À Velhice…

Alguns anos se passaram pra que eu pudesse ver algo de bom na velhice. Não que ganhar rugas, ficar fraca, baixar imunidade, visitar médicos com muito mais regularidade, ter memória enfraquecida e tantas outras coisas sejam verdadeiramente boas. Aliás, nunca vi nada de bom em envelhecer.

De uma hora pra outra ‘percebi’ que estou envelhecendo. Não falo de anos que passaram, mas da minha memória, que nunca foi muito boa e anda cada vez pior; falo da mega dificuldade em emagrecer fazendo as mesmas coisas que antigamente me garantiam resultados mais rápidos. Também não digo velhice quanto à idade mental ou coisa do tipo. Isso é questão de retardo, no melhor sentido da palavra.
E não, não sou velha. Mas a velhice chega. E quando chega, não tem como não perceber. Vejo nos olhos da minha avó, nas reações da minha mãe. O que é na aparência um incômodo, é na verdade a beleza de se viver e acolher dentro de si mesmo, tantos anos, tantas coisas ruins e boas e se tornar um ser humano admirável. Ou não. Mas não falo destes. Estes não admiráveis não aproveitaram seus anos pra fazerem algo de bom a ninguém além da própria sombra. E ser assim não quero. E nem quero ser presidente de nada ou alguém. Não quero ser modelo pra criança alguma. Quero só ter a certeza de que os anos passaram e eu os aproveitei pra colher todas as rugas, todos os fios de cabelo branco – precoces ou não – todos os não, todos os sim, todas as aprovações e reprovações.

A morte é certa, e lidar com ela é de um exercício pior que muitos dias de educação física no colégio. Mas a cada dia vejo a inevitabilidade de olhá-la nos olhos, enfrentar com a coragem que nos é devida. Sei que ela vem na hora certa. Não necessariamente na idade certa, mas com essa velhice que adquiro a cada segundo compreendo que cada um vive o tanto que lhe é permitido viver. Não retiro daqui qualquer possibilidade de “mudança de rota”, so que vivemos o que queremos. E somos o que vivemos.
E estou feliz. Porque percebi a beleza da dor nas costas; porque vista cansada é conseqüência de ótimos hábitos; porque falta de ar numa corrida de 500 metros pode ser um sinal pra parar ou mesmo pra começar a pensar em fazer caminhadas diárias.

À velhice toda reverência que merece. Toda atenção um dia dispersada; todos os meus dias por vir e os dias que foram: que eles formem de mim uma velha ‘caquética’, se preciso, mas com respeito à vida, aos momentos, às experiências vividas e as frustradas. Que eu olhe pra trás e curta as minúcias dos segundos que um dia me concederam cada cabelo branco, cada espinha de estresse, cada ruga ao redor dos olhos.
À velhice, tudo que hoje sou, pra amanhã ser isso tudo e mais um pouco. Todos os anos e muitos outros.

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Então é Natal, tempo de “balance the hole thing” e resoluções.

Como Simone canta todo fucking final de ano, “então é Natal”. Pros que fazem contagem regressiva, faltam apenas 2 dias pra famigerada véspera de Natal. Eu não faço contagem regressiva, espero mesmo o ano virar reclamando do tanto que odeio dezembro.

Desta vez quebro a cara porque o mês tá voando  e nem dá muito tempo de reclamar mesmo. Só me resta então aquela avaliação básica de todo ano.
Confesso que o resultado final do ano foi mega ruim, apesar de poucos pontos realmente negativos a pesar. Ou não.

Profissionalmente, o ano começou com prova da OAB, para a qual não estudei, cheguei na 2ª fase, não estudei e não passei. Aí desisti, fui estudar prum concurso que não saiu até hoje. Aí fiquei de delícia por zilhões de meses, coisas de décadas, cagando pra Ordem por milhões de motivos, inclusive de saúde.
Chegou setembro e comecei a procurar, literalmente, qualquer merda, o que acabou acontecendo. Parei num sub-sub-emprego, coisa de louco. Fiquei lá por 3 longos meses e só saí porque nego me demitiu. Não, nem era mesmo um lugar saudável pra mim mas eu precisava daquilo, mesmo que pra me ocupar. Resultado: desempregada e mesmo procurando, sem previsão de outro num futuro imediato.

A saúde oscilou. Culpa minha como sempre. Não me cuidei, surtei por um longo período lá pro meio do ano. Comecei a colocar tudo em ordem, até fiz o grande favor de perder alguns quilos que não ganhei novamente, mesmo tendo voltado aos velhos hábitos de farinha branca (bad trip, btw, vou volta pra integral asap) e sem caminhar. Dores de cabeça as always, parei meu tratamento mas sobrevvi. Comecei a trampar, arranjei uma alergia ainda de causa desconhecida, arranjei uma gastrite. Resultado: me coçando como uma sujinha, mas não por falta de limpeza, gastrite mal controlada, mente inquieta por falta de terapia.

Meus ‘causos’ amorosos foram poucos mas causaram o suficiente pra me estressar. Nada durou, o que era ‘so 2008‘ – ou também conhecido como negão-de-tirar-o-chapéu – acabou por bater a porta nesse ano também. O cara foi uma ótima companhia pros momentos “não tenho nada melhor pra fazer”, até marcar um date pro dia dos namorados. Po, a pessoa aqui nunca comemorou um dia dos namorados e nem esperava tanto. Mas era melhor não ter esperado nada. Fiasco dos feios. Aí rolou um hiato, a gente voltou a se falar, eu surtei e mandei ele catar coquinho. Nesse ínterim, pouca aventura. Pouquíssima, quase nada. Então o menino fdpccb chegou, a gente tentou se alinhar e só deu quiprocó. Depois de assumir um namoro, meu primeiro por sinal, acabou em fiasco. Com o negão-de-tirar-o-chapéu ensaiamos um possível revival mas logo ficou claro que foi fogo de palha. Resultado: sozinha de novo e sem previsão de mudança[mané catraca seletiva, fica a dica]

Mas o maior e mais vergonhoso fiasco foi minha vida social. Você se dá conta que a coisa tá muito, muito ruim, quando nego cria uns 8 álbuns no orkut pro ano de 2009 e você nem completou o 1º. Saí pra beber poucas vezes, pra dançar, muito menos. Meu aniversário eu tava numa bad vibe tão grande que o máximo que fiz, por insistência de amigos, foi tomar um café no California Coffee (L). Viajei pra São Paulo numa estada curtísssima e que minha mãe estragou, com o talento que ela tem pra isso, e anda perdi meu celular voltando pra casa. Tirando isso, rolou um queijos e vinhos show e de night mesmo, me lembrando BEM, teve uma que foi superb, com direito a moleque me achando a última coca-cola do deserto, rsrsrs! Resultado: epic fail.

Pra piorar minha situação, tirei esses últimos dias pra chegar à conclusão de que mais um ano passou, contabilizando 2 anos de formada, numa profissão que gosto mas não amo. Aí lembro do que amo e do que poderia estar fazendo com isso.
Não obstante, é muito ruim passar um ano inteirinho saindo muito pouco, se divertindo muito pouco, conhecendo pouquíssimas pessoas e consequentemente não saindo do mundo inócuo que eu vivo, sem emoção, sem diversão. Eu to solteira, no Rio de Janeiro, e não tiro proveito disso. Tá, tenho umas variáveis que não colaboram muito mas, né. Tá na hora.

Então, contrariando minhas convicções, resolvi fazer algumas resoluções pra 2010. Nada muito difícil e isso pode parecer covardia. Mas como uma boa pessimista, esse é o melhor que posso fazer:
– Voltar a caminhar;
– Abandonar de vez a farinha branca;
– Sair com regularidade. Se faltar dinheiro, nem que seja pra uma cerveja na esquina. Mas não ficar em casa;
– Tomar coragem pra tirar minha OAB;
– Quitar minhas dívidas;
– Emagrecer mais alguns quilos pra realizar meu antigo sonho [se rolar eu conto].

Então, nada demais. Assim como o outcome do ano que tá acabando. Nada demais. Numa média aritmética que só existe na minha cabeça, o resultado foi: fail.
Mas po, 2010 ta aí pra provar que posso fazer melhor. Yes I can.
And so do you.


p.s.: cara, eu AMAVA meus textos. Tá tudo uma bosta. Ta aí mais uma resolução pra 2010.

Mas o melhor do mundo são as crianças*

[Este post era pra 2ª-feira, mas por falta de tempo, só chegou hoje]

Há exatos 15 dias, a melhor semana da minha vida começou. Um amigo me pediu que o ajudasse a interpretar uns americanos em uma das congregações da minha igreja. Quando topei, tava toda animadinha, as coisas estavam boas e aceitei de bom grado. Quando chegou no domingo, quando eu deveria ter começado, estava eu em casa, bem debaixo do meu edredom vendo The Amazing Race. Então só fui na 2ª.

Não estava muito animada não, apesar de ser algo que eu gosto de fazer. O humor não era mais o mesmo, muitas coisas haviam se passado depois do convite… Enfim, tudo tinha realmente mudado, mas como me comprometi não quis deixá-lo na mão (apesar de ter feito isso com uma amiga minha e até hoje não ter dado satisfações).

Cheguei e enfrentei 11 americanos. Todos bastante educados e simpáticos, mas tava bem perdida no que seria aquele dia, a semana e achei sério que era uma canoa furada. E então, as crianças foram chegando. Por algum motivo, eu só soube que eram com crianças que os dudes trabalhariam quando cheguei lá. E tinha pra tudo que era gosto, tipo, faixa etária, etc. E o primeiro dia correu bem, apesar de muita insegurança, muita informação e muito inglês carregado de sotaque pra me desafiar. Voltei pra casa morta. Podre. Um caco.

As coisas foram piorando e melhorando conforme a semana passou. Mais crianças apareceram, mais intimidade eu tive com os estranhos – 99% das pessoas – e mais habilidade em driblar crianças mais espertas do que eu e com 20 anos a menos também.

Teve um momento que achei que não aguentaria mais. No meio da semana, fiquei absolutamente sozinha com cerca de 30 crianças, de 4 a 12, 13 anos e o bando americano. Crianças que não me conheciam e não faziam muita questão de me obedecer, ou eram extremamente carentes e me queriam só para elas, adicionado aos americanos que dependiam de mim pra absolutamente tudo porque deles só saíam: ‘bom dia’, ‘boa tarde’, ‘obrigada’. No máximo conseguiam as palavras que decoravam pra falar às crianças e os nomes do pessoal que tava lá. O meu nome até o último dia não saiu direito, hehehe!

Naquele dia pensei que surtaria de tanta estafa mental e emocional, sabendo que mesmo que eu quisesse, não podia deixar de estar ali e também que era só mais um dia. Voltei pra casa andando. Cerca de 4 km depois de 3 horas de atividade e 2 horinhas de aula pela manhã.

Como intimidade é uma merda, conforme a semana passou as crianças ‘abusavam’ da minha boa vontade, mas vê-las aprendendo e cheia de curiosidade naqueles olhinhos, querendo aprender a falar qualquer palavra naquela língua estranha a eles, me dava uma alegria e satisfação que compensava o cansaço. E foi assim até o último dia.

Esse sim – o último dia –  foi desafiante. Nunca tinha chegado a sentir verdadeiro desespero por pura falta de controle da situação. Não estava sozinha, mas o número de crianças era quase o dobro dos outros dias, por conta do feriado.

Minhas energias foram zeradas. Mas no final do dia, toda uma emoção. Os menores vieram me abraçar, pediam pra que não fôssemos embora – já que além dos americanos, eu não era de lá – e ainda teve uma que me abraçou tão forte e soluçava tanto… A essa altura eu já tava cansada de chorar… e cansaço, de emoção e de deixar aquilo tudo, aqueles pequenos que, com muito pouco, criei um vínculo emocional muito forte.

Teve uma pequena, em especial, que me deu muito trabalho. Era uma das mais bonitas, graciosas, mas com tantos problemas que eu realmente não consigo imaginar. Eu cuidei muito dela. E depois que a semana passou percebi que me liguei à ela mais do que com outras porque naquela idade eu me sentia como ela se sente; e muitos me tratavam como ela era tratada. E os choros, às vezes por bobeira, mas muitas vezes com motivo, eram os choros meus de 20 anos atrás.

A última coisa que fiz foi me despedir, com muita lágrima no rosto, dos americanos, que me receberam muito bem, elogiavam meu inglês quase sem sotaque, meu trato com crianças e ainda ousaram dizer que o que fiz ali era verdadeiramente de coração, que eu tinha dom pr’aquilo. Ainda não analisei a fundo essa questão. Mas queria contar que tive a semana mais esplêndida por conta de coisas até bem simples.

E hoje, retiro minhas palavras repetidas tantas vezes há alguns anos atrás pra dizer que, trabalhar com crianças, pessoas puras, de coração aberto, interessados naquilo que você tem a oferecer, com um sorriso pronto mesmo quando fazem besteira, que não tem medo de dizer que não sabe e ainda perguntam como se faz, que quando abraça, é sincero e, mesmo quando a gente acha que não, eles ouvem o que dissemos, mesmo que seja algo ruim.

E a cada dia que passa meu desejo por filhos aumenta; meu desejo em adotar aumenta. E acho que quando conseguir a minha família, com meus pequenos, serei realizada e viverei feliz, porque, de fato, criança traz felicidade.


*trecho de ‘Liberdade‘ de Fernando Pessoa.

Mudaram as estações, nada mudou…

Momento de crise. Das boas. Lógico que eu não sou desequilibrada e minhas crises sempre têm fundamento; então esta também tem.
Passei a noite conversando com uma amiga de anos. Amiga de adolescência que agora tem um trabalho bom pacas, vai casar e começar uma 2ª faculdade. Nada disso me abalou horrores até porque a errada no mundo sou eu, com zilhões de conhecidos casando e trabalhando e eu dormindo às 5 da manhã e almoçando às 4 da tarde. Mas o que me chocou foi conversar com ela coisas até bem particulares e pras perguntas que ela me fazia, as respostas eram as mesmas de 8 anos atrás! C-R-E-D-O!

E eu me pergunto: como pode a pessoa simplesmente estacionar no tempo?!?! Meu corpo foi, minha idade tá indo mas a mentalidade tá voltando e não, não é uma coisa boa, quando a mente volta só pras coisas ruins e não pras boas. Perceber que perdi 2 anos da vida fazendo nada até entrar na faculdade e perceber que estou com 1 ano de formada e minha vida tá beeeem pior do que quando era acadêmica me assusta! É muito tempo perdido com nada!
Ano passado achei que precisar ter objetivos difusos, não me concentrando em merda nenhuma porque achava que concentrando em várias, a chance de conseguir alguma era grande. Ledo engano. Me ferrei feio, e como agravante tenho essa coisa de doença mental babaca que não vai embora.
Mesmo agora que eu estou há um mês vivendo por conta própria, me achando a dona de mim mesma e do mundo, vejo o quanto eu me engano achando que estou bem. Quando estou bem acho que estou ótima e volta à rebeldia característica, deixando tudo de lado. Aí quando o cerco aperta e eu vejo que nada mudou, volto desesperadamente aos meus hábitos necessários na esperança de uma cura pra algo que eu não trato como deveria.

Então… desde 2007 cultivando coisas na minha mente, que evoluem pro meu corpo e invadem meu ser a ponto de me modificar como ser social. E volta a preguiça. E volta o desânimo. E volta o sono que não passa. E vai embora o humor. E volta a ansiedade e a enxaqueca. E o mundo que parecia tão colorido não passa mesmo é de uma imagem refletida nos óculos de alguém, não vivo isso. I play tricks on me, achando que sim, mas não. Vivo uma realidade de cor acinzentada, que varia no máximo pros tons pastéis. Não que eu goste disso, mas não faço esforço pra mudar. Não porque não queira. Mas por achar que quando estou bem já estou ótima, mas nem tudo é assim.

Me descobri inapta pra vida. Não tenho objetivos claros, porque minha mente ainda adolescente acha que pode abraçar o mundo e fazer tudo que a mente ainda sonhadora e ingênua acredita ser possível. algo dentro de mim ainda não assimilou que tenho uma ‘profissão’ e preciso saber exatamente o que fazer dela, porque rolar de um lado pro outro, em extremos que não se combinam, só me faz perder tempo. Concurso, Mestrado, trainee, escritório… o que? Não sei. A adolescente dentro de mim quer tudo isso MAIS uma 2ª faculdade, tudo ao mesmo tempo.

E eu ainda não considero algo muito relevante: eu não sou nenhum gênio. Nem sou sortuda. Só minha avó passou no vestibular fazendo prova de francês sem nunca ter estudado. Isso não é da minha natureza. então o que me faz acreditar que tenho perfil de Mestranda? Acho que é muita prepotência da minha parte. Sem contar que essa situação que (con) vivo há 2 anos me tira qualquer disposição pra estudar (pra sair de casa, pra ser sociável, pra tudo, enfim) e minhas rebeldias não ajudam.

Crises.
E eu que achei que elas cessariam logo nesse ano. Eu ainda consigo me enganar, o que é o mais hilário nessa história toda. Tenho enganado a muita gente, não por maldade, mas por achar que assim é melhor pra todos. bobinha eu. E pior pra quem acredita, porque são essas pessoas que não aceitam o fato de nada ter mudado.

Agora.. se pros outros é complicado, imagina pra quem passa?!

Talvez teria sido melhor não ter existido; simplesmente não me adapto. Não amadureço. Não evoluo. Só ocupo espaço.

Síndrome de Peter Pan não funciona no mundo real. E imaginar que nunca gostei da personagem.

Quando os hormônios falam – e como falam!

Minha mente é um andarilho que quando resolve se encontrar ou chegar a algum lugar, parece escolher sempre o caminho errado.

Queria fazer uma pesquisa de campo sobre o que as pessoas realmente pensam sobre mim. Não to disposta a receber respostas amigáveis ou daquelas “já que você pediu pra falar…”, mas sim respostas objetivas, apontando mesmo o que as pessoas que me conhecem pensam de mim. Sim, eu sei, é o cúmulo da neurose e ei!, nunca neguei isso. Pior que a neurose, na verdade, é minha auto-estima, que se fosse mais baixa seria menor que uma formiga.

Nessas condições, fico a pensar o por quê de continuar tentando mudar uma coisa que, a meu ver, é mega inerente à minha pessoa. Essa coisa toda de ser um ser social, de fazer terapia, de colocar a cara na porta e etc, tudo em vão. Porque, veja bem… se eu simplesmente não me relacionasse, metade das minhas questões, sejam elas pertinentes ou não (e sim, acho mesmo que a maioria é), não existiriam.

Eu juro que tento ver o lado bom das coisas, mas acho que tenho um lado negro mega sádico que não me permite dizer que o copo está meio cheio. Tudo bem que copo pela metade é copo pela metade e pronto… Mas isso não é papo pra esse post.
Voltando à vaca fria, esse lance de ter pensamento positivo e tal, não é muito comigo. Eu tento, tento e tento, e mesmo quando consigo minhas tentativas são fadadas ao fracasso… Já andei me perguntando se EU estou destinada ao fracasso.. porque se for, nada do que eu fizer, por melhor intenção que tenha e esforço que faça, será em vão. Cansaço físico emocional e espiritual… Convenhamos, sou muito preguiçosa pra admitir gastar energia à toa.

2009 começou e sei lá porque, achei que seria tão igual quanto os outros. Ledo engano. Bobinha fui eu de achar. Tirando a linearidade da minha vida, muita coisa tem acontecido ao meu redor. Eu pessoalmente continuo a formar uma linha mega extensa até o infinito; uma vida tão enfadonha que é quase impossível vislumbrar qualquer tipo de progresso… E é aí que todos se enganam! Se nada fosse tão ruim, tudo começou a piorar quando resolvi entrar o ano na dieta, pra perder aquilo que o Natal trouxe e o que o ano de desemprego adicionou. Além de estar sendo uma tarefa não só árdua como sofrida, é praticamente em vão. Continuo tentando, por trouxa que sou, mas continuo tentando.
A única coisa que poderia estar me trazendo um pouco de emoção nesta época, eu mandei pastar. Foi um lado racional meu, que talvez acha que em algum momento minha vida será melhor, e me trará coisas melhores do que somente um visual bonito num corpo vazio e uma cabeça cheia de merda. Arrependida? Talvez. Mas palavra solta não volta. E resolvi não voltar atrás – de novo – nesta.

Pra tentar me convencer de que estou sempre certa, fiz a bendita prova da ordem. E contrariando todas as expectativas, todos os conselhos, não estudei uma linha e fui melhor que nas 2 que fiz. Ainda não sei o que será de mim dia 01/03, mas tudo é possível, literalmente. Dependendo do que realmente acontecer, posso retomar minhas esperanças de um ano diferente, pelo menos pra mim…

… pros outros a banda toca beeem diferente. Parece até que todas as coisas boas resolveram acontecer a todos que conheço num único mês. O que é legal pacas, mas fico imaginando se terei meu mês também, cheio de coisas bacanas pra contar, realizações, bichos de estimação, fantasmas no armário, ratos na cozinha e coisas do tipo. Admirarei minha coragem de continuar vivendo, se repetir 12 vezes 12 meses chatos e sem ressacas como as praias nos agraciam vez ou outra.
Até a rotina dos lixeiros mudou! São 2:25 a.m. e os benditos trabalhadores acharam que este era o momento ideal pra trabalhar. Sorte deles que estou acordada e meu sono é pesado.

Continuando as tradições de começo de ano, minhas unhas resolveram entrarem greve e não estão crescendo. Pior: estão quebrando.
E eu, numa vã tentativa de busca de emprego não consegui nada, absolutamente nada. Talvez não seja pra conseguir mesmo. Mas queria conseguir entender o que Deus quer realmente de mim. Minhas alternativas nunca parecem ser as ideais. Mas tá tudo certo. Vou “i9ar” e tentar levar minha vida na esportiva. Aquela parada de ‘não leve a vida tão a sério’ deve servir pra alguma coisa, já que o autor do livro fatura um bocado(eu acho, tá sempre em promoção na Saraiva ou no Submarino).
Sabe o que eu acho? Que talvez eu realmente não leve a vida a sério e por isso ela não acontece; acho que é falta de crédito nela.
Ou simplesmente falta de vontade de viver. Penso muito nisso. Mas assim, não necessariamente quero me matar ou morrer. Quero viver assim do meu jeito, coisa que desde a minha tenra idade me parece impossível por imposições sociais ou familiares.

To viajando aqui. Não sei mais do que se trata esse texto, se é que ele se tratava de alguma coisa. Mas acontece que hoje foi um dia que começou cheio de sentimentos, que variaram da confusão, pra alegria, pro aborrecimento, pro alívio e por conta de um mero insight chegou na inveja, culminando na tristeza e na pessoa neurótica que me tornei ao imaginar essas muitas palavras jogadas numa tela de computador.
E rolando a barra de rolagem fiquei meio chocada com a quantidade de palavras que tem aqui. Não sei porque, mas sempre resolvo publicar essas coisas… acho que é na vã esperança de Deus ligar seu pc e resolver dar um “Google” em mim. Sei lá, né? Vai que ele acha e resolve se compadecer da minha pobre alma. E tirar de mim essas palavras R-Í-D-I-C-U-L-A-S de auto-piedade.

É provável que ao reler essa bosta eu fique com vergonha da minha unha do dedinho do pé, mas que se dane. SE tem uma coisa que aprendi depois de algumas décadas, é não me arrepender do que faço (super me contradizendo com o que escrevi lá em cima. Sim, voltei pra ler e não, não entendi nada, muito menos o propósito disso aqui).

De qualquer forma espero confiante por um ano babaca bacana.
Que eu cumpra minhas promessas, que Deus cumpra as Dele na minha vida; que eu volte a cantar, já que ‘encantar’ não é meu strong suit; que eu seja mais tolerável e tolerante; que o McDonald’s não mude o sabor do McFlurry a cada ciclo de ovulação da mulher do Ronald; que eu pare de trocar as letras que marco achando que vou abafar e acabo me ferrando; que eu consiga pensar em cogitar a possibilidade de fazer minha faculdade de letras; que finalmente eu pare de ser mais covarde do que um cão cego abandonado no meio da pista e resolva dirigir; que eu ganhe apostas e sorteios; que eu seja eleita a rainha da classe e que meu par seja um bacana e nao o jogador mais popular do colégio; que minha doação para o bingo da terceira idade me faça ganhar uma placa de agradecimento em bronze; que eu ganhe dinheiro de forma lícita; que a Globo faça um especial sobre mim; que meus dias terminem às 22 e comecem às 6; que eu consiga passar pelas grades da minha janela, só pela emoção; que eu compre mais canecas; que minha parede fique vermelha ou amarela ou laranja; que eu seja sorteada pra participar do “Melhor do Brasil”, ganhar um alisamento e ainda ter a ‘sorte’ de encontrar meu par, tipo um rapaz da zona oeste de SP, com 28 anos fazendo pré-vestibular e trabalhando como entregador das tortas da avó… Também não custa nada pensar em coisas ridículas como conseguir emagrecer, passar num concurso, começar um mestrado ou outra faculdade e porque não, achar um par. Mas essas coisas estão muito demodé. Acho mais fácil tentar as opções aí em cima…

Tá, acabou. Hormônios enlouquecidos mode off.


Post Scriptum: são exatos 03:03.. fala sério que eu sei que é VOCÊ que está pensando em mim!!! 😛

2009

2009. Ano ímpar. Dizem as más línguas que ano ímpar é ao pra arranjar um par. Não garanto certeza de satisfação total verificando que alguns anos ímpares já se passaram e testemunhas vivas continuam solteiras em anos pares e ímpares. Essa e outras coisinhas que se ouvem por aí, na minha humilde opinião é tudo balela. Mas há quem acredite. Há quem ainda acredite em Bicho Papão, em Papai Noel, em coelhinho da Páscoa, em príncipe encantado, em paz mundial, em emprego perfeito, em família perfeita, em vida ideal.

Nada contra; sonhos, dizem, quanto mais os têm, mais fácil de viver. Eu tento. Tento viver do meu jeito, com peito aberto pra vida que Deus me deu. E neste ano que vai começar, as esperanças se renovam. Mas não com os sonhos irreais que outrora tive. Hoje minha esperança se basta em si só. Em ser, literalmente esperança. Esperar pelo que há de vir. Expectativas, não as quero mais. Vivo só de esperar. Esperar pelo amanhecer, pelo anoitecer. Pelo feriado e pelo fim de semana. Pelo aniversário e pelas festas. Pelos choros por coisa nova e choros por motivos antigos. Esperar pela coragem que ainda não tenho. Pelo medo que não me abandona.

Esperar é mais difícil do que acreditar no que não existe. Esperar requer ter consciência da realidade e esta nem sempre é boa. Acreditar no inexistente é uma fuga, mas uma fuga consoladora; fecham-se os olhos pro ruim, pro mau e pro inevitável; pro chato, pro trabalhoso, pro obrigatório. Esperar requer coragem. Coragem que nem sempre as pessoas têm. E eu me incluo nisso. Me finjo de forte, de independente, de bem resolvida e de moderninha. Mas meus conceitos são retrógrados, me escondo atrás de máscaras, preciso de atenção e sou frouxa como um filhote de cachorro recém desmamado.

Mas 2009 está aí e a cara está à frente, esperando o tapa que lhe é devido. A coragem, finjo ter, me faço de valente e de noite, como quem finge não querer nada, me escondo debaixo do cobertor no meu cantinho escondido.

E que venha! Venha me desafiar, me irritar, me apaixonar, me alegrar, me surpreender, me entristecer, porque também faz parte. Darei à cara a tapa aos corajosos que partirem pra cima de mim, pras situações mais constrangedoras, mais pitorescas, mais inusitadas, mais rotineiras. E que seja assim. Assim, como quem não quer nada, que 2009 venha pra ser o que lhe é de obrigação: fazer-nos passar por mais um ano, vivendo as aventuras que é viver uma vida, derramar uma lágrima, gargalhar às alturas, dançar como se ninguém estivesse vendo. Mais 52 semanas. Mais 365 dias. Mais 12 meses. E só.


Qual é a da mentira e outros tópicos nada interessantes. Vá ler um livro.

Aff!
Não sei por que parei pra ler meu último texto. Nada contra ele, exatamente. Tudo contra mim.
Tudo bem, começo dizendo que um PÉSSIMO humor habita meu ser. Por si só, isso já é motivo pra não ter aberto este blog. Mas tudo bem, abri. Podia ter ficado só no ‘add new post’, mas nãooooo, não, a idiota tinha que ler o que estava escrito.

Não sei quem escreveu aquilo aqui embaixo ou quem escreve estas linhas. Ou talvez eu seja bipolar. Não sei.

Só sei que, na boa? Eu não fui nada modesta sobre coisas que eu NEM SOU!!!
Eu não sou boa filha, boa neta, boa sobrinha e/ou boa prima. Ou pelo menos não sou como gostariam que eu fosse e isso já é suficiente(pra mim. SUA opinião, creio eu que APENAS hoje, realmente não me importa). Esses dias natalinos e de ano novo são sempre bons pra me fazerem ver o quanto ainda falta pra ser realmente alguém bacana. É só imaginar como um serzinho como eu se comporta em dias de mau humor como este. Nem eu me suporto. Acho que falei o equivalente ao que falo em 1 minuto, considerando que cuspo palavras como quem respira. Meus lábios estão quase selados. Não posso ser, portanto, uma boa blablablá wiskas sachê que falei aí em cima.

Boa amiga?! Come on! Eu sumo, não dou notícia, fujo das pessoas (por medo, confesso. Não, não sofro de nenhuma “sociopatia”. Eu acho…)… Já me deram algumas broncas nesse ano que GRAÇAS A DEUS está acabando. Eu juro que tento, mas como falho comigo mesma, não creio ser possível acertar com os outros.
Meus amigos são até muito bons pra mim; me aturam, me procuram, respeitam meu espaço, perdoam meus atrasos e meus inúmeros e incontáveis furos. Eu JURO que tento ser melhor, mas simplesmente não tenho tempo de terapia suficiente pra modificar certos (maus) hábitos meus.

E como mencionei esses dias festivos, vamos falar sobre eles, shall we?!
Bem, como de praxe, estão sendo os dias mais longos do ano. E, também como de praxe, os dias que menos gosto durante o ano. Só perdem pr’aqueles dias “sinistros”, cheios de tragédias ou muito estresse.. Lê aí pra baixo que você acha.

Não nego que a hora do “vamos abrir os presentes” é sempre um alívio na minha infinita curiosidade e normalmente as pessoas acertam no que me dar. Este ano não foi diferente… O ruim, ruim mesmo, foi ver claramente o que a falta de emprego não me permite comprar nem um pacote de balas.

Ainda tá pra vir o New Year’s Eve. ODEIO. Um bando de rituais esquisitos, quando não obrigatórios, como na minha família, pra ver dar meia-noite num relógio. Oi??!?! São 364 meia-noites  (sem falar de ano bissexto) antes desse e nem por isso as pessoas dão valor. E não, não me venha com xurumelas que “vira o ano” porque absolutamente nada muda: você vai continuar com aquela espinha na testa, com os 5kg a mais da ceia de Natal, as resoluções pro ano vindouro são as mesmas do ano que passou e você não cumpriu. NADA MUDA a não ser o calendário. E a cada dia minha vontade de passar esse dia dormindo, com altas doses de Rivotril ou Lexotan na minha corrente sanguínea, aumenta.

Acho que já deu. Já reclamei do que tinha do que reclamar e já falei p que tinha que falar. Mas que fique claro: esse último post aí foi coisa de gente bêbada. De vez em quando eu fico, mas nem foi o caso. Acredito que uma força interior me impeliu a dizer tantas linhas de mentira. Mas todo mundo mente, né? Então desconsidera o post aqui. Sim, este mesmo. Deixa a mentira fluir… pode ser que um dia vire verdade.

Post Scriptum: fico verdadeiramente lisonjeada a ser comparada ao autor do livro mais fodástico que já li(disparado na frente de alguns prediletos como “Conte-me Seus Sonhos” do tio Sidney Sheldon e “Feliz Ano Velho“, de Marcelo Rubens Paiva.).  Não acredito que seja párea pra tanto, mas de coração, agradeço o elogio! Thanks!

Evoluindo ou enlouquecendo?

O que uma vida de ócio constante não faz com um ser humano. Acho que estou na pior onda de “nada pra fazer” da história da minha vida. E olha que “minha vida” tem muitas histórias. Pra todos os gostos, idades, crenças, culturas e etc, heheh.

Meu relógio biológico enlouqueceu de vez. Dá 4 da manhã e estou com a corda toda. É até bem engraçadinho, se não fosse pelo fato de acabar indo dormir umas 5, acordando milhões de vezes até levantar de vez, às 14. E nessa de acordar muito, almoço, volto e durmo mais um pouco. No final das contas meu dia só começa às 17. Engordei horrores. Não consigo ler metade das coisas que PRECISO ler. E quando começo é madrugada.

Confesso que estou prestes a ligar pra todos os canais televisivos e pedir programação melhor nas madrugadas. Poxa vida, só programa ruim de ver, nada interessante… Não posso negar que por conta de coisa melhor pra fazer parei pra pensar, tive um insight ou coisa que o valha por conta de uma conversa de MSN (as pessoas também precisam ir dormir mais tarde, diria meu lado mais egoísta…)

Arredondando, estamos em Novembro. Final de outubro. Semana que vem já é novembro. Fazendo um balanço, o ano foi o seguinte (na ordem que vêm à minha cabeça, e não dos acontecimentos):

  • Estou sem emprego e/ou ocupação desde março;
  • Me apaixonei por Clarice Lispector;
  • Fui a Brasília 2 vezes;
  • Fiz 2 provas para a OAB;
  • Me inscrevi em uma seleção de Mestrado;
  • Me inscrevi em milhões de programas de trainees;
  • Não anulei meus votos, como de costume;
  • Comprei algo em torno de 15 livros, contando os jurídicos;
  • Conheci cerca de 8 bandas/artistas diferentes;
  • Tomei grande quantidade de bebidas alcóolicas;
  • Perdi o medo de Labradores;
  • Descobri que quero um cachorro;
  • Saí pra dançar umas 3 vezes no máximo;
  • Não fui ao cinema nem ao Teatro (sem meia entrada e sem emprego fica um pouco complicado);
  • Fiz 3 cursos diferentes;
  • Pensei mais de 10 vezes em tentar Mestrado em filosofia;
  • Me arrependi mais de 10 vezes de ter comprado esse computador pelo qual escrevo essas baboseiras;
  • Peguei 1 única vez num carro, ri de nervoso, quase tive um treco e bati em carros parados;
  • Perdi o RG em menos de 3 meses depois da 2ª via;
  • Dispensei um trabalho (escravo) na Ilha do Governador;
  • Pensei e pseudo-planejei viagens pra resolver meus problemas pessoais e profissionais;
  • Neguei, casa, comida e roupa lavada em outro estado da federação (adoro essa expressão);
  • Parei de cantar o pouco que cantava;
  • Falei muita coisa que pensava a muita gente que não queria ouvir, incluindo minha mãe;
  • Virei fã de cinema latino e europeu;
  • Fui no Festival do Rio (não importa em que circunstância, please);
  • Fiz um piercing (mas já era pra ter 2);
  • Fiquei com um número razoável de pessoas (rá! acha que vou contar?!?!?), incluindo gays e gagos;
  • Não me apaixonei nenhuma vez (incluindo descobrir que ‘antes só do que mal acompanhada’ é O ditado!);
  • Fiz cálculos realistas sobre o meu futuro.

Bom, parece idiotice, mas o fato é que nem estou enlouquecendo como estava na mesma época do ano passado (tinha milhões de outras variantes também).
Cheguei num nível de evolução humana que, para mim, para minha pessoa, era algo quase inatingível.

Tá, não nego que passar todos os dias em casa, fazer coisa alguma, sem resolver minha vida profissional e me enrolando na amorosa, nunca foi meu sonho. Mas eu to normal, respirando e bem! Cara, que evolução! To tão orgulhosa de mim, colocaria aquelas estrelinhas douradas na minha cabeça, como os professores faziam nos cadernos quando o dever de casa era bem feito!

Daqui a pouco estamos em 2009, não fiz nada, não alcancei nada, não arranjei emprego, tampouco sei o que realmente quero pra minha vida e também nenhum alguém que esteja no mesmo ritmo que o meu e eu não ligo! Uhu!!! E nem ligo que o tempo tá passando e eu to envelhecendo e não tô fazendo nada! Vou viver esse momento de total loucura antes que eu acorde pra realidade e literalmente enlouqueça!