lei Complementar… Não, não digo que políticos tinham que fazer  faculdade de Direito, mas tinham que ter informação, educação. Isso. Educação, pra conseguir educar o povo. Mas educação traz saber, e saber traz informação. E cidadãos com informação e não ignorantes é ruim para os poderosos, que não teriam como roubar de todos.
O futuro que vejo pra tudo isso é muito ruim. E nesse estágio em que chegamos, sinceramente não acredito em melhoras. Mas são palavras de uma pessimista passiva.
E por isso disse que seria um post hipócrita, mas desculpem-me. Não tenho menor vontade de me inteirar e agir, reagir à política que este país faz agora. Se fosse em 1984, eu estaria lá, porque só de ver o documentário me emocionei com a força que todos tinham quando lutavam por uma causa maior.
Mas hoje… só assisto um país tão lindo, tão cheio de potencial, afundar no meio do oceano atlântico, afundar em suas próprias escolhas burras. Eu só faço sentir muito ver que 25 anos depois do auge da política, o melhor que o povo faz é ficar fazendo protestos online.
Tá.. mas se eu nem isso faço, to falando o que, né? Eu me posicionei. Anulo meus votos ou voto em conhecidos em quem realmente coloco minha esperança de fazer alguma coisa. Se tá tudo ruim, tenho consciência de que talvez eu tenha participação nisso. E até a próxima eleição, é algo a se pensar. Mas fazer protestos atrás de uma tela, se achando o revolucionário é coisa de idiota. Mas aqueles que vão às ruas e fazem-se ser ouvidos, eles têm meu aplauso, desde que não façam baderna e, infelizmente, quando se vê um protesto, é isso. Baderna. As pessoas deveriam trazer à memória a geração cara pintada, Diretas Já e usar isso como parâmetro.

Ser fiel a ideais é lindo, de verdade. Mas o grito só faz ensurdecer a quem também está a gritar. Ou àquele que resolveu não participar. É preciso ações verdadeiramente passíveis de criar um impacto no nosso Brasil.
Se meus filhos vão passar por isso? Sinceramente espero que não; tamanha ignorância e desesperança  em que vivemos não desejo ao futuro.

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Now playing: Julia Nunes – Julia Nunes – I love you
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Cold Water*…

A gente nunca sabe como vai ser o dia, quando acordamos. Tipo… O máximo que dá pra saber é que temos uma lista de obrigações, deveres, prazeres, compromissos a serem cumpridos. E não quer dizer também que os cumpramos.
Minha mãe sempre foi muito responsável e tentou passar isso pra mim. E enquanto ela ‘comandava’ minha vida, eu ia a tudo e todos os lugares e compromissos marcados. Ou mesmo idas ao Jardim Botânico com a turma do colégio em dia de chuva. Ela é do tipo que me fazia ir pro colégio no dia do aniversário. Ou mesmo nossas idas ao Barra Shopping todo santo domingo.
Aí a gente cresce e quer ditar nossas próprias regras. Porque eu era um tanto rebelde – na visão dela; pra muitos eu era um anjo – e matava aula, ‘assassinava’ explicadora, não mantinha minhas notas num nível digno de uma filha de professora. Era meio rebelde mesmo.
Depois que passei da fase de roupas pretas 90% do tempo, resolvi que ia ser adulta, ter responsabilidades e fui estudar. Mas lá todo mundo queria mesmo era qq outra coisa. Então no ano seguinte fui trabalhar, ter meu dinheiro, ser alguma coisa pro mundo. E nesse tempo todo, desde cedo mesmo,  fiz aulas de música, de piano, violinho, estudei inglês, aos 9 anos já cantava num coro e com isso tudo a gente aprende que tem que se obedecer regras de sociedade, ser responsáveis pelo que nos comprometemos e tudo o mais.
Acabei fazendo uma faculdade que, se não fosse intenção minha sobreviver,  a ela, poderia não fazer absolutamente nada. Mas desde o 1º período só escutava que “advogado não perde prazo”. E isso faz o quê? Coloca uma puta responsabilidade nas costas de quem só quer ajudar o outro (Direito é isso pra mim, estender a mão, a um ‘módico’ valor, a quem necessita).
E não é só isso. A gente passa a vida se comprometendo, se responsabilizando; é fazer um churrasco, marcar um reencontro, ligar pra um amigo, terminar um livro, ajudar a mãe na cozinha, tratar da pele, começar dieta… Tudo isso nos compromete, especialmente com nós mesmos.

Hoje vivo dias de uma ‘outcast’. Não porque eu queira do fundo da alma. Mas por estar numa situação tal que não consigo mover-me. Meu coração dispara, sinto tremores pelo corpo, calafrios, hiperventilo… evito até falar com pessoas. Porque eu simplesmente não sou fiel àquilo que me coloco à disposição ou a que me suponho.
Vivo num mundo meu, onde furar com alguém, não ligar pra quem devia, não terminar um livro, não começar uma dieta, não fazer as coisas que me dão prazer, não dar satisfações por deixar alguém na mão, não têm conseqüências pros outros. Mas pra mim, tem um peso gigantesco. Porque depois de um tempo, as pessoas que um dia contaram com você, esquecem, deixam pra lá. Mas eu não; remôo tudo o que tenho deixado pra trás, num sofrimento tão sofrível quando a dor do parto (pelo que dizem é terrível) por não ser mais alguém com quem se possa contar.
Seja pra cantar, pra fazer uma caminhada, pra telefonar e perguntar se está tudo bem. Até mesmo pra viajar, encontrar uma velha amiga. Eu me esquivo. Eu fujo. Finjo não conhecer conhecidos pelas ruas.
Infelizmente só não consigo fingir, nem fugir das conseqüências disso tudo, minha frustração, minha tristeza de ver meus anos serem jogados no lixo. De me ver parada vendo o mundo rodar e não pegar carona.

Não, não estou bem. Comigo, com o mundo, com ninguém. Eu forço sorrisos e tento convivência mas isso me incomoda. Conviver. Requer compromisso nem a acordar eu tenho me comprometido.
Se tem algo comprometido é meu futuro; por ele, nada faço e quanto menos se faz mais trágico você imagina o encaminhar dos anos. E apesar disso, apesar de precisar, eu não consigo. Apesar de querer cantar, eu não consigo. Apesar de querer ligar pra quem devia, não o faço. Quero reencontrar tanta gente, que até me cobra por isso, mas algo dentro de mim é muito mais forte do que qualquer saudade.

E vai queimando
Vai ardendo
Destruindo
Aniquilando
Vaporizando…
…Tudo que um dia eu fui. E o pior é ter a sensação de nunca mais ser a mesma que cantava por prazer, que ia à terapia por saúde, que tinha amigos por amor. Que corria atrás até de quem fugia de mim.

Passei da auto-sabotagem pra auto-destruição (enfia a reforma ortográfica onde vc quiser, by the way). Daqui não sei aonde posso chegar, mas não tenho boas previsões.

Isso não é um relato de auto-piedade. Mas a minha vida. Cada dia ando mais aberta nesse canto que finjo que ninguém lê, porque é com quem consigo falar. Com ninguém e com todo mundo, pelo visto. Internet é isso, o mundo todo.
E mesmo com um mundo todo ao meu redor, dos conhecidos aos desconhecidos, dos virtuais e dos de carne e osso, passei do estado de me sentir só. O que sinto não tem palavra e não me comprometo a procurá-la.
E vou dormir. E torcer pra ter sonhos bons, de momentos melhores, de um alguém melhor do que quem digita essas linhas; torcer pra Deus fazer o que acha que deve fazer comigo, com minha vida. Não me comprometo a fazer o que realmente gostaria. É tudo auto-destrutivo e disso, já basta o meu pensar de todos os momentos.

Se eu voltar a ser alguém que era legal estar perto, sem ficar divididndo tristezas e agonias ou reclamando da vida; se eu nutrir minhas amizades de forma saudável e sincera; se eu parar de fazer certas coisas que só acabam com o corpo que ainda me resta; se eu voltar a ter prazer em cantar; em falar inglês… Se eu voltar a querer, verdadeiramente viver, vai ser o melhor momento dos últimos que tenho vivido. E de coração, eu bem que queria, simplesmente não consigo.

Viver é muito mais que acordar no dia seguinte. Viver é muito e tem sido demais pra mim.

Cold Water

Mas o melhor do mundo são as crianças*

[Este post era pra 2ª-feira, mas por falta de tempo, só chegou hoje]

Há exatos 15 dias, a melhor semana da minha vida começou. Um amigo me pediu que o ajudasse a interpretar uns americanos em uma das congregações da minha igreja. Quando topei, tava toda animadinha, as coisas estavam boas e aceitei de bom grado. Quando chegou no domingo, quando eu deveria ter começado, estava eu em casa, bem debaixo do meu edredom vendo The Amazing Race. Então só fui na 2ª.

Não estava muito animada não, apesar de ser algo que eu gosto de fazer. O humor não era mais o mesmo, muitas coisas haviam se passado depois do convite… Enfim, tudo tinha realmente mudado, mas como me comprometi não quis deixá-lo na mão (apesar de ter feito isso com uma amiga minha e até hoje não ter dado satisfações).

Cheguei e enfrentei 11 americanos. Todos bastante educados e simpáticos, mas tava bem perdida no que seria aquele dia, a semana e achei sério que era uma canoa furada. E então, as crianças foram chegando. Por algum motivo, eu só soube que eram com crianças que os dudes trabalhariam quando cheguei lá. E tinha pra tudo que era gosto, tipo, faixa etária, etc. E o primeiro dia correu bem, apesar de muita insegurança, muita informação e muito inglês carregado de sotaque pra me desafiar. Voltei pra casa morta. Podre. Um caco.

As coisas foram piorando e melhorando conforme a semana passou. Mais crianças apareceram, mais intimidade eu tive com os estranhos – 99% das pessoas – e mais habilidade em driblar crianças mais espertas do que eu e com 20 anos a menos também.

Teve um momento que achei que não aguentaria mais. No meio da semana, fiquei absolutamente sozinha com cerca de 30 crianças, de 4 a 12, 13 anos e o bando americano. Crianças que não me conheciam e não faziam muita questão de me obedecer, ou eram extremamente carentes e me queriam só para elas, adicionado aos americanos que dependiam de mim pra absolutamente tudo porque deles só saíam: ‘bom dia’, ‘boa tarde’, ‘obrigada’. No máximo conseguiam as palavras que decoravam pra falar às crianças e os nomes do pessoal que tava lá. O meu nome até o último dia não saiu direito, hehehe!

Naquele dia pensei que surtaria de tanta estafa mental e emocional, sabendo que mesmo que eu quisesse, não podia deixar de estar ali e também que era só mais um dia. Voltei pra casa andando. Cerca de 4 km depois de 3 horas de atividade e 2 horinhas de aula pela manhã.

Como intimidade é uma merda, conforme a semana passou as crianças ‘abusavam’ da minha boa vontade, mas vê-las aprendendo e cheia de curiosidade naqueles olhinhos, querendo aprender a falar qualquer palavra naquela língua estranha a eles, me dava uma alegria e satisfação que compensava o cansaço. E foi assim até o último dia.

Esse sim – o último dia -  foi desafiante. Nunca tinha chegado a sentir verdadeiro desespero por pura falta de controle da situação. Não estava sozinha, mas o número de crianças era quase o dobro dos outros dias, por conta do feriado.

Minhas energias foram zeradas. Mas no final do dia, toda uma emoção. Os menores vieram me abraçar, pediam pra que não fôssemos embora – já que além dos americanos, eu não era de lá – e ainda teve uma que me abraçou tão forte e soluçava tanto… A essa altura eu já tava cansada de chorar… e cansaço, de emoção e de deixar aquilo tudo, aqueles pequenos que, com muito pouco, criei um vínculo emocional muito forte.

Teve uma pequena, em especial, que me deu muito trabalho. Era uma das mais bonitas, graciosas, mas com tantos problemas que eu realmente não consigo imaginar. Eu cuidei muito dela. E depois que a semana passou percebi que me liguei à ela mais do que com outras porque naquela idade eu me sentia como ela se sente; e muitos me tratavam como ela era tratada. E os choros, às vezes por bobeira, mas muitas vezes com motivo, eram os choros meus de 20 anos atrás.

A última coisa que fiz foi me despedir, com muita lágrima no rosto, dos americanos, que me receberam muito bem, elogiavam meu inglês quase sem sotaque, meu trato com crianças e ainda ousaram dizer que o que fiz ali era verdadeiramente de coração, que eu tinha dom pr’aquilo. Ainda não analisei a fundo essa questão. Mas queria contar que tive a semana mais esplêndida por conta de coisas até bem simples.

E hoje, retiro minhas palavras repetidas tantas vezes há alguns anos atrás pra dizer que, trabalhar com crianças, pessoas puras, de coração aberto, interessados naquilo que você tem a oferecer, com um sorriso pronto mesmo quando fazem besteira, que não tem medo de dizer que não sabe e ainda perguntam como se faz, que quando abraça, é sincero e, mesmo quando a gente acha que não, eles ouvem o que dissemos, mesmo que seja algo ruim.

E a cada dia que passa meu desejo por filhos aumenta; meu desejo em adotar aumenta. E acho que quando conseguir a minha família, com meus pequenos, serei realizada e viverei feliz, porque, de fato, criança traz felicidade.


*trecho de ‘Liberdade‘ de Fernando Pessoa.

Lista de Desejos…

lista de desejoNão sou dessas coisas porque minha indecisão não permite que eu liste tão pouco. Mas Menina Fafá me sugestionou e resolvi acatar; colocar um pouco de coisa boa nesse blog. E não indico ninguém, só peço que me avisem se fizeram ou não…

Regras:
1 – A pessoa selecionada deve fazer uma lista com oito coisas que gostaria de fazer antes de morrer.
2 – É necessário que se faça uma postagem relacionando estas oito coisas, não importando o que seja; é necessário que a pessoa explique as regras do jogo.
3 – Ao finalizar, devemos convidar oito parceiros de blogs.
4 – E finalmente, deixar se possível um comentário para quem nos convidou, e informar os convidados.

1- Fazer outras faculdades, todas que me interessam. E são algumas;
2- Passar uma boa temporada na Inglaterra e outra boa temporada no Canadá, além de conhecer zilhões de lugares;
3- Adotar 1 ou 2 crianças. Isto depende de certas variantes;
4- Saltar de paraquedas;
5- Escrever um livro, bacana mesmo, desses que as pessoas iriam gostar de ler;
6- Casar e constituir família. Mas aquele casamento que a paixão não vai embora com o tempo;
7- Ter um emprego em que eu GOSTE de trabalhar;
8- Me envolver com artes, de um modo geral.

São esses, mas não necessariamente nesta ordem. E alguns deles podem mudar conforme o tempo… Não é nenhuma novidade minha instabilidade, né…

Dançando e discutindo com minha solidão.

Dia desses uma amiga minha comentou que se sentiu só num fim de semana desses. Pra ela e pra mim, era difícil entender como alguém poderia se sentir só quando se tem pessoas ao redor.
Há tempos eu não pensava em solidão. Não por não senti-la exatamente, mas por não sentir absolutamente nada. Hoje, com os sentidos um pouco melhor aparados, sinto-me completamente só. De olhar pro teto do quarto e me sentir tão grande e tão pequena ao mesmo tempo.
Estou muito melhor que há duas semanas atrás, mas tão pior quanto poderia estar considerando absolutamente tudo à minha volta. Tive a audácia de dizer que não consigo as coisas por falta de vontade de viver. E sabe o pior? Não foi da boca pra fora, não foi por autopiedade e eu continuo me sentindo assim. Não faço idéia de como a gente sai do fundo do poço sem ao menos uma corda pra nos ajudar chegar à superfície. As cordas que me dão são mais frágeis que patas de formiga e não aguentam meu peso.
Acho que esta época não ajuda muito. O inverno tá chegando, dá vontade de chamego; aí vem aquele bombardeio de dia dos namorados e – ok, é comercial, é pra vender e whatever – sinto-me como um peixe fora d’água por representar, sempre, a parcela dos desacompanhados. E o que tem piorado tudo isso é perceber que o tempo tá passando. Óbvio que o tempo passa, não sou idiota de achar que estou parada nas horas – por mais que eu gostasse. Mas tudo pesa muito mais quando você contabiliza 5 casamentos em 6 meses e, pelo menos 7 casamentos em 12 meses. Parabéns pros noivos, do fundo da alma, mas em mim bate uma sensação de outkast que particularmente não gosto. A maioria cresceu comigo e tem a minha idade. É estranho pra mim, pronto e acabou e nada desse lance de que cada um tem seu tempo porque na minha vida, NADA aconteceu, então estou fora de tempo.
E não to falando de casar em 6 meses – o que até pode acontecer – mas de não ter nem com quem compartilhar isso. Pra quê pensar em casamento se nem pretendente eu tenho?
Ao mesmo tempo, acho que me puno pensando nessas coisas sabendo que nas condições emocionais que me encontro não há de aparecer ninguém disposto a me tolerar. Então eu entro num mega conflito.
Aliás, eu VIVO de conflitos e em conflitos. Pessoas por aí tem uma vida tão mais tranqüilas; ah, que sejam problemas externos. o problema é lidar com problemas internos que só você e no máximo sua terapeuta sabem. Os amigos sabem superficialmente, porque por dó, respeito o ouvido dos outros e não despejo tudo que gostaria de falar.
E como eu sou idiota, estou sem terapia. Ajuda nada, né? E pra piorar acho que tenho outros sintomas de coisas nada boas. Eu só tenho certeza de não ser esquizofrênica.
A solidão que sinto hoje e que me faz despejar tanta amargura pra qualquer um ler é o cúmulo do absurdo a partir do momento que eu sei que muitos dos meus amigos não estão em contato comigo porque eu sumi. Com meus motivos, mas não os culpo por não quererem aturar gentalha como eu. E fico feliz com os que por perto ficam, os corajosos ou doadores do amor que neles transbordam. Nem eu sei se ficaria por perto de mim.
Tirando isso, meus problemas me absorvem tanto que resolvo não me preocupar com outras coisas além de mim mesma. Melhor, não me preocupo com coisas que deveriam me atingir diretamente. Graças a Deus, ainda me compadeço com os problemas das pessoas que gosto e isso talvez seja o que me mantenha na sanidade, por me fazer esquecer por algum tempo, mínimo que seja, dos meus.
Se fosse preocupar-me com o que deveria me preocupar, talvez estaria a reclamar muito das pessoas. São falhas, assim como eu, mas têm umas manias, umas cobranças que simplesmente não fazem sentido. mas sinceramente, ainda não consigo me abalar com isso. Estou recuperando meu ‘eu’ ainda. Falta muito até lá.
Também não sei porque escrevo coisas aqui. Além de absurdamente pessoais, são chatas, ninguém lê e quem o faz, fica sabendo de coisas que não conto ao meu porteiro, que me conhece desde bebê, por que contaria a desconhecidos ou conhecidos não identificados?
Acho que é a tal da solidão. A minha companhia, quando não a cama, é meu computador. Queria mesmo era conversar com ele, mas seres inanimados só fazem ocupar espaço e serem usados.
Respirando…
Respirando…
Respirando…
.
.
.
Já deu. De tudo, sabe? Deste post também. Sinceramente sinto pena de quem ainda chega às ultimas linhas.
Dançarei, com eu e minha solidão, sem minha super desejada garrafa de vinho, pra afastar os maus pensamentos…


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Now playing: Elliott Yamin – How Do I Know
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What’s Up*

Eu queria saber em que momento da minha corrida acirrada ao óvulo de minha mãe, eu pedi pra ser assim. Também gostaria que me explicassem a parada dos genes do pai e da mãe. Não que eu me importe com Biologia, to pouco me lixando. Mas queria entender como tudo consegue dar errado aquele que um dia teve esperança de dar certo.
Juro que andei pensando que, talvez, eu tenha sido um espermatozóide curioso, não vitorioso… tipo.. larguei antes e saí entrando pra ver qual era a da parada, porque NADA FAZ SENTIDO.

Minhas semanas voltaram a ser a eterna confusão de absolutamente tudo misturado – isso mesmo – e eu não sei como resolver 1/3 dos meus problemas. Porque falar – como muito e quase todos fazem – é muito fácil; mas colocar em prática normalmente é difícil, principalmente quando sua mente corre pro lado contrário.

Voltei a pensar em coisas trágicas e formas trágicas de tornar tudo trágico. Porque, como boa dramática que sou, cansei de escutar que me faço de vítima, de coitada, que não aceito críticas. Cansei. Não porque eu aceite críticas; mas berrar comigo não funciona. E é fácil demais exaltar as coisas ruins, mas as boas eu fico sentada esperando e batendo a cabeça de cochilar, porque não vêm.
Posso estar exagerando? Posso. Mas considerando a situação fática que me encontro há 2 anos, deveriam ter um pouco mais de paciência ou compreensão. Não quero ninguém “sentindo a minha dor”, mas quero que respeitem o que eu penso e quem eu sou.

Cheguei num ponto em que estou desistindo dos meus amigos. Não que eles mereçam ser desistidos, mas ele não merecem conviver com alguém que reclama 90% do tempo sobre coisas que ninguém pode consertar. E quando não sou chata sou insuportável com meu sarcasmo, ironia, sinceridade e tantas outras coisas ruins. Então não os procuro, muitas vezes os evito e muitos deles nem lembram que cá estou com minha solitude. Não são todos, mas alguns.

E, sinceramente, se o básico que é cultivar amigos e manter o mínimo de sanidade tem sido difícil, se com o mínimo de animação eu não consigo cumprir metade das coisas que deveria cumprir num dia, quiçá passar num concurso; sair de casa e conhecer alguém interessante. E tantas outras coisas.
Cheguei ao ponto – melhor, voltei -de não conseguir me comprometer com as pessoas, furar e não dar satisfação, dormir a maior parte do dia, isso quando não estou comendo. E quem deveria entender, reconhecer, ajudar, faz vista grossa, porque, por ironia do destino, a prática da profissão no âmbito familiar é algo impossível.

Não quero piedade, pena, caridade ou favor. Na verdade eu não quero nada de ninguém. Minto, quero muitas coisas. Mas como estou, não terei nada de ninguém, porque estou como aqueles que as pessoas fogem; tipinho de gente desagradável que quando resolve conversar quebra o clima tranquilo da vida da pessoa do outro lado.

Se eu posso me ajudar? Posso. Estou tentando. Mais uma vez. Mas desta vez não vejo esperanças. Me sinto num túnel sem luz no final, num labirinto sem saída. Vislumbro um futuro nojento pra mim e não consigo parar de pensar nele todos os dias, – literalmente – mas não me movo pra modificá-lo. Não que não queira, só não consigo. E o papo de “Você tem que tentar”, não funciona com pessoas como eu. Não é má vontade, é simplesmente mais forte do que todos os estímulos cerebrais que deveriam me impulsionar.

Hoje já não sei se peço pro mundo acabar amanhã, se espero ser atropelada por um ônibus na Presidente Vargas, se espero definhar afundando na cama… Porque pensar no futuro que acho que está reservado pra mim me faz tão mal – e sim, nem isso me faz mudar. E não é falta de desejo – que não quererei vivê-lo. Eu velha, desempregada, solteira e morando com minha mãe… pior do que todos os meus pesadelos.

Agora, que remedinho fez efeito, vou deitar-me e sonhar com o nada, ou com tudo aquilo que sonho ter na vida e não vejo caminhos hábeis ou habilidade para alcançá-lo. E nem no mérito de que não sou inteligente eu vou entrar porque é um trauma bem guardado, já que resolvido não será.

Indo contra todas as minhas crenças – mas acredito piamente que Deus sabe que não estou no meu melhor juízo – perdi minha esperança de um futuro qualquer. Porque o futuro que acho que terei já estou vivendo e no limite, a passo de pegar meia dúzia de roupas e parar no 1º abrigo da prefeitura que achar.
Não, nem iria pra abrigo porque sou medrosa. Mas esse monstro tá dormindo também.
Tenho uns outros no coraçãozinho mas que quanto mais os verbalizo mais sofrimento e traz. E de sofrimento bastam-me os causados no decorrer desses dias que não chamaria de malditos, mas infortúnios.

Partindo pro fim de semana do cobertor, televisão, biscoito e cochilo. Porque, por enquanto, aparentemente, só isso posso me permitir a fazer sem chatear alguém ou me irritar ao ponto de acabar fazendo coisas que não quero.
A esperança – e única – que tenho dentro de mim é que pelo menos na minha cama eu posso ficar, deixando o mundo rodar lá fora, pros felizes, otimistas e obstinados. Eu não faço parte dessas categorias.


*Now playing: 4 Non Blondes – What’s Up?
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Two months.

Foram dois meses de muita coisa. Subjetivamente falando. Ou seria objetivamente?

Bom, foram dois meses em que engordei cerca de 7 quilos; que eu parei e voltei aos meus tratamentos necessários pra ser um ser humano normal. Foram dois meses de muita reflexão, o que ironicamente eu já faço com uma freqüência absurda.
Nesses dois meses não rolou terapia. Não que eu não tivesse; eu simplesmente não fui. Ta, coisa feia, ai, ai, ai pra mim.
Encarei a realidade de um modo esquisito, ruim ou bom, diferente ou inusitado ou simplesmente de forma real. Não que eu tenha gostado. Não desgostei, porém. Só tive consciência de quem sou eu na realidade, pra sociedade, pra mim, pro outros e pra minha própria sombra.

Hoje sei mais um pouco de mim e não gosto muito desse eu que andei escondendo ou desprezando por tanto tempo, é uma pessoa que normalmente irrita, aborrece e entristece qualquer ser que respire, até mesmo a uma planta.

Consegui, em dois meses, decepcionar um parente, brigar com 3 amigas e descobrir quem eu sou pras pessoas. Eu sou um ser medonho. Não há nada pior do que saber que as pessoas têm medo de conversar com você sobre assuntos pouco agradáveis. E cheguei à conclusão de que o medo também acontece na minha família, algo bizarro de um jeito que não dá pra explicar.

Longe de mim de querer ser perfeita ou super supimpa, odeio pessoas assim. Mas a partir do momento que as pessoas têm receio de conversar com você sobre assuntos delicados, isso magoa. Magoa mais porque eu não tinha noção de que sou tão ‘ruim’ assim do que pelo próprio fato em si.

Confesso que passei alguns dias refletindo, algumas noites chorando e muitos dias de mal com o mundo porque a intenção de todos nós é ir melhorando pra conseguir sobreviver nessa selva; e apesar de achar que eu estava progredindo, crescendo e qualquer coisa do tipo, eu descubro que sou tão ruim como era há três anos atrás, por mais que tenham sido meus esforços.

Eu me sinto má, não como a Cruela (vide google), mas má como amiga, parente, filha, neta, colega, ou seja lá mais o que for pra quem quer que seja. E daí, tiro algumas conclusões.

Definitivamente eu não sei viver em sociedade. Por mais que eu tente agradar todo mundo, isso só acontece em raros momentos. Minha ‘energia’ deveria me levar a lugares muito melhores – já que sou de áries – mas só tem me levado pra boca do inferno, a ponto de cogitar cortar todas as relações que tenho com o mundo externo. Estou vivendo o purgatório do Inferno de Dante – vide Google – e não sei como sair, já que achava piamente que estava no caminho certo.

Talvez seja uma posição derrotista da minha parte, mas quem disse que não sou? Hoje eu assumo tudo: assumo que sou derrotista, pessimista, irritante, de personalidade extremamente difícil, emocional, passional, durona, sensível ao mesmo tempo. Eu sou muita coisa ruim. Até esporro de médico eu levei; isso diz muita coisa.

Sinceramente não tenho mais força emocional ou física pra forçar-me a mudar e uma hora pra outra. São alguns anos tentando mudar o que construí durante anos cruciais da minha vida e não houve progresso algum. Pra quê continuar tentando? Não tento mais. Me entrego a quem sou e talvez eu perca muito mais do que venho perdendo os últimos 2 anos. E digo: não foi pouca coisa, foram momentos, pessoas e tudo o mais, até demais. Mas nosso ser tem um limite e meu limite tem chegado ao fim. Não é culpa de ninguém, é culpa minha, claramente minha. Eu quem não soube ser quem deveria ser; eu quem não soube mudar aquilo que era necessário mudar.

Se entrego os pontos, afinal? Entrego. Sou uma deprimida assumida e sinceramente, deprimidos não têm força a là Michael Phelps ou Maguila, pra mudar. Eu JURO que tentei, que dei o melhor de mim durante todo esse processo, mas mostrou-se completamente nulo qualquer coisa que eu tenha feio, já que eu não consigo guardar o que devo calar e ainda consigo deixar as pessoas que – supostamente – têm liberdade comigo com medo de falar disso ou aquilo. Isso explica o porquê de estar solteira, sozinha e abandonando os poucos amigos que ainda tentam, com um certo esforço, manter contato comigo.

Não termino este post triste. Não que isso tudo não me traga tristeza; mas a tal tristeza não me fez mudar, portanto é inútil e sofrível. Termino descobrindo que sou muito aquém do que espero; que estou longe do que gostaria de ser e talvez uma decepção para os que esperam qualquer coisa de mim.

*começei a escrever este post em 13.05.09 e não retiro uma palavra.

Now playing: Electrocute – Tales Of Ordinary Sadness

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o ÚnicO DiA QuE NãO ConsigO EsqueceR

Eu sei que ele faz parte. Assim como todos os outros 364 dias do ano. Assim como não me esqueço de respirar e lembro como se dá passos; sempre um atrás do outro (ou na frente?).

Odeio o fato deste dia ser este dia. Não pela força que tem ou pelo que representa, mas pelo fato de sempre estar cercado de insatisfações. Posso mudar pra outra época? Daqui há uns 2, 3 meses… pior que não. Podia adiantá-lo, talvez. Não me importo também.
Mas me importo de ser sempre como ele é: com mil-e-uma atividades acumuladas com tradições até bem legais e sorrisos a quem passar na minha frente.

Hoje é meu aniversário.

E minha mãe fica super emocional, lembrando que, no caso, há 26 anos eu estava nascendo e quanta alegria eu trouxe e blablabla whiskas sachê.
Minha reação é sempre fria, não porque não seja um dia importante; tanto o é, que não o esqueço nem fazendo força. Mas simplesmente por estar envolvido pelo que muitos dizem ser inferno astral. Tá, pouca diferença faria – aliás, nenhuma – se eu mudasse a data. Se o tal inferno astral rodeia o dia do aniversário, pode ser até num dia inexistente no calendário ocidental, ele continuaria imbuído dos azares típicos.

E este ano teve pra tudo. Teve reprovação não esperada, teve pra momentos de arrependimento de lançar mão de pessoa que por mim se interessara, teve picada e reação alérgica de abelha, quase extirpando meu braço esquerdo, o mais importante pra mim.
Mas o que tinha tudo pra ser um dia quase infeliz foi, até agora, muito bom. Não ganhei na loteria, mas ganhei coisas significativas. E mesmo que não tivesse ganhado, só o fato de estarmos no outono e o ventinho ter soprado no meu rosto às 10 da manhã, enquanto uma banda fazia a inauguração de uma loja no centro e uma coca-cola super gelada que me acompanhou à aula de Constitucional com um professor bonito, interessante e cego, apesar dos óculos, já que só reparou quanto à existência da única aluna negra da sala quando a mesma levantou a mão. A 5 metros de distância dele.

O dia ainda guarda muitas surpresas. Ele só acaba às 23:59 e espero que até lá eu possa, esperançosamente, esperar que o melhor me aguarde. Pode até ser pretensão minha, mas acho que mereço. Igual às crianças que se comportam o ano todo pra ganhar presente de Natal.
Eu sou, sem a menor modéstia, uma pessoa legal. Acredito nas pessoas, ainda acredito no mundo, acredito na felicidade, no amor, na paz. Reclamo mas amo seres humanos e sem eles ao meu redor seria mais deprimida do que já normalmente sou. Tenho uma família meio disfuctional, mas que em dia como esses são pessoas maravilhosas e nos fazem esquecer um pouco dos problemas, mínimos até, que nos rodeiam.
Eu abro a porta pra senhoras; eu dou informações na rua. E até bato-papo quando puxam comigo em filas (confesso que este último só ocorre em dias de MUITA boa vontade).
Eu tento, mesmo que não pareça, manter meus amigos. Eles são preciosos pra mim, não por serem ‘meus’, mas por terem tido a paciência de um dia cogitar a possibilidade da minha companhia valer a pena e tentar. E EU SEI que não é fácil. Eu mordo, sou grossa, desligo o telefone na cara das pessoas, meu sarcasmo é altamente incômodo (até pra minha terapeuta) e minha ironia é tão inerente que não consigo contê-la. Mas amo todos, mesmo os que contato não tenho mais. Mesmo aqueles que resolveram não me querer mais por perto.
Eu sou boba. Sou ingênua. Me viro e reviro por quem amo. E como amo! Tenho muito amor pra dar (sem trocadilhos, please)! São 26 anos. Poucos dedicados a pessoas especiais. Se eu quero? Claro que sim! Mas não sou fácil. Não sou amável aos olhos dos desconhecidos. Mesmo assim. Não vale a pena querer além do que me é reservado.

Hoje, dia este que não tem como esquecer, eu passo com muito mais alegria, mais esperança, mais paz, mais amor. Mesmo que não tenha comemoração, o que realmente não teve e não terá. Pelo menos não estou mal, porque ficar chorando numa mesa de bar no dia do nascimento é derrota demais até pra mim!

Parabéns pra mim. Acho que mereço. Só por ter nascido. Se valer por outra coisa já é lucro.

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Now playing: Yelle – A Cause Des Garçons
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